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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Os Pioneiros da Propaganda no Ceará

centro de Fortaleza década de 1950
http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=578293

Quando a década era a de 1950, e a televisão nem sonhava em desembarcar em terras alencarinas, quatro grandes corretores dominavam o mercado publicitário de Fortaleza: Eduardo Brígido Monteiro,  Irapuan Lima, Virgílio Machado e Paulo Matos Pinto. 
Numa sala do edifício Sul América, na Praça do Ferreira, Heitor Costa Lima, Antônio Girão Barroso, Goebel Weine e Otacílio Colares, fundaram a Propeg, a pioneira.  
 Ainda nos anos cinquenta,  Edmundo Vitoriano e Irapuan Lima se estabeleceram com a PIL. Em 1961 chegou a primeira agência de fora, a multinacional Mac Cann. Depois vieram a Denison e a Norton.  Augusto Borges e Virgílio Machado fundaram a Abelha. Tarcísio Tavares era executivo da Mac Cann, atendia a contas locais que não interessavam à multinacional. Fortaleza tinha então cerca de 500 mil  habitantes,  e aguardava com expectativa a energia que viria de Paulo Afonso, para impulsionar o progresso da cidade.   

Programa do Renato Aragão na TV Ceará (foto: uol)

O primeiro canal de televisão – a TV Ceará canal 2 – inaugurado em novembro de 1960, atraía a atenção da cidade para o bairro da Estância, (atual Dionísio Torres).  O slide dava seu recado sem grandes sofisticações técnicas e as garotas propagandas completavam o serviço, davam seu recado ao vivo, sem direito a erros. 
Eram pagas primeiro pela emissora, depois pelas agências. 
 Foi neste contexto que Tarcísio Tavares, seu Dudu e Maninho Brígido, deram novo rumo a propaganda cearense com a Publicinorte,  em fins de 1964. Os clientes: Romcy, Carvalho Borges, Ocapana e Saronord. Estavam lançadas as bases de um novo modelo de publicidade cearense. 
O show estava apenas começando.

Tarcísio Tavares, na década de 60, em visita a TV Tupi no RJ (Arquivo Marciano Lopes)

 Em pouco tempo tornou-se a primeira grande agência de publicidade do Ceará.  À época o comércio era pouco sofisticado, com predomínio dos grupos locais, embora contasse com alguns grupos  nacionais, como a Lobrás (antiga 4.400) e as Pernambucanas.
Com o advento da Publicinorte, a propaganda cearense entrou numa fase de sistematização e distribuição de papéis, ainda que os melhores anúncios tivessem clichês feitos em Recife. Com ela toda uma geração de profissionais aprendeu a lidar com a linguagem do varejo, adaptando ou copiando slogans, a manejar o varejo dos vt’s de ofertas, e a trabalhar com conceitos e idéias que até hoje influenciam patrões e anunciantes. A chegada do vídeo tape, decretou o fim da programação local, mas forneceu recursos mais sofisticados para a produção dos comerciais.

O Anjinho da Ocapana
Um recurso criado pela Publicinorte virou moda e fez escola na propaganda em Fortaleza. Foi a criação do anjinho que cobrava os clientes inadimplentes. Em lugar das cartinhas ameaçadoras, que eram enviadas, às vezes, por engano, até aos bons pagadores, a Loja Ocapana passou a enviar cartas bastante amáveis que em nenhum momento ameaçava ou constrangia o cliente. 
 No   primeiro aviso o “anjinho Ocapana” muito feliz, lembrava o dia do vencimento;   
 No segundo, já com o pagamento atrasado, o anjinho  demonstrava preocupação, mas prometia segurar o pessoal da cobrança para que o nome do cliente não fosse inscrito no SPC. Solicitava porém, que o devedor providenciasse  o pagamento, pois estava com dificuldades de cumprir a promessa.  
Na terceira carta, o "Anjinho" aparecia triste dizendo que tinha feito tudo para segurar o pessoal da cobrança, mas como o cliente não havia efetuado o pagamento o SPC iria ser informado do débito. Mas, se ele pagasse imediatamente, o "Anjinho" prometia segurar o pessoal mais um pouquinho.
Essa ideia fez um grande sucesso, muita gente elogiava a maneira de cobrar da Ocapana e o departamento de cobrança passou a ter menos trabalho. 
O modelo foi adotado para outros clientes da Publicinorte, em outros estados (atendidos pelas filiais da agência). Em Belém do Pará, passou a chamar-se "Anjinho Capri" por causa das Lojas Capri. Porém, tudo era feito aqui mesmo em Fortaleza, pela mesma equipe. 

