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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Eles Lutaram na Guerra do Paraguai


A Guerra do Paraguai foi um conflito entre os aliados Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai, também conhecida por Guerra da Tríplice Aliança. A guerra foi causada pelos diferentes interesses que existiam entre as nações platinas na segunda metade do século XIX. O estopim para o início desse conflito ocorreu quando os paraguaios aprisionaram uma embarcação brasileira — o vapor Marquês de Olinda.


Cearenses na Guerra do Paraguai (foto Wikipédia)

A Guerra da Tríplice Aliança começou em 1864 e terminou em 1870, quando o Paraguai foi oficialmente derrotado e o ditador paraguaio Solano Lopez foi morto no mês de março.  Muitos brasileiros participaram, muitos perderam a vida e outros sobreviveram e tiveram seus esforços reconhecidos.


A época, Dom Pedro II era o imperador do Brasil e os dois grandes nomes do exército brasileiro no conflito foram o Duque de Caxias e o Conde D’Eu. Alguns monumentos e ruas de Fortaleza levam o nome de alguns desses militares. As duas primeiras estátuas que foram inauguradas em Fortaleza se reportam a dois deles, os dois nascidos no Ceará, os Generais Antônio Tibúrcio Ferreira de Souza e Antônio Sampaio. Os demais homenageados são procedentes de vários estados brasileiros, e provavelmente, nunca estiveram no Ceará.

  

Praça General Tibúrcio - Centro




A primeira estátua da cidade, inaugurada em 1888, localizada no antigo Largo do Palácio, atual Praça General Tibúrcio, representa o general Antônio Tibúrcio Ferreira de Souza, general do Exército Brasileiro. O general faleceu em Fortaleza, a 28 de março de 1885, com 48 anos incompletos, e foi sepultado do Cemitério de São João Batista. Em 1952 seus restos mortais foram exumados e depositados numa cripta na base do monumento.

   

Literato, professor e pensador, o general Tibúrcio tomou parte em vários combates, como  “Estabelecimento”, “Tuiutí”, “Lomas” “Valentinas” e “Peribebuí” e recebeu as seguintes condecorações: medalhas do Prata, de Corrientes (pelo Congresso Argentino) e Riachuelo; Cavaleiro e Oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro, Comendador da Ordem da Rosa; Mérito Militar, Dignatário da Ordem, da Rosa, de Prata da Campanha do Uruguai, Geral do Campo. A Praça recebeu o nome do general um ano antes da inauguração da estátua, em 02 de fevereiro de 1887, por resolução da Câmara.


Estátua e Rua General Sampaio - Centro


Foto IBGE

O general Antônio de Sampaio, natural de Tamboril, nasceu em 24 de maio de 1810. Aos 20 anos de idade, alistou-se como Praça voluntária nas fileiras do então 22.º Batalhão de Caçadores, sediado na Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção, alcançando todos os postos da carreira militar por mérito. Considerado um dos maiores militares da história do Brasil independente, participou de muitas das principais guerras travadas pelo Exército Brasileiro ao longo do século XIX, vindo a falecer a bordo do navio Eponina, decorrente dos três ferimentos recebidos na Batalha de Tuiuti no dia 24 de maio de 1866. É o patrono da Infantaria do Exército




A estátua do General Sampaio foi inaugurada no dia 24 de maio de 1900 na Praça Castro Carreira, (também conhecida por Praça da estação), em frente a Estação Central da Estrada de Ferro. Foi a 2ª a ser inaugurada em Fortaleza. Passou pela Avenida Bezerra de Menezes, pela Avenida Treze de Maio e atualmente encontra-se em frente ao quartel da 10ª. RM, na Avenida Alberto Nepomuceno. Além da estátua o General Sampaio também nomeia uma das ruas mais antigas do centro de Fortaleza, a antiga Rua da Cadeia, rebatizada por Rua General Sampaio por ocasião das comemorações dos 90 anos de nascimento do militar.


