Mostrando postagens com marcador joão nogueira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador joão nogueira. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de janeiro de 2012

Velhos Nomes de Ruas - Parte 1/2

joãoInicialmente os nomes das ruas de Fortaleza eram colocados por iniciativa da população e adotados pelo poder público do município. Alguns nomes antigos eram tão naturais e apropriados que, por si mesmos, estavam indicando sua procedência, tais como Assembleia, Municipalidade, Chafariz, Cajueiro e do Quartel. 
Havia, porém, algumas denominações também antigas cuja origem não era tão clara e parecida perdida, como a Rua das Trincheiras, como era chamada a antiga Liberato Barroso e Rua do Fogo ao lanço da Major Facundo que ia da Praça do Ferreira até um determinado ponto. 


Rua Floriano Peixoto em 1932 (arquivo Nirez)

Até 1817 não havia na Vila de Fortaleza qualquer indicação relativa ao nome das ruas. No dia 18 de março desse ano, em sessão realizada na Câmara, foi aprovada a decisão de se colocar letreiros indicando a denominação da via. Logo no ano seguinte, em 1818, já se podia ler os nomes das ruas, colocadas nas esquinas das vias públicas da Vila. 
Uma vez oficializados, os nomes dos logradouros passaram a mudar de acordo com as motivações políticas ou por modismo. Hoje quase todas as denominações das ruas e praças de Fortaleza homenageiam pessoas que, em muitos casos, ninguém sabe quem é ou o quê  fez para merecer a homenagem. 

avenida Pessoa Anta (arquivo Nirez)

Eis alguns dos nomes atuais e antigos de ruas, avenidas e travessas de Fortaleza.

Avenida Pessoa Anta – parte da antiga Rua da Praia
Rua Dragão do Mar – parte da antiga Rua da Praia e antiga Rua da Alfândega
Rua José Avelino – antiga Rua do Chafariz (primitivamente existente na esquina com a Avenida Alberto Nepomuceno) e General Mesquita
Rua Rufino de Alencar – antiga Travessa da Bica e Corredor do Bispo (o palácio episcopal ficava ao lado)
Avenida Monsenhor Tabosa – antiga Rua do Seminário

Avenida Monsenhor Tabosa, antiga Rua do Seminário (foto Viva Fortaleza)

Rua Tenente Benévolo – antiga Travessa da Conceição
Rua Pereira Filgueiras – antiga Rua do Paço
Rua Costa Barros – antiga Rua da Aurora e Rua do Sol
Avenida Santos Dumont – antiga Rua do Colégio (da Imaculada), Gustavo Sampaio e boulevards Nogueira Accioly

Avenida Santos Dumont (foto Viva Fortaleza)

Rua Franklin Távora – antiga Travessa São Luis (em referência à capela então existente no cruzamento dessa rua com a que hoje se denomina Rodrigues Júnior, esquina nordeste).
Rua Pinto Madeira – antiga Rua do Córrego (Pajeú) e da Cavalaria (sediado no prédio em que se instalou parte da Escola de Administração)
Rua Governador Sampaio – antiga Rua Nova do Outeiro, Beco da Apertada Hora, Rua do Sampaio e Rua Dona Bárbara (de Alencar)
Rua São José – antigo Beco das Almas
Travessa Baturité – antiga Travessa da Escadinha
Rua Boris – antiga Travessa da Praia
Rua 25 de Março – antiga Rua do Outeiro e do Pajeú
Rua Coronel Ferraz – antiga Travessa do Colégio (da Imaculada)
Avenida Dom Manuel – antigo boulevards da Conceição e Avenida D. Luís
Rua Rodrigues Júnior – antiga Rua da Glória e Rua São Luís
Rua J. da Penha – antiga Rua da Soledade
Rua Nogueira Accioly – antiga Rua da Aldeota
Rua Gonçalves Ledo – antiga Rua dos Guajerus e Demétrio Menezes
Rua João Moreira – antiga Rua Nova da Fortaleza, Travessa do Quartel, Rua da Misericórdia e Rua General Tibúrcio
Rua Castro e Silva – antiga Travessa das Flores e Rua Manuel Bezerra
Travessa Crato – antiga Travessa do Mercado (então funcionando na Praça Carolina)
Rua Senador Alencar – antiga Travessa das Hortas
Rua São Paulo – antiga Travessa da Tesouraria (então existente no canto nordeste da Praça general Tibúrcio) Rua das Belas e parte da Rua da Assembleia
Rua Pará – antiga Travessa da Boa Vista
Rua Guilherme Rocha – antiga Travessa Municipal, Rua Municipal e Rua 24 de janeiro.


Rua Guilherme Rocha (foto Ah, Fortaleza)

Rua Liberato Barroso – antiga Travessa Formosa, Rua das Trincheiras, Rua Comendador Luís Ribeiro e Dr. Meton de Alencar
Rua Pedro Pereira – antiga Travessa Amélia e Rua de São Bernardo (em razão da capelinha existente na esquina sudoeste da rua senador Pompeu)
Rua Pedro I – antiga Travessa da alegria, Rua Dom Pedro e Rua Tiradentes
Avenida Duque de Caxias – antigo boulevards do Livramento (em razão da antiga Igreja do Livramento, hoje Igreja do Carmo)
Avenida Alberto Nepomuceno – antiga Rua da Ponte (então existente sobre o Pajeú, que a atravessa hoje subterraneamente).

