Mostrando postagens com marcador iate clube. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador iate clube. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de abril de 2013

Os Clubes Elegantes

Clube Líbano Brasileiro fundado pela colônia Sirio-Libanesa estava localizado na Rua Tibúrcio Cavalcante, 271

Na década de 50, Fortaleza era a capital dos clubes elegantes. Havia dezenas deles, alguns suntuosos contrastando com a miséria geral, todos com clientela, origens e justificativas as mais diversas. De acordo com os maledicentes, tal exibição de luxo se devia às sobras dos dinheiros federais, vindos para a realização de programas contra as secas.  Outros de língua ainda mais comprida atribuíam aquelas sedes maravilhosas ao resultado de contrabando de cera de carnaúba e de algodão, tão frequentes naquele tempo.


Sede do Iate Clube no bairro do Mucuripe

O certo é que, naqueles tempos, em poucos iam ao banho de mar e não havia boates, dançava-se a valer nos salões do Náutico, nas tertúlias do Ideal, do Líbano, do Iate, dos Diários, do Iracema, do Comercial. Os bancários se divertiam na AABB. Os militares no Clube Militar.



A diáspora de Massapê ia ao Massapeense, que teve seus instantes de glória, graças ao prestigio político e à expressão empresarial de seus integrantes. Chegou até a receber a visita de jacinto de Tormes, então afamado colunista social da Capital do país, o Rio de Janeiro, e uma miss Brasil o que, naquela época, significava muito.  A de Quixadá ia ao Quixadaense, a de Iguatu, ao Iguatuense. Existia até clube familiar, como o ASFAXIM, a associação que reunia s famílias Aguiar, Ximenes, parentes e afins.



Sede do Naútico, inaugurada na década de 1950 no bairro Meireles

O Náutico Atlético Cearense era reduto da classe média e bastião dos bons costumes. Ostentava a sede mais luxuosa, possuía o maior número de sócios, comerciantes médios, funcionários, profissionais liberais. Tinha muito prestigio. Seu presidente era mais importante que muito Secretário de Estado. Sua diretoria deveria, posteriormente, fornecer líderes civis ao golpe militar de 1964. Era composta de puritanos, ativíssimos na defesa da moralidade. Ali só entrava casal, e nesse tempo casal era homem e mulher. Além disso precisavam estar casados, de papel passado no cartório e na igreja. Sem isso, nada feito. 
Em nome da moral cristã, a diretoria não hesitou  em solicitar ao senador Olavo Oliveira que abandonasse seus salões porque, desquitado, não era casado legalmente com a moça com quem vivia. Mesmo   os casados, tinham de andar na linha, havia a história de um casal enamorado que dançava aconchegado em seus salões. Um diretor vigilante se tocou e lhe chamou a atenção. O rapaz explicou então, candidamente, que eram recém-casados, estavam em lua-de-mel, dançava com a mulher.  O diretor pôs termo aos arroubos apaixonados com uma indagação sutil:  “e não tem cama em casa não?”


fachada do Ideal Clube, quando ainda funcionava no bairro Damas

Viam assim o Ideal Clube, bem mais liberal, capaz de receber até casais que se haviam juntado, sem as bênçãos da Igreja, nem o ciente naquele tempo  em que ainda não havia o divórcio, como espécie de sofisticado antro da corrupção.  Durante muitos anos rolou na cidade que senhora das mais respeitáveis de seu quadro social se “apaixonou” por um colar. Foi várias vezes ao joalheiro, namorar a preciosidade. Até que nas proximidades do natal, o joalheiro lhe confidenciou que se tranquilizasse, porque a joia já era sua. O marido já fizera a encomenda, só faltava vir buscar. Segundo as fofocas daquele tempo, no baile de reveillon do Ideal, a mulher, mortificada, viu o desejado colar fazendo o maior sucesso no colo de outra, que diziam ser amante do marido.
A rapaziada de classe média adorava ir ao Maguary. Eles amavam o centro do salão de baile, o chamado “miolo” do clube, onde se curtiam sem restrições, porque a diretoria fazia “vistas grossas” para os amassos dos casais.


