Inaugurada em 26 de novembro de 1960, a TV Ceará iniciou sua programação logo no dia seguinte a sua festa inaugural.
A chegada da TV à Fortaleza, dez anos depois da sua inauguração no Brasil, representou muito mais do que uma simples opção de lazer – foi um acontecimento, um fenômeno social que revolucionou a vida da cidade.
Na Fortaleza dos anos sessenta as pessoas tinham o hábito de sentar na calçada, o rádio ligado. As rodas de cadeiras na calçada às vezes se desfaziam durante uma novela ou um programa, mas logo se recompunham.
Naquelas pequenas assembleias formadas por vizinhos, se falava (mal) de tudo, da vida alheia, do governo, do custo de vida, sobre os acontecimentos do dia a dia. As crianças se entretinham com as brincadeiras de roda, com o jogo de bola na rua. Quando a televisão chegou, botou todo mundo para dentro de casa.
A programação era ao vivo, gerada com talento local: cantores, atores, escritores e diretores, técnicos. O Diretor de Programação Péricles Leal veio do Rio trazendo uma programação mais ou menos nos moldes das TV’s de São Paulo e do Rio de Janeiro: teatro de romance, videorama, contador de histórias e aos domingos, um show musical e mais os programas TV de mistério e TV de comédia.
O cearense Emiliano Queiroz, um dos pioneiros na TV, conta que todos eram polivalentes; que ele, em uma semana, fazia cinco ou seis personagens, escrevia os comerciais ao vivo, fazia contato com clientes, ensaiava e levava ao ar, realizava sorteios de carnês das lojas Romcy Magazine e era também apresentador.
Adaptou contos, e escreveu textos para o “Contador de Histórias”.
“O Contador de Histórias” foi um ambicioso projeto dirigido por Péricles Leal, onde adaptações de peças teatrais de autores famosos foram apresentados na série.
Havia um show, patrocínio da “Linholene”, que trazia para Fortaleza cantores do eixo Rio-São Paulo, onde se apresentaram Ângela Maria, Dalva de Oliveira e Norma Suely.
No departamento das anunciadoras, (as garotas-propaganda) cinco delas se tornaram estrelas de televisão: Rita, (que anunciava a loja Flama – símbolo de distinção); Stelinha (Banco União Sociedade Anônima, para servi-lo); Shirley, Adalgisa e Tatiana.
A TV ao vivo era pródiga em acidentes.
No teleteatro, numa cena entre Emiliano Queiroz e João Ramos – o grande nome do rádio e televisão do Ceará – numa cena de briga, o primeiro não desviou o rosto a tempo e teve o nariz quebrado no ar.
Em outra ocasião, em determinada cena, o ator deu um soco tão forte na borda de uma cama que ela quebrou e o cortinado do dossel caiu sobre sua cabeça. O programa saiu do ar por alguns minutos. Entrou o slide do indiozinho com a música. Minutos depois a cena continuou com a cama, sem o dossel. Ninguém reparou.
Com o advento do vídeo-tape, mudou o modo de se fazer televisão no Brasil. O avanço tecnológico possibilitou a gravação dos programas, permitiu a correção dos erros e o estabelecimento de horários dos programas, mas, em compensação, decretou o fim da programação ao vivo. A teledramaturgia estava com os dias contados.
Estúdio B em dia de programa de auditório. Os programas eramanimados por Augusto Borges

Jane Azeredo, Augusto Borges, (que também era apresentador) no centro, entre dois figurantes. Destaque para o guarda-roupa de época.

Cena do romance A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas. Emiliano Queiroz é o galã . Cleyde Holanda, a própria Dama
João Ramos e Emiliano Queiroz, vivendo papéisimportantes, em peça ambientada no século passado. Possivelmente cena do romance Lucíola, de José de Alencar
Emiliano Queiroz, Cleyde Holanda, Glice Sales, Maria Luiza e Lourdes Martins, no cenário concebido para o romance Diva, de José de Alencar
Ao fundo Augusto Borges e Rinauro Moreira.À frente: Emiliano Queiroz e Wilson Machado). Em "A morte prepara o laço"
fontes:
LETÍCIA, Maria. Emiliano Queiroz na sobremesa da vida. Imprensa oficial: São Paulo, 2006.
CAMPOS, Eduardo. TV Ceará a Fábrica de Sonhos. UFC – Casa José de Alencar – Programa Editorial, 1999.
CAMPOS, Eduardo. TV Ceará a Fábrica de Sonhos. UFC – Casa José de Alencar – Programa Editorial, 1999.