Fontes:
Fortaleza Velha, de João Nogueira
História Abreviada de Fortaleza, de Mozart Soriano Aderaldo

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O Relógio da Sé (Crônica de João Nogueira, escrita em 30 de dezembro de 1932)


Em verdade faz pena ver desregulado e incerto esse relógio antigo e talvez o melhor de Fortaleza. Primitivamente, era o regulador da cidade, espécie de coração da aldeia da pequenina e tranquila Fortaleza de então; mas hoje, que a cidade cresceu tanto, somente a reduzida parte que vive à sombra da Sé e que escuta e se rege por sua amiga que nos fala há setenta e muitos anos.

Esta voz não nos entra de portas adentro como a luz da madrugada que, no dizer do poeta, invadindo a cabana do aldeão, diz-lhe asperamente: levanta-te animal! Tens frio e não tens pão.

Ao contrário disto, aquele som mavioso se nos desperta, se nos manda ao trabalho ou nos convida ao sono ou à oração, lembra, embora vagamente, a voz de uma avozinha solícita, que nos guiasse os passos com um falar antigo e sempre doce.

Atualmente desregulado como anda, faz lembrar essas pessoas de passado glorioso que, tendo sobrevivido a si mesmas, entram a dizer e fazer tolices, enchendo de piedade e de tristeza a seus descendentes e amigos.

São frequentes as diferenças de 15 minutos, dentro de poucas horas, entre esse relógio e outros acertados por ele; e não raramente esses desacordos atingem, subitamente, meia hora, como sucedeu domingo passado, 25 de março.

Isto traz confusão a quem de há muito se rege pela Sé e não pode escutar o toque da Prefeitura. É então que, resignados, repetimos aquele – Deus te salve, relógio que anda atrasado. 

Devemos esta prenda ao Sr. João da Costa e Silva, agricultor na Pacatuba que, para aquisição da mesma, fez doação de um conto de réis à irmandade de São José, assim que ficaram prontas as obras da Matriz, em 1854. Ali falta a pancadinha do relojoeiro, de que fala a conhecida anedota.

A máquina de ferro, todo mundo sabe, é infinitamente grosseira em presença da máquina humana;  entretanto, apresenta sobre esta a grande superioridade de poder sempre se renovar e trabalhar indefinidamente, tudo dependendo da substituição oportuna dos órgãos essenciais ou acessórios.

É sabido que na Inglaterra, devido a bons cuidados, máquinas a vapor do tempo de Watt (1780) ainda estão em perfeito estado de conservação e funcionamento; e que o mesmo acontece com a Rocket, uma das primeiras locomotivas que data de 1829. 


O célebre relógio da Catedral de Estrasburgo, construído em 1352, depois de passar parado vários anos continuou a trabalhar, depois que Schwilgué o reparou e completou, em 1842.
De então até hoje vem marcando regularmente, além de horas, minutos e segundos, os dias da semana e do mês, as fases da lua e vários outros fenômenos astronômicos.  

Nem se diga que alemães e franceses conservam essas máquinas por terem valor histórico ou científico: também zelam com extremo cuidado velhos moinhos, que não se prendem a fato importante algum, bem como castelos em ruínas e outras construções que, por serem muito antigas, são queridas e respeitadas.

Entre nós, povo moderno, americano e adiantado, quase ninguém pensa em conservar velharias, como fazem aqueles atrasados europeus. A Igreja, em todos os tempos, tem sido o conservador por excelência; tem evitado esse espírito de renovamento impensado, que há sido fatal a indivíduos e a povos. 

Devido a isto é que ainda possuímos, funcionando o magnífico relógio, que é a máquina mais antiga do Ceará.  Que tal aconteça, não há que admirar; mas o que contado não se acredita e que ainda esteja em plena atividade a primeira máquina a vapor, que veio a esta terra!
Encomendada pelo Tem. Cel. João Franklin de  Lima para o seu engenho na Munguba, aqui chegou em 1864; e, depois de ter trabalhado ali até 1883, passou a outras mãos e hoje se acha no engenho do Sr. Francisco Anísio de Oliveira Paula, em Maranguape.  Dados os nossos costumes, um caso destes é bem digno de nota...

Nós, que há longos anos nos regulamos pela Sé,  verificaríamos, com prazer, restituído à sua perfeição antiga, o melhor dos nossos cronômetros. Bastaria que o nosso zeloso e estimado vigário da Sé confiasse os reparos carecidos ao Sr. Abílio Silva, esse relojoeiro patrício de reconhecido talento.

Esperamos e desejamos que assim seja, mesmo porque as horas contadas na torre da nosso velha igreja tem a solenidade e a significação que não se lobrigam nos gritos estridentes dos relógios públicos.

Extraído do livro
 Fortaleza Velha, de João Nogueira.  


Velharias Europeias citadas por João Nogueira




O famoso relógio de Estrasburgo foi montado pela primeira vez em 1352 e ficou conhecido como o Relógio dos Três Reis. Tinha lindas figuras e vários detalhes mecânicos tais como um calendário e um astrolábio. A principal imagem era a da Virgem com o Menino Jesus nos braços. Quando recebia a visita dos Reis Magos, a hora era anunciada por um dispositivo que fazia soar um sino. No início do século 14, parou de funcionar.  
Foi restaurado duas vezes, cada vez de forma mais elaborada que a outra. Mas foi inteiramente desmontado em 1547, refeito em outro local dentro da catedral e recebeu o mecanismo que o transformou num dos relógios astronômicos mais perfeitos da Europa

A Rocket é uma das primeiras e mais eficientes locomotivas dentre os diversos modelos criados no início do século XIX. Percorria o trajeto entre Liverpool e Manchester.  Hoje encontra-se no Museu de Londres.

fonte:
oglobo.globo.com/blog do Noblat