Toinho Mendes

 Antônio Mendes foi revelado nos programas de humor. Fazia escada para Renato Aragão em Vídeo Alegre. Logo passou a fazer propaganda na telinha da TV, do Romcy, do Armazém Nordeste, e outros. 
Grosso, desbocado, fora dos padrões televisivos, estava mais para camelô do que para garoto propaganda.  Toinho improvisava entre um e outro comercial, num tempo em que ainda era possível se fazer televisão ao vivo. 
Recebia o mote e mandava ver, fazia o comercial dialogar com o programa em que estava inserido.  Antônio Mendes não temia ver sua performance associada ao mau gosto e expunha nosso lado vulgar na fala que não imitava sotaques.

Romcy Magazine na Rua Liberato Barroso (foto: O Povo)

 Certa vez apareceu no vídeo segurando uma galinha morta,  numa analogia aos preços baixos do Romcy Magazine (ideia do Tarcísio Tavares, da Publicinorte), usava camisas de times, usava cartolas e fazia um duplo sentido que visava reforçar um apelo de vendas.
 Em uma terra com fama de não ter memória, vale a pena lembra-lo.  É uma forma de recuperar um pouco da irreverência cearense que depois foi valorizada pelos novos humoristas.

Fonte:
Carvalho, Gilmar de. O gerente endoidou: ensaios sobre publicidade e propaganda/Gilmar de Carvalho. Fortaleza: omni ed., 2008,  157p
Nepomuceno, Nivardo C. Publicinort Invest. Disponível em http://nivardo.webng.com/publicinorte2.htm 

domingo, 29 de maio de 2011

A Propaganda dos Anos 60



No dia 26 de novembro de 1960 entrava no ar a TV Ceará – Canal 2. A novidade passava a interferir nos hábitos de uma cidade que ainda colocava cadeiras nas calçadas. O clima era de festa, apesar dos poucos aparelhos sintonizados na nova atração, a força da imagem se impôs e alimentava o imaginário da cidade.

Os programas eram “ao vivo”, as atrações locais. Nos intervalos, os comerciais atestavam a viabilidade do empreendimento e agências substituíam  os corretores de anúncios. 
Neste contexto, junto com a TV surgiram as garotas propagandas: louras, morenas, tímidas, exibidas, discretas, com muito pó compacto e cabelos armados com laquê, elas eram as estrelas dos intervalos.  

Se os programas eram ótimos, os comerciais eram melhores ainda. Elas se tornavam íntimas dos senhores telespectadores, fadas madrinhas das donas de casa, indicando liquidações, ofertas e promoções. 
Espalhavam a boa nova pelos quatro cantos da cidade.

Rita Angélica, garota propaganda da TV Ceará 
(imagem do livro de Gilmar de Carvalho)


A idéia de introduzir as garotas propagandas na televisão foi a pioneira emissora TV Tupi, canal 3 de São Paulo, ainda em 1951. 
Depois que a televisão começou a se popularizar, ninguém mais suportava esperar os slides entre um programa e outro, que as vezes demoravam muito por causa de troca de cenário e por problemas técnicos. 

O jeito foi fazer uma forma mista de comerciais: slides e garotas propagandas. 
E era mais fácil atrair as donas de casa para os produtos anunciados se, além das imagens fosse mostrado seu funcionamento. 

E é claro que, para isso, alguém seria "escalado" para apresentá-los. É nessa hora que preferiram a idéia de uma dona de casa falando com outra. Assim surgem as garotas propaganda em nossa televisão.

Eliete Regina, atriz e garota propaganda na TV Ceará (acervo particular)

 Na telinha da TV Ceará, Stelinha Barbosa, que lembrava Marta Rocha e foi responsável por shows de beleza e grande desempenho; a loura Rita Angélica, que como nove entre dez garotas propagandas usava sabonete Sigel;  Shirley, muito discreta, teria sido a mais competente, segundo avaliação de jornais da época, anunciando o novo Simca Jangada

Simca Jangada 1962

Neste universo de estrelas brilhava Neide Maia, que lutou para atuar no rádio e na TV, numa época em que a mulher nem sonhava em disputar vagas no mercado de trabalho. Salete Dias viveu a negrinha do Óleo Pajeú, Dona Regina Lúcia fazia o gênero senhora e a ninfeta Tatiana Gaspar aquecia as vendas da boneca Pierina

Boneca Pierina da Trol - sonho de consumo das meninas da década de 1960
 
Além destas, Marizete Batista, Eliete Regina, Tonia Saldanha, Ivoneide, Vera Soares, Marileide Duarte e Tríade Gioconda. Como não podiam errar, eram colocados adesivos em portas de geladeiras que não abriam e uma delas ficou famosa como Maria Promode.  

