O colégio Castelo Branco foi fundado no dia 1° de junho de
1900 com o nome de Instituto Miguel Borges, pelo professor Odorico Castelo
Branco, na Rua Major Facundo, 156-B. Em 1910 mudou-se para a Rua Senador Pompeu,
24, depois mudou-se para a Praça Senador José Júlio (Praça do Coração de Jesus)
onde permaneceu até a morte de Odorico, em 1921. Após o falecimento do seu
fundador, o estabelecimento de ensino recebeu a denominação de Colégio Castelo
Branco, teve seu patrimônio alienado à Arquidiocese de Fortaleza e mudou-se
para a Avenida Dom Manuel no final da década de 1930.
foto do arquivo Nirez
O arquiteto autodidata José Barros Maia (Mainha), aluno do estabelecimento quando este
funcionava na Rua Senador Pompeu, conta que o professor Odorico Castelo Branco
era um grande educador e disciplinador. No internato, eram oito ou dez alunos, onde
havia um aluno chamado Paulo Sanford, um dos melhores do colégio. Todas
as vezes que o professor Castelo saía, mandava que Sanford tomasse conta da
secretaria.
Odorico Castelo Branco tinha uma filha Odorina, cuja mãe morreu no
parto. O professor nunca consentiu que ninguém tomasse conta da filha, ele
fazia isso sozinho. Um dia, ele saiu e
chegando na varanda posterior da casa, olhou e viu que o banheiro estava com a
porta semiaberta. Perguntou quem era o “imoral” que estava usando o banheiro. Disseram que era o Paulo Sanford. E então, à
tarde, na hora que ele precisava, mandou chamá-lo e disse:
- ô Paulo, vá tomar conta da secretaria. O aluno respondeu:
- não vou, porque um imoral não pode tomar conta da casa onde
o senhor tem uma filha. O professor disse:
- pois o senhor está expulso!
Aí o colégio todo ficou ao lado do Paulo Sanford. Ele pediu
desculpas porque estava no meio do ano. No dia seguinte, estavam todos
expulsos. Por causa de interferências externas, ele tornou sem efeito a expulsão.
Mas expulsou todos os alunos solidários com a providência que ele tinha tomado.
As escolas funcionavam em casas antigas, adaptadas,
raramente alguém construía um prédio especificamente para o funcionamento de uma
escola. Geralmente o diretor-proprietário
botava a secretaria e algumas salas no corpo principal da casa, o
restante era esse complemento de quintal.
A relação professor/alunos era de
muito respeito, o próprio arquiteto Mainha, para não ser flagrado fumando, pelo professor Castelo, apagou o cigarro na
mão, o que lhe valeu uma marca que ele carregou para o resto da vida.
Fonte:
Lembrar é
Viver de Novo, depoimento de José Barros Maia (Mainha)
Cronologia
Ilustrada de Fortaleza, de Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez)
