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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Conjunto Prefeito José Walter


Conjunto Prefeito José Walter em 1972 (Arquivo Nirez)

Nos anos 1970, vários conjuntos habitacionais foram construídos em Fortaleza com base na política do Banco Nacional de Habitação (BNH), que utilizava recursos do FGTS para financiar habitações populares. O primeiro deles, localizado na zona Oeste de Fortaleza, foi o Prefeito José Walter, construído  entre 1967 e 1970.

A maioria dos conjuntos foi implantada em áreas distantes, na direção do Distrito Industrial de Maracanaú e junto ao leito das vias férreas.

As propagandas referentes a esses Conjuntos Habitacionais se utilizavam do sonho da maioria dos eventuais compradores,  de ter sua casa própria que seria construída em um local distante da cidade, porém com toda a infraestrutura necessária, como água encanada, fornecimento de energia, saneamento básico, escolas, igrejas, parques, posto de saúde, transporte. 

Propagandas em grande parte enganosas que fizeram com que muitos saíssem do aluguel e fossem morar num bairro isolado localizado no distrito de Mondubim. Na realidade, o conjunto foi entregue somente com as casas, sem qualquer infraestrutura.
 
Estes conjuntos foram fundamentais para a expansão da cidade. Os moradores, uma vez instalados, passaram a exigir infraestrutura e serviços, os quais favoreciam a valorização dos vazios urbanos. 

 Capela do Cristo Ressuscitado fica na Avenida João Araújo de Lima, 3ª Etapa

Igreja Matriz Santíssima Trindade
A Paróquia da Santíssima Trindade foi criada a 5 de fevereiro de 1971, por decreto do então Arcebispo de Fortaleza , Dom José de Medeiros Delgado, assinado por ele durante uma missa solene que recebeu o mesmo nome da paróquia. Antes de sua conclusão , as missas semanais eram na Capela da Casa dos Padres Sacramentinos, na Rua 65, n° 40, onde também funcionava a secretaria.

O Conjunto Prefeito José Walter começou a ser habitado em 1970, no bairro do Mondubim, no limite de Fortaleza com Maracanaú, numa área originalmente ocupada pelo antigo Núcleo Integrado Habitacional do Mondubim, que era habitada por inúmeras famílias pobres. Foi projetado pelo arquiteto Marrocos Aragão seguindo o modelo de cidade planejada. Possui 4 etapas tendo o modelo original projetado com 5500 casas. Em sua inauguração foi considerado o maior conjunto habitacional da América Latina.


Lagoa do Catão, uma das áreas de lazer mais procurada pelos moradores, está cercada de lixo e com mato crescido ao redor. Ainda assim, é um belo cenário.

O Conjunto está limitado ao Norte pelos bairros Passaré e Parque Dois Irmãos; Ao Sul, pelo Bairro Pajuçara (Maracanaú); a Leste pelo Conjunto Palmeiras; e a Oeste, pelos bairros Mondubim e Planalto Airton Sena.


Todas as avenidas do bairro possuem árvores antigas - figueiras, juazeiros, castanholas - o que termina causando uma sensação térmica muito agradável. Moradores do bairro dizem que a temperatura ali é mais amena, e que os termômetros chegam a marcar em média 2 graus abaixo da temperatura de outras regiões da cidade. 


Quando foi inaugurado, o Conjunto Prefeito José Walter contava com 5.500 casas. Hoje, já são mais de 26 mil pessoas residindo no local, de acordo com o último Censo Demográfico do IBGE. O bairro é arborizado, possui vários campos de futebol e lembra cidades tranquilas do Interior, com suas ruas estreitas e numeradas.




Em 1969 a primeira etapa do conjunto habitacional foi inaugurada e recebeu o nome do Prefeito de Fortaleza, José Walter. Pouco tempo depois, a segunda e terceira etapa foram construídas , enquanto a quarta etapa somente foi inaugurada na gestão do sucessor de José Walter na prefeitura, Vicente Fialho.

