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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Patrimônio Edificado: A Cidade de Ferro

A urbanização de Fortaleza foi bastante lenta no século XIX, com baixo crescimento demográfico. A população que era de 12.195 habitantes em 1813 passa a 16.557 em 1837 e chega ao final do século com 50.000 habitantes. Em 1800 havia um “arruador”, para organizar o traçado das ruas e treze anos depois a Câmara Municipal mandou elaborar uma planta parcial da Vila, executada pelo engenheiro Antônio da Silva Paulet.

Poucas edificações se destacavam. O sobrado do Comendador Machado, com três pavimentos era o mais alto. Inicia-se a partir da metade do século, a época de maior florescência da cidade, corresponde ao atual centro, possuindo um acervo de 1418 casas, das quais 517 eram de tijolo e telha.


No período definido entre a metade do século XIX e a Segunda Guerra Mundial no século XX é que foi construído praticamente todo o patrimônio edificado de maior relevância da cidade e era composto por um fabuloso e harmônico conjunto de edifícios residenciais e, inserido nele, um moderado número de monumentos arquitetônicos de maior importância, em sua maioria construções modestas, mas significativos para recontar do seu crescimento.


A arquitetura da casa compondo com seu entorno imediato foi e será um dos legados mais importantes deixados para a nossa história. Ela é em geral mais humilde que os monumentos eclesiásticos e militares, mas tinha seu ponto alto na grande riqueza dos conjuntos edificados geradores dos seus espaços urbanos, que eram coerentes, extremamente proporcionais, harmoniosos em beleza, formas, escala humana e cores que delinearam a silhueta da cidade e geraram seu maior patrimônio.

Foi esse espaço organizado de maneira esmerada que deu importância a cidade. A largura das ruas, os espaços abertos, as praças, o dimensionamento dos lotes, a altura homogênea das edificações foram o que construíram essa coerência.

É precisamente nesse período que grandes empreendimentos que envolviam novas tecnologias construtivas foram feitos no Estado e fundamentalmente em Fortaleza. A estrada de Ferro, inaugurada em1873, insere na construção a estrutura metálica na execução de suas pontes e armazéns, chamando a atenção para esse novo método prático de construir, trazendo interessantes intervenções urbanas ao nível da edificação pelo poder público.

A cidade começava a despontar no cenário político e econômico da região, passando por um processo de modernização provocado pelo florescimento da ciência e da tecnologia, gerado pela revolução industrial. O algodão foi o produto que impulsionou o crescimento e o intercâmbio comercial contínuo com a Europa, fez com que informações sobre novos produtos chegassem até aqui com bastante rapidez, através de serviços de tecnologia moderna como o telégrafo e a telefonia.


É nesse contexto que a ideia de um mercado público para Fortaleza, executado em ferro, onde foi aventada sua construção ainda em 1873. A ideia só veio a se concretizar duas décadas depois, 8 anos depois da Exposição de Paris, comemorativa do centenário da tomada da Bastilha em 1889, onde foi apresentado ao mundo o que havia de mais moderno na indústria siderúrgica aplicada à engenharia como a Torre Eiffel, a Casa das Máquinas e muitas outras edificações. O mercado da Carne foi inaugurado em 1897.



A partir desse evento a cidade adota uma maneira fugaz de construir. A Capela do Pequeno Grande, com sua bela estrutura da coberta e do coro, foi inaugurada em 1903. As praças se enchem de quiosques, coretos, bancos de jardins, balcões, varandas e uma infinidade de novos elementos que compuseram de uma maneira graciosa a fisionomia da arquitetura fortalezense, que chegou a seu momento de maior esplendor com a construção do Teatro José de Alencar, em 1910.


Café do Comércio - Praça do Ferreira início do século XX

Até 1930, Fortaleza era uma cidade homogênea, com edificações que não ultrapassavam a dois pavimentos e uma escala bastante agradável. O seu perfil observado desde o mar era praticamente uma linha no horizonte. A Estação João Felipe, a Santa Casa da Misericórdia, a Cadeia Pública, a Fortaleza de N. S. da Assunção e a Catedral eram os edifícios mais representativos da paisagem da cidade, com apenas o contorno de seus telhados, chaminés e torres desenhando sutilmente seu perfil, emoldurados pelas serras ao fundo.


extraído do artigo: Patrimônio Edificado de Fortaleza,
de José Capelo Filho. Do livro Ah, Fortaleza! 
fotos: postais de época e arquivo Nirez      

quarta-feira, 7 de março de 2012

O Fantasma da Bailarina do Teatro José de Alencar

Palco e Plateia do Teatro José de Alencar, que à época não dispunha de iluminação cênica adequada e utilizava uma gambiarra suspensa nas colunas da plateia

É difícil encontrar por aí um teatro histórico que não seja frequentado por almas penadas. Alguns costumam ter seus fantasmas fixos.  Eles estão no cinema, na literatura e, claro, no palco. Às vezes são brincalhões, outras, assustadores. Há quem diga que são só lendas e há quem jure que eles existem de fato.
 
Dentre os casos relatados, o mais emblemático no País, é o espancamento dos atores no andar subterrâneo do Teatro Ruth Escobar (SP), em 1968. O Comando de Caça aos Comunistas (CCC) invadiu o teatro e feriu todos do elenco da peça “Roda Viva”, alguns gravemente. Após esse acontecimento, muitos atores não gostam de se apresentar no local. Dizem que há assombrações que carregam o ambiente de energia negativa.

