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quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Praça Capistrano de Abreu (Praça da Lagoinha)

 

Localizada no centro entre as Avenidas Tristão Gonçalves, Imperador e Rua Guilherme rocha, ao lado do Hospital e Maternidade Cesar Cals. Sua demarcação é anterior a 1859, ano em que o Conselho de Intendência autorizou a construção de uma cacimba de pedra. A praça foi construída sobre uma pequena lagoa, formada por um dos afluentes do riacho Pajeú, daí a origem dessa primeira denominação. Como a população trazia o lixo de quase toda a cidade para ser descartado ali, a cacimba converteu-se num foco de doenças, ameaçando a saúde pública e teve que ser aterrada.

A partir de 1881 recebeu a denominação de Coronel Teodorico, em homenagem a Antônio Teodorico da Costa, médico, vice-presidente da província, deputado, presidente da Assembleia e Comandante da Guarda Nacional.

Após a Proclamação da República o Conselho de Intendência resolveu que todos os nomes de ruas e praças da cidade seriam substituídos por números e datas. Assim, a praça Coronel Teodorico recebeu a nova denominação de Praça 16 de novembro – data da instalação do governo provisório do Estado do Ceará, em 1889. Mas essa deliberação só vigorou por seis meses, e a praça recebeu o antigo nome de volta, mudando só a titulação do homenageado, de Coronel para Comendador Teodorico.

Nessa ocasião a praça foi arborizada com mongubeiras, que fizeram parte do paisagismo da praça por 39 anos, sendo derrubadas para seu ajardinamento. Por outro lado, por meio de leis municipais de 1919 e 1923, a sua área foi diminuída para a construção de dois institutos de beneficência e caridade.

Havia na praça uma caixa d’água de alvenaria para abastecimento dos trens que passavam pela avenida Tristão Gonçalves, demolida na década de 1920,  pelo diretor da Rede de Viação Cearense por solicitação da prefeitura municipal. Em seu lugar foi construído um coreto, que durante anos foi utilizado para as exibições da Banda da Polícia Militar. 

  


Em junho de 1930, na gestão do prefeito Álvaro Weyne foi construído um jardim que foi chamado de Thomaz Pompeu, em homenagem ao Dr. Thomaz Pompeu de Souza Brasil, vice-presidente da Província em 1889, diretor da faculdade de Direito. Nessa mesma gestão foi instalada uma fonte de águas coloridas (que atualmente se encontra na Praça Murilo Borges).

A partir dessa urbanização, a praça caiu nas graças da população, e passou a ser frequentada por todas as classes sociais. Era chique circular em volta dos canteiros, na área arborizada e bem delineada. A exemplo do que já acontecia no Passeio Público, a divisão de classes se fazia espontaneamente, sem regulamento, sem normas escritas.



No meio da praça circulavam as pessoas da elite, os endinheirados; na periferia, os cidadãos comuns. Virou ponto de encontro de poetas, violeiros, dos casais de namorados, estudantes de rédeas soltas. Ali se realizavam verdadeiras sessões literárias e musicais ao ar livre. Também era o quartel-general de alunos da Fênix Caixeiral, quando este era o grande centro educacional do centro.  

Em 1965, o nome da praça mudou novamente, passando a denominar-se praça Capistrano de Abreu, em homenagem ao historiador nascido em Maranguape. A partir da década de 70 a praça inicia um processo de decadência, comum a outros logradouros do centro, serviu como feira de pássaros, e depois como local de negócios duvidosos, ficando por muito sendo conhecida como feira dos malandros.

A Praça em 2010 (imagem Fortaleza em Fotos)
 

Praça Capistrano de Abreu (imagem do Google Earth set/2024)

Nos últimos anos a Praça da Lagoinha foi fechada por tapumes para a construção da primeira fase do Parque da Cidade, nome dado à obra de integração daquele logradouro à Praça José de Alencar, local da mais importante estação do metrô. O trecho entre as duas praças já foi inaugurado. A praça oficialmente Capistrano de Abreu, nunca perdeu a denominação popular que lhe foi atribuída desde seu surgimento: Praça da Lagoinha 

 

Fontes:

Praças de Fortaleza/Maria Noélia Rodrigues da Cunha/1990//Caminhando por Fortaleza/FranciscoBenedito/1999/ Jornal O Povo/Jornal Diário do Nordeste/Publicação Fortaleza em Fotos - Fotos do Arquivo NIREZ  

domingo, 27 de outubro de 2013

Um Jeito de Morar

As primeiras moradias de Fortaleza foram sendo erguidas por ali, nas cercanias da fortaleza, da matriz e do Riacho Pajeú: a segurança, a religiosidade, a água. Assim, a Vila foi se consolidando até atingir foros de cidade. As casas sempre naquelas paragens, que ninguém se atrevia a avançar mata adentro, havia o perigo de cobras, onças, raposas e índios belicosos em incursões ao território dos brancos.


O desenvolvimento da cidade e o surgimento de famílias mais abastadas, de castas mais altas permitiram um novo padrão de moradia. E entre as simplórias casas de palha e taipa, foram sendo edificadas residências de maior porte, de alvenaria. Tudo sem requintes, sem ornamentos nas fachadas, sem platibandas, todas com beira-e-bica.

Casa do Governador das Armas do Ceará, na Rua Sobral, em frente a atual Praça da Sé

A evolução lenta da província, aqui e ali ia permitindo alguma construção de maior vulto, até atingir o período em que senhores de vastas posses, às vezes detentores até de títulos e brasões, se davam ao luxo de trazerem da Europa os projetos para suas moradias.
Com o gradativo crescimento, a cidade começou a ser dividida em bairros onde pontificavam casas de grande porte, verdadeiros palacetes, belas mansões.

