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domingo, 20 de fevereiro de 2022

30 Lojas que fecharam (no Centro)

Até por volta dos anos 70/80, o centro era frequentado por todas as classes sociais, onde se concentrava, praticamente todo, o comércio da cidade. Mas, a partir dos anos 1980, começaram a surgir os planos econômicos, lançados de tempos em tempos, à medida que se constatava o fracasso do anterior.

Plano Cruzado, Cruzado Novo,  Plano Verão, Plano Bresser, congelamento de preços, e for fim, a pá de cal, com o furadíssimo Plano Collor.  

Muitas dessas empresas, que já enfrentavam dificuldades financeiras, sucumbiram diante do caos econômico.









segunda-feira, 5 de março de 2012

O Retorno da Democracia e a Gestão Maria Luiza Fontenele



No dia 15 de novembro de 1985 o Brasil entrou numa nova era política: os municípios voltam a eleger diretamente os prefeitos municipais. Em Fortaleza, a nova fase política também marcou uma das maiores surpresas políticas da história da cidade – a eleição de Maria Luiza Fontenele, do Partido dos Trabalhadores.
A campanha da socióloga, que exercia o segundo mandato de deputada estadual foi vitoriosa em cima dos favoritos Paes de Andrade (PMDB) e Lúcio Alcântara (PFL), que eram considerados os polarizadores da disputa. A chegada de Maria Luiza à prefeitura foi uma aposta da população, que preteriu os políticos tradicionais e velhos conhecidos  em favor de uma nova administração, na expectativa de melhores condições de vida, trabalho e participação política, conforme pregava a doutrina petista. Foi a primeira vez que uma mulher ocupou o cargo.
As pesquisas divulgadas antes da eleição apontavam vitória folgada de Paes de Andrade (PMDB), com quase o dobro das intenções de votos dos concorrentes. Maria Luiza era apenas a terceira, atrás do candidato Lúcio Alcântara. Contrariando as estatísticas, a cidade vivia o clima da vitória da candidata petista. Foi o que aconteceu. Como não havia ainda segundo turno, Maria tornou-se prefeita com a preferência de cerca de um terço do eleitorado.
A então prefeita Maria Luiza num encontro com a militância 

A administração Maria Luiza teve forte traço popular, com instituição de fóruns de decisão dos projetos governamentais, os chamados Conselhos Populares. Através desse mecanismo, a população tinha acesso direto aos centros de decisão da prefeitura. Também foram implantados os Conselhos de Bairros e de associações populares.
A iniciativa da prefeita  enfrentou forte oposição da Câmara Municipal, os vereadores alegavam que os Conselhos interferiam nas atribuições do legislativo. O descontentamento dos vereadores, aliado a problemas administrativos, encontrou apoio na classe média da época.

Fortaleza anos 1980

Com dois meses de gestão, ocorreu a primeira greve de servidores. Só de motoristas de ônibus, foram sete. As greves também pararam o IJF, chegando a provocar mortes por falta de atendimento. Os garis paralisaram as atividades quatro vezes. Como causa da maioria, a falta de pagamento de salários. No segundo ano de gestão, a prefeita decreta emergência.
Os problemas enfrentados pela prefeita foram de toda ordem, com destaque para o déficit habitacional do município. Não raras vezes os terrenos da cidade, públicos e privados eram ocupados, com a conivência e incentivo da prefeitura. Com problemas financeiros, a administração popular atrasou por vários meses o baixo salário dos servidores públicos, praticamente paralisando a gestão. Juntou-se a isso o desgaste das relações políticas dentro do Partido dos Trabalhadores e a resistência de setores da população, contrários ao modelo de gestão petista.

Avenida Beira Mar na década de 1980

As montanhas de lixo espalhadas pela cidade passou para a posteridade como a melancólica marca da administração Maria Luiza Fontenele.
Ainda mais crítica era a situação política de Maria Luiza. Em 1987, o PT rompeu com a administração, expulsou a prefeita e os cargos do partido na Prefeitura foram entregues. Na Câmara, os vereadores a ameaçavam de impeachment por falta de repasses de verbas. Em 1988, o PT lançou a candidatura de Mário Mamede. Maria apoiou Dalton Rosado, do Partido Humanista (PH). Foi eleito Ciro Gomes, então no PMDB. Foi o triste fim da conturbada administração popular em Fortaleza.

Fonte
Revista Fortaleza, fascículo 4
Jornal O Povo

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O maníaco corta-bunda


Nos anos 80, o Bairro Prefeito José Walter – conjunto habitacional construído em 1970, localizado entre o Jangurussu e o Mondubim, nos limites de Fortaleza com Maracanaú – foi tomado pelo medo do ataque de um maníaco que cortava a bunda das mulheres.

 Conjunto Zé Walter em 1972 (arquivo Nirez)

De 1985 a 1987, o dia-a-dia no Zé Walter era assim, todos em estado de alerta, polícia e população em polvorosa, receosos de que o corta-bunda, armado com um estilete, invadisse a residência e cortasse os glúteos das mulheres que encontrasse pela frente. Foi uma época de terror que ficou marcada na história do bairro.
Pais e mães de família amanheciam o dia sentados na porta da rua, com cassetetes na mão, cochilando. Ninguém trabalhava mais. As mulheres não saíam, não andavam e nem ficavam em casa sozinhas. Todas as noites os moradores faziam rodízio para fazer o lanche das pessoas que iam ficar acordadas à noite, na ronda.

 Conjunto Zé Walter em 2010 (Fortaleza em Fotos)
 
Até os roubos e furtos diminuíram no bairro, porque os ladrões tinham medo de serem confundidos com o maníaco. No dia 6 de fevereiro de 1987, Francisco Evandro Oliveira da Silva, 26 anos, foi preso, confessou todos os crimes de lesão corporal, e colocou-se a disposição para identificar todas as casas que havia invadido.
As vítimas (dizem que foram mais de trinta, embora apenas três tenham formalizado queixa que resultou em processo) foram reconhecê-lo na delegacia de polícia do José Walter, enquanto do lado de fora uma multidão queria linchá-lo.

prisão do acusado (jornal O Povo)
Vinte dias depois da prisão Francisco Evandro foi assassinado no Presídio Olavo Oliveira. Mas a história não parou aí: até hoje, moradores acreditam que Evandro foi apenas "um dos corta-bunda" ou que foi somente um "laranja", pago ou coagido a assumir os crimes.