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quinta-feira, 10 de março de 2011

A Fênix Caixeiral

Durante várias décadas, a Fênix Caixeiral desempenhou papel relevante na sociedade. Congregava gente como contadores, despachantes de alfândegas, leiloeiros, corretores, empregados de bancos e uma quase infinidade de classes trabalhadoras.
Fundada em 1891, foi uma associação que rendeu cinema, banco, hospital, clube, imprensa e Escola de Comércio. Entre as conquistas dessa associação, o fechamento dos estabelecimentos comerciais aos domingos e a publicação do jornal O Atleta.

recibo da mensalidade da Fênix Caixeiral (arquivo Ah, Fortaleza!)

Na Escola de Comércio a maioria dos alunos eram caixeiros, trabalhadores do comércio, classe apartada da elite, mas que flertava com a burguesia. O curso era profissionalizante. Entre as disciplinas, francês, inglês, aritmética e escrituração mercantil. As aulas eram à noite, à luz do candeeiro. 
Sob a batuta de professores, advogados, jornalistas, médicos, dentistas, e estudantes da Faculdade de Direito, dava-se a intersecção entre balconistas e profissionais liberais.

Sede da Fênix Caixeiral na esquina das Ruas General Sampaio e Guilherme Rocha, na Praça José de Alencar. Em primeiro plano, a Igreja do Patrocínio (arquivo Nirez)

Em 1904, a Fênix começou a construir o prédio para sua sede própria, localizado na esquina noroeste das Ruas General Sampaio e Guilherme Rocha.
O palacete tinha um andar superior e um porão, dando a porta principal e a escadaria para a Praça Marquês de Herval (Atual José de Alencar).

Cartão postal impresso em Paris mostrando o prédio da Fênix Caixeiral (1905 - Arquivo Nirez)

No alto dominava a escultura, o mitológico pássaro de Osíris. Foi inaugurado em 1905. Como fosse pequeno para abrigar as diversas dependências da associação e a sua Escola de Comércio, resolveu construir outra casa maior, no terreno da Rua 24 de Maio esquina noroeste com a Rua Guilherme Rocha, onde estivera a residência do Comendador Antonio Pinto Nogueira Accioly, Presidente do Estado, e que fora totalmente incendiada e saqueada por populares, no dia 9 de novembro de 1912.

2a. Sede da Fênix na Rua 24 de Maio esquina com Rua Guilherme Rocha. (arquivo escola normal) 

A pedra fundamental do novo edifício foi lançada no dia 24 de junho de 1913, e iniciadas as obras em 18 de agosto do mesmo ano. Em certo dia de 1914, a construção já bastante adiantada, ruiu em parte, provocando grande estrondo e densa nuvem de poeira. No ano seguinte, o prédio foi inaugurado pela associação. 
A rua 24 de Maio, no Centro Histórico, uma das esquinas da Praça José de Alencar abrigava o edifício de dois pavimentos e 1.163 metros quadrados.

O Prédio em construção seria para abrigar mais uma dependência da Fênix Caixeiral. 
Hoje pertence ao INSS (arquivo Nirez)

Em maio de 1953, ocorreu o lançamento da pedra fundamental de novo edifício da Fênix Caixeiral, na esquina da Rua General Sampaio com Guilherme Rocha, no mesmo local da antiga primeira sede. Hoje o edifício pertence ao SUS.
Mas a Fênix Caixeiral aos poucos foi perdendo o esplendor de sua atuação nos meios comercial, social e cultural da cidade, e por fim, viu-se obrigada a vender sua sede, na esquina da Rua 24 de maio com Rua Guilherme Rocha, ao Grupo Ximenes Tecidos,  
passando a ocupar a casa que fora a última residência do professor Francisco Meneses Pimentel, na Avenida do Imperador, 636. Instalou-se aí em 1° de fevereiro de 1979.

O prédio da Rua 24 de Maio esquina com a Guilherme Rocha,  já bastante deteriorado. Foi demolido em 1984 (Arquivo Nirez)

Em 8 de junho de 1984 começou a demolição do prédio da Fênix. Junto com o prédio
vieram abaixo a imponente escadaria de madeira, os grandes salões nobres e sociais, e até um pequeno museu. Mosaicos alemães, forro de cedro, assoalhos de cetim.
 Parte do acervo interno e da mobília, foram transferidos para a sede da Avenida Imperador. Foi demolido quando estava prestes a completar 69 anos.

Fonte:
Bezerra de Menezes, Antonio. Descrição da Cidade de Fortaleza. Introdução e notas de Raimundo Girão. Fortaleza: Edições UFC/Prefeitura Municipal de Fortaleza, 1992.
Revista Fortaleza, fascículo 12