Mostrando postagens com marcador lord hotel. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lord hotel. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 23 de junho de 2015

Os antigos hotéis de Fortaleza

Os antigos hotéis de Fortaleza ficavam todos no centro da cidade. Era no centro que se concentravam todas as atividades comerciais, e os meios de hospedagem estavam ligados ao comércio, aos negócios. Não havia  em Fortaleza nenhuma atividade voltada para o turismo nem havia perspectiva para tal. Os donos de hotéis compartilhavam dessa visão. Dentre os pioneiros os maiores, como o Excelsior e o Palace Hotel, recebiam personalidades importantes, como artistas, políticos e autoridades. 


Os menores hospedavam vendedores, caixeiros-viajantes, responsáveis pelo abastecimento da cidade. As pensões acolhiam estudantes vindos do interior para estudar na capital, e visitantes mais modestos.  Alguns dos hotéis que acolheram os visitantes de Fortaleza: 

Sede do Grande Hotel do Norte, atualmente, Museu da Indústria do Ceará
 
Grande Hotel do Norte – foi um dos primeiros hotéis de Fortaleza, instalado em novembro de 1882, no sobrado na esquina das Ruas Floriano Peixoto com Dr. João Moreira. No ano de sua inauguração recebeu como hóspede ilustre D. Maria do Patrocínio, esposa do libertador José do Patrocínio. O hotel pertenceu a Silvestre Rendall, que mais tarde o vendeu  para o francês Norberto Golignac. Alguns anos depois o prédio do Grande Hotel do Norte foi vendido ao Correio que em 1935 o vendeu para a Light, a então concessionária de luz e força para a Cidade. Atualmente o prédio abriga o Museu da Indústria do Ceará. 

 Na antiga sede do Clube Cearense, funcionaram o Hotel de France e o Palace Hotel. Hoje é a sede da Associação Comercial do Ceará. 

Hotel de France – O hotel de France, de propriedade de Isidor Brown foi inaugurado nos tempos áureos da belle epoque, quando Paris era o modelo a ser seguido, e o idioma francês era quase a linguagem corrente na cidade entre as elites. Funcionou na luxuosa sede do Clube Cearense, na Rua Floriano Peixoto esquina com a Rua Dr. João Moreira, em frente ao Passeio Público. 

Palace Hotel – Depois que o Hotel de France desocupou o prédio, O Palace Hotel se instalou na mesma antiga sede do Clube Cearense, na esquina da Rua Floriano Peixoto com a rua Dr. João Moreira, no Passeio Público. O Palace Hotel funcionou entre 1927 e 1971. Hoje o edifício abriga a sede da Associação Comercial do Ceará. 

o que restou do prédio do Hotel Avenida depois do incêndio 
  
Hotel Avenida – O Hotel Avenida funcionava na Rua Formosa (atual Barão do Rio Branco), esquina com a Rua da Municipalidade (atual Guilherme Rocha), de propriedade de um comerciante chamado Abílio, que morava lá com a mulher. Eram três andares: o térreo, mais dois, onde ficavam os quartos e um mirante.  Apesar do nome, o prédio não tinha nada de hotel, era na verdade uma casa de cômodos. Não servia nem café, e os quartos que acolhia os hóspedes – estudantes, em sua maioria – eram separados por tabiques de madeira. Em setembro de 1929, irrompeu um grande incêndio a partir do térreo. O fogo começou de baixo para cima e rapidamente tomou conta de todo o prédio. O incêndio começou de madrugada, enquanto todos dormiam e o proprietário saiu batendo de porta em porta, alertando os hóspedes. O incêndio do Hotel Avenida foi o maior incêndio que houve até então em Fortaleza, e não havia corpo de bombeiros na época, que só foi criado depois, e por causa desse incêndio.  Além do Hotel Avenida foram atingidas a Casa Primor, a Fascinadora, a Alfaiataria Job e a Relojoaria Cancão, deixando anda grandes prejuízos na Casa Zenith e em A Samaritana. O local é onde hoje funciona a Loja A Esmeralda. 

Hotel Brasil – inaugurado no dia 17 de março de 1945, no Palacete Brasil, na esquina da Rua General Bezerril com Travessa Morada Nova, na Praça General Tibúrcio. O hotel pertencia a firma Alexandre e Quintana, e foi construído por Rodolfo F. da Silva e Filho. 