Casa da família Gentil, no Benfica, construída em 1918 e atual sede da Reitoria da UFC

Alguns desses proprietários até se permitiam o luxo de trazer do Velho Mundo, os materiais necessários às suas construções, sem falar nos acabamentos. Foi quando as rústicas telhas de barro produzidas nos arredores da cidade passaram a ser substituídas pelas delicadas telhas de Marselha e até por ardósia importada da Franca, para as construções mais suntuosas. E os telhados ganharam status de obras de arte, motivo de admiração de uma população desacostumada a essas regalias. 

Casa do Intendente Municipal Guilherme Rocha, incendiada na revolta popular de 1912, que depôs a oligarquia Nogueira Accioly

Da Inglaterra vinham as louças sanitárias (os vasos, as banheiras, os lavatórios);  Portugal mandava entre outras peças, as pinhas, os jarrões, as estátuas e os ladrilhos de faiança. Algumas casas utilizavam até madeiras europeias e o precioso e agora raro pinho de Riga, servia para assoalhos, portas, janelas e bandeirolas. Em muitos casos, importavam até o cimento. 

fonte:
Marciano Lopes  
Fotos do Arquivo Nirez

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Fortaleza de Outrora

A Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Outeiro da Prainha, foi inaugurada no dia 08 de dezembro de 1841 (Arquivo Nirez)

Por volta de 1887 a acanhada capital do Ceará apresentava, com diferenças mínimas, as mesmas características da cidade colonial de 20 anos antes. Seus limites não iam além das Ruas da Praia e da Misericórdia, (atuais Pessoa Anta e Dr. João Moreira) da Rua de Baixo, (atual Conde D’Eu) da Rua D. Pedro I e da Rua da Amélia (atual Senador Pompeu). 


A tesouraria da fazenda adquiriu em 1860 e fez entrega ao episcopado, em 1892, do Palácio do Bispo, hoje ocupado como Paço Municipal (Arquivo Nirez)


Fora desse polígono de pequenas proporções, só havia digno de nota, o Palácio do Bispo, o Colégio das irmãs e o SeminárioO mais era o areal, onde se levantavam casebres de taipa e raras casas de tijolos construídas desordenadamente. 

A população urbana concentrava-se entre o Riacho Pajeú – o Marajaig de outrora – a cuja margem se edificaram as casas da Rua Conde D’Eu, já considerada a rua mater de Fortaleza, o Largo do Paiol, atual Passeio Público, a Rua Senador Pompeu e a Pedro I, que já fora em tempos idos, a Travessa da Alegria


Início da Rua Major Facundo a partir do Passeio Público: à direita o prédio onde se instalaria o Palace Hotel. (arquivo Mozart Soriano Aderaldo

 
Sítios, mais ou menos cultivados, conforme a situação econômica dos respectivos proprietários eram as futuras bem traçadas artérias de vários bairros que circundam o atual centro comercial. 

Bairros como  Outeiro, Otávio Bonfim, Jacarecanga, Tauape, Alagadiço, Calçamento da Messejana e outros mais eram tomados de cajueiros esgalhados, de coqueiros e copadas mangueiras. 

A iluminação de Fortaleza, nestes tempos remotos, já havia evoluído do azeite de peixe para o gás carbônico, que começou a clarear as ruas da cidade precisamente aos 17 de setembro de 1886. 

Também naquela época estava em plena vigência o “contrato com a lua”, herança recebida da primeira de uma série de guerras, resultado da escassez do carvão de pedra, que obrigava a concessionária a pausas certas e previstas no sistema de iluminação, por três, quatro, e até mais dias, a cada mês, durante o plenilúnio.

 
O Parque da Liberdade na época de sua inauguração e a placa indicativa de sua construção. Ao fundo a antiga Igreja do Coração de jesus (Arquivo Nirez)


Na lagoa do Garrote, que abrangia todo o espaço do logradouro, matava-se a sede e a fome do gado que vinha dos lados da Messejana. Foi nesse tempo, no Alto da Pimenta, onde hoje se elevam as paredes do convento dos frades capuchinhos, foi dado como concluído o templo dedicado ao Coração de Jesus, mandado levantar pelos Barões de Aratanha. 
Antes, o que havia por lá não passava de um modesto nicho, construído pelo Boticário Ferreira.

A Praça da Sé apresentava aspecto bem diferente. Muito embora o velho Palácio Arquiepiscopal – com algumas modificações – já existisse como tal desde 1860, o que existia na face sul/leste da praça eram velhas e características casas de taipa e beira-e-bica, uma das quais hospedou o Marechal Hermes da Fonseca quando era simples oficial do exército. 


O Hospital de Caridade ou Santa Casa de Misericórdia, foi todo construído com recursos doados pela população. O prédio foi concluído em 1857 (Arquivo Nirez)

 
Mas acima, para as bandas do Passeio Público, alinhavam-se ao cair da noite, os tabuleiros, com lanternas acesas, nos quais se vendiam doces, gengibirra, roletes de cana e outras guloseimas, emprestando um aspecto gracioso ao antigo Largo do paiol, já de si tão entristecido e soturno pelos queixumes dos enfermos da Santa Casa da Misericórdia, em frente.


Extraído do livro:
História abreviada de Fortaleza e crônicas sobre a Cidade amada
De Mozart Soriano Aderaldo.