Avenida Duque de Caxias - Centro


Na Praça da Bandeira, encontra-se o busto do Duque de Caxias, inaugurado em 25 de agosto de 1947, na administração do prefeito José Leite Maranhão (1947-1948). Luís Alves de Lima e Silva, militar, natural do Rio de Janeiro, chefiou as forças brasileiras na Guerra do Paraguai e recebeu do imperador Dom Pedro II o maior título de nobreza dado a um brasileiro. É o patrono do Exército Brasileiro. O Duque de Caxias era natural do Rio de Janeiro, e empresta seu nome a uma das três avenidas mais antigas da cidade, o antigo Boulevard do Livramento, atual Avenida Duque de Caxias. 


Avenida Almirante Barroso – Praia de Iracema


Francisco Manoel Barroso da Silva, o Barão do Amazonas, nasceu em 29 de setembro de 1804 em Lisboa; veio para o Brasil, com seus pais e a Família Real portuguesa, chegando ao Rio de Janeiro em 1808.  Participou da Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai, operando no Rio Paraná e, depois, no Rio Paraguai, até a Batalha de Curupaiti. Comandou a força naval brasileira que venceu, em 11 de junho de 1865, a Batalha Naval do Riachuelo, no Rio Paraná. Deixou o serviço ativo como Almirante e fixou residência em Montevidéu, no Uruguai, onde faleceu, em 1882. A Avenida que leva seu nome está localizada na Praia de Iracema.


Rua Sena Madureira - Centro


Antônio Sena Madureira participou da Guerra do Paraguai ainda no início de sua carreira militar. Foi capturado e acabou prisioneiro das tropas comandadas por Solano Lopez. Sena Madureira ficou conhecido pelo seu livro “A Guerra do Paraguai – resposta ao senhor Jorge Thompson” em que refutava as acusações do oficial inglês de Solano Lopez em relação ao suposto imperialismo brasileiro na Guerra da Tríplice Aliança, acusando o Paraguai como principal responsável pelo conflito. Nasceu em Recife. Hoje é nome de uma das ruas mais antigas do centro.


Rua Ana Neri – Jardim América


Ana Justina Ferreira Néri nasceu em Vila de Cachoeira do Paraguaçu, Bahia, no dia 13 de dezembro de 1814. Foi a pioneira da enfermagem no Brasil, prestou serviços voluntários, nos hospitais militares de Assunção, Corrientes e Humaitá, durante a Guerra do Paraguai. Ana Néri teve três filhos, o cadete Pedro Antônio Néri e os médicos Isidoro Antônio Néri Filho e Justiniano de Castro Rebelo. Em 1865, o Brasil integrou a Tríplice Aliança, que lutou na Guerra do Paraguai e os filhos de Ana Néri foram convocados para lutar no campo de batalha. Sensibilizada com a partida dos filhos, Ana Néri escreveu uma carta ao presidente da província oferecendo seus serviços de enfermeira para cuidar dos feridos de Guerra do Paraguai, enquanto o conflito durasse. Seu pedido foi aceito.  Finda a guerra, a enfermeira foi condecorada com as medalhas de prata Geral de Campanha e a Medalha Humanitária de Primeira Classe. Recebeu do imperador D. Pedro II, por decreto, uma pensão vitalícia com a qual educou sua família. Ana Néri faleceu no Rio de Janeiro, no dia 20 de maio de 1880.


Avenida Almirante Tamandaré – Praia de Iracema


Busto do Tamandaré na Praça Amigos da Marinha, no Cais do Porto

Joaquim Marques Lisboa – Almirante Tamandaré foi militar da Marinha do Brasil. Combateu em todas as lutas do império, entre elas as "Guerras de Independência", "A Confederação do Equador", "A Guerra contra Oribe e Rosas" e a "Guerra do Paraguai". Recebeu o título de Almirante, o mais alto posto da Marinha. Comandou diversas esquadras. Foi nomeado Patrono da Marinha do Brasil.  O Almirante Tamandaré nasceu na vila de São José do Norte, Rio Grande do Sul, no dia 13 de dezembro de 1807 e faleceu no Rio de Janeiro, no dia 20 de março de 1897. Posteriormente foi declarado “Patrono da Marinha Brasileira”. No dia de seu nascimento, 13 de dezembro, comemora-se o Dia do Marinheiro. Além de nomear a avenida, Tamandaré está imortalizado em um busto localizado na Praça Amigos da Marinha, no Cais do Porto, nas proximidades do Porto do Mucuripe.