Fachada do Comercial Clube, na Praia de Iracema

Havia também o Comercial Clube que produziu uma miss Ceará e realizava suas tertúlias nas manhãs de domingo, a que rapazes e moças compareciam devidamente trajados, homens de paletó e gravata, mulheres de longo, naquele calorão. Ao meio dia, Edilmar Norões que era frequentador assíduo e locutor da Radio Verdes Mares, anunciava que a orquestra tocaria o Hino Nacional para que todos ficassem de pé. Logo após o presidente do clube José Cláudio Oliveira, fazia uma oração patriótica porque, com frequência, estavam presentes o Governador e o Comandante da 10ª. RM.  O clube era tão importante que distribuía até títulos de Cidadão Cearense.


fotos do Arquivo Nirez
extraído do livro de Lustosa da Costa
Louvação de Fortaleza  
   

sábado, 10 de março de 2012

A Cidade com Vista para o Mar


Na fase do pós-guerra, não é mais o sotaque francês que domina a cidade, e sim o modo de vida americano. Também nesse período, a orla marítima, que até então era ignorada pelas elites, dá passos rumos à valorização. A ocupação da orla começa na verdade a partir da década de 1920, com a construção da Vila Morena, o palacete da família Porto, onde mais tarde se instalaria o Estoril. Na chamada Praia do Peixe, uma colônia de pescadores, vê o surgimento de pequenos palacetes para veraneio.  Aos pescadores restou deixar as moradias na orla e procurar outros locais.


 Praia de Iracema em 1931 (arquivo Nirez)

No entanto, mesmo com as casas elegantes, o mar era ainda o quintal. O auge da Praia de Iracema ocorre mesmo depois da 2ª. Guerra, quando os americanos instalaram uma base em Fortaleza e transformam a antiga casa da família Porto em seu clube de oficiais.
Os clubes sociais também vão migrando para a praia, primeiro a de Iracema, depois, entre os anos 1940/50, mais a leste, em direção ao Meireles. É quando a praia adquire importância do ponto de vista do lazer e do entretenimento.
 
O Porto do Mucuripe em dois tempos: 1981 e hoje. (fotos de Nelson Bezerra) 

A construção do porto do Mucuripe tem um papel importante na configuração urbana, inclusive porque comprometeu irremediavelmente a Praia de Iracema. O porto na enseada do Mucuripe era sonho antigo, já que o antigo porto, na Prainha, não oferecia condições adequadas para o comércio e desembarque de passageiros. Apenas entre os anos 1930 e 40 a obra  ganhou ritmo, sendo que as primeiras embarcações começam a atracar na década de 50. O Porto do Mucuripe tornou-se um obstáculo para o fluxo de areias do litoral leste para o oeste, causando a drástica diminuição da faixa de praia na área da Praia de Iracema e o progressivo abandono das atividades comerciais e portuárias na área.

Avenida Beira Mar foi inaugurada em 1963. Antes disso a via era apenas a Rua da Frente. Sem pavimentação, sem tráfego de veículos, sem espigões, sem hotéis nem turistas. Foto de 1935 (arquivo Nirez)

Vista aérea da urbanização da Avenida Beira Mar no trecho entre a Volta da Jurema e o Iate Clube  em 1981 (foto de Gentil  Barreira) 

A ocupação da orla marítima da Capital se intensifica com a abertura da Avenida Beira-mar, determinada pelo plano Diretor de 1960. Com ela, a orla marítima vai definitivamente se integrar à malha urbana e a valorização do espaço do litoral leste passa a ser notada inclusive em valores monetários. A força do mercado imobiliário torna-se cada vez mais presente na determinação da ocupação da cidade em geral e da orla marítima em particular.

Praia do Futuro, anos 1980

Na década de 1970, ocorre a interligação viária com a Praia do Futuro, pelo prolongamento da Avenida santos Dumont. Promissora para o mercado, a Praia do Futuro frustrou a expectativa dos especuladores, não tendo nem a ocupação nem a demanda esperada, devido a uma série de fatores naturais e estruturais. 

fontes:
Revista Fortaleza, fascículo 10
Viva Fortaleza