Excelsior Hotel – O Excelsior Hotel – o maior e mais luxuoso do seu tempo – foi inaugurado no último dia do ano de 1931, na Praça do Ferreira, numa iniciativa de Plácido de Carvalho. O hotel foi erguido na Rua Guilherme Rocha n° 172, esquina com a Rua Major Facundo, no local antes ocupado pelo sobrado do Comendador Machado, onde funcionou o Hotel Central e o Café Riche.  O projeto do hotel, de autor desconhecido, foi inspirado num edifício de Milão e construído pelo arquiteto Natali Rossi. A decoração interna foi feita por Pierina Rossi, utilizando material de primeira linha, importado da Europa. Em estilo eclético, foi o primeiro arranha-céu da cidade construído em alvenaria – pilares, vigas e lajes feitos com a utilização de trilhos de trem comprados da Santa Casa de Misericórdia. O Excelsior encerrou suas atividades no dia 1° de outubro de 1964, após 33 anos de funcionamento. 

Hotel Bitu – Iniciou suas atividades na categoria “Pensão”, propriedade de Bartolomeu de Oliveira (Bitu), depois passou a ser chamado Hotel Bitu, com os sócios Manuel Dias Branco e Tomás Pereira. Ficava localizado a Praça da Sé nº 88. 

San Pedro Hotel, na Rua Castro e Silva. No local atualmente funciona o CREA-CE

San Pedro Hotel – Instalado na esquina das Ruas Castro e Silva com Floriano Peixoto, o San Pedro Hotel foi inaugurado no dia 29 de maio de 1959, com dois restaurantes, um no primeiro, outro no sétimo andar. Pertencia ao empresário Pedro Lazar. 

Astoria Hotel – propriedade de Pedro Philomeno Gomes foi inaugurado no dia 7 de agosto de 1941, na esquina das Ruas Barão do Rio Branco com Liberato Barroso, n° 171. O prédio do hotel construído em 1937, foi demolido em abril de 1962. 

Fortaleza Hotel – o dia 16 de julho de 1938 marca a inauguração do Fortaleza Hotel, na Rua Senador Pompeu n° 706, da empresa Fortaleza Hotéis Ltda., de Francisco Pires Holanda e Zaide Ramos Holanda. 

Lord Hotel – Inaugurado em 1956, num prédio de 8 andares, com cerca de 120 apartamentos. Considerado um exemplar da arquitetura moderna cearense, o Lord Hotel teve seu auge nas décadas de 60 e 70, período em que recebeu artistas famosos,  personalidades da cena brasileira e até a Seleção Brasileira de Futebol. Em 1992 foi fechado e transformado em apart hotel. Nos últimos anos, estava praticamente abandonado, sendo desapropriado em 2001 pelo Governo do Estado, e tombado pela Prefeitura de Fortaleza em 2006. Desde então, passa por reformas. 

Hotel Savanah, na Praça do Ferreira. prédio está desocupado

Hotel Savanah – O Savanah foi o último hotel de grande porte a ser inaugurado no centro, em 12 de abril de 1964, iniciativa de Pedro Lazar, instalado no Edifício Jereissati. Localizado na esquina da Rua Major Facundo com Travessa Pará, no térreo funcionava a Lojas Brasileira, que inaugurou a primeira escada rolante de Fortaleza. Em 1992, foi à falência, vítima do esvaziamento do centro e das mudanças urbanas que levaram negócios, lazer, e turistas para a orla marítima. O prédio de propriedade da família Jereissati, está abandonado, exceto o térreo ocupado por uma grande loja de departamentos. 

Iracema Plaza Hotel – Foi a primeira edificação da orla de Iracema, com a fachada inspirada em hotéis de Miami. No térreo funcionou o restaurante “Panela”, que durante muito tempo, serviu como ponto de encontro da elite local e de personalidades que visitavam a cidade. O edifício não foi concebido para abrigar um hotel, a transformação decorreu de um encontro realizado em Fortaleza, promovido pela junta comercial, que não contava com uma rede hoteleira capaz de atender as necessidades. O hotel que deu início ao ciclo de construção de hotéis na orla marítima, foi desativado na década de 1970, encerrando um ciclo de luxo e requinte nos tempos áureos da Praia de Iracema. 