Rua Conde D’Eu – Centro


O Conde D’Eu - Luís Filipe Maria Fernando Gastão de Orléans pode ter recebido a homenagem por outros motivos, principalmente por ser o genro do imperador, casado com a Princesa Isabel. Mas ele também foi ao Paraguai. Em Uruguaiana, foi nomeado comandante geral da artilharia e presidente da Comissão de Melhoramentos do Exército em 19 de novembro de 1865. Depois, por ser um oficial de alto escalão, com treinamento militar, foi convocado para liderar como comandante-em-chefe os exércitos aliados em 1869, após o Duque de Caxias ter-se demitido da função. A Rua Conde D’Eu, antiga rua Nova dos Mercadores, ganhou o nome do conde em 6 de abril de 1870.


Praça dos Voluntários (Praça da Polícia) - Centro


A Praça é dos Voluntários, mas o busto é de Getúlio Vargas

Localizada no Centro entre as Ruas do Rosário, Perboyre e Silva, General Bezerril e Monsenhor Luís Rocha. Chamada inicialmente de Largo do Garrote, mais tarde, Praça dos Voluntários da Pátria, em homenagem aos cearenses que seguiram para a Guerra do Paraguai, que se apresentaram voluntariamente.


Entre voluntários e convocados compulsórios, estima-se que o exército saído do Ceará era composto de 6.000 homens, dos quais a maioria esmagadora, sem treinamento, armamento inadequado, alimentação de péssima qualidade, sem assistência médica, cerca de 4.700 pessoas, acabaram mortas. Muitos dos sobreviventes cearenses, em torno de 1.300, ficaram no Rio de Janeiro e ocuparam o Morro do Juramento, considerado o primeiro agrupamento de cearenses, morando em barracos e cortiços, em total abandono. O Estado não lhes dava nem a passagem de volta para o Ceará. Deu-lhes a Av. Voluntários da Pátria, em Botafogo. Nada mais.


Praça dos Voluntários (Praça da Polícia)

A partir de 1932, a praça de Fortaleza teve o nome abreviado para Praça dos Voluntários. Em1941, na gestão do prefeito Raimundo Alencar Araripe o logradouro foi remodelado, ajardinado e iluminado e recebeu a estátua do então presidente Getúlio Vargas.


Todos estes logradouros têm denominação bastante antiga. Hoje, não receberiam esses nomes, mesmo porque, na cidade sem memória, ninguém mais os conhece, exceto, talvez, o General Tibúrcio.

 

A guerra produziu ainda um caso famoso na história cearense. O de Jovita Feitosa. Antônia Alves Feitosa, pertenceu a um ramo mais pobre de uma poderosa família latifundiária. Nasceu no povoado de Brejo Seco, nos Inhamuns, em 8 de mar de 1848. Ao saber do início da guerra do Paraguai, aos 17 anos, foi a Teresina, escondida do tio com quem morava. Decidiu ser “voluntário da pátria”.


Jovita Feitosa (foto Internet)

Como o exército não aceitava mulheres, passou a faca nos cabelos e pôs um chapéu de vaqueiro, apresentou-se, e foi inicialmente aceita. Mas teve sua identidade descoberta por conta da denúncia de outra mulher. Acabou incorporada, de saiote e blusa militar, com a divisa de primeiro sargento, seguindo para o Rio de Janeiro, em set de 1865. Mulata, de feições índias e estatura mediana, Jovita ganhou notoriedade e virou instrumento de propaganda do governo para estimular novos voluntários a “lutar pela pátria”.


Em novembro de 1865, o ministro da guerra afastou-a da tropa. Permanecendo no Rio de Janeiro, envolveu-se sentimentalmente com um engenheiro inglês, passando com ele a viver na praia do Russel. Ao saber que o companheiro fora embora, sem nenhuma comunicação, cometeu suicídio com uma punhalada no coração em 1867, aos 19 anos de idade.

