sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Os Pracinhas da FEB em Campanha na Itália


A 2ª. Guerra Mundial começou em 1939, quando a Alemanha nazista liderada por Adolf Hitler invadiu a Polônia. Para os Estados Unidos o início do conflito foi a 7 de dezembro de 1941, quando a Marinha Imperial Japonesa atacou a base americana de Pearl Harbor, localizada no Havaí.

antes de embarcarem, os pracinhas desfilaram na Rua Barão do Rio Branco, no centro de Fortaleza

Para o Brasil começou no dia 31 de agosto de 1942, quando Getúlio Vargas declarou guerra ao Eixo (formado por Alemanha, Itália e Japão), depois que submarinos alemães, objetivando acabar com as rotas comerciais marítimas que ligavam Brasil e Estados Unidos, atacaram e levaram a pique, diversos navios mercantes brasileiros. A partir de então o Brasil passou a fazer parte da guerra, mas antes de ir à luta, precisaria formar um exército, treiná-lo, armá-lo e mandá-lo para um front.

antes de embarcar para o front, os brasileiros precisaram passar por um treinamento militar nos moldes dos soldados norte-americanos. Em Fortaleza o treinamento foi no 23 BC

Ficou acertado que o Brasil enviaria três divisões de soldados, e tudo que envolvesse uniforme, armamento, treinamento, além do envio das tropas para o campo de batalha, seria de responsabilidade dos americanos já que eles estariam comandando as tropas brasileiras.

E começou o alistamento: sorteados e voluntários passariam por uma inspeção médica para avaliação das condições de saúde dos futuros combatentes. Dos 200 mil convocados, cerca de 60 mil deveriam estar aptos. Das exigências básicas para seleção estavam: pesar mais de 60 kg, altura mínima de 1,60 m e ter no mínimo 26 dentes.

A Força Expedicionária Brasileira e a divisão da força aérea, combateram na Itália sobre os Apeninos Tosco-Emilianos. Os sucessos mais significativos foram a conquista de Monte Castello, no território Bolonhês de Gaggio Montano, a libertação de Montese e a captura entre Solecchio e Fornovo na província de Parma, da 148ª divisão alemã.

O maior número de perdas aconteceu em Montese e Monte Castello. A FEB era comandada pelo general João Batista Mascarenhas de Moraes e foi agregada ao 5º exército americano comandado pelo general Mark W. Clark. Contava com 25.334 homens, dos quais 15.069 participaram ativamente dos combates. Chegaram à Itália, no dia 16 de julho de 1944.

Depois de ocuparem algumas localidades na zona de Camaiore, os brasileiros que começaram como força auxiliar ou de apoio, foram designados, em novembro do mesmo ano, para um novo setor de guerra, o vale do Rio Reno, encontrando-se na linha de frente. Monte Castello que se encontrava sob domínio alemão, resistiu a quatro ataques das forças aliadas e foi conquistado pelos brasileiros, no dia 21 de fevereiro de 1945. No dia anterior, os homens da 10ª divisão de montanha haviam expulsado os alemães do vizinho e mais importante monte, o Belvedere. Tomada a encosta, os aliados pararam o avanço.

Do alto daquelas montanhas controlavam parte do vale do rio Reno e parte do vale do rio Panaro. A vizinha Montese cuja montanha Montello ao norte declinava velozmente de encontro à planície com as cidades de Modena e Bologna estavam nas mãos dos alemães. O ataque a este centro, que era mais uma “cidade fantasma” porque a população fora deslocada para outros locais, aconteceu no dia 14 de abril. Na madrugada daquele dia iniciaram intensos bombardeios. Era o prelúdio de um ataque que se iniciou as 13:30hs. Com pouco menos de duas horas do início da batalha, os soldados brasileiros entraram na cidade de Montese.

Naquele momento o principal objetivo era a conquista das vizinhas elevações ao norte, montes Buffone e Montello. Passaram outros três dias de luta, com dezenas de mortos de ambas as partes. Na noite entre os dias 18 e 19, os alemães se retiraram. O cume do Monte Buffone tornou-se terra de ninguém e Montello nunca foi conquistado pelos aliados.

Na Itália, o comandante da tropa, general Mark Clark e o comandante da FEB, general Mascarenhas de Moraes

Em 21 de abril, os soldados da FEB conquistaram Zocca e prosseguiram para Vignola, Maranello, Sassuolo, Scandiano, e Montecchio. Chegaram às colinas da região de Parma antes da Planície do rio Pó. De 26 a 30 de abril, entre Colecchio e Fornovo, bloquearam a estrada onde se encontravam unidades alemãs pertencentes a 148° divisão, que foram atacados pelos flancos, pela resistência que descia os montes rumo ao norte.