No nordeste, especificamente no Teatro Santa Rosa, na Paraíba, funcionários antigos do local contam diversas histórias de instrumentos que tocaram sozinhos, fortes barulhos no palco e até aparições de imagens de pessoas que já morreram.  

 Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em cartão postal de 1909, onde o fantasma do poeta Olavo Bilac, falecido em 1918, foi visto vagando pelos corredores. (foto Portal São Francisco)

Embora muitos não acreditem, os mistérios existem e são contados frequentemente pelos que trabalham nos espaços cênicos. No Teatro Municipal do Rio de Janeiro, o espírito de uma bailarina, que teria morrido em frente ao prédio, no dia de sua formatura, e do poeta Olavo Bilac, que fez um discurso na inauguração do teatro, em 1909, foram "vistos" vagando pelas dependências do teatro por muitos funcionários.

No Teatro Amazonas também ocorrem fatos que deixam tanto o público quanto os artistas, no mínimo, intrigados. Em 2009, o cantor Edson Cordeiro fez uma série de apresentações no local. Dizem que a sala estava sempre lotada, exceto pela poltrona de número 13, que tinha sido reservada para todas as apresentações, mas em nenhuma delas esteve ocupada.

 Teatro Santa Roza, em João Pessoa, onde acontecimentos inexplicáveis mexem com o imáginário dos funcionários: passos misteriosos quando o teatro está vazio, vozes e sussurros perdidos pelos corredores, piano que toca sozinho etc.  (foto: http://www.skyscrapercity.com)

Na América do Sul, ainda há casos de assombrações em diversos teatros de Buenos Aires (Argentina), como o Teatro Nacional Cervantes, o Lola Membrieves e o Broadway. Em Londres, o Royal Drury Lane, o teatro mais antigo da cidade – que data de 1812 –, guarda muitas histórias de fantasmas que rodeiam seus bastidores.

Lá, dizem, vive o fantasma do pai do clown moderno, Joseph Grimaldi (1778-1837). Segundo relatos, o artista fez um pedido antes de morrer: que sua cabeça fosse separada de seu corpo na hora do enterro. Coincidentemente – ou não – funcionários e atores afirmam ter visto um vulto sem cabeça.

O fantasma mais famoso do teatro, no entanto, é o Man in Grey (Homem de Cinza), que sempre aparece entre as 10h e as 16h, vestido com um traje cinza e um chapéu de três pontas, similar àqueles usados pelos Lords ingleses no século 18. Sua aparição foi testemunhada por mais da metade do elenco de “The Dancing Years”, que se reunia para uma foto, quando o espectro apareceu, cruzou a plateia superior e desapareceu.

O Fantasma da Bailarina do José de Alencar

Teatro José de Alencar em 1939

O dia 17 de junho de 1910 marcou a inauguração de um dos mais belos teatros de todo o Brasil: o Teatro José de Alencar. A casa de espetáculos foi entregue ao público da província pelo Presidente Nogueira Accioly, com direito a longo discurso proferido por Júlio César da Fonseca, um dos maiores oradoras da época. Desde então a bela estrutura de ferro é o maior  referencial da Praça José de Alencar e um dos maiores da cidade de Fortaleza.


Fachada do teatro no início dos anos 1980

Não se sabe ao certo quando tudo começou, mas a história é antiga. Alguns funcionários e frequentadores do Teatro juram ter visto o fantasma de uma bailarina rondando o palco e os corredores do local. Segundo os relatos, ela aparece de repente, em meio a uma brisa gelada, quase transparente e com voz sussurrada. A assombração não só aparece constantemente, como faz piruetas e outros passos de balé. De acordo com funcionários e visitantes, trata-se de uma jovem mulher, com vestido azul e longos cabelos. E não some sem antes dizer: “Eu preciso ensaiar”.  


Cena de A Valsa Proibida, opereta de 3 atos, 30 músicas, texto de Silvano Serra e músicas de Paurilo Barroso, com direção de Luiz Lima Filho. Estreia em 15 de dezembro de 1941.

Há anos os funcionários e artistas que frequentam essa casa relatam histórias sobre o fantasma que dança no palco pela madrugada, passeia pelos corredores e tenta fazer contato com alguém que não tenha medo do seu hálito gelado. A bailarina fantasma tem algo a dizer e uma história para contar. Sua vida se confunde com a vida dessa casa centenária. Só alguém com muita coragem será capaz de ouvir.  

A escritora Socorro Acioli se interessou pelo caso da bailarina do Teatro José de Alencar,  e decidiu frequentar o teatro, à noite, para "sentir" a presença da bailarina. A partir das sensações e das informações que conseguiu, escreveu o livro “A Bailarina Fantasma”. 

Diante de tantos relatos como estes, existe uma "ferramenta" utilizada para espantar estes seres que aparecem e, muitas vezes, assustam quem os vê: é a ghost light (luz fantasma). Em sua pura definição, a luz, localizada ao lado esquerdo do palco, é acesa quando todas as outras estão apagadas, evitando, principalmente, que os atores caiam do palco, pisem ou tropecem em adereços.
Entretanto, com base em algumas superstições, as ghost light são usadas para manter os fantasmas longe do palco. Além disso, dizem que ter, ao menos, uma luz acesa espanta a má sorte e a tristeza.


fotos do Teatro José de Alencar
 do livro Teatro José de Alencar - O teatro e a Cidade,  Terra da Luz Editorial
 Fonte:
Curiosidades Sobre o Teatro, de Felipe Del
Jornal Diário do Nordeste