Hoje o conjunto Prefeito José Walter se constitui numa comunidade periférica de Fortaleza que teve suas conquistas sociais quanto à prestação de serviços,  educação e transportes, mas continua carente nas áreas de preservação e proteção das seus espaços públicos e áreas verdes, manutenção das vias e, principalmente,  de segurança pública, tantas vezes exposta pela ação violenta de meliantes e vândalos, que trazem o medo e a sensação de abandono por parte das autoridades competentes.

Fotos de julho/2012
por Rodrigo Paiva e Fátima Garcia 

pesquisa:
wikipédia
portal José Walter 
jornal Diário do Nordeste
artigo O Processo de Constituição do Conjunto Habitacional Prefeito José Walter, de Marise Magalhães Olímpio.

domingo, 13 de março de 2011

Praça do Ferreira – a reforma que cidade rejeitou


Existem alguns espaços na cidade que assumem para a população a condição de lugar especial. O que distingue um determinado local da cidade de outros, é o conjunto de significados, as marcas que a cultura local imprimiu nele, as histórias que ali aconteceram, as pessoas que por ali passaram. 

Esse conjunto de valores representado pelos símbolos e significados projetados no espaço físico, confere uma identidade ao lugar, de tal modo que a população se identifica com ele, como se fosse uma extensão de sua própria casa. 

A Praça do Ferreira é um desses lugares especiais de Fortaleza: não é só o coração, como dizem, na verdade a Praça do Ferreira é a cara da cidade, espaço simbólico de encontro de todas as tribos, de todas as vivências, dos afetos, das lembranças, dos aposentados, dos letrados, da politicagem, da molecagem.


Ao longo de sua história, a Praça do Ferreira passou por muitas reformas, diversas intervenções, umas modernizantes, outras embelezadoras, outras desnecessárias.
Mas nenhuma reforma causou tanta polêmica quanto a realizada na gestão do prefeito José Walter Cavalcante (1967-1971). 


Para começar, dois dos principais marcos da praça foram demolidos a golpes de picaretas e com uso de dinamite: a Coluna da Hora, construída em 1933 pelo prefeito Raimundo Girão, e o Abrigo Central, construído pelo prefeito Acrisio Moreira da Rocha, em 1949. 
Prosseguindo o processo de descaracterização, os jardins foram retirados e foram construídos vários blocos de concreto no meio do logradouro. 

O despropósito era tão grande que, quem estivesse na Rua Major Facundo, em frente ao Cine São Luiz, não via o outro lado da praça, na Rua Floriano Peixoto. Durante as escavações para reforma da praça foi encontrada uma urna histórica, enterrada em 1936, contendo uma ata escrita por Demócrito Rocha, além de moedas e jornais da época.


Conta o escritor Alberto Galeno que, ao sair do Presídio Paulo Sarasate, onde fora encarcerado sob a acusação de criticar a ditadura militar então vigente, dirigiu-se à praça, na esperança de encontrar os antigos companheiros. 

E descreve o que encontrou no lugar que ele não reconheceu: 
o que víamos em seus lugares (do Abrigo Central e da Coluna da Hora) eram aqueles estirões de cimento armado, de cinquenta metros ou mais, como se fossem jazigos destinados a sepultar gigantes. Um cemitério surrealista com certeza.


Segundo ainda o escritor, o objetivo da tal reforma era afastar o povo do local, impedir que os cidadãos se comunicassem, que houvesse a troca de ideias.
 Soube ainda, por um amigo, que tanto antes quanto depois da reforma, a Praça do Ferreira tornara-se um local perigoso para se estar. 


Os frequentadores habituais passaram a ser considerados, ora subversivos, ora vadios, sendo presos e espancados pela polícia. A noite ficava tudo escuro, como breu. Deixavam de acender as luzes, e a escuridão era de meter medo.
Nessa reforma a praça ganhou instalações subterrâneas que abrigava a Galeria Antonio Bandeira. 


