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sábado, 28 de dezembro de 2013

Rua Boris, antiga Travessa da Praia



A antiga travessa da Praia – atual Rua Boris – perpendicular à rua da Praia (Avenida Pessoa Anta), na Praia de Iracema, foi chamada durante muito tempo,  de Ladeira do Solon, por residir na mesma, no prédio que vemos mais ao fundo na foto mais antiga, num chalé com portas arqueadas, o coronel Solon, que possuía uma plantação de videiras e lá residiu por 21 anos.



Na velha foto, do Álbum de Vistas do Ceará de 1908, vemos, na esquina, uma casa tipo beira-e-bica, seguida da Casa Boris, fundada em 1869, tendo como razão social a firma "Theodore Boris & Irmão" constituída de Alphonse Boris e Theodore Boris, o primeiro chegado em 1865, de navio e o segundo pelo interior em 1867. Em 1870 a firma passou a denominar-se "Boris Frères", com a administração dos sócios Achiles Boris, Adrien Boris e Isaie Boris, tendo como sede a cidade de Paris.

Em 1878 Isaie veio morar no Ceará, chegando a vice-cônsul Francês. Quando se foi, em seu lugar ficou Achiles. Graças à firma Boris Frères é que hoje temos a oportunidade de conhecer Fortaleza no início deste século, através de mais de cento e sessenta fotografias editadas em dois álbuns em 1908 sob o título de Vistas do Ceará – 1908 –  impresso em Nancy, França. 



Na foto atual,  já não existe o calçamento, mas o asfalto; as calçadas continuam irregulares tanto na largura como na altura, embora hoje existam o meio-fio e um código de obras e posturas que determina a regularidade tanto na altura como na largura; a casa de beira-e-bica foi reformada; a casa do coronel Solon desapareceu com a construção da avenida Leste-Oeste; novas construções surgiram prosseguindo a rua; postes de concreto levam a luz e a força através dos fios; somente o prédio onde funcionou a Casa Boris resistiu ao tempo.

foto antiga do Álbum de Vistas do Ceará, de 1908
foto atual de Google
fonte: NIREZ 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A Febre das Novidades

Casa Boris de Boris Frères e Cia. responsável pela publicação do Álbum de Vistas do Ceará-1908

Em 1908 um álbum com fotos de Fortaleza circulava pela Cidade. Para gáudio dos agentes locais da modernização urbana, o livro confeccionado em papel de luxo, trazia 160 estampas de tudo o que representava o aformoseamento e o progresso da capital no começo do século XX: praças recém-remodeladas, jardins públicos, ruas alinhadas com bondes, transeuntes, sobrados e estabelecimentos comerciais; Passeio Público e Parque da Liberdade e seus elegantes frequentadores; Estação Central Ferroviária, mansões e fachadas art-nouveau, cafés, templos, escolas, porto, praias e lagos.

Escritório da Estrada de Ferro Baturité

O Álbum de Vistas do Ceará, de 1908, editado pela Casa Boris Frères e Cia, a mais poderosa das firmas estrangeiras no Ceará, e impresso na França, significava formalmente uma homenagem à capital, um reconhecimento à sua beleza e ao seu desenvolvimento. Confeccionado na Europa por uma consagrada companhia francesa e distribuído em vários lugares, o Álbum não deixava de ter um desejo de divulgação de uma cidade que era, na leitura capitalista, um próspero mercado urbano. Considerando que a fotografia – devido a sua extraordinária capacidade de informação, vale por mil palavras – nada como divulgar Fortaleza através do elogio das imagens fotográficas. A ideia foi ainda mais feliz porque veio à luz no momento em que a fotografia configurava-se como uma verdadeira coqueluche na região, assim como no resto do Brasil.

Rua Major Facundo 


Paço Municipal

Desde o final do século XIX a Capital contava com alguns estúdios fotográficos – Lopes Brandão e Reckly em 1872, o dinamarquês Niels Olsen, a partir de 1895, Moura Quineau e M. Mello, de 1899 em diante.
 
O Álbum sobre Fortaleza-1908, nesta linha, combinava duas formas de sedução:  cidade, no auge de sua formosura, e a fotografia, um dos mais fascinantes produto da era moderna. Para uma sociedade urbana que então disseminava e incorporava valores como beleza, conforto, trabalho e saúde, a fotografia caiu como uma luva para consagrar em imagens duradouras, os melhores momentos da instauração de uma racionalidade urbana assentada no culto do belo, forte e saudável.

Na virada do século XX, a partir de 1902 teve início a remodelação das praças mais centrais, e em 1930, Fortaleza conheceu sua fase de maior esplendor em termos de uniformidade urbana. Depois dos anos 30, a  Capital passou a crescer desordenadamente, sem planos urbanísticos capazes de fornecer soluções racionais, mas com uma voraz especulação imobiliária que lhe foi destruindo o harmonioso perfil arquitetônico que ostentava anteriormente.

prédio do Liceu na Praça dos Voluntários


Café Java, na Praça do Ferreira

A cidade hoje se encontra inchada, com a maioria do seu patrimônio histórico destruído ou em estado de abandono, centenas de favelas e conjuntos habitacionais, além de arranha-céus, fachadas e monumentos urbanos de gosto duvidoso. No começo deste século, ao contrário, ela apresentava uma feição arquitetônica urbanística que se equilibrava bem entre singela arquitetura geral e deslumbrantes fachadas em algumas construções. 

As fotografias da época e o próprio álbum fotográfico de 1908 reforçam essa constatação, revelando um conjunto harmonioso em linhas e formas. As imagens insinuam que a Capital do Ceará tinha um estilo inteiramente agradável à visão, composição estética esta complementada pela predominância do uso de paletós, chapéus, vestidos longos e sombrinhas, neles prevalecendo os tons claros compatíveis com a intensa luminosidade solar, que banha a cidade o ano inteiro.


Passeio Público

A conformação estética que marcou a aparência de Fortaleza foi sendo construída aos poucos, tornando-se mais visível na segunda metade do século XIX, a partir do “boom” da exportação algodoeira em 1860. A partir dali, a cidade conheceu um inédito crescimento econômico e social. A concentração e acumulação de capitais em Fortaleza,  reforçou a constituição de grupos e estrangeiros ligados aos negócios de exportação-importação, conferindo-lhe grande poderio material e considerável prestígio político.

fotos do Álbum de Vistas do Ceará-1908
Arquivo Nirez
Extraído do livro de Sebastião Rogério Ponte
Fortaleza Belle Epoque – reformas urbanas e controle social – 1860-1930

terça-feira, 15 de março de 2011

Mutações urbanas

Décadas de 1940/50

A casa localizada entre a Rua da Ponte (Avenida Alberto Nepomuceno), 
Travessa do Quartel (Rua Dr. João Moreira), 
Rua do Quartel (General Bezerril) 
e Praça Caio Prado (Praça da Sé), 
foi construída por Joaquim Inácio da Costa Miranda, para instalação da Tesouraria Provincial, sendo adquirida pelo Estado em novembro de 1842. 
Depois da Tesouraria Provincial lá estiveram o Liceu do Ceará, os Correios, a Tipografia do Governo, o Arquivo Público, a Biblioteca Pública, a Secretaria da Fazenda, o Museu Histórico e o Instituto do Ceará. 
Foi demolida na década de 1950 para a construção do Fórum Clóvis Beviláqua, na Avenida Alberto Nepomuceno. 

Rua Dr. João Moreira, até década de 1950.

A foto é de 1908 e consta do Álbum de Vistas do Ceará, uma publicação de 1908, que a Casa Boris Frères mandou imprimir na França. 
O prédio em primeiro plano já foi ocupado pelo Hotel Central e posteriormente abrigou diversas dependências do Governo do Estado, como o Departamento de Estatística, a Codagro e mais recentemente, a Febemce.  
 
Rua Dr. João Moreira, já com o prédio do Fórum Clóvis Bevilaqua à esquerda - Década de 1960

O prédio do Fórum foi inaugurado em 31 de dezembro de 1960, na administração do desembargador Péricles Ribeiro, presidente do Tribunal de Justiça, e no Governo de José Parsifal Barroso, mas havia sido planejado, desde 1956, no Governo de Paulo Sarasate. 
Era localizado no quadrilátero entre as Ruas Dr. João Moreira, General Bezerril, Rufino de Alencar e com frente para a Avenida Alberto Nepomuceno, 272, Praça da Sé, Centro de Fortaleza. 

Tinha área útil de 4.248,60 metros quadrados, distribuída em cinco pavimentos. 
O prédio do Fórum foi implodido no dia 20 de agosto de 2000, ruindo em 5 segundos. 
Foi a segunda implosão realizada em Fortaleza. Nada foi construído no lugar do antigo fórum, e o local tem o prosseguimento da Praça da Sé. 
Hoje o Fórum Clóvis Beviláqua funciona na  Avenida Desembargador Floriano Benevides, número 220, bairro Edson Queiroz.


Fonte:
Cronologia Ilustrada de Fortaleza, de Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez)
Fotos: Arquivo Nirez