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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Conjunto Palmeiras

Ao contrário dos bairros que surgiram da formação de grandes conjuntos habitacionais, o Conjunto Palmeira nasceu da indignação e do espírito de luta por mudança de vida de algumas pessoas. 

 
Duas vias de Fortaleza que foram afetadas pela construção da Avenida Leste-Oeste na primeira metade dos anos 70: o final da Rua General Sampaio e a Rua Franco Rabelo, que sumiu totalmente. Os moradores foram todos removidos.

A história do lugar começa no início dos anos 70, quando da construção da Avenida Presidente Castelo Branco, conhecida popularmente como Avenida Leste-Oeste, com o objetivo de ligar a zona industrial da Avenida Francisco Sá ao Porto do Mucuripe. Para tanto, era preciso "desocupar" aquela faixa de litoral, densamente povoada, e ocupada por população de baixa renda.
 
Ao mesmo tempo em que facilitou o acesso ao litoral oeste da cidade, e propiciou a abertura de vias secundárias e perpendiculares, a obra provocou mudanças de grande impacto social, com a transferência de moradores das favelas conhecidas como Cinzas, Moura Brasil, Oitão Preto, Braga Torres e Soares Moreno

inauguração da Avenida Leste-Oeste em 1974
 
Parte da zona de meretrício que ocupava essa região foi transferida para o farol do Mucuripe, conhecida zona de prostituição criada alguns anos antes, por ocasião da retirada de moradores para construção da Avenida Beira-Mar. As mulheres foram recebidas com reservas e desconfiança pelas prostitutas que já habitavam o local.  

Mas a  maior parte dos moradores, juntamente com outros residentes em  ocupações irregulares existentes em Fortaleza, foram transferidos para áreas periféricas, como o Conjunto RondonVicente Pinzon, bairro Jurema em Caucaia, e uma área então pertencente ao território administrativo do Jangarussu, hoje conhecida por Conjunto Palmeiras. 

Na época o processo de remoção dos moradores, chamado de "desfavelização", foi considerado pela administração municipal como a maneira mais eficaz de sanear diferentes problemas, através da eliminação da zona de baixo meretrício e de pontos de concentração de marginais.

Quando esses moradores chegaram ao Conjunto Palmeiras, em 1973,  se deram conta de que não haviam casas nem a mínima infraestrutura básica. O que havia era um brejo no meio do nada, com muito mato ao redor. A "Terra Prometida" pela Prefeitura de Fortaleza, não passava de um lugar inóspito, distante do centro, desprovido de beneficiamentos e de equipamentos públicos, sem energia elétrica, sem água, sem transportes ou vias de acesso.  

Eles foram transportados em caçambas e despejados no local, onde só havia mato e lama. Os novos moradores foram acomodados em barracas de lona e em barracos de madeira, onde se amontoavam seis famílias em cada barraco. Na mesma época, em um terreno próximo, surgia o aterro sanitário do Jangurussu. Do lixão, muitos moradores do Conjunto Palmeiras passaram a sobreviver, condição que permaneceu por vários anos. 

Mas aquela gente não iria se conformar com a situação de miséria em que vivia. Ainda na década de 1970, depois de muita pressão sobre o poder público, vieram as primeiras conquistas. A primeira delas foi a demarcação da área em lotes – que foram vendidos às famílias – e o fornecimento de material para a construção de um cômodo. Em seguida, a comunidade passou a contar com uma escola de ensino fundamental e um posto de saúde, inaugurados em 1978. 

Sede da Associação de Moradores 

Depois veio a luta por transportes, havia apenas um ônibus da Viação Cruzeiro, que levava os moradores do bairro pela manhã para o centro e os trazia a noite. Para que a região prosperasse, entendeu-se que era necessário mobilizar as pessoas em torno de um ideal comum, em ação integrada. Foi então que, em 1981, nasceu a Associação dos Moradores do Conjunto Palmeiras (Asmoconp), agremiação que teve – e ainda tem – papel decisivo na melhoria de vida daquela população.

