Luiz Gonzaga Assunção nasceu no dia 11 de julho de 1902, em São Luiz, capital do Maranhão. Mas foi no Ceará que desenvolveu seu talento de músico e compositor, incorporando seu nome à boemia da terra de Iracema.
No Maranhão tinha sido sacristão, balconista de farmácia e caixeiro de loja de perfumes, além de músico. Chegou por aqui em 1928, como franco atirador, pronto para o que pintasse. Pianista de raro talento não encontrou dificuldade para arranjar emprego nos cinemas mudos e nas pensões de mulheres, além de acompanhar os artistas da terra em excursões para outros estados.
Luiz Assunção ao lado do maestro Airan Pacheco e do escritor Eduardo Campos
(imagem: http://www.prenove.com.br/MarcosCRC/iconografia.html)
Magro, vestido de branco, sapato de duas cores, era presença obrigatória nas rodas de lazer e nas serenatas dos anos 1930. Separava com destreza o tempo de farrear com o de trabalhar, de modo que era assíduo nos dois ofícios. Comia pouco, bebia muito, quase não dormia. Trabalhava nos cabarés como pianista profissional até as duas da manhã, e às oito, já estava na Ceará Rádio Clube, onde exercia as funções de pianista, auxiliar de regente, copista e arquivista.
De manhã trabalhava na rádio, de tarde tocava nos cinemas e de noite nas pensões, participava de serestas e rodas de samba, frequentava todas as biroscas, desenhava (era caricaturista), copiava partituras e principalmente, compunha. O velho Lula, como era chamado pelos amigos, é autor de sambas, marchas, valsas, hinos, choros, baiões, boleros, frevos, foxes toadas sertanejas e outros.
Em 1929 se casou com Dona Isaura Gomes de Oliveira, uma santa, como dizia o compositor: sempre me compreendeu, podia bronquear, mas nunca me criou obstáculos. Luiz Assunção conheceu o sucesso em vida. Em 1945 a antiga Escola de Samba Lauro Maia passa a se chamar Luiz Assunção. Era um misto de homenagem e instinto de sobrevivência dos componentes da agremiação.
A participação de Luiz Assunção asseguraria o êxito da entidade carnavalesca que, já no ano seguinte foi campeã cearense. O titulo seria mantido nos anos de 1947, 48 e 49. Em 1947 o conjunto “Quatro Ases e um Coringa”, que conquistara fama nacional, lança a música “Siá Mariquinha”, considerada uma das mais belas canções caboclas da música brasileira. Siá Mariquinha teria várias regravações, inclusive uma na voz de Jamelão. Dedicada a Dona Isaura, foi composta em 1946 em linguagem matuta, constituindo-se numa perfeição de letra e melodia.
Muitas outras composições de Luiz Assunção foram gravadas por cantores famosos e tiveram repercussão: Trio Nagô, Evaldo Gouveia, Rodner e Téti. O Velho Lula recebeu muitas homenagens: troféus de carnaval, medalhas de gratidão, diplomas comemorativos, honras ao mérito, taças, placas, títulos de cidadania, e após o seu falecimento, o nome de um logradouro público na Praia de Iracema.
Foi um dos poetas de Iracema. Quando o mar invadiu a praia em 1953, destruindo várias residências e o restaurante O Ramon, Luiz Assunção criou um samba de carnaval que ficou célebre na cidade: Adeus Praia de Iracema.
(Arquivo Nirez)
Quando Lúcio Alcântara foi prefeito de Fortaleza (1979-1982), criou o Projeto Luiz Assunção, que consistia numa apresentação de músicas regionais, ao vivo, por conjuntos locais, às 6 ªs feiras na Cidade da Criança e na Vila dos Artesãos, na Avenida Leste-Oeste. O prefeito também mandou editar um livro contendo as principais criações do compositor, inclusive as partituras.
Em 1967 pela Lei 8.776, o governador Plácido Castelo concedeu uma pensão vitalícia ao velho seresteiro. Luiz Assunção manteve seu espírito boêmio até seus últimos instantes. Já muito velho e alquebrado ainda desfilava com sua escola na Avenida Duque de Caxias, num carnaval de rua cada vez mais decadente e esvaziado.
Em sua casa no bairro Jardim América, quando não podia mais andar recebia os amigos a cada 11 de julho para festejar seu aniversário, e tomar umas cachaças, acompanhada de quitutes feitos pela fiel esposa, como ressaltava.
Luiz Assunção faleceu em 9 de maio de 1987, octogenário, pobre, modesto, mas reconhecido no seu talento na terra que escolheu para viver e brilhar.
Ressaca na Praia de Iracema(imagem: O Povo)
Adeus, Adeus
só o nome ficou...
adeus Praia de Iracema
Praia dos amores
que o mar carregou...
Quando a lua te procura
também sente saudade
de tudo que passou:
de um casal apaixonado
entre beijos abraçado
que tanta cousa jurou
mas a causa do fracasso
foi o mar enciumado
que da praia se vingou
Fonte:
Leitão, Juarez. Sábado, Estação de Viver-Histórias da boemia cearense. Fortaleza: Editora Premius, 2000. Publicação Fortaleza em Fotos