 

Fontes: 

Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. De Josué Callander dos Reis

https://www.marinha.mil.br/dphdm/historia/almirante 

https://www.ebiografia.com/ana_neri/ 

http://www.casadoceara.org.br/

Guia Turístico da Cidade, PMF, 1961

A História do Ceará Passa por esta Rua, de Rogaciano Leite Filho

Praças de Fortaleza, de Maria Noélia Rodrigues da Cunha

fotos acervo do Fortaleza em Fotos 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Jovita Feitosa a Heroína que (não) foi ao Paraguai


Antônia Alves Feitosa (Jovita era apelido caseiro) nasceu no Ceará, na localidade de Brejo Seco, região dos Inhamuns, em 8 de março de 1848. Aos 12 anos, ficou órfã de mãe, vítima de uma epidemia de cólera, e foi morar com um tio, na Vila de Jaicós, no Piauí. Aos 17 anos de idade, fugiu para Teresina, com o propósito de ir lutar na Guerra do Paraguai.


Ao tomar conhecimento da invasão de Mato Grosso, pelo exército de Solano López, Jovita decidiu se alistar no corpo de Voluntários da Pátria. Como ouviu dizer que mulheres não eram aceitas no Exército, cortou os cabelos, amarrou os seios com uma cinta, vestiu as roupas do tio e seguiu para se alistar em Teresina. Foi descoberta por uma feirante e denunciada.

Jovita foi presa e levada ao chefe de polícia. Interrogada, declarou que vestiu-se com roupas masculinas porque as pessoas a quem declarava sua intenção diziam-lhe que, como mulher não poderia se alistar no exército. E então, como fosse grande o desejo que tinha de lutar na guerra, cortou seus cabelos com uma faca, pedindo depois a uma mulher que os aparasse bem rente, tomou roupas de homem e foi assim apresentar-se ao Exmo. Sr. presidente da província, e rogou-lhe que a mandasse alistar como voluntária da pátria. Alegou ainda que sabia usar armas e estava disposta a aprender o que lhe fosse ensinado.  

Como não havia norma que proibisse, o comando militar piauiense não apenas a aceitou nos treinamentos, como lhe deu divisas de primeiro sargento. Passou a usar farda com saiote. O governo e o comando militar do Piauí logo perceberam que  a jovem poderia ser explorada como instrumento de propaganda pelo Império, como forma de incentivar a apresentação espontânea de voluntários. A notícia da jovem nordestina que havia se alistado no exército voluntariamente, logo se espalhou pelo país.

O navio que levava os novos combatentes do Piauí ao Rio de Janeiro, fez escala em Recife e Jovita foi recebida como hóspede de honra pelas autoridades locais, que organizaram um espetáculo de boas-vindas no teatro Santa Isabel. Por onde andava, ela arrastava atrás de si um cortejo de gente curiosa para vê-la. Os fotógrafos colocavam à venda retratos da voluntária, enquanto os jornais estampavam matérias sobre a jovem heroína. Ao chegar ao Rio de Janeiro, em 9 de setembro de 1865, Jovita já era uma celebridade.


Porém, em 16 de setembro de 1865, foi informada pelo Ministério da Guerra de que não poderia integrar o corpo de combatentes, mas sim, como qualquer outra mulher, poderia prestar os serviços compatíveis com a natureza do seu sexo. Jovita e seus apoiadores tentaram de todas as maneiras revogar a ordem. Em 18 de setembro de 1865, ela foi recebida pelo próprio imperador D. Pedro II. Mesmo assim, não conseguiu seu intento. O Secretário da Guerra sentiu-se obrigado a escrever a ela uma carta em que explicava que a sua compleição e o seu sexo eram o motivo para não poder suportar as fadigas de uma campanha.

Jovita recusou-se a ir para o Paraguai como enfermeira. Pouco a pouco, os jornais deixaram de se interessar por ela. Seus apoiadores organizaram um espetáculo beneficente para custear seu retorno ao Piauí. Meses depois, ao chegar à pequena vila de Jaicós, seu pai a recebeu friamente. Desgostosa, sem conseguir se encaixar novamente no mundo de onde viera, ela voltou ao Rio de Janeiro. Sozinha e sem trabalho.

Jovita caiu no anonimato e só voltou às páginas dos jornais dois anos depois. Em 9 de outubro de 1867, ela teria ido até a casa do engenheiro inglês William Noot, por quem era apaixonada, para confirmar a notícia de que ele havia voltado para a Inglaterra. No final da tarde, foi encontrada sem vida no quarto do amante; tinha "implantado obliquamente da esquerda para a direita e de cima para baixo, na região precordial, um canivete em forma de punhal, com cabo de madrepérola". No bolso do vestido de sarja preta que usava, havia um bilhete com esses dizeres: "Não culpem a minha morte a pessoa alguma. Fui eu quem me matei. A causa só Deus o sabe". Jovita contava 19 anos de idade.

