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domingo, 29 de outubro de 2017

Bairro São Gerardo

Localizado na área da Secretaria Regional I (SER I) O bairro São Gerardo foi criado em 1930, e herdou o nome da Igreja de São Gerardo, onde no lugar da igreja atual havia uma capela originalmente construída em 1925, quando o lugar era conhecido por Alagadiço Grande.



Certa vez um padre italiano acusou os artesãos cearenses de inventarem nomes de santos que não existiam, e no caso de São Gerardo, parece que a alegação procede. O nome do Santo é Geraldo Majela, nascido em Muro Lucano, Itália, no dia 6 de abril de 1725. De constituição física muito frágil, cresceu sempre adoentado, aprendendo com o pai seu ofício de alfaiate. A vocação religiosa sempre latente, foi relegada a 2° plano porque não era aceito pelas ordens religiosas, só conseguindo seu intento em 1749, quando ingressou na Ordem dos Padres Redentoristas, sendo enviado para o convento de Deliceto, em Foggia. De saúde delicada, Geraldo Majela faleceu no dia 16 de outubro de 1755, aos 30 anos de idade. Foi beatificado em 1893 e canonizado em 1904 pelo Papa Pio X. 

paróquia de São Gerardo (imagem http://fecappes.blogspot.com.br)

A exemplo de muitos outros bairros e até cidades no Ceará, o São Gerardo se formou no entorno da igreja. A primeira capela dedicada a São Gerardo nasceu da iniciativa de um grupo de catequistas que conseguiram a doação de um terreno localizado na Avenida Bezerra de Menezes, por parte do casal Gaudioso e Donatila de Carvalho, no ano de 1924. Obtido o terreno, passaram a trabalhar para arrecadar recursos para a construção da capela, cuja pedra fundamental foi lançada no dia 25 de agosto do mesmo ano. Em 18 de outubro de 1925 o templo foi inaugurado e recebeu a primeira benção. No dia 19 de julho de 1934, a pequena capela, reformada e ampliada, foi elevada ao status de Paróquia de São Gerardo Majela pelo Arcebispo Dom Manoel da Silva Gomes.


Mas a capela de São Gerardo, não foi a primeira daquela região. Bem antes, em 1865, foi erigida a capela de São Francisco de Paula, na Avenida Bezerra de Menezes, número atual 2590, construída em pagamento de uma promessa feita por Antônio Francisco de Góis e sua mulher Angelina de Castro Góis, por não terem nenhum membro da família entre as vítimas da epidemia de cólera que atingiu o Ceará no século XIX. Localizada na então Vila Góis, a capela foi a primeira edificação da avenida Bezerra de Menezes.
Em 1928 o templo ganhou reforma e ampliação patrocinadas por Braz de Francesco Ângelo, que foi cônsul da Itália e nomeia uma rua próxima a igreja, no cruzamento com a Bezerra de Menezes. 
  
Avenida Bezerra de Menezes - anos 30

Por esse tempo a Bezerra de Menezes era uma via muita larga, com pavimentação tosca e irregular, repleta de pés de fícus benjamins, árvores de grande porte, de copa densa, centenárias, que ali cresceram e naturalmente se postaram ao longo da via formando canteiros e alamedas no centro, que dividiam a avenida, fazendo a separação em toda a sua extensão.

As árvores que sombreavam a avenida serviam de abrigo e proteção contra o sol forte para os passageiros do bonde do Alagadiço, que fazia o maior percurso de linha e tinha parada em frente a capela. A avenida foi modernizada na gestão do prefeito Murilo Borges (1963-1967) e perdeu seu antigo charme da avenida extensa, sombria, com árvores envelhecidas e frondosas.As residências eram em sua maioria constituídas de sítios, chácaras e mansões, dotadas de porões e enormes quintais com mangueiras e onde se cultivavam frutas e hortaliças.

Villa Meton localizada nas imediações onde hoje se encontra a Secretaria de Agricultura na Avenida Bezerra de Menezes. Na vizinhança, João Tibúrcio Albano escolheu para nome de seu sítio "Ville Nous Autres", chácara que foi objeto de curiosidade e apreço pela distinção da família que a habitava. (imagem do livro Ideal Clube - história de uma sociedade)

Hoje o bairro é considerado de renda média alta, com alta valorização de imóveis e com forte perfil comercial, tendência que ficou acentuada desde 1991 com a inauguração do North Shopping, o maior daquela região. A instalação do shopping atraiu um sem número de novos comércios e prestadores de serviços dos mais variados. Outro estabelecimento tradicional no São Gerardo é o Colégio Santa Isabel, prestigiada instituição de ensino, presente no bairro desde 1938.


