sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Verdes Mares Bravios e um Porto Inseguro


Ao desembarcar em Fortaleza nos idos de 1837 e 1838, o missionário metodista norte-americano Daniel P. Kidder, fez uma observação sobre o porto: ... jamais constituiu ancoradouro seguro, mas agora o porto está sendo completamente atulhado pela areia do mar... e em ponto algum é fácil o desembarque devido as grandes vagas que constantemente vão quebrar na praia...


A Ponte Metálica começou a ser construída em 1902, ganhou esse nome porque o piso inicial de madeira precisou ser substituído por uma estrutura metálica.

Um porto seguro para o desembarque de mercadorias e pessoas sempre foi um problema para Fortaleza. O mar revolto comprometeu no início da colonização seu posto de cidade portuária, e quando a cidade se desenvolveu, dificultou o acesso às mercadorias. Este desembarque inseguro se localizava ao norte da cidade, nas imediações  de onde mais tarde seria construída a ponte Metálica, na tentativa de facilitar as transações marítimas. Para tentar conter a fúria do mar, foram construídos um píer e um muro de proteção para formar a enseada no Poço da Draga, e depois a Ponte dos Ingleses. 



Em 1870 foi apresentado o projeto de instalação do Porto do Mucuripe. A construção que se arrastou por alguns anos devido a seu alto custo, não vingou. A intensidade das marés aterrou o viaduto e o próprio ancoradouro, o que levou ao abandono do projeto.
Enquanto isso, o embarque e desembarque de  mercadorias  eram feitos de modo precário: os produtos eram levados em pequenas embarcações até os navios que ficavam a 900 metros da praia. Geralmente chegavam molhadas e quem desembarcava não deixava de tomar um banho salgado. 
Temendo o aumento dos custos com transporte, os comerciantes, através da Associação Comercial, se opunham à construção do terminal do Mucuripe, apesar de reconhecerem a precariedade do embarque no píer.
Depois a obra do porto do Mucuripe passou a ser uma exigência da sociedade. Em 1929 o jornalista Demócrito Rocha registrou: "se o problema do porto de Fortaleza tem a sua incógnita revelada de maneira tão simples, a insolubilidade em que até hoje se perdurou vem apenas atestar a curteza de vista de nossos administradores".
O banco de areia e o quebra-mar incompleto prejudicavam as transações comerciais reclamadas por uma cidade em crescimento. O próprio comandante do Lloyd Brasileiro declarou na Associação Comercial que reconhecia o agravamento da situação do comércio e da indústria do Ceará proveniente da deficiência do porto do Mucuripe, que não atendia as exigências dos transportes marítimos.
A morosidade das obras enriquecia o anedotário popular, segundo o qual Fortaleza tinha três sinfonias inacabadas: a catedral, o Cine São Luiz e o Porto do Mucuripe.


Armazéns do Porto do Mucuripe  

Mesmo depois da instalação do Porto do Mucuripe, continuava a existir certa dificuldade de abastecimento de Fortaleza. Em 1948 os jornais da cidade chegaram a noticiar a possibilidade de faltar gasolina na cidade, porque o navio não havia chegado devido ao entupimento do porto. 

extraído da Revista Fortaleza - fascículo 9 
 

Um comentário:

Emilio Morales disse...

No processo de fusões e aquisições, um seguro de salas de dados é criado como parte do repositório central de dados sobre empresas ou divisões que se estão adquirindo ou vendendo.