quinta-feira, 3 de abril de 2014

Praça da Bandeira

Localizada no Centro, a Praça da Bandeira é popularmente chamada de Praça do Cristo Rei, isso porque nela foi construída a Igreja, cuja inauguração se deu a 29 de maio de 1930. 

 Igreja do Cristo Rei, na Praça da bandeira

Até a década de 30 era um imenso areal. Demarcada em 1877, recebeu  a denominação de Barão de Ibiapaba em homenagem a Joaquim da Cunha Freire, que ali lançara as bases do Asilo de Mendicidade. O Barão de Ibiapaba nasceu em Caucaia, com notável atuação na política e na economia  cearense. Presidiu mais de uma vez a Província do Ceará.

 A praça quando ainda existia o coreto e onde se pode avistar os dois equipamentos que estão lá até hoje: o Colégio Militar, ainda sem a quadra, e a Igreja do Cristo-Rei.
A partir de Outubro de 1890 passou a ser a Praça do Asilo, em virtude da instalação do Asilo, pelo Barão de Ibiapaba, por Resolução do Conselho de Intendência Municipal, que tinha como presidente o major Manoel Nogueira Barros. Esta Resolução, no entanto, durou pouco, apenas 6 meses, pois em Sessão do Conselho de Intendência Municipal, datada de 26 de abril de 1891, os interventores Guilherme César Rocha, Olegário dos Santos, Antônio Costa Sousa, José Albano Filho e o Presidente do Conselho, Joaquim de Oliveira Catunda, voltaram à sua denominação anterior, ou seja, Barão de Ibiapaba. 
  
prédio do Colégio Militar em 1932, com a Avenida Santos Dumont e os trilhos do bonde do Outeiro

Mais tarde, sua denominação foi mudada para Praça do Colégio Militar, em razão da adaptação do prédio do Asilo para Quartel do Regimento Policial do Estado, em seguida para a sede do Colégio Militar.
Em 1921, em homenagem ao Gen. Dr. Benjamin Constant de Magalhães, professor da Escola Militar, da Escola Superior de Guerra, Diretor do Instituto dos Cegos, e fundador da Escola Normal do Rio de Janeiro, passou a ser chamada de Praça Benjamin Constant.
Por fim, recebeu o nome de Praça da Bandeira, através da Lei n° 1671/60, publicada no dia 26 de dezembro de 1960, na gestão do prefeito Manuel Cordeiro Neto. 

A então Praça Benjamin Constant, com uma caixa d'água de onde era retirada a água que era transportada em lombo de burros para ser vendida a população, em 1938 (foto do livro Praças de Fortaleza) 
Na praça havia um coreto onde uma banda de música animava a população. Também havia um poço que jorrava água potável de excelente qualidade, que era carregada em burrinhos para venda. O fato de tão pitoresco servia de diversão para a gurizada.
Em 1943, na gestão do Prefeito Raimundo de Alencar Araripe foi feita uma completa remodelação do logradouro. Ali pela primeira vez, a 7 de setembro do mesmo ano, celebrou-se no Ceará, a “Hora da Independência”.



 A avenida Santos Dumont no trecho da Praça da Bandeira em três momentos diferentes: década de 30, anos 60 e ano de 2013. 
 
Em 1947 teve sua área diminuída de acordo com o Decreto-lei n° 1 de 30 de dezembro daquele ano, quando a praça foi transformada em campo de esportes e cedida a título precário à Escola Preparatória de Fortaleza, que contribuiu com 50% das respectivas despesas de adaptação.
Esta quadra de esportes recebeu o nome de General Eudoro Correia. A redução da área, porém, não afetou muito porque beneficiou os alunos do Colégio Militar e a praça continuou muito grande. O nome atual é uma homenagem à Bandeira Brasileira.

Bandeira do Império do Brasil durante o primeiro reinado

A Bandeira Nacional é o símbolo oficial de um país e nela estão estampados seus emblemas e suas cores. Consta que o Brasil teve cinco bandeiras até 1889, porém, a primeira bandeira realmente brasileira foi a de 1822, ano da independência do Brasil.
Foi projetada por Debret, por ordem de Dom Pedro I e se constituía de um retângulo verde e um losango amarelo, com as armas do império ao centro. Com a Proclamação da República em 1889, a bandeira foi novamente substituída. Conservou-se o retângulo verde, que simboliza a pujança das florestas, e o losango amarelo, que representa a riqueza mineral do solo brasileiro.
Mas o escudo da Monarquia foi substituído por uma esfera azul, cortada por uma faixa branca ligeiramente inclinada, ostentando o dístico “Ordem e Progresso”. É a única bandeira nacional que ostenta um dístico. Na esfera estão colocadas estrelas brancas representando os Estados brasileiros e o Distrito Federal.

 primeira versão da atual Bandeira Brasileira inspirada na bandeira do Império

Bandeira atual 

A posição relativa dessas estrelas obedece ao instante do dia sideral da Proclamação da República, na qual a constelação do Cruzeiro do Sul se apresentava  verticalmente em relação ao horizonte da cidade do Rio de Janeiro. Por um lapso do desenho, as estrelas foram dispostas como se fossem vistas através de um espelho.
O uso da Bandeira Nacional é regulado por lei. Entre os dispositivos mais importantes  estão: obrigatoriedade, horário, forma, posição e altura  de hasteamento; como aparecer em salões, em enterros, estendidas, sem mastro. Há também regras para proibições.   
As Bandeiras em mau estado de conservação devem ser entregues ao comando das unidades militares para serem incineradas solenemente, a 19 de novembro de cada ano, no quartel de uma unidade militar ou local designado pelas autoridades. Segundo alguns historiadores, a nossa Bandeira foi desenhada por Décio Vilares. A bandeira republicana ficou pronta e foi hasteada pela primeira vez em 19 de novembro de 1889, que ficou marcado como o Dia da Bandeira.

Extraído do livro Praças de Fortaleza
De Maria Noélia Rodrigues da Cunha 
fotos do Arquivo Nirez 

Um comentário:

Diego Alves disse...

Uma curiosidade, existem duas praças da Bandeira no Centro: Na avenida Santos Dumont ao lado do Colégio Militar e a Clóvis Beviláqua ao lado da Faculdade de Direito na rua General Sampaio.