Muito tempo depois, já no início dos anos 90, o então prefeito Juraci Magalhães teve o mérito de devolver a Praça do Ferreira à população, reconstruindo alguns dos símbolos que caracterizavam o logradouro e habitavam o imaginário popular, através da bela reforma a cargo do arquiteto Fausto Nilo

 Em 2001, o espaço foi oficialmente declarado Marco Histórico e Patrimonial de Fortaleza graças à lei municipal 8605 de 20 de dezembro de 2001, provavelmente para que a cidade não corresse  mais o risco, de perder boa parte de sua identidade  nas mãos de administradores/aventureiros, que não respeitam o patrimônio histórico-artístico-cultural de um povo.  

fotos: Arquivo Nirez
Fontes:

Azevedo, Miguel Ângelo de. Cronologia Ilustrada de Fortaleza. Fortaleza: BNB, 2001
Galeno, Alberto S. A Praça e o Povo: homens e acontecimentos que fizeram história na Praça do Ferreira. Fortaleza: Multigraf, 2000. 2ª edição – 100p
Jornal O Povo

domingo, 7 de novembro de 2010

Fortaleza e as Reformas Urbanas

A antiga Intendência Municipal na Praça do Ferreira. Na parte Nordeste do andar térreo funcionou a Confeitaria Glória. (Arquivo Raimundo Girão) 

Praça do Ferreira ainda com o prédio da Intendência Municipal. 
(Arquivo Raimundo Girão)

Todo o quarteirão que ficava entre as Ruas Major Facundo, Pará, Floriano Peixoto e Guilherme Rocha, foi demolido, em 1941, na gestão do prefeito Raimundo de Alencar Araripe (1936-1945), para a construção de um edifício que abrigaria a Prefeitura Municipal. 

Foi apenas mais uma região de Fortaleza varrida do mapa por reformas urbanas questionáveis e sem planejamento adequado. Tanto isso é verdade, que o tal  prédio nunca foi sequer iniciado e no local foi construído de inicio uma pequena praça, depois o Abrigo Central e por fim, o alongamento da Praça do Ferreira.


Abrigo Central com seus cafés, lanchonetes, livrarias e lojas. Ao fundo as Lojas Brasileiras
 (foto de 1958-Arquivo NIREZ) 

O Abrigo Central ou Abrigo 3 de Setembro - seu nome oficial - foi construído em 15 de novembro de 1949, na administração municipal de Acrísio Moreira da Rocha (1948-1951), um centro comercial e de lazer, lojinhas, bares, lanchonetes e paradas de ônibus. A construção se deu através de concorrência pública vencida por Edson Queirós.

No Abrigo a população debatia politica, falava da vida alheia, lia jornal, tomava café expresso -  de pé, no balcão - engolia a vitamina dupla do Pedão-da-Bananada, ingeria um caldo de mocotó na lanchonete O Tetéu e fazia planos para ganhar o próximo campeonato de futebol.   
Foi demolido em 02 de maio de 1966 sob boatos de que estaria a construção ameaçada de cair. Os jornais da época noticiaram com grande euforia a derrubada do "monstrengo." 


No lugar dos extintos prédios da Intendência e do Abrigo Central foi feito um prolongamento
da Praça do Ferreira.

Em 1968, o Prefeito José Walter Cavalcante (1967-1971), fez a completa demolição da praça e ergueu uns canteiros altos, em forma de caixões, interceptando a vista horizontal, de tal modo que quem estava de um lado não enxergava o outro lado.

Como a cidade vivia os tempos da ditadura militar, muita gente acreditava que aquelas paliçadas de cimento armado eram para evitar aglomerações no centro da praça e dificultar comícios e manifestações de protesto.

O bate papo vespertino, os bancos, a reunião de aposentados, tudo isso acabou.
Os cronistas e historiadores consideram que - pelo menos naquela época - o prefeito José Walter, querendo ou não, decretou a morte da praça.

Em 1991 o Prefeito Juraci Magalhães (1990-1993), restaurou a praça e ressuscitou seu sentido social e politico. E as pessoas voltaram a se encontrar no final da tarde, a conversar, a ler jornal, como nos velhos tempos.


Fontes:
Sábado, estação de viver, de Juarez Leitão