quarta-feira, 1 de março de 2017

O Velho Farol do Mucuripe


Mucuripe, década de 1920 (Arquivo Nirez)

Em 1829, o marechal-de-campo português Manuel Joaquim Pereira da Silva, governador do Ceará, fazendo um reconhecimento do litoral da cidade, ante a presença cada vez mais frequente de embarcações lusitanas e estrangeiras, decidiu mandar construir um farol sobre “um montículo de areia defendido da vaga por alguns rochedos coralíneos”. Reunindo informações sobre o lugar, Pereira da Silva elaborou um arrazoado sobre a necessidade de construção desse farol e o despachou no dia 13 de maio. A resposta positiva, foi assinada em 17 de agosto de 1829.

A ordem do Imperador Dom Pedro I recebeu o competente registro e o “cumpra-se” em 3 de fevereiro de 1829. A planta do primeiro farol não chegou a ser enviada para Fortaleza, que provavelmente constava de um pequeno torreão de alvenaria, em cujo topo, por trás das vidraças que o defendiam do vento e da chuva, se acendiam aqueles candeeiros de azeite de peixe, que o presidente mandara comprar antes mesmo de obter autorização para realizar a obra. Não restou nenhum documento iconográfico que possa dar uma ideia de como era esse primeiro farol, nos anos distantes do Primeiro Reinado e da Regência. 



Já o mesmo não aconteceu com o segundo farol, que lhe sucedeu com a maioridade de D. Pedro II. Esse durou até as primeiras décadas do século XX, e dele existem gravuras e fotografias, até mesmo em que figura como verdadeiro símbolo da capital do Ceará. Iniciadas suas obras em 10 de maio de 1840, pelos engenheiros Júlio Álvaro Teixeira de Macedo e Luiz Albuquerque, somente foram concluídas em 17 de novembro de 1846. Foi construído com mão-de-obra escrava, passou por inúmeras reformas e foi desativado no fim da década de 1950.

Esse farol constava com um edifício básico em alvenaria, sobre a qual estava montada uma torre cilíndrica de ferro, que dava acesso ao andar superior. Era um farol dióico, de quarta ordem, com 33 m acima do nível do mar, que permitia sua visualização aos navios que passassem até a uma milha de distância. O monumento relembra os tempos da colonização, quando navegadores portugueses e espanhóis aportaram no litoral cearense. Em estilo barroco, a fachada do prédio é composta por oito paredes de tamanhos iguais. Por dentro, uma escada helicoidal leva ao topo do prédio, de onde se tem uma visão panorâmica da Praia Mansa e de todo o bairro do Mucuripe.

    
 De acordo com o pesquisador Rodolfo Espínola, esse é o segundo farol construído no Mucuripe. Do primeiro nada restou, nenhum documento, nenhuma imagem (foto do arquivo Nirez)

Passados alguns anos, referido farol começou a apresentar problemas de funcionalidade, exigindo profundas reformas, porque nem segurança oferecia para os que nele trabalhavam, nem estava mais transmitindo boas informações aos navios que passavam ao longe. Foi construído então um terceiro farol, mais moderno, mais alto e mais bem equipado para orientar os navios que estavam chegando ao novo porto de Fortaleza. 


farol do Mucuripe (atual) 

Do velho farol, hoje abandonado, restam apenas lembranças, embora ainda guarde sua imponência de vigilante do mar. Durante um tempo abrigou o Museu do Jangadeiro, projeto que também foi abandonado. Em 1982 foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico da Secretaria da Cultura.

fontes:
 Caravelas, Jangadas e Navios, de Rodolfo Espínola
secultfor

7 comentários:

dseg-seg disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
dseg-seg disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
dseg-seg disse...

Amo muito esse blog. Hoje está quase concluído mais um farol pra substituir o outro. No mesmo local e bem mais alto.

Fátima Garcia disse...

obrigada pelo carinho dseg-seg. Qq hora vou lá fotografar as obras no novo farol. abs

Unknown disse...

Hoje ele esta totalmente abandonado pelas autoridades competentes,trazendo muita tristeza aos que aqui moram,ele que faz parte de uma linda estória,está morrendo aos poucos ao longo dos anos.

Santos Francisco disse...

Hoje ele esta totalmente abandonado pelas autoridades competentes,trazendo muita tristeza aos que aqui moram,ele que faz parte de uma linda estória,está morrendo aos poucos ao longo dos anos.

Glaucia Correia disse...

Hoje,infelizmente, encontra-se totalmente abandonado!