O Prédio do Esplanada Hotel está em processo de demolição

Hotel Esplanada – Inaugurado em 1978, o Hotel Esplanada era naquela época o edifício mais alto da Praia de Iracema, com 18 andares, 2.724 metros quadrados de área e 230 apartamentos. Foi o primeiro hotel 5 estrelas de Fortaleza. Em 2004, o hotel foi vendido ao grupo português Dorisol Hotels, que fechou o hotel temporariamente para uma grande reforma. Com o grupo proprietário endividado, a data de reinauguração foi sendo adiada, e o hotel jamais foi reaberto. Em 2014 o que restou do edifício foi adquirido por um grupo local, que pretende demolir a edificação. 

fotos: Arquivo Nirez, IBGE


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Lord Hotel (Edificio Philomeno Gomes)

Em 1951, a Imobiliária Philomeno Gomes estava construindo dois prédios em Fortaleza: o Edifício São Pedro, na Praia de Iracema, e o Edifício Philomeno Gomes, no Centro. Mas, devido a um grande evento que iria ocorrer na cidade e à falta de local para abrigar os visitantes, o governador pediu que parte dos prédios fosse transformada em hotel. Assim, o Edifício Philomeno Gomes passou a se chamar Lord Hotel, e o Edifício São Pedro, Iracema Plaza Hotel. Ambos operavam 50% como hotel e 50% como residencial e comercial.

 Edifício Philomeno Gomes, década de 1950 (Arquivo Nirez)

Edifício São Pedro, que abrigou o Iracema Plaza Hotel

Inaugurado em 1956, num prédio de 8 andares, com cerca de 120 apartamentos,  considerado um exemplar da arquitetura moderna cearense, o Lord Hotel teve seu auge nas décadas de 60 e 70, período em que recebeu artistas famosos,  personalidades da cena brasileira e até a Seleção Brasileira de Futebol.
Em 1992 foi fechado e transformado em apart hotel. Nos últimos anos, estava praticamente abandonado, sendo desapropriado em 2001 pelo Governo do Estado, e tombado pela Prefeitura de Fortaleza em 2006.
Somente em 2011 o prédio ficou totalmente desocupado com a saída da última moradora, proprietária de um apartamento comprado em 1977, por 400 mil Cruzados. O processo de desapropriação começou em 2000, já que o edifício mostrava sinais de fragilidade. Enquanto a maior parte das mais de 40 famílias do local cedeu ao apelo do Governo  e deixou o local, pouco mais de 15 inquilinos decidiram resistir, insatisfeitos com a proposta de indenização. 

 Lord Hotel sendo recuperado (foto de 2011, acervo do blog)

Antes mesmo da desocupação total o edifício começou a ser reformado.  A obra de  recuperação estrutural do prédio, orçada em R$ 3,7 milhões, era para ser concluída em dez meses, mas já não há previsão de quando isso se dará.Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria da Infraestrutura (Seinfra) , após a conclusão da restauração, o local será um equipamento público, provavelmente  nas áreas da cultura ou educação.
O prédio está localizado na esquina das ruas 24 de Maio com Liberato Barroso, no Centro de Fortaleza, próximo às obras das estações Chico da Silva e José de Alencar do Metrô de Fortaleza.

     

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Praça do Patrocínio > Marquês de Herval > José de Alencar

A Igreja do Patrocínio ao lado da primeira sede da Fênix Caixeiral, inaugurada em 1905 

Antes de 1870 a atual Praça José de Alencar chamava-se Praça do Patrocínio – por causa da igreja de N. S. do Patrocínio, construída  no largo e inaugurada em 1852. A partir do mês de abril daquele ano, passou a ser chamada de Praça Marquês de Herval, em homenagem ao General Manuel Luis Osório, herói da Guerra do Paraguai. Em 1903 foi inaugurado o Jardim Nogueira Accioly, quando o logradouro recebeu sua primeira urbanização, na gestão do Intendente Coronel Guilherme Rocha. 


 vista parcial da Praça em foto de 1910 

Em 1912 quando o oligarca Nogueira Accioly foi deposto, o Jardim da praça recebeu o nome do seu sucessor, Franco Rabelo. A praça recebeu o nome de José de Alencar no dia 1° de maio de 1919, homenagem a data de nascimento do escritor cearense. O nome – Marquês de Herval – permanece até 31 de dezembro de 1932, continuando o de José de Alencar nos jardins internos. Em 1938 retorna ao nome de José de Alencar.


Assim ficou a Praça Marquês de Herval após a reforma empreendida pelo intendente Guilherme Rocha em 1903

Antes da urbanização serviu de campo de futebol. Com a urbanização abrigou belos jardins com estatuária vinda da Europa, no melhor estilo francês; ganhou um coreto, onde as bandas de música se apresentavam;  no centro um pavilhão para as retretas, ginástica infantil e patinação. A iluminação à gás conferia um ar romântico. Tudo foi destruído na revolta popular de 1912.

