terça-feira, 21 de maio de 2013

O Dia em que o Cine Moderno Fechou


Estranha coincidência: o Cine Majestic desapareceu sob chamas na noite do ano novo de 1968, e hoje o Cine Moderno encerra suas atividades com o filme “Paris está em Chamas?”  em cartaz.

Manchete do Jornal no dia do encerramento do Cine Moderno

A chama da saudade vai se acender nos corações de milhares de fortalezenses que contam acima de 50 anos de idade quando lerem esta notícia. O Cine Moderno foi  na década de 30 o ponto de convergência, de encontro, da sociedade  de Fortaleza, lugar chique, elegante. No seu hall ou na sala escura surgiram muitos amores e aconteceram momentos de alegria e mesmo de tristeza na vida daqueles fortalezenses que viveram aquela época suave e romântica de uma cidade ainda provinciana.

Um Pouco da História


Construído por iniciativa de Plácido Carvalho com o fim específico de uma casa exibidora de filmes, o Cine Moderno foi inaugurado no dia 7 de setembro de 1922, dentro das comemorações do primeiro centenário da Independência  política do Brasil. A exploração do cinema ficou a cargo do Sr. Luiz Severiano Ribeiro, fundador da Empresa Ribeiro, hoje o magnata da indústria e do comércio cinematográfico em nosso País.
“Carmem” foi o filme que inaugurou aquela casa de espetáculos, que hoje fecha as portas após 46 anos de atividades, exibindo o filme “Paris está em Chamas?”  O prédio foi construído por Luis Gonzaga Flávio da Silva, ainda vivo, com 85 anos de idade , construtor também do Palace Hotel, do Majestic, do Palácio do Plácido e do Banco Frota Gentil.
Nova Era


Durante oito anos, o Moderno apresentou filmes mudos animados por um piano perto do palco. As sessões eram noturnas (duas por noite) e o preço do ingresso custava custa 1 mil reis (equivalente hoje a NCR$ 1,00).  Em 1930 o Moderno lançou em Fortaleza o cinema falado, com o filme “Broadway Melody”, com Charles King e Bessie Love. Somente há dois anos esse cinema passou a adotar o sistema de exibição em Cinesmacope. 


Um dos filmes que fez maior sucesso no Moderno foi “O Rei Vagabundo”, com Jonette Mac Donald. Até 1940 quando foi inaugurado o Cine Diogo apresentando o filme “Balalaika”, o Cine Moderno liderou em nossa capital, durante 18 anos, portanto, a vida social noturna de Fortaleza. Suas soirées eram sempre frequentadas pela alta sociedade de nossa capital, todos com suas melhores roupas e vestidos num verdadeiro desfile de elegância.  Nesse longo período, o Moderno foi o que o Cine São Luiz (inaugurado em 1958), representa hoje para a nossa sociedade, ou seja, o cinema da elite. 


Cinemas Desapareceram

Nos últimos dez anos quando a população de Fortaleza duplicou, os cinemas, ao contrário de irem aumentando, foram desaparecendo. Assim é que deixaram de funcionar os cinemas Rex,  Ventura (na Aldeota), Centro, Majestic, Nazaré, América, Mecejana, e agora, o Moderno.  A cidade conta atualmente com apenas cinco casas no perímetro central; São Luiz, Diogo, Samburá, Art e Jangada.  Esses cinemas, a maioria de péssimas instalações e oferecendo pouco conforto aos seus frequentadores, são óbvios, insuficientes para atender ao publico, ocorrendo sempre superlotação. 

 O Cine-teatro Majestic-Palace encerrou as atividades no mesmo ano do Cine Moderno

Destino do Moderno

O prédio do Cine Moderno foi vendido ao Sr. Edson Queiroz pelos herdeiros de Plácido de Carvalho ao preço de NCR$ 400 mil, devendo ser entregue ao novo proprietário dentro de trinta dias.  O Sr. Edson Queiroz ainda não definiu como utilizará aquele imóvel, se instalará uma loja de eletrodomésticos ou se construirá um edifício.
Algum tempo depois, no mesmo ano de 1968, o prédio foi demolido - grifo nosso.

Reprodução de reportagem publicada no Jornal Correio do Ceará, edição de terça-feira, 21 de maio de 1968. 
fotos do Arquivo Nirez, do livro Tela Prateada e do Jornal Correio do Ceará 

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