domingo, 27 de dezembro de 2015

Os Velhos Cinemas de Fortaleza - 1908 a 1932

Primeiro chegaram os bioscópios, uma espécie de lanterna mágica que projetava na tela imagens estáticas. O introdutor da novidade foi um italiano chamado Pascoal, que instalou a máquina na Rua Barão do Rio Branco. Dado o êxito obtido, vários bioscópios foram instalados em diversos locais da cidade: um na Rua Major Facundo, outro na Praça do Ferreira, outro no antigo prédio do Clube Iracema e mais um no Beco das Trincheiras (atual Rua Liberato Barroso), esquina com a Rua Senador Pompeu. Tempos depois, apareceu o kinetofone, que era uma combinação do bioscópio com o gramofone. O novo equipamento foi armado no teatro José de Alencar, e fez um sucesso retumbante.

Cine Rio Branco, fundado por Henrique Mesiano

Em 1907 chegava a Fortaleza o italiano Vitor Di Maio, trazendo o animatógrafo, montando em 1908, o Cinema Di Maio  no prédio da Maison-Art-Nouveau, na Praça do Ferreira. A partir daí teve inicio a fase de prosperidade do cinema em Fortaleza. No caminho aberto por Di Maio, outros cinematógrafos surgiram: em 1909, Henrique Mesiano inaugurou o Cinema Rio Branco, na rua do mesmo nome; na mesma época Julio Pinto abriu o Cassino Cearense, na Rua Major Facundo. Eram exibidos filmes extraordinários como O Conde de Monte Cristo e a Dama das Camélias, este último, foi exibido quase trezentas vezes. Durante a apresentação dos filmes que eram mudos, um pianista tocava as músicas da moda. 


A pré-inauguração do Cine-Teatro Polytheama ocorreu em fevereiro de 1911, na Praça do Ferreira. A inauguração oficial ocorreu em julho daquele ano. em 1916 passou ao controle de Luiz Severiano Ribeiro. O Polytheama foi o silencioso que resistiu ao advento do som, permanecendo em funcionamento com seus filmes mudos até 20 de novembro de 1938, fechando quando o prédio que ocupava foi demolido para dar lugar a construção do edifício São Luiz.

O Amerikan Kinema foi inaugurado em fevereiro de 1915, na Praça do Ferreira; no dia 23 de dezembro de 1915, surge o Cinema Riche, também na Praça do Ferreira, no antigo local do Cine Di Maio, o primeiro empreendimento tendo como sócio Luiz Severiano Ribeiro em sociedade com Alfredo Salgado. Foi desativado em 1921. Henrique Mesiano inaugurou em 1917 o Cinema da Estação, no Boulevard Joaquim Távora, em frente a estação de bondes da Ceará Tramway Light and Power. Outro empreendimento de Henrique Mesiano foi o Cinema Tiro Cearense, inaugurado no Passeio Público, que funcionou por menos de um ano. Em 1917, por iniciativa do Circulo Operário e Trabalhadores Católicos, é instalado o Cinema São José, no teatro da agremiação na Praça Cristo Redentor. Foi o primeiro cinema criado pela Igreja Católica no Ceará e adotava o critério de separar homens e mulheres em duas alas. Funcionou até o início da década de 1940.  


     

Mas o ano de 1917 ainda veria a inauguração de uma bela e luxuosa casa de espetáculos: O Cine-Teatro Majestic Palace. Construído por Plácido de Carvalho, instalado em um imponente prédio na Praça do Ferreira, com a destinação para o cinema explorado por Luiz Severiano Ribeiro e Alfredo Salgado. O palco foi inaugurado no dia 14 de julho com o espetáculo da cantora lírica e transformista italiana Fátima Miris. 

 
Um incêndio no dia 1° de janeiro de 1968, determinou o fechamento definitivo do Cine-Teatro Majestic-Palace

O Majestic tinha uma sala de projeção que também era teatro, toda em ferro, como o Teatro José de Alencar. Tinha 650 cadeiras no distribuídas no térreo, nos dois andares, onde ficavam os camarotes e na geral. No bar com cadeiras de pés de ferro e pequena mesa e mármore, tinha música ao vivo a cargo do pianista Mozart Gondim Ribeiro. O lugar era frequentado por personalidades da cidade como Quintino Cunha, Dolor Barreira, Professor Raimundo Gomes de Matos, Lauro Maia, e outros. O Cine Majestic funcionou até 1968, quando foi consumido por um incêndio que destruiu a sala de projeção. 

Cine Moderno, na Praça do Ferreira

O próximo cinema a ser inaugurado em Fortaleza foi o Moderno, na Praça do Ferreira. Construído por iniciativa de Plácido Carvalho com o fim específico de uma casa exibidora de filmes, o Cine Moderno foi inaugurado no dia 7 de setembro de 1922, dentro das comemorações do primeiro centenário da Independência  do Brasil. A exploração do cinema ficou a cargo do Sr. Luiz Severiano Ribeiro. A sala logo ganhou a preferência do público seleto da cidade e teve o privilégio de lançar o cinema sonoro, no dia 19 de junho de 1930, com a exibição do filme “Broadway Melody”, com Charles King e Bessie Love.  


Durante oito anos, o Moderno apresentou filmes mudos animados por um piano perto do palco. As sessões eram noturnas (duas por noite) e o preço do ingresso custava custa 1 mil reis.  O Cine Moderno liderou por 18 anos, a vida social noturna de Fortaleza. Suas soirées eram sempre frequentadas pela alta sociedade de nossa capital, todos com suas melhores roupas e vestidos num verdadeiro desfile de elegância. Sua supremacia acabou em 1940, com a inauguração do Cine Diogo. Em franca decadência, abandonado pelos seus antigos frequentadores, o Cine Moderno encerrou as atividades no dia 21 de maio de 1968, quando o prédio onde funcionava foi vendido ao Grupo Edson Queiroz e demolido para dar lugar a uma loja. 

Até 1925, vários pequenos cinemas são instalados em Fortaleza. Em 1922, surge o Cine-Teatro Pio X, mantido pela Ordem dos Capuchinhos, na Avenida Duque de Caxias com a Rua Barão de Aratanha. Um ano depois, em 1924, foi inaugurado um pequeno cinema na então Praia do Peixe - atual Praia de Iracema - denominado Cine Beira-Mar. Em 1925 o Centro Artístico Cearense, situado na Avenida Tristão Gonçalves, 338, começa suas atividades como cinema, e a 16 de dezembro de 1931, inaugura o palco para apresentações teatrais.

No dia 2 de dezembro de 1925, o Recreio Iracema, uma iniciativa da empresa de Diversões Artísticas, de Antônio Capibaribe, inaugura sua tela de cinema, já que como espaço teatral existia desde 1923. Localizado no Boulevard Visconde de Cauípe, passou a denominar-se Cine Benfica. Em 1927, a União de Moços Católicos, localizada na Rua Barão do Rio Branco, pôs em funcionamento o cinema que se popularizou como Cine União, no imponente prédio ainda hoje existente. No mesmo ano é inaugurado o Cine Grêmio Dramático Familiar, na Avenida Visconde do Rio Branco, como desdobramento do famoso espaço teatral em que foram lançadas as criações de Carlos Câmara. 

Em 1930, duas instituições de prestigio na cidade, a Associação dos Merceeiros e a Associação Fênix Caixeiral criam salas de cinemas em suas sedes. O Cine Fênix instala-se  no dia 26 de junho de 1930, na Rua Guilherme Rocha esquina com a Rua 24 de Maio. O Cine Merceeiros, localizado na Rua Major Facundo foi inaugurado a 1° de novembro de 1930. 

Cine Luz, na Praça da Estação 

Ainda em 1930, no dia 6 de setembro, ocorria a inauguração do Cine Parochial, de propriedade das associações religiosas da Catedral, instalado à Rua Coronel Ferraz no prédio da Escola Jesus, Maria e José. O Cine Luz iniciou as atividades no dia 23 de janeiro de 1931, na Rua General Sampaio, por iniciativa dos empresários Bernardino Proença Filho e José Bezerra da Silva. Ainda em 1931 aparece mais um cinema de bairro: o Cine São Gerardo. Surgem ainda em 1932, dois outros cinemas: o Cine Circo, na Praça de Otávio Bonfim e o Cine Popular, na Rua Senador Pompeu, na então Praça de Pelotas, hoje Clóvis Beviláqua. A inauguração do Cine Popular ocorreu ocorreu no dia 9 de julho de 1932, e o prédio onde funcionava foi demolido para ampliação da Assistência Municipal, atual Instituto Dr. José Frota. 

fontes:
A Tela Prateada, de Ary Bezerra Leite
Fortaleza Velha, de João Nogueira
Reportagem publicada no Jornal Correio do Ceará, edição de terça-feira, 21 de maio de 1968.  
fotos do livro A Tela Prateada e do Arquivo Nirez   

5 comentários:

Anônimo disse...

Isso sim, era cinema de verdade, não essas salas horrorosas dos shopping centers que só passam filmes caça-níqueis.

Dr.Rodrigo33654 disse...

Ler e ver estas fotos nos remete a um tempo onde o programa de adultos e famílias prescindia de lugares fechados, como bolhas, como shoppings que aprisionam a imaginação de caminhar pela cidade, para um sorvete ou um lanche após a película! Tudo segue como antes, as expectativas de uma grande sala permanece, porém o desfile citadino fica restrito ao que nada nos conta. Deixemos somente para a sétima arte, portanto.

thiago nunes disse...

Acho que vc tá frequentando um shopping bem pobre viu ou nunca foi em um kkkkkkkkk

thiago nunes disse...

Acho que vc tá frequentando um shopping bem pobre viu ou nunca foi em um kkkkkkkkk

Anônimo disse...

No Cine São Luiz tive de colocar paletó e gravata para ver um dos mais belos clássicos do western que foi A ÚLTIMA CARROÇA estrelado por Richard Widmark, inesquecível. Também lá assisti ao épico A NOVIÇA REBELDE um musical extraordinário, belos tempos da brilhantina Glostora e do Crush geladinho depois do filme que balançou o refresco de pega-pinto até recentemente vendido nas proximiodadeds da bela Praça do Ferreira.