Três dias depois, o Diário do Rio de Janeiro assim descrevia o enterro de Jovita: "Essa moça que tanto entusiasmo causou na província do Piauí e aqui na Corte, que tanto dinheiro deu a ganhar aos fotógrafos que com ela se empenharam para tirar-lhe o retrato e expô-lo à venda, ela que foi aclamada no teatro São Pedro de Alcântara, em uma noite quando apareceu em um dos camarotes vestida de vivandeira, seria ontem atirada na vala do cemitério do Caju, se uma mão benfazeja e caridosa não se estendesse a diversas pessoas implorando uma esmola para dar-lhe um enterro pobre em cova separada".

Mas existe outra versão: Jovita teria vivido um romance com o engenheiro Guilherme Noot, cuja casa pegou fogo em outubro de 1867. Dentro foi encontrado um corpo de mulher carbonizado, com um punhal encravado no peito. Jornais informaram que seria Jovita. Conforme as notícias, cometeu suicídio ao saber que Noot retornaria à Europa. Nunca ficou claro como reconheceram o corpo carbonizado e depois se soube que o engenheiro jamais tinha saído do Rio. Havia perguntas não respondidas, mas o assunto foi deixado para lá.

Há também quem garanta que o desfecho talvez tenha sido outro. Em outubro de 1865, Jovita escreveu carta publicada na imprensa na qual agradeceu ao carinho popular e informou que retornaria ao Piauí. Mas, tinha outros planos. Contou a Noot que pediria ao cabo Euzébio, que conhecera na viagem ao Rio, para levá-la ao front de batalha como sua mulher. Prestaria serviços de vivandeira, ajudaria com os feridos e cuidaria das coisas de Euzébio. Não há registros de que realmente tenha ido. Todavia, havia uma mulher combatente em campos paraguaios. Atirava bem, matava sem hesitar. Na maior parte do tempo, dedicava-se ao cuidado dos feridos, a quem levava para a brava enfermeira Ana Néri. Quando o cabo que a levou como companheira morreu, tomou a farda dele, manteve o cabelo cortado bem rente e passou a guerrear. Na batalha de Acosta Ñu, em agosto de 1869, a brava mulher morreu em um incêndio. Era chamada Maria ou, por vezes, Florisbela. Ou seria Jovita?

Sobre a Guerra do Paraguai

Solano López

A Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul no século XIX. Rivalidades platinas e a formação de Estados nacionais deflagraram o confronto, que destruiu a economia e a população paraguaias. É também chamada Guerra da Tríplice Aliança.
A Guerra do Paraguai durou seis anos. Teve início  em dezembro de 1864 e só chegou ao fim no ano de 1870, com a morte de Francisco Solano Lopez em Cerro Corá. Desde sua independência, os governantes paraguaios afastaram o país dos conflitos armados na região Platina. A política isolacionista paraguaia, porém, chegou ao fim com o governo do ditador Francisco Solano López.
Em 1864, o Brasil estava envolvido num conflito armado com o Uruguai. Havia organizado tropas, invadido e deposto o governo uruguaio do ditador Aguirre, que era líder do Partido Blanco e aliado de Solano López. O ditador paraguaio se opôs à invasão brasileira do Uruguai, porque contrariava seus interesses.
Como retaliação, o governo paraguaio aprisionou no porto de Assunção o navio brasileiro Marquês de Olinda, e em seguida atacou a província de Mato Grosso. Foi o estopim da guerra. Em maio de 1865, o Paraguai também fez várias incursões armadas em território argentino, com objetivo de conquistar o Rio Grande do Sul. Contra as pretensões do governo paraguaio, o Brasil, a Argentina e o Uruguai reagiram, firmando o acordo militar chamado de Tríplice Aliança.