Em dezembro de 2015 foi concluído um custoso processo de intervenção, visando a melhoria da qualidade ambiental com a recuperação da Lagoa do Alagadiço. Durante muito tempo o ecossistema formado pela lagoa ficou esquecido pela população, encoberto pelo lixo e pelo matagal. Com a recuperação, voltou à vista a beleza paisagística do lugar transformado em uma grande área de lazer. Com a conclusão dos serviços de desassoreamento e dragagem, o volume de armazenamento da lagoa passou a ser de aproximadamente 150.000m³. A lagoa do Alagadiço é formada pelas águas do Açude João Lopes e de afluentes do Rio Maranguapinho, como o riacho Alagadiço.
          

Outro importante equipamento do bairro, é o Polo de lazer da Avenida Sargento Hermíniooriginalmente instituído como um bosque, na gestão do prefeito Evandro Aires de Moura, em 1975. O bosque é a única área de preservação situada na Regional I, além de ser a maior área verde na bacia hidrográfica do riacho Alagadiço. É localizado oficialmente no bairro do São Gerardo, dentro de uma área correspondente a 39.259,53 m² (4 hectares), caracterizando-se como Zona de Preservação Paisagística.  As obras duraram 5 anos e o local só foi inaugurado em 1981. Em 2008 foram iniciadas obras de requalificação do polo de lazer que se encontrava praticamente abandonado. O projeto foi concluído em 2016. 

Limites
Norte – Avenida Sargento Hermínio, Avenida Canal e Rua Cassimiro Montenegro; Sul – Avenida Bezerra de Menezes e Rua Azevedo Bolão;
Leste – Rua Téofilo Gurgel e Padre Graça; 
Oeste – Avenida Humberto Monte e Rua Joaquim Marques.
População: 14.200 habitantes em 4.414 domicílios (IBGE-2010)


fotos: Arquivo Nirez, Fortaleza em Fotos, O Povo. 



segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Obras Inacabadas: Reforma do Polo de Lazer da Avenida Sargento Hermínio




O Polo de lazer originalmente foi instituído como um bosque, na gestão do prefeito Evandro Aires de Moura, em 1975. O bosque é a única área de preservação situada na Regional I, além de ser a maior área verde na bacia hidrográfica do riacho Alagadiço.É localizado oficialmente no bairro do São Gerardo, antigo Alagadiço, dentro de uma área correspondente a 39.259,53 m² (4 hectares), caracterizando-se como Zona de Preservação Paisagística.  As obras duraram 5 anos e o local só foi inaugurado em 1981. 


espaços arborizados, ideais para caminhadas e prática de esportes ou apenas um lugar para estar, e apreciar a natureza, são cada vez mais raros em Fortaleza. O bairro Monte Castelo e arredores dispõem de um lugar assim, mas não podem usufrir do privilégio por causa do abandono e da insegurança do polo de lazer. 



 Aparentemente, pessoas residem dentro da área do parque, é o que sugere a presença de barracos improvisados e de utensilios domésticos.


estas estranhas formas são na verdade o que seriam pistas e rampas de skates e outros esportes, se tivessem sido concluídas.
  


animais abandonados e muito lixo, estão em todos os lugares do polo de lazer
 
Em 2008 foi iniciada uma reforma do local, que logo foi suspensa. Os trabalhos foram retomados em fevereiro de 2012, com previsão de término em 120 dias, ou junho de 2012.  Nem precisa ser muito observador para perceber que as obras sequer começaram. A sujeira, os equipamentos quebrados, a péssima conservação, a insegurança, a presença de dezenas de animais, denunciam que o polo de lazer está abandonado.