As garotas propagandas dos primórdios da tevê cearense repetiam slogans e bordões, num tempo em que as Lojas Couto eram cinco lojas e um só preço e as loucuras de setembro aconteciam nas Lojas A Cruzeiro.  
Podiam ser encontradas fazendo comprar na Flama (símbolo de distinção) ou na Cearense, lanchando na 4.400 ou na esquina do pecado, na Praça do Ferreira. 

Rua da Palma atual Major Facundo com anúncio da Casa Nova (Nirez) 

A agência do varejo cearense era a Publicinorte. Ela ditou as regras que são válidas até hoje, adaptou o que se fazia em termos de varejo, às peculiaridades de nosso mercado e do nosso público.  
Além das lojas A Cruzeiro, outros grandes anunciantes eram Gontran  Nascimento com a sua Casa das Máquinas, as Casas Nova, de Gutemberg Teles,  As Lojas Damasceno dos irmãos Damasceno e Edgar Albuquerque.

câmeraman da TV Ceará canal 2
 (imagem do blog fortaleza antiga) 


As garotas propagandas foram decisivas para a publicidade cearense e uma alternativa afetiva à sequência de slides. Vale a pena imaginar pesadas câmaras sendo arrastadas, a quentura de um estúdio apertado, a única lente zoom do canal 2 e uma garota anunciando a próxima atração.

fontes:
Carvalho, Gilmar de. O gerente endoidou: ensaios sobre publicidade e propaganda. Fortaleza: omni ed., 2008, 157p.
http://www.sampaonline.com.br/colunas/elmo/coluna2001nov16.htm
Revista Fortaleza

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Cenas da Cidade Antiga

Fortaleza - 285 anos 

Forno crematório da municipalidade, no local onde hoje fica a SER I, onde funcionou a Sumov, entre a estação de trem do Otávio Bonfim e a Praça dos Libertadores. Ao fundo, o matadouro Público - 1910 (Arquivo Nirez). 

A carne verde chegava à tarde, vinda do matadouro e transportada em carroças. Em abril de 1880, a modernização: os bondes de tração animal da Companhia Ferro Carril do Ceará. A população de Fortaleza cabia em 25 bondes que transportavam até 28 passageiros por veículo. O ponto era na Praça da Carolina
Por 100 Reis rodava-se a capital. Ia-se do centro à estação, ou ao matadouro, admirando paisagens das Ruas da Alegria, da Amélia, da estrada de Messejana
Caprichosa, a companhia reservava os bondes João cotoco – sem coberta – para as noites de lua cheia. Dois burros puxavam o veículo, atendendo ao chicote e aos nomes próprios, das 6 às 21 horas. 
Fiéis à amizade, os animais só faziam força quando emparelhados com o companheiro de todos os dias.

 Avenida Tristão Gonçalves, década de 1980 (Nirez)

A Avenida Tristão Gonçalves, destoando das travessas e becos contemporâneos, era bem mais larga. 
Motivo: era a Rua do Trilho, lá correu o primeiro trem, em agosto de 1837. O feito da locomotiva Fortaleza juntou praticamente a população inteira da cidade – cerca de 8.000 pessoas. 
Diante da multidão estupefata, o pequenino trem rodou, cinco vezes seguidas, entre a Estação Central (Praça Castro Carreira) e a parada do Xico Manuel (Rua Liberato Barroso). A velocidade máxima da locomotiva era de 32 km/h.
 
