quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Bairro Dionísio Torres

Localizado na zona Norte de Fortaleza, limite sul da Aldeota, o bairro Dionísio Torres (antigo Estância), limita-se ao Norte com a Aldeota, ao sul com o São João do Tauape, a leste com o Cocó e a Oeste com o bairro Joaquim Távora.  De acordo com o IBGE, em 2010, a população era de 15.634 habitantes, distribuídos em 4.844 domicílios. É ainda um dos 10 bairros mais ricos da cidade, com renda média mensal equivalente a R$ 2.707,00, conforme o “Mapeamento das Atividades Socioeconômicas nos Bairros”, divulgado pela Prefeitura de Fortaleza em 2015.


Duas fases do bairro vistas do mesmo ângulo: atualmente, e no início dos anos 60, quando ainda se chamava Estância e os coqueirais eram visíveis. Foto atual feita por drone. (Créditos:   www.flyup.46graus.com). Imagem antiga do arquivo Nirez  

As terras que serviram de marco para a criação do bairro foram compradas em 1920, pelo farmacêutico Dionísio Torres aos herdeiros de Gonçalo Baptista Vieira, o Barão de Aquiraz, numa área de 75 hectares, situada na parte mais alta da cidade.O comprador deu à propriedade o nome de Estância, uma área enorme, coberta de mato ralo e imprestável. Para se chegar ao local, o único acesso era uma trilha estreita, que ligava a Piedade, no bairro Joaquim Távora, a qual Dionísio Torres percorria a cavalo.

Naquele terreno árido e de difícil acesso, Dionísio fez uma plantação com mais de 3 mil coqueiros, sendo o primeiro plantio simétrico desta árvore que se tem notícia no Ceará. A área, antes inóspita, passou a ser chamada pelos moradores de “coqueiral do seu Dionísio”.

Sede da Granja leiteira Estância Castelo, em 1930

No centro da propriedade, fundou a “Granja Leiteira Estância Castelo”, trazendo para o Ceará a primeira importação de Gado Holandês de alta linhagem, embarcado do Uruguai, por via marítima. Os céticos apostavam no fracasso da empreitada, porque acreditavam que a raça não suportaria o clima quente de Fortaleza. Mas, o espírito empreendedor de Dionísio, insistiu e acabou se tornando o iniciador do grande rebanho leiteiro desta raça espalhado por todo o Estado desde então.

Em 1939, Dionísio Torres decidiu pelo parcelamento das terras, lançando um grande empreendimento imobiliário constituído de 58 hectares: o Loteamento Terras da Estância Castelo. A partir deste lançamento, em parceria com a Prefeitura de Fortaleza, foram realizadas diversas obras de infraestrutura, como as estradas de acesso à Piedade – a atual Av. Antônio Sales – e ao litoral – atual Rua Tibúrcio Cavalcante, através de calçamento feito com pedra tosca.

O abastecimento de água do loteamento foi viabilizado com a doação de uma fração do terreno ao Estado, onde foi construída uma caixa d’água, existente até hoje na esquina da Avenida Antônio Sales, com a Rua Tibúrcio Cavalcante. Dionísio também foi o responsável pelas primeiras obras de ocupação no bairro, construindo a Vila Estância, com 60 casas, e a Vila Zoraida, com 48 casas, além de diversos prédios residenciais e comerciais espalhados pela propriedade. Providenciou ainda, a instalação de fiação e postes de iluminação em todo o loteamento.

No final dos anos 50, chegou à Estância um equipamento de porte: a TV Ceará, que ali instalou sua grande torre de transmissão; a chegada da Televisão atraiu diversos empreendimentos para o bairro além de outros veículos de comunicação, como os jornais “Correio do Ceará” e “O Unitário” que se instalaram logo depois da TV Ceará. Hoje, a maioria dos canais de televisão de Fortaleza estão localizadas no bairro.  O local foi escolhido por ser o ponto mais alto da cidade, com altitude de cerca de 50 metros acima do nível do mar.
  
 Vila Vicentina na Avenida Antônio Sales: os moradores vivem sob constante ameaça de deslocamento em função da especulação imobiliária. Foto Flick 

A partir da década de 1960, Dionísio Torres, resolveu doar parte do terreno de sua propriedade em benefício de famílias carentes vindas do interior. A doação resultou na construção da Vila Estância Vicentina, com frente também para a Avenida Antônio Sales, somando 40 unidades residenciais.  Ainda hoje essa população de baixa renda é beneficiada com moradia, que para muitos custa apenas um valor simbólico, ou nem isso. Em 1967, através da Lei Municipal n° 3500, o bairro Estância passou a ser denominado Dionísio Torres, em homenagem ao seu fundador.


  Praça da Imprensa (foto O Povo) 

A Praça da Imprensa, a mais conhecida do bairro, foi criada em 21 de maio de 1973, na gestão do prefeito Vicente Fialho (1971-1975). Quando a prefeitura criou o projeto da praça em frente aos Diários Associados, jornalistas de Fortaleza, militantes nos diversos órgãos locais, pleitearam o nome de Praça da Imprensa. Foram atendidos. A praça conta com vários bustos de grandes personalidades ligadas à história do rádio, TV e jornais do Estado, como João Perboyre e Silva, Demócrito Rocha, chanceler Edson Queiroz e Conde Ernesto Pereira Carneiro, fundador do Jornal do Brasil.

Fontes de consulta:
IBGE – censo demográfico de 2010
Anuário de Fortaleza 2012/2013 
Jornais O Povo, Diário do Nordeste
Site: Dionísio Torres.com.br
Praças de Fortaleza, de Maria Noélia R. da Cunha

2 comentários:

Edisio Lima disse...

Tenho muito orgulho em conhecer e lidar constantemente com o Dr. Dionísio Torres, pessoa de grande conhecimento na vida pessoal e profissional(Advogado). Homem simples de conduta ilibada com um grande círculo de amizade e uma memória de elefante, fonte de grandes pesquisas, principalmente na área do direito imobiliário.

Edisio Lima disse...

Edísio Lima é amigo do Dr. Dionísio Torres Filho.