  A placa exposta no Polo de Lazer informa: início da obra - 13/02/2012
Prazo: 120 dias
Valor da obra: R$ 258.184,74

fotos de Rodrigo Paiva
novembro/2012

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Bairros de Fortaleza - Damas

O Damas cresceu junto com a Avenida João Pessoa, a principal via de acesso do Centro ao Distrito de Porangaba. A rota que cruzava o bairro Damas – que fazia a ligação Benfica – Porangaba – era de areia batida. A poeira era intensa devido ao tráfego de animais carroças e alguns automóveis. 
A Avenida João Pessoa, principal via do bairro já foi chamada de Avenida da Morte, em razão dos inúmeros acidentes ocorridos ali. Hoje os acidentes diminuíram, mas o trânsito continua caótico.
Em 1929 o presidente Washington Luis (1926-1930), mandou revestir a estrada de concreto que foi batizada com seu nome. Deposto pela Revolução de 1930, os novos governantes mudaram o nome da via principal para Avenida João Pessoa, em homenagem a uma das lideranças do movimento.
O bairro já foi ponto de encontro da sociedade nas décadas de 1930 e 40, e o lugar ainda tem como referências seus velhos casarões ao longo da avenida João Pessoa. 
Destes, o que chama mais a atenção é a casa do português José Maria Cardoso, inaugurada em setembro de 1950. Batizada pelo proprietário de Vila Santo Antonio, sempre foi chamada de Casa do Português ou Prédio do Cardoso. 

 A Casa do Português, inaugurada em 1950, ainda é uma das principais referências do bairro
Tombado como Patrimônio Histórico Municipal pela FUNCET, o casarão encontra-se ocupado por doze familias que moram na propriedade, que ainda pertence a particulares. 

Lá nas Damas também funcionou entre as décadas de 1930 e 1960 a antiga sede do Ideal Clube, (inaugurado em 3 de outubro de 1931), freqüentado pela elite econômica da cidade. 
Os sócios se divertiam no clube que tinha quadra de tênis, piscinas, salão de danças e rinque de patinação.  O canelau ficava olhando de fora, no sereno, excluído do lazer requintado das elites.
 
Sede do Ideal Clube na Avenida João Pessoa nas Damas, com seu pavilhão de danças  (Arquivo Nirez)

Muitas são as explicações para a origem do nome do bairro Damas. 
Uma das versões é que morava no bairro um certo  Álvaro Fernandes, juntamente com algumas damas. Essas damas moraram ali por um bom tempo. Bem próximo havia uma estação de trem, e os trabalhadores, que  vinham de Maranguape, Maracanau, quando se referiam a essa estação, diziam, ‘Vamos saltar na estação das damas’. 

Outra versão dá conta  de que o nome se deve a existência de uma lagoa chamada de Lagoa das Damas. Havia quatro moças que tomavam banho lá e os curiosos iam olhar. Por causa dessas damas, o bairro todo ganhou esse nome. 
Uma terceira versão conta que o Damas acolhia as chácaras das famílias abastadas da capital, nas décadas de 1930, 40 e 50, que fugiam do tumulto do Centro da Cidade. Era o local onde descansavam as "damas" da aristocracia daquela época. 




O Polo de Lazer recebe a visita diária de grande número de moradores que usam o local para a prática de caminhadas, mas são muitas as reclamações, que vão desde a falta de segurança até o mau cheiro provocado pelas águas do canal que atravessa o bairro.

Mas de acordo com Blanchard Girão, o bairro era também chamado de Barreiros, porque o povo derrubava suas barrancas à procura do barro vermelho, usado nas construções. 
Mas o nome oficial era Damas. 
E o nome se deve à ordem religiosa que se estabeleceu num passado remoto, no trecho fronteiriço entre a antiga Avenida Visconde de Cauípe (Atual Avenida da Universidade) e a Avenida João Pessoa. 
Eram as religiosas da Ordem das Damas da Instrução Cristã, mantenedoras do Colégio Santa Cecília, que ficou naquela região até o início da década de 1960, quando o estabelecimento de ensino mudou-se para a Aldeota. 
O Colégio Santa Cecilia, dirigido pela Ordem das Damas da Instrução Católica(Arquivo Nirez) 
O nome ficou de herança, embora aquele trecho onde ficava o Santa Cecília esteja inserido no Benfica. O Damas é um dos menores bairros de Fortaleza, com apenas 96,6 hectares e cerca de 10 mil moradores.

Fotos de Rodrigo Alboim
(fevereiro/2011)
Fontes: