quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O primeiro automóvel de Fortaleza

O primeiro automóvel a circular em Fortaleza, foi este Rambler de propriedade de Meton de Alencar e Júlio Pinto, dirigido por John Peter Bernard e Rafael Dias Marques
 (arquivo Nirez)

O primeiro automóvel chegou por aqui em 28 de março de 1909, vindo dos Estados Unidos pelo vapor inglês “Cearense”.
Era um automóvel da marca “Rambler” usado, comprado pela Empresa Auto Transporte, de propriedade do Dr. Meton de Alencar e de Julio Pinto, adquirido por 8:000$000. 

Após o desembarque na alfândega, como ninguém soubesse dirigir, o veículo foi puxado por um jumento no trajeto entre o prédio da alfândega até o edifício do Cinema Júlio Pinto, localizado na Rua Major Facundo n° 64, acompanhado por uma verdadeira multidão de curiosos, que se formou ao redor do veiculo e do jumento.

Pela empresa compradora, John Peter Bernard acompanhava o carro, que foi recolhido ao palhabote, onde Roberto Muratori e o velho Dr. Meireles passaram a estudar-lhe o motor, procurando, com redobrados esforços, faze-lo funcionar, o que conseguiram dias depois. 

Passava das 22 horas quando o Rambler movimentou-se vagarosamente alguns metros pela rua, guiado pelo português Rafael Dias Marques, caixeiro da Casa Bordalo, e estacou adiante, não havendo força humana que o fizesse rodar. Voltou rebocado para o Cassino Cearense. 

Depois de muita pesquisa, Clóvis Meton e Alfredo Borges obtiveram melhores conhecimentos sobre a complicada máquina, saindo afinal para a via pública, cercado sempre do maior e mais vivo interesse por parte da população. 

Sempre na calada da noite, realizavam experiências, ora indo até o Alagadiço, ora à Estação de Bondes. Nessas viagens quase sempre o carro enguiçava, sendo preciso desmontá-lo em plena rua para consertá-lo. Como o motor estava localizado sob o veiculo, era necessário arrancar a carroceria todas as vezes que isso acontecia. Às vezes permanecia semanas numa oficina improvisada, recebendo as atenções dos dois curiosos mecânicos amadores.

Certa vez perdeu-se a tampa do radiador na estrada de Messejana, e o proprietário anunciou no jornal que gratificaria a quem a encontrasse e devolvesse. Movimentou-se então uma multidão de populares em busca da peça, mas como ninguém soubesse o que seria uma tampa de radiador, foram levados ao proprietário, todos os tipos de objetos de ferro que puderam ser encontrados naquela estrada, inclusive, até camburões de ferro.

Depois de um tempo, de tanto rodar, os pneus ficaram gastos e precisaram ser substituídos, mas onde encontrá-los? Improvisaram então umas rodas de madeira com aros de ferro, que faziam uma barulheira infernal nas pedras de calçamento.

Apesar dos percalços, esse carro conseguiu fazer diversas viagens a Messejana, e de certa feita, foi até Canindé, durante as festas religiosas. Seguiu de Fortaleza até Itaúna dentro de um vagão da E.F. de Baturité, e daí em diante, rodando por uma estrada improvisada, levou um dia inteiro até chegar a Canindé.

Em certa ocasião ao trafegar na Avenida do Imperador, ao desviar-se de um pedestre, o carro foi de encontro a um muro, derrubando-o. Esse foi o primeiro acidente de trânsito da história da cidade.

Sempre guiado por Rafael Dias Marques, o Rambler rodou durante algum tempo pela Fortaleza daqueles tempos. depois outros carros apareceram na cidade: um do Dr. Gadelha e outro de Clóvis Meton, sendo que o de Júlio Pinto recebeu o apelido de Vovô, enquanto o de Clóvis ficou conhecido pelo de Mariquinhas.   


Extraído do livro Coisas que o Tempo Levou
de Raimundo de Menezes

3 comentários:

Raquel disse...

Que carrinho lindoo..
Com certeza o transito de Fortaleza já viu dias melhores, pq pior do que está não dá pra ficar!!

Anônimo disse...

a única diferença para os dias atuais, é que hoje os jumentos não puxam mais os carros, andam dentro deles
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

JoãoDamasceno disse...

Mas faltou encerrar a história dizendo que o veículo foi desmontado e utilizado como motor de uma fábrica (não sei se de tecidos)...!!