Antes mundo era pequeno
Porque Terra era grande
Hoje mundo é muito grande
Porque Terra é pequena
Do tamanho da antena
Parabolicamará
(Gilberto Gil)
desembarque de imigrantes espanhóis - 1928 - (Ah, Fortaleza!)
Portugueses, árabes, espanhóis, italianos, ingleses e franceses foram as principais nacionalidades que vieram aportar em terras cearenses, entre fins do século XIX e a primeira metade do século XX.
Tanto na Europa quanto no Oriente Médio, a recessão econômica, a falta de trabalho, conflitos políticos, perseguições religiosas e as duas guerras mundiais, foram os principais motivos que fizeram com que boa parte da população desses continentes partissem em busca novos horizontes em terras longínquas.
As Américas eram o eldorado na época, atraindo migrantes em busca de liberdade, trabalho, oportunidade de ganhar dinheiro, de qualidade de vida. O perfil do imigrante era quase um padrão: homem, entre 18 e 30 anos, um tipo de mão-de-obra apta a ser alocada em setores da economia, tais como comércio, indústria, mercado imobiliário e hoteleiro.
Nesse período as agências de navegação possuíam agentes responsáveis pela divulgação dos atrativos e das vantagens do Novo Mundo. A imigração teve rotas para a América do Norte, Central, Latina e para o Brasil. As regiões brasileiras que mais receberam imigrantes foram o Sudeste, Centro-Oeste, Amazônia e Nordeste.
Do final do século XIX até a primeira metade do século XX, Fortaleza recebe um fluxo constante de imigrantes em busca de trabalho; muitos nem ficaram na capital, optaram por explorar os vastos espaços dos sertões e das serras.
Fortaleza já era uma cidade lusitana. Foram os portugueses que legitimaram a colonização, fazendo de Fortaleza uma réplica na arquitetura, na gastronomia, na religiosidade, isto é, um estilo de vida semelhante ao português.
Os primeiros imigrantes que aportaram por aqui vinham para arriscar. Fixavam residência e iniciava um trabalho, e obtendo êxito, mandavam buscar a família. Os parentes ajudavam nos negócios e exerciam uma função importante, a de recompor os laços afetivos e familiares.
Os Imigrantes Árabes
Os sirios-libaneses atuam desde muito tempo também no mercado imobiliário e hoteleiro. Um exemplo dessa atuação foi o Hotel Savanhah, na Praça do Ferreira (Ah, Fortaleza!)
Consta que a imigração árabe para o Brasil começou depois que o imperador Dom Pedro II fez uma visitou diplomática ao Oriente Médio e ficou encantado com a cultura local e com a boa acolhida que recebeu do povo árabe. As primeiras levas de imigrantes foram atraídas para o Brasil por meio do imperador.
Dominados há séculos pelo Império Turco-otomano, os árabes viram na emigração uma forma de escapar da violenta dominação imposta pelos turcos. Os turcos, adeptos do islamismo, perseguiam as comunidades árabes que professavam a fé cristã. A pressão demográfica, a pobreza do solo, declínio da industrialização, e a falta de oportunidade de trabalho também foram fatores determinantes para a emigração em massa. 
libaneses no Palace Hotel (Ah, Fortaleza!)
Os primeiros árabes chegaram ao Ceará ao final do Século XIX, inicio do século XX, a maioria proveniente da Síria e do Líbano. Eram 50 famílias compostas de aproximadamente 170 pessoas. Chegaram com passaportes turcos, sendo confundidos com seus opressores, o que lhes causou problemas de adaptação.
Destacaram-se primeiro como mascates, comerciantes sem endereço comercial fixo, que vendiam direto ao público, de porta em porta, por todo Ceará. Comercializavam perfumes, tecidos, roupas de cama e mesa, joias e outras utilidades. 
libaneses vestidas de odaliscas no carnaval de Fortaleza (Ah, Fortaleza!)
Quando os árabes chegaram, já existiam mascates portugueses e italianos. No entanto, a mascateação se tornou uma marca registrada da imigração árabe. Nesta atividade, esses imigrantes introduziram inovações que, hoje, são vistas como traços marcantes do comércio popular:
- redefiniram as condições de lucro;
- introduziram as práticas da alta rotatividade e alta quantidade de mercadorias vendidas, das promoções e das liquidações.
Nos primeiros anos de atividade, os mascates, em visita às cidades do interior principalmente, às fazendas de café, levavam apenas miudezas e bijuterias. Mas com o tempo e o aumento do capital, começaram também a oferecer tecidos, lençóis, roupas prontas dentre outros artigos.
À medida que acumulavam os ganhos, os mascates contratavam um ajudante ou compravam uma carroça; o passo seguinte era estabelecer uma casa comercial, sendo o último passo a indústria.
Outros grupos de imigrantes árabes procuravam ganhar a vida por meio de pequenos negócios familiares. Atuavam como proprietários de lojas de tecidos ou armarinhos, no mercado imobiliário e no ramo de hotelaria. Por tradição, se casavam entre si.
Uma das formas dos imigrantes se integrarem a cultura local e assimilarem a linguagem, foi se matricularem nas instituições de ensino da cidade. 
O clube Libano na Rua Tibúrcio Cavalcante (1956) e a Igreja Nossa Senhora do Líbano década de 1950 (Ah, Fortaleza!)
Segundo uma pesquisa sobre a migração libanesa para o Ceará, os primeiros libaneses que chegaram aqui foram os irmãos Dimitri e Elias Dibe, provenientes da cidade de Trípoli, Libano. Vieram para residir em Teresina – Piauí, tornando-se comerciantes. Em uma viagem para Fortaleza teriam gostado do clima e resolveram se mudar para esta cidade, em companhia de uma empregada chamada Teodora, a quem os irmãos ensinaram o idioma e a fazer comida árabe.
Dimitri Dibe mandou vir do Líbano sua mãe Angelina, sua mulher Rufina e sua filha de dois anos de idade. Mais tarde, o casal teve mais três filhos, estes já nascidos em Fortaleza.
Dimitri Dibe foi proprietário de uma banca de miudezas no antigo Mercado Central. Depois, da loja Dimitri Dibe e irmãos. Era cristão ortodoxo e desempenhava o papel de sacerdote na colônia libanesa que então se formava.
A colônia libanesa em Fortaleza construiu o Clube Líbano e a Igreja Nossa Senhora do Líbano, marcos da importância desse grupo.
Fonte:
Motivos da Imigração. Disponível em http://www.tendarabe.hpg.ig.com.br/imigrantes/motivos_da_imigracao.htm
Travessias em Movimento: Os Imigrantes em Fortaleza, de Peregrina F. Capelo Cavalcante.