Juntamente com as tropas entregaram-se o general Otto Fretter Pico, comandante da 148° Divisão e o general Mario Carloni, comandante da divisão da República Social Italiana. Em rápida marcha, a FEB prosseguiu rumo a Placenza e Alessandria. Alguns grupos chegaram à fronteira com a França.

Ao final de 239 dias de campanha na Itália, as tropas brasileiras registraram 465 mortos, 2.722 feridos, 35 prisioneiros e 16 desaparecidos; capturaram 20.573 homens. Montese foi um dos municípios pertencentes a província de Modena, a mais devastada durante a guerra, com 833 casas destruídas das 1.121 existentes, 189 civis mortos, além de 700 feridos ou mutilados em explosões de minas e outros tipos de armas bélicas.

pracinha Sebastião Alves do Prado, em seu uniforme da FEB, na Itália em 1945. Participou ativamente da Batalha do Montese. Retornou ao Brasil logo depois do fim do conflito.

De volta ao Brasil, os combatentes foram recebidos com honras e homenagens. Passada a euforia pela volta, os agora ex-soldados queriam retomar suas vidas, seguir em seus empregos de antes, voltar às suas rotinas. Porém, participar de uma guerra não é um fardo leve para muitos homens, e logo surgiram problemas como dificuldades de relacionamento não só no seio da família, mas também em sociedade.

Ao contrário de outras nações aliadas, as autoridades brasileiras não se planejaram para dar assistência e trabalho aos ex-combatentes. Os que eram militares de carreira sofreram algumas dificuldades de adaptação, mas retomaram seus cargos e patentes, com todos os direitos e benefícios que a carreira militar assegurava.

Quanto aos expedicionários civis o tratamento dispensado foi outro: apenas promoveram a dissolução e desmobilização das unidades, e deixaram os homens sem trabalho, sem assistência médica ou psicológica, com as famílias desestruturadas. Foram abandonados pelo governo. Muitos anos após a volta para casa é que conseguiram direito a uma pensão que pode ser estendida aos herdeiros. 


De acordo com dados fornecidos pela Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira – ANVFEB – Regional de Fortaleza, o efetivo da FEB foi de 25.334 homens do Exército e da Aeronáutica. Desse total morreram 465 entre oficiais e praças, dentre estes seis cearenses: 

Hermínio Aurélio Sampaio, 2° sargento do Exército, natural de Crateús. Faleceu no dia 12 de dezembro de 1944, na batalha de Monte Castello. 

Francisco Firmino Pinho, 2º sargento do Exército, natural de Quixeramobim. Faleceu no dia 11 de novembro de 1944, na localidade de Valdidura. 

Edson Sales de Oliveira, 3° sargento do exército, natural de Jaguaruana. Faleceu no dia 14 de abril de 1945, na batalha de Montese. 

Francisco de Castro, 3º sargento do Exército natural do antigo Distrito de São Bento, hoje município de Amontada. Faleceu no dia 22 de abril de 1945 em ação de combate no povoado de Zocca. 

João Custódio Sampaio, soldado do Exército, natural de Caucaia. Faleceu no dia 22 de maio de 1945, em Parola, 20 dias depois do término da guerra para os brasileiros na Itália. 

Cloves da Cunha Pais de Castro, soldado do exército, natural de Assaré. Faleceu em ação de combate, no dia 24 de janeiro de 1945, próximo a Vastelnuovo quando participava de uma patrulha de reconhecimento de posições nazistas. Foi enterrado em cova rasa pelos alemães, junto a outros dois companheiros.  



Fontes:
Ximenes, Raimundo Nonato. De Pirocaia a Montese: fragmentos históricos. Fortaleza: 2004. 388p.
Soldados do Vale: a história de homens do interior do Ceará que lutaram na Segunda Guerra Mundial. Autor Antônio Marloves Gomes Vieira Júnior. Disponível em >http://uece.br/eventos/eehce2014/anais/trabalhos_completos/103-9148-30072014-205757.pdf< consulta em 06/11/2019
fotos do livro "De Pirocaia a Montese e sites da Internet 


2 comentários:

Unknown disse...

Os pracinhas cearenses mortos em combate mereciam pelo menos um monumento em seus municípios.

ahmed disse...


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