 Vista da Praça do Ferreira a partir da Rua da Palma (Major Facundo). 
Ao fundo o Palacete Ceará (Rotisserie), à esquerda o Sobrado do Pastor e a Intendência Municipal. O coreto e a profusão de lampiões a gás ajudam a compor o belo cenário.
 (Arquivo Marciano Lopes

Era um suplicio adivinhar a cidade à noite, contando apenas com as lâmpadas de azeite em suas esquinas. Era preciso trazer um ou mais escravos, com uma lamparina clareando a rua. A iluminação pública foi iniciada em março de 1848, trocando-se a luz de velas pelo óleo de peixe. 
E assinando contrato com a lua: os 44 lampiões eram acesos das 6 da tarde até que amanhecesse o outro dia ou até que visse a lua. 
Na hora da ave-maria, Chico Lampião aparecia com uma escada nos ombros, fósforo à boca, ziguezagueando pela cidade, acendendo os lampiões. Assim foi até setembro de 1866 (ou 67 conforme alguns autores), quando descobriram a qualidade da iluminação a gás carbônico, que equivalia a luz de 10 velas. 
O contrato com a lua foi renovado até 1934/35, data da chegada luz elétrica.

 O Estoril na época em que funcionou como cassino dos soldados americanos (Arquivo Nirez)

O Estoril nasceu Vila Morena, em 1915. 
De residência virou cassino. Coisa dos americanos, que durante a 2ª. Guerra improvisaram diversão com jogos, coca-cola e mulheres alheias. 
Nessa época apareciam zepelins no  céu de Fortaleza que patrulhavam a costa cearense procurando submarinos alemães. 
O escritor Moreira Campos foi nomeado inspetor do quarteirão que ele residia: tomava conta, tinha responsabilidade, instruções e orientações para os demais moradores. A qualquer bombardeio, fugir para a primeira casa que encontrasse aberta.

 Avenida Caio Prado, a mais elegante do Passeio Público, no belvedere, de frente para o mar. Era frequentada pelas familias aristocráticas. Os extensos bancos anatômicos eram subdivididos e formavam cadeiras com braços. Era costume familias se encontrarem no Passeio Público.
 (arquivo Marciano Lopes) 

O hábito de tomar uma fresca, cadeiras na calçada, remonta ao tempo em que as casas eram conjugadas, como no interior, uma escorando a outra. Pequenas e quentes, sem espaço interno disponível, os moradores iam para a calçada, onde passeava o vento que vinha do mar. 
O comércio era do tipo misto: era também moradia. A sala se adaptava em venda, bodega, armazém. Então, calçadas e ruas ampliavam a casa; as visitas eram recebidas, primeiro na praça. Quando as residências passaram para a periferia, o Passeio Público deixou de servir às famílias.

 Rua Major Facundo, década de 1970, trecho Praça do Ferreira (Arquivo Nirez)

Na década de 1950, a loja Rouvanni Roupas, localizada na antiga esquina da Broadway, esquina das Ruas Major Facundo com a Guilherme Rocha, na Praça do Ferreira, promoveu um dos maiores escândalos em Fortaleza.
 Expôs em uma de suas vitrines uma camisa vermelha, o que causou ajuntamento de pessoas que entre incrédulas e horrorizadas, paravam para ver a peça. 
Era uma camisa de modelo convencional em tecido de algodão, a polêmica toda era devido a cor vermelha. Homem usando camisa vermelha, em Fortaleza, década de 50? 
Nem pensar.






Anúncios de estabelecimentos comerciais em funcionamento em Fortaaleza na década de 1950. Quem conhecer uma camisa trubenizada - do primeiro anúncio, da A Cruzeiro  - favor informar aqui. 


os anúncios são do livro Os Anos Dourados, de Marciano Lopes.
fontes:
Revista Fortaleza, fascículo 9
Os Anos Dourados, de Marciano Lopes 


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A Cidade e o Comércio






disponível em http://www2.secult.ce.gov.br/download/02_BATACLAN.pdf

Fortaleza sempre foi bem servida pelo comércio. Era surpreendente a quantidade e a variedade de produtos disponíveis para compra desde o século XIX, época de grande desenvolvimento do comércio.

Como não existiam nem freezers nem geladeiras, o abastecimento das residências era feito diariamente. Leite, carne, frutas, verduras, ervas eram adquiridos nas praças do centro, no mercado público, ou na porta de casa, já que era grande o número de vendedores que, mal amanhecia o dia, vinham oferecer seus produtos de porta em porta.

As casas comerciais se especializavam em diversos ramos. Havia indústrias de torrefações de café, e bazar alemão de brinquedos importados. Lojas que marcaram época como a Flama “símbolo de distinção”; A Cearense, “a casa que cresce diminuindo os preços”, Casa das Máquinas, “o maior crediário do Ceará”. Tinha também a Casa Mesiano, com trabalhos garantidos, perfeitos, por preços módicos e ao alcance de todos.