Não existindo mais homens adultos, crianças foram mandadas para a frente de batalha (Autor desconhecido. 1870). Estima-se que 4 mil crianças paraguaias perderam a vida durante a guerra. (Foto rede Brasil atual)

Antes da guerra, o Paraguai era uma potência econômica na América do Sul. Além disso, era um país independente das nações europeias. Para a Inglaterra, um exemplo que não deveria ser seguido pelos demais países latino-americanos, que eram totalmente dependentes do império inglês. Foi por isso, que os ingleses ficaram ao lado dos países da tríplice aliança, emprestando dinheiro e oferecendo apoio militar. Após este conflito, o Paraguai nunca mais voltou a ser um país com um bom índice de desenvolvimento econômico.

Sobre o Alistamento Militar Voluntário

No início do confronto o Brasil não tinha efetivos suficientes para a guerra, o Exército contava com 18 mil soldados, enquanto o Paraguai possuía perto de 100 mil combatentes. No primeiro ano de guerra teve um grande número de voluntários que se apresentaram espontaneamente, movidos pela chama nacionalista e as notícias sobre a invasão paraguaia, que estimulou a união e o amor ao país contra a agressão estrangeira.
Nos anos seguintes, com as notícias da dureza das batalhas, das baixas (mortos, feridos e mutilados), da alimentação precária, das baixas temperaturas, dos surtos de gripe e varíola, o número de voluntários foi drasticamente reduzido. O governo então iniciou uma verdadeira caça a pessoas para forçá-las a ir para a guerra. Esse recrutamento violento atingiu em cheio a população pobre, uma vez que a lei permitia que os recrutados pudessem ser substituídos (por escravos ou índios), ou dispensados mediante o pagamento de 400 mil réis, uma quantia acessível apenas à elite.
Estabeleceu-se um clima de terror na província. Acontecia um verdadeiro sequestro, no qual o sertanejo era algemado, preso e conduzido para Fortaleza e embarcado para o Sul, sob severa disciplina e castigos corporais. As convocações convulsionaram o Ceará, pois os recrutáveis fugiam e escondiam-se nas serras e matas. Senhores proprietários de escravos ocultavam seus negros e agregados para não perde-los para a guerra. Desorganizou-se a produção, pois as arregimentações tiraram os braços necessários à cafeicultura e à rentável lavoura de exportação do algodão (o ano de 1860 marcou o auge da cotonicultura cearense.)
A agricultura de subsistência foi igualmente atingida e em 1867 Fortaleza sofreu uma séria crise de abastecimento. Os trabalhadores ou estavam no Paragui, ou fugindo da caça governista. As autoridades cearenses eram pressionadas tanto pelo Império, que desejava cada vez mais soldados, como pelos latifundiários, que não aceitavam a perda de mão-de-obra.   

Fontes:
Farias, Airton. História do Ceará/Airton de Farias. Fortaleza: Edições Livro Técnico, 2009-5ª. Edição. 400p.


sábado, 28 de dezembro de 2013

Fortaleza, 1908



que já foi chamada de largo do Palácio, Praça do Palácio dentre outras denominações. Em 1890 recebeu o nome atual, homenagem ao general Antônio Tibúrcio Ferreira de Souza, declarado herói pela sua atuação na Guerra contra o Paraguai. 

 



fotos do Álbum de Vistas do Ceará

 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Monumento ao General Sampaio


Praça da Estação em foto de 1900, dia da inauguração da estátua em homenagem ao General Sampaio. (arquivo Nirez)

A Estátua em homenagem ao general Antônio Sampaio foi inaugurada na Praça Castro Carreira, também conhecida por Praça da Estação no dia 24 de maio de 1900. O general  Sampaio  participou da Guerra do Paraguai, foi ferido gravemente na célebre batalha de Tuiuti, em 24 de maio de 1866 e faleceu a 6 de julho daquele mesmo ano.
Antônio de Sampaio nasceu em 24 de maio de 1810, na Fazenda Vitor, em Tamboril, a 300 quilômetros de Fortaleza,  Ceará, filho de Antônio Ferreira de Sampaio, e Antônia Xavier de Araújo.


A vida de Sampaio é uma série ininterrupta de lutas, combates e serviços de campanha desde que sentou praça a 17 de junho de 1830, até cair com três ferimentos mortais  no campo de batalha, onde combateu junto com a 3ª. Divisão em operações contra o Paraguai. O general veio a falecer dos ferimentos recebidos a bordo do Eponina, perto de Buenos Aires. Seus  restos mortais foram trazidos para Fortaleza no vapor Cruzeiro do Sul, sendo recebidos em Fortaleza em 25 de novembro de 1871, e guardados na Igreja Matriz de São José, ate 25 de outubro de 1877, quando foram sepultados no mausoléu construído no Cemitério de São João Batista.  Pela sua bravura na Guerra, é o patrono da arma de Infantaria no Brasil.

