sexta-feira, 8 de maio de 2015

No Tempo dos Cursinhos

Os cursinhos pré-vestibulares surgiram nos anos 60, por iniciativa dos diretórios acadêmicos, para gerar renda para o movimento estudantil. Funcionavam em salas das faculdades de Agronomia, Odontologia e Farmácia. Também ali se formaram os primeiros professores de pré-vestibular de Fortaleza.

 prédio onde funcionava a Faculdade de Farmácia e Odontologia da UFC (foto IBGE)


Naquela época, a UFC reinava absoluta, e as provas eram dificílimas, daí o motivo da grande procura pelos cursinhos pré-vestibulares. Nos dias que antecediam, e durante a realização do vestibular, o ritmo era frenético, as aulas aconteciam até em fins de semana. No semblante de alunos e professores, um misto de ansiedade e preocupação aliadas a um clima de festa que durava até sair o resultado. A comemoração era ampla e irrestrita, até os nãos aprovados participavam e comemoravam.

 
Colégio São João
O primeiro cursinho que surgiu fora do ambiente universitário chamava-se Curso Ésio Pinheiro, e se instalou em 1961, na Rua Edgar Borges, em cima da loteria Estadual. O diretor era médico e professor de Química. Convidou outros colegas e formou a equipe que preparava para os vestibulares de Medicina, Agronomia e Farmácia. Tempos depois, no mesmo endereço, funcionou o Curso Pioneiro, sucessor do Ésio Pinheiro, dirigido pelo professor Hélio Pinho. O Pioneiro ampliou as opções para os vestibulandos: preparava para todas as faculdades.

Em seguida foi criado o Curso dos Picanços, em 1963, que funcionava nas dependências do Colégio São João, na Avenida Santos Dumont. Roberto Picanço era médico e professor de Química.  Um pouco depois do Pioneiro, instalou-se o Curso Vetor, na Rua Floriano Peixoto, centro, em 1965, dirigido pelo professor Bené (Benedito Gomes), com quase a mesma equipe do Pioneiro. 

prédio onde funcionava o Curso Ésio Pinheiro e mais tarde, o Cursinho Pioneiro, na Rua Edgar Borges, centro de Fortaleza(foto Google) 


Em 1966 surgiu um dos cursinhos mais famosos da cidade, o CIPAM – Curso de Preparação para Agronomia, e Medicina. Ficava na Rua General Bezerril, próximo à Cidade da Criança. Apesar da sigla, logo passou a preparar alunos para todos os vestibulares. Seu fundador foi o professor Maurílio Vasconcelos. 

O CIPAM cumpriu uma trajetória de sucesso, ganhando fama tanto pelo grande número de aprovações no vestibular, quanto pela formação de professores de cursinhos. Vendido pelo professor Maurílio, passou por dificuldades em razão da concorrência, e entrou em declínio. 

 Rua General Bezerril, no centro, endereço do CIPAM 


Passou por diversos administradores, mas não conseguiu reverter o déficit nem cumprir com os compromissos financeiros. Um dos professores, transmutado em diretor financeiro, viu-se em maus lençóis, quando foi assediado por uma estrangeira professora de italiano. Com salários atrasados, a professora procurou o diretor para receber o que lhe era devido. Ao ouvir a voz da italiana, o diretor retirou-se rapidamente da sua sala para não enfrenta-la, não tendo tempo, porém, de beber sua Coca-Cola, refrigerante no qual era viciado, nem retirar o paletó do espaldar da cadeira. Quando a professora foi informada de que o diretor não se encontrava no recinto, ela não acreditou, pois os sinais de sua presença eram claros. E exigiu que o fugitivo aparecesse, pois só sairia dali quando recebesse. 

Situação semelhante vivia um outro diretor, que não tendo como pagar o salário dos professores, se ausentava do curso nos finais de expediente, hora em que o assédio era maior. Depois de um tempo, o cursinho encerrou suas atividades. 

Outro que fez história entre os estudantes foi o Curso Gregório Mendel, situado na Rua Floriano Peixoto, criado um pouco antes do CIPAM. Tinha esse nome porque o proprietário, Hildemar Andrade, médico e professor de Biologia, quis prestar uma homenagem ao cientista austríaco Gregor Johann Mendel, botânico e geneticista, autor das famosas “Leis de Mendel”.   

Apesar  de ser o cientista conhecido de boa parte dos estudantes por frequentar regularmente os livros de Biologia, certa vez, uma aluna, veterana de muitos vestibulares, veio se matricular e mostrou total desconhecimento sobre Gregório Mendel. Adentrando a sala do diretor, a quem pretendia pedir um abatimento nas mensalidades, a moça perguntou pressurosa: o senhor é que é o seo Gregório Mendes? 

Das demandas dos professores por melhores salários iam surgindo novos cursos:  em 1973, o professor Bené, se desentendeu com Maurílio do CIPAM e fundou o Curso Equipe, levando muitos companheiros para o novo estabelecimento de ensino. Hélio Pinho se indispôs com o Equipe e fundou o Curso SKEMA, em 1975. O Greck, um paulista que ensinava Química, brigou no Skema e fundou o Curso Positivo, mais tarde Colégio Evolutivo, em 1979.

Naquela época, para se começar um cursinho bastava uma boa briga com o patrão, uma rodada de cerveja com os colegas professores e um anúncio na TV, dando o endereço. No anúncio, o nome dos mais famosos, os cobrões. Não havia zebra: no dia seguinte era só começar as matrículas.   

Extraído do livro Sábado, estação de viver
De Juarez Leitão 
fotos Arquivo Nirez

3 comentários:

Anônimo disse...

De meu tempo,ouvi falar do Skema. Tinha até umaapostila deles. O EVOLUTIVO,penso eu,tem um erro. Ou eu devo está errada: Existia o GEO STUDIO que só ensinava português e depois foi comprado pelo Evolutivo ou não ? kleber OR.

Anônimo disse...

O cursinho Geo Studio não foi o originário do Evolutivo ?

Anônimo disse...

Alguém tem foto(os)da década de 70 do antigo colégio skema da av.do Imperador com rua Pedro Pereira, onde hoje se situa o cólegio Sistema, mas só vale foto do mesmo na referida década. Por favor enviar para o seguinte email: samucaMS58@gmail.com Muito obrigado.