Assim como hoje existem as lojas de R$1,99, na Fortaleza do século passado existiam as lojas de Quatro e Quatrocentos e Oito e Oitocentos, que era o preço máximo das mercadorias. Elas funcionavam nas Ruas Major Facundo e Floriano Peixoto.

foto reprodução

Marcas tradicionais como o Sabonete Aseptol, negócios familiares como a Kalil Otoch & Filhos, de 1931, “com novidades por todos os vapores”; a Casa Pio, de 1928 e a casa Parente, que em 1914 “recebia as novidades do mais apurado gosto” importados diretamente da França, Alemanha e estados Unidos. Havia ainda a Farmácia Pasteur e as “gottas de Vida” e os cigarros Fim do Mundo.

A Casa Pio foi fundada nos anos 40 (Arquivo Marciano Lopes)

Esses estabelecimentos, marcas e produtos atraíam muitos compradores às lojas do centro, que era visitado pelas classes A e B até a década de 1950. As lojas do centro recebiam também muitos compradores vindos do interior do Estado.


fonte:
Revista Fortaleza fasciculo 3

segunda-feira, 24 de maio de 2010

TV Ceará canal 2 – A Fábrica de Sonhos

Studio A - Cenário dos dramas de rua e de lutas encenados na programação
Inaugurada em 26 de novembro de 1960, a TV Ceará iniciou sua programação logo no dia seguinte a sua festa inaugural.
A chegada da TV à Fortaleza, dez anos depois da sua inauguração no Brasil, representou muito mais do que uma simples opção de lazer – foi um acontecimento, um fenômeno social que revolucionou a vida da cidade.
Na Fortaleza dos anos sessenta as pessoas tinham o hábito de sentar na calçada, o rádio ligado. As rodas de cadeiras na calçada às vezes se desfaziam durante uma novela ou um programa, mas logo se recompunham.
Naquelas pequenas assembléias formadas por vizinhos, se falava (mal) de tudo, da vida alheia, do governo, do custo de vida, sobre os acontecimentos do dia a dia.
As crianças se entretinham com as brincadeiras de roda, com o jogo de bola na rua. Quando a televisão chegou, botou todo mundo para dentro de casa.
A programação era ao vivo, gerada com talento local: cantores, atores, escritores e diretores, técnicos.
O Diretor de Programação Péricles Leal veio do Rio trazendo uma programação mais ou menos nos moldes das TV’s de São Paulo e do Rio de Janeiro: teatro de romance, videorama, contador de histórias e aos domingos, um show musical e mais os programas TV de mistério e TV de comédia.
O cearense Emiliano Queiroz, um dos pioneiros na TV, conta que todos eram polivalentes; que ele, em uma semana, fazia cinco ou seis personagens, escrevia os comerciais ao vivo, fazia contato com clientes, ensaiava e levava ao ar, realizava sorteios de carnês das lojas Romcy Magazine e era também apresentador.
Adaptou contos, e escreveu textos para o “Contador de Histórias”.
“O Contador de Histórias” foi um ambicioso projeto dirigido por Péricles Leal, onde adaptações de peças teatrais de autores famosos foram apresentados na série.
Havia um show, patrocínio da “Linholene”, que trazia para Fortaleza cantores do eixo Rio-São Paulo, onde se apresentaram Ângela Maria, Dalva de Oliveira e Norma Suely.
No departamento das anunciadoras, (as garotas-propaganda) cinco delas se tornaram estrelas de televisão: Rita, (que anunciava a loja Flama – símbolo de distinção); Stelinha (Banco União Sociedade Anônima, para servi-lo); Shirley, Adalgisa e Tatiana.
A TV ao vivo era pródiga em acidentes.
No teleteatro, numa cena entre Emiliano Queiroz e João Ramos – o grande nome do rádio e televisão do Ceará – numa cena de briga, o primeiro não desviou o rosto a tempo e teve o nariz quebrado no ar.
Em outra ocasião, em determinada cena, o ator deu um soco tão forte na borda de uma cama que ela quebrou e o cortinado do dossel caiu sobre sua cabeça. O programa saiu do ar por alguns minutos. Entrou o slide do indiozinho com a música.
Minutos depois a cena continuou com a cama, sem o dossel. Ninguém reparou.
Com o advento do vídeo-tape, mudou o modo de se fazer televisão no Brasil. O avanço tecnológico possibilitou a gravação dos programas, permitiu a correção dos erros e o estabelecimento de horários dos programas, mas, em compensação, decretou o fim da programação ao vivo.
A tele-dramaturgia estava com os dias contados.
Estúdio B em dia de programa de auditório. Os programas eram
animados por AugustoBorges


