Foi um movimento revolucionário contra o governo do Imperador
Dom Pedro I, em razão de sua mudança de postura e dos ideais defendidos antes
da Proclamação da Independência, em 1822. Passado menos de dois anos desse
evento, a insatisfação com as decisões políticas de Dom Pedro I já eram
percebidas em segmentos da população, em razão de um conjunto de medidas
autoritárias adotadas pelo imperador.
Em novembro de 1823 dissolveu a Assembleia Constituinte por
discordar das limitações que seriam impostas ao imperador, e impôs o seu
próprio projeto político para o País. A
Assembleia Constituinte era formada por representantes eleitos das
províncias para elaboração de uma constituição para o Brasil. Porém, Dom Pedro
não aceitou os termos propostos, e optou por dissolvê-la.
Em março de 1824 o Imperador instaura o Poder Moderador na
primeira Constituição do País, criando um quarto poder, exclusivo do Imperador,
"chave" de toda a organização política brasileira, destinado a manter
a independência, o equilíbrio e a harmonia entre os demais poderes
(Legislativo, Executivo e Judiciário).
A Confederação do Equador foi a principal reação contra essa
política centralizadora. Teve origem na Província de Pernambuco com adesão do
Ceará, e demais províncias do Nordeste. Os revolucionários pretendiam fundar uma
nação republicana, independente do resto do Brasil.
A revolta no Ceará foi marcada pela participação ativa de
figuras locais, como Pereira Filgueiras (José Pereira Filgueiras), Tristão
Gonçalves (Tristão Gonçalves de Alencar Araripe), Padre Mororó (Gonçalo Inácio
de Loiola Albuquerque e Melo), Pessoa Anta (João de Andrade Pessoa Anta),
Francisco Ibiapina (Francisco Miguel Pereira Ibiapina), Azevedo Bolão (Luís
Inácio de Azevedo Bolão), José Carapinima (Feliciano José da Silva Carapinima) e
Martiniano de Alencar (José Martiniano de Alencar).
Em janeiro de 1924, a Câmara de Campo Maior de Quixeramobim
sob a influência do padre Mororó (Inácio Loiola de Albuquerque declarou
excluído do trono do Imperador Pedro I e a queda da Dinastia Bragantina,
proclamando a República com um governo que ficaria a cargo de Pereira
Filgueiras. O movimento teve forte apoio popular e de certas elites no
interior, como na região do Crato.
Em 18 de abril as lideranças rebeldes ocupam Fortaleza e
convocam uma reunião da Câmara e das pessoas com mais posses da Vila, onde
Tristão Gonçalves foi eleito presidente temporário do Ceará. A partir desse
evento, a preocupação maior foi com os preparativos para enfrentar a reação do
império.
A reação do Império começou por Pernambuco, as forças
monarquistas entraram em Recife em 12 de setembro de 1824; houve massacre da
população que viu com terror os saques, incêndios e fuzilamentos. Depois
avançaram pelas vilas do Ceará, dizimando as tropas republicanas. Diante da
derrota nos sertões cearenses, Tristão Gonçalves, presidente temporário do
Ceará, foi obrigado a deixar Fortaleza e partir para Aracati, para combater um
levante monarquista. A Divisão Naval do Império aportou em Fortaleza a 18 de outubro
de 1824, sob o comando de Lorde Cochrane que exigiu o fim imediato da rebelião.
O movimento resistiu até dezembro de 1824. Os Chefes do movimento
revolucionário, foram presos ou mortos.
Tristão Gonçalves foi morto a tiros nas imediações do povoado
de Santa Rosa, antiga Jaguaribara. Teve o cadáver mutilado e deixado insepulto.
Dias depois o corpo foi encontrado e sepultado por correligionários.
Pereira Filgueiras temendo ser assassinado ou preso e torturado, acabou se rendendo, foi preso e conduzido ao Rio de Janeiro, mas morreu durante a viagem.
José Martiniano de Alencar foi preso na Bahia, enviado ao Rio
de Janeiro e negou envolvimento com a Confederação do Equador. Por se tratar de
importante líder político do Nordeste, foi perdoado pelo imperador em 1825.
Foram condenados à pena de morte os revolucionários Padre
Mororó, Pessoa Anta, Francisco Ibiapina, José Carapinima, Azevedo Bolão, Frei
Alexandre da Purificação, Antônio Bezerra de Sousa, e José Ferreira de Azevedo.
Os três últimos tiveram a pena comutada em degredo para a Amazônia. Antônio
Bezerra de Sousa morreu antes, no Cariri.
Os condenados deveriam ser enforcados, mas como ninguém quis fazer o papel do carrasco, foram fuzilados em 1825, no antigo Campo da Pólvora, depois chamado de Praça dos Mártires.
A derrota dos confederados no Ceará, com a execução em praça pública, fortaleceu o poder das capitais e das autoridades representantes do governo imperial, que passaram a se impor ainda mais sobre o interior, controlando a província com maior eficácia.
Fontes:
Revista do Instituto do Ceará – Personagens da Confederação
do Equador no Ceará, de Júlio Lima Verde Campos de Oliveira-2024
História do Ceará, de Airton de Farias
Fotos da Internet







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