Localização atual da Estátua, na área do Quartel da 10a. RM 
(foto disponível em : http://www.pbase.com/alexuchoa/image/34297722) 

O  monumento foi custeado por subscrição popular. Coube ao Sr. João Adolfo Barcelos a maior soma de esforços para a sua efetivação, sendo auxiliado por uma comissão composta do Dr. Henrique Autran, tenente-coronel Joaquim Manoel Carneiro da Cunha, major  Francisco Pedro dos Santos, major Francisco José do Nascimento, tenente Rodolfo Fontoura, alferes José de almeida Fortuna, Antônio Macedo, Tomé Rodrigues, João Araújo Viana e Izidoro Bruno.





Representava o herói de Tuiuti, de pé, sobre uma coluna de mármore de dez metros de altura, ladeada por um gradil de ferro. Este gradil desapareceu com o decorrer do tempo. Foi a segunda estátua de Fortaleza.
Em 1966 a estátua foi retirada da Praça Castro Carrera e levada para a Avenida Bezerra de Menezes sem o pedestal que foi destruído, e juntado a ela os restos mortais do homenageado.   




Em 1996, por iniciativa do Instituto do Ceará, a estátua foi transferida para a Avenida Alberto Nepomuceno, em frente da 10ª Região Militar. Na 10a. RM, antiga fortaleza de N.S. da Assunção, foi criado o Pantheon Brigadeiro Antônio de Sampaio, em 25 de maio de 1996.

fotos Rodrigo Paiva e Fátima Garcia
Extraído do livro
Os Monumentos do Estado do Ceará, de Eusébio de Sousa

domingo, 10 de abril de 2011

Praça dos Voluntários

Fortaleza - 285 anos 


A Praça dos Voluntários está localizada entre as Ruas do Rosário, Perboyre e Silva, General Bezerril e Monsenhor Luis Rocha, centro de Fortaleza, numa área de 2.572 m²


O nome é uma homenagem aos cearenses que se apresentaram voluntariamente para a Guerra do Paraguai. 
Nas décadas de 1930 a 50 o logradouro abrigou diversos circos que visitavam a capital. 


No centro da Praça encontra-se a estátua do Presidente Getúlio Vargas. Inaugurada em 1941, a estátua é um trabalho do escultor Agostinho Balmes Odísio.



A Praça dos Voluntários em tempos passados. Neste local na Rua do Rosário, o Liceu do Ceará inaugurou sua nova sede, no dia 15 de março de 1894. 
No mesmo local se ergue atualmente o Edifício da Policia Civil.
(arquivo Marciano Lopes)


  
O prédio onde funciona a Polícia Civil. Em estilo Art-Decò imita as construções que proliferaram nos Estados Unidos nos anos 1920/1930.
(arquivo Marciano Lopes)


O belo edifício encontra-se bem conservado
... e encoberto por árvores centenárias.

A Sede própria do Clube Iracema, foi inaugurada em 31 de dezembro de 1939, na Rua general Bezerril, 751, projeto do arquiteto Emilio Hinko. (arquivo Nirez)


 Hoje o Palacete Iracema abriga a Secretaria de Finanças da Prefeitura e passa por reformas. 
Outro imóvel ocupado pela Secretaria de Finanças 

A Praça dos Voluntários acolhe um público bastante eclético em razão da proximidade da Secretaria de Finanças da Prefeitura Municipal, e da sede da Polícia Civil. 
Tem um entorno mal cuidado, com água empoçada em razão das últimas chuvas. 
O acesso, mesmo para pedestres é dificultado pelo excesso de automóveis e motos estacionados irregularmente, além de grande número de vendedores e ambulantes que ocupam as calçadas e passeios.
Mas o interior da praça é surpreendentemente agradável. Possui bancos e jardins bem conservados, bastante arborizada e clima ameno. 
 

fotos de abril/2011 
acervo Fortaleza em Fotos