Jane Azeredo, Augusto Borges, (que também era apresentador) no centro, entre dois figurantes. Destaque para o guarda-roupa de época.
Cena do romance A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas. Emiliano Queiroz é o galã . Cleyde Holanda, a própria Dama
João Ramos e Emiliano Queiroz, vivendo papéis
importantes, em peça ambientada no século passado. Possivelmente cena do romance Lucíola, de José de Alencar
Emiliano Queiroz, Cleyde Holanda, Glice Sales, Maria Luiza e Lourdes Martins, no cenário concebido para o romance Diva, de José de Alencar
Ao fundo Augusto Borges e Rinauro Moreira.
À frente: Emiliano Queiroz e Wilson Machado). Em "A morte prepara o laço"

fontes:
LETÍCIA, Maria. Emiliano Queiroz na sobremesa da vida. Imprensa oficial: São Paulo, 2006.
CAMPOS, Eduardo. TV Ceará a Fábrica de Sonhos. UFC – Casa José de Alencar – Programa Editorial, 1999.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Nossos Comerciais

O primeiro anúncio de fortaleza foi publicado sob forma de aviso no Diário do Governo do Ceará, jornal fundado para a propaganda do movimento republicano de 1824, que, mesmo após o fracasso da revolução, continuou a circular como órgão da contrarrevolução. Trata-se de uma despedida assinada pelo Padre Mororó onde comunicava sua partida para a Corte do Rio de Janeiro dentro de três dias.

Com o aumento do número de jornais e de outros veículos de comunicação, a prática de anunciar produtos ou serviços, ampliou-se naturalmente. Pedro II (1840) e Cearense (1846), foram, jornais que circularam em Fortaleza.
Alguns desses anúncios, à época chamados de “Reclames”

Anúncio publicado no Almanaque Hénault, em 1912
Foto reprodução (Arquivo NIREZ)

A Fábrica Proença ficava na Praça da Estação . Anúncio publicado em 1913 no Almanak Hénault. Foto reprodução (Arquivo NIREZ)

Publicação de 1931 no Álbum de Fortaleza- Foto reprodução (Arquivo NIREZ)

Programa de inauguração do Cine teatro Majestic-Palace, com a transformista e a orquestra do maestro Arturo Frassinesi, em 1917 - Foto reprodução (Arquivo NIREZ)


E alguns anúncios sem imagens
Jornal Cearense, 1866
Ao amanhecer do dia 1 do corrente mez encontrei em minha salla uma porção de dinheiro; quem o tiver perdido apareça para lhe ser entregue; e, se por ventura é alguma restituição oculta, o sujeito que pretende fazê-la, procure-me para explicar-se, certo de que n’este negócio serão guardadas as devidas conveniências.
Fortaleza, 2 de fevereiro de 1866
O Vigário Miguel Francisco da Frota

Jornal Pedro II – 1865
Atenção! Para o baile do clube chegaram para o Bazar Cearense as verdadeiras luvas de pelica, de Juven, para homem e senhora. Rua da palma n° 93.

Jornal Cearense – 1865
O abaixo-assinado compra e paga uma escrava de 14 a 20 anos de idade, sendo de bonita figura, e que tenha alguma idéia de engommado e cozinha.
Ceará, 28 de agosto de 1865
José Luiz de Sousa.

Jornal Pedro II – 1868
Achão-se a venda na Botica do Ferreira, além de outras, muitas coisas chegadas no último vapor, as melhores pílulas para sezões, assim como pílulas depurativas, reguladores, água ante- cancrosa, ótima injeção para gonorréias recentes e velhas, e o remédio mais eficaz para mordidas de animais venenosos.




Fontes: Roteiro para um Turismo Histórico e Cultural, de Miguel Angelo de Azevedo (NIREZ)
Coisas que o Tempo Levou, de Raimundo de Menezes
Capítulos de História da Fortaleza do Século XIX, de Eduardo Campos