A praça foi destruída durante a revolta popular de 1912, que depôs o presidente do Estado Nogueira Accioly

Com o passar do tempo e a evolução urbana que contribuiu para o esvaziamento do centro como área residencial, passando a área central a exercer essencialmente a função comercial, sua localização como ponto de entrada da população vinda de vários bairros para o centro, recebendo grande movimento, contribuiu para que a praça passasse por várias reformas e assumisse várias funções – feira livre, ponto de táxi e de ônibus.  Foi sempre ponto de preferência para os vendedores ambulantes e atrativo para grupos marginalizados. Em 1929 recebeu jardins floridos, árvores e se transformou numa praça – ao invés de terminal de  ônibus. Mas não durou muito, com as mudanças ocorridas, volta a abrigar pontos de ônibus sofrendo novas alterações. 

Praça José de Alencar e o terminal de ônibus

Em 1979, a Praça José de Alencar passou por uma grande reforma na gestão do Prefeito Lúcio Alcântara (1979-1982). Transforma-se essencialmente em área de lazer; somente 50 linhas de ônibus passaram a estacionar no local; o espaço para pedestres foi aumentado em 4 vezes; foram colocados 14.000 metros de piso de mosaicos brancos, 2.000 lâmpadas refletoras, formada uma área verde de 3.500 m² com jardineiras, canteiros e árvores transplantadas.  Foram construídos calçadões altos nas Ruas 24 de Maio e General Sampaio com 10 metros de largura. A praça passa a ter uma área de 25.357m². 

atualmente a praça passa por mais uma reforma

Alguns anos depois, na segunda metade dos anos 80, sem os devidos cuidados e sem manutenção, o logradouro já estava totalmente deteriorado: pontos de marginais, comércio ambulante, botequins improvisados e prostituição infantil. Em 2009 a Praça José de Alencar passou por nova reforma,  com a requalificação do piso. Atualmente encontra-se com um trecho em obras relacionadas aos serviços de implantação o corredor comercial ligando a Praça José de Alencar à Praça da Lagoinha.

Os Principais Equipamentos da Praça José de Alencar

O Teatro José de Alencar


A Igreja do Patrocínio

A Estátua de José de Alencar

O Instituto do Patrimônio Histórico


O Lord Hotel
O INSS


fontes de pesquisa:
Caminhando por Fortaleza, de Francisco Benedito
Fortaleza Antiga, praças, ruas, esquinas, de Marciano Lopes 
fotos do Arquivo Nirez

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Uma voltinha pelo Centro de Fortaleza

 inicio alto astral: Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio, na Praça José de Alencar, que tem missa ao meio dia.
A Igreja do Patrocínio e o Edifício do INSS
 Esquina da Rua Guilherme Rocha com Rua 24 de Maio - Shopping Center onde um dia funcionou a Fênix Caixeiral  
 máquinas e equipamentos das eternas obras do metrô de Fortaleza  
 Avenida do Imperador, à altura da Praça da Lagoinha
 Avenida do Imperador: ausência de calçadas, dezenas de buracos e a pista por onde transitam os veículos  muito mais alta do que a desaparecida calçada 
 Avenida do Imperador onde se avista a tradicional Padaria Ideal, inaugurada no dia 1° de abril de 1925 na Rua Barão do Rio Branco, e que mais tarde mudou-se para a Rua Guilherme Rocha, esquina com a Av. Imperador. 
Destaque para o belo painel na fachada do primeiro andar.    
 Esse trecho cercado por tapumes se estende desde a Praça José de Alencar até a Praça da Lagoinha, inclui o espaço ocupado pela praça dos malandros (finalmente livre dos mesmos) e o antigo beco da poeira. O projeto prevê que as duas praças serão interligadas e o espaço urbanizado.    
 Avenida Tristão Gonçalves, também interditada pelas obras do Metrofor
 Rua Liberato Barroso. Na calçada e nas imediações do Lorde Hotel um exército de ambulantes, de confecções a  quentinhas, de travesseiros a panelas, se vende de tudo.
O agonizante Lord Hotel exibe uma placa de que sua estrutura  está sendo recuperada pelo Governo do Estado. 
 o piso da Praça José de Alencar
 Os camelôs desocuparam a Praça José de Alencar, ainda encontramos alguns, mas nada comparado à situação de alguns meses atrás, quando era difícil até se locomover pela praça, por absoluta falta de espaço 
 Praça José de Alencar bem em frente ao Teatro homônimo. Criatório Municipal de Aedes Aegypti. 
Jardins do Teatro José de Alencar
E para encerrar, com sensação de que nem tudo está perdido na nossa malfadada Fortaleza "Dela" nada melhor do que os belos jardins do Teatro José de Alencar, alegremente enfeitados para as festas juninas. 

fotos de Fátima Garcia