terça-feira, 28 de julho de 2009

Rio Maranguapinho: o coelho e as tartarugas

Foto: Rio Maranguapinho. Disponivel em
http://www.jornaltribunadopovo.com/noticias-maio/53.htm
As margens de rios são áreas de preservação permanente, que precisam ser conservadas para manter a biodiversidade, minimizar os impactos ambientais sobre o recurso hídrico, e assegurar o bem estar do homem.
As Áreas de Preservação Permanente (APP) foram criadas pelo Código Florestal. A preservação dessas áreas tem amparo legal devido à sua importância ambiental, portanto, além de ilegal, a moradia nesses locais é imprópria, precária, e oferece risco aos seus moradores.
Mas o que se vê na dura realidade dos grandes centros urbanos, são grandes parcelas da população residindo (ou sobrevivendo) nas encostas ou às margens dos rios.
Essas ocupações são resultantes de uma série de fatores, como
o crescimento desordenado,
a inexistência de políticas públicas consistentes e continuadas visando a concessão de moradia para a população de baixa renda,
a inexistência de áreas urbanizadas acessiveis aos pobres,
e a omissão do poder público que permite a ocupação.
A cada dia surgem novas comunidades vivendo em áreas de risco, num processo de expansão informal, sem controle, sem qualquer participação do governo ou de suas instâncias administrativas. 
São as comunidade, dos pobres, dos excluídos, sem infra-estrutura, sem segurança, sem serviços.
Foto: Rio maranguapinho. disponível em
http://tvverdesmares.secrel.com.br/
Fortaleza tem dado sua contribuição quando o assunto é omissão:
O Rio Maranguapinho é o maior afluente do Rio Ceará, nasce na serra de Maranguape, cruza os municípios de Maranguape, Maracanaú, Fortaleza e Caucaia.
Tem um percurso de 34 km, em toda sua extensão: conta com 51 áreas de risco e cerca de 60 mil pessoas morando nas suas margens.
Só em Fortaleza cerca de 7 mil pessoas vivem nas margens do Maranguapinho.
O Rio corre na zona leste da região metropolitana de Fortaleza  numa das áreas mais pobres e com maior densidade populacional, correspondente a diversos bairros entre eles, Quintino Cunha, Antonio Bezerra, Autran Nunes, Genibaú, Henrique Jorge, Conjunto Ceará, João XXIII, Bom Sucesso, Granja Portugal, Parque São José, Bom Jardim, Canindezinho e Siqueira.
Foto:Rio Maranguapinho.Disponivel em
http://bradescobancodoplaneta.ning.com/
A população ribeirinha sofre com os alagamentos que ocorrem com bastante freqüência em períodos chuvosos - perdem seus escassos pertences, ficam sujeitos a doenças provocadas por ratos, pelas águas sujas e poluídas, convivem no meio do lixo acumulado que eles mesmo descartaram (por ignorância e por falta de opção) - sem contar com os inúmeros casos de afogamentos e desaparecimentos, principalmente de crianças.
A Prefeitura de Fortaleza está executando o projeto Habitafor, que pretende retirar os que vivem em condições precárias e acabar com as áreas de risco existentes na cidade; o Governo do Estado está lançando o projeto Rio Maranguapinho, que tem como objetivo a construção de 5 mil moradias e a realização de obras de esgotamento sanitário nos bairros situados ao longo do rio em três municípios: Fortaleza, Maracanaú e Maranguape.
O problema é o ritmo adotado pelos dois lados:
as obras governamentais andam a passo de tartaruga, enquanto a pobreza cresce no ritmo do coelho.
E a tartaruga só vence o coelho na fábula de Esopo. 

3 comentários:

tonycoriolano@ig.com.br disse...

Olá, estou impressionada com tamanha pobreza as margens do Rio Maranguapinho. Nunca estive lá, mas, só de ver as imagens e as reportagens já é possível imaginar o tamanho sofrimento dessas pessoas que lá vivem. Estou realizando um trabalho no qual vou comentar um pouco da vida das pessoas quando há inundações, onde acabam perdendo uns poucos bens matérias que lhe restam. Fora isso a tragédia se torna maior devida à perda de entes queridos por afogamentos! Isso é muito doloroso.

Fátima Garcia disse...

É uma área muito pobre, carente de serviços básicos e de alto risco para os moradores. Vamos ver se esses projetos governamentais decolam né?

Carlos Alberto disse...

Vocês não tem noção do softimento dessas familias que moram as margens do Maranguapinho.