quinta-feira, 27 de maio de 2010

Fortaleza, 1873: lá vem o trem

a locomotiva Fortaleza que inaugurou o transporte ferroviário na cidade,
foi vendida como ferro velho e desmontada.



Praça Castro Carrero - antigo campo d'Amelia - foi o local escolhido para
a instalaçao da estação central (foto reprodução)

No dia 3 de agosto de 1873, cerca de 8.000 curiosos, praticamente a totalidade da população de Fortaleza, vieram assistir, na rua do trilho de Ferro, hoje Avenida Tristão Gonçalves, a passagem barulhenta do primeiro trem, com seu apitar estridente e esquisito.
Naquela tarde a locomotiva “Fortaleza” fazia sua viagem inaugural, diante de uma multidão entusiasmada com a novidade. Sob aplausos, o pequenino trem rodou cinco vezes seguidas entre a estação central, localizada no antigo Campo d’Amélia – atual Praça Castro Carrero ou Praça da Estação, como é mais conhecida – e a parada do Chico Manoel, situada na esquina da Travessa das Trincheiras – atual rua Liberato Barroso.
Foi um sucesso difícil de descrever. A expectativa pela inauguração do novo meio de transporte começara um mês antes, quando foram iniciados os trabalhos de assentamentos dos primeiros trilhos da Companhia Cearense da Via Férrea de Baturité Sociedade Anônima, cujo contrato com o governo da província, fora firmado três anos antes, em 1870.
A inauguração oficial ocorreu em 29 de novembro, com a conclusão do primeiro trecho entre Fortaleza e Arronches, (atual Parangaba), com o trem puxado pela locomotiva “Fortaleza” sob a direção do maquinista José da Rocha e Silva. A velocidade do comboio era de 26 k/h, podendo chegar ao máximo de 32 quilômetros/hora.

A locomotiva “Fortaleza”, rodou muitos anos sobre os trilhos da Estrada de Ferro Baturité, até tornar-se obsoleta e ser recolhida ao depósito de ferro velho, onde ficou atirada a um canto. Certo dia sumiu misteriosamente e ressurgiu, noutro ponto da cidade numa oficina de ferreiro, onde foi desmontada, e transformada em peças variadas.
Mais uma vez a nossa Fortaleza, fez jus a fama de cidade sem memória e sem patrimônio histórico que lhe testemunhe as origens.




A Estação da Parangaba foi aberta com o nome de Arronches, em 1873. O imóvel foi tombado pelo Patrimônio Histórico e não poderá ser demolido, como desejava a direção do Metrofor
Foto locomotiva: http://www.ofipro.com.br/preservando/estacao.htm

Fonte: MENEZES, Raimundo. Coisas que o Tempo Levou: crônicas históricas da Fortaleza antiga. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2000.

5 comentários:

lúcia disse...

oia nois testandooo!!! sou eu el loka lúcia!!!!

lucia disse...

Tô aqui com 2 maluquetes, nossos mininos, me ensinando a enviar comentários, qnd eu aprender, comento,okw

Lúcia disse...

Já vinha lendo suas MARAVILHOSAS matérias. Agora li as últimas....tá tudo muito bom ver Fortaleza dos anos 50 me emociona, a praia do Meireles como eu conheci...os atores que já se foram, como Zé Humberto!!!!
Parabéns, Fátima!!!!

Carlos, Carlinhos, Getúlio disse...

É, cara Fátima, parece que essa tradição de não ter tradição, isto é, demolir o "velho" para dar espaço ao "novo" está no resto do Ceará. Em minha cidade, Limoeiro do Norte, centenária, não se vê mais as primeiras casas da povoação. É triste, e a cidade fica sem alma. O que não dizer do castelo veneziano que ficava onde hoje é a CeArt?

Fátima Garcia disse...

O patrimônio de uma cidade é o retrato de uma época, de suas manifestações culturais, seus usos e estilos; é a identidade local em determinado tempo. Destruir esse testemunho é como apagar uma parte da história. Acho que essa sanha destruidora, essa fixação pela novidade é coisa de quem não tem apego pela sua terra. Obrigado por comentar no blog