Rua do Conjunto Palmeiras

A eletricidade só foi instalada por conta da artimanhas  dos moradores, quando os integrantes da Associação dos Moradores tiveram a ideia de largar o Superintendente da COELCE  dentro do conjunto, às 9 horas da noite, que desesperado por não encontrar o caminho, e desnorteado devido a falta de iluminação, caiu num buraco e foi resgatado pela população. Com pouco mais de um mês depois do episódio, a rede de eletricidade foi instalada. 

E assim se construiu o Conjunto Palmeiras. Para quem visita o bairro hoje, é difícil acreditar que um dia tenha sido tão diferente. Mais ainda, que a transformação do local tenha sido feita pelos próprios moradores, quase sem nenhum aporte do poder público. Foram os moradores que ergueram o bairro, com os poucos recursos que tinham, em regime de mutirões. Eles construíram as casas, as ruas, a creche comunitária, o centro de nutrição e o sistema de drenagem, como alguns dos exemplos.

Na década de 1980, a maternidade mais próxima do Conjunto Palmeiras ficava a 15 quilômetros de distância. Não havia linhas de ônibus no local, e ninguém possuía carro. As mulheres que estavam prestes a conceber passavam por momentos de aflição. Daí surgiu a ideia de criar a Casa de Parto Comunitária. A iniciativa facilitou bastante a vida das moradoras, durante vários anos, onde uma ajudava no parto da outra. No final da década de 1990, a Prefeitura de Fortaleza desativou o estabelecimento, alegando falta de higiene no local. 

Outra iniciativa popular que resultou em grande benefício ao Conjunto Palmeiras foi a criação do Centro de Nutrição. A escassez de recursos serviu para estimular a criatividade das mulheres da comunidade, que começaram a preparar pratos alternativos a partir de cascas de alimentos. O Centro foi um grande aliado no combate à desnutrição infantil, e permanece em funcionamento até hoje.

Banco Palmas 

Em 1998, mais uma ação relevante da Associação dos Moradores do Conjunto Palmeiras: a criação do Banco Palmas, uma rede de solidariedade entre produtores e consumidores. A ideia é implantar programas e projetos de trabalho e geração de renda, com a utilização de sistemas econômicos solidários visando a superação da pobreza urbana local. 

O Banco começou com 10 clientes a partir de um empréstimo de R$ 2.000,00, e foi se expandindo tanto no número de clientes quanto nos valores em circulação. A paridade da moeda Palma é vinculada ao Real (1 Palma= Real), o que facilita a conversão.
  

Em 2007, a Câmara Municipal de Fortaleza reconheceu, por meio de um decreto legislativo do vereador Guilherme Sampaio, o Conjunto Palmeiras como bairro, após ficar quase 30 anos como parte do Jangurussu. A iniciativa serviu para honrar o esforço daquelas pessoas, que tanto lutaram por melhores condições de vida. Por outro lado, criou um problema, na visão do coordenador do Banco Palmas. “A delimitação territorial não condiz com a área real, e isso tirou um pouco da identidade do bairro”, comenta Joaquim Melo. 

Além disso, segundo ele, os indicadores sociais apresentam números distorcidos, considerando a comunidade mais pobre e violenta do que realmente é, por abranger uma área três vezes maior do que o seu tamanho anterior.

Avenida Valparaíso, a principal via do bairro

População: 36.599 habitantes em 9.113 domicílios (IBGE-Censo 2010).  O Conjunto Palmeiras não aparece como bairro no mapa oficial da Prefeitura de Fortaleza, nem na delimitação dos bairros feita pelo IBGE.

Pesquisa:
http://hotsite.diariodonordeste.com.br/aniversariodefortaleza/noticia/conjunto-palmeiras-um-bairro-construido-pelos-proprios-moradores/

Contextualização: Análise do Processo de Formação  do Bairro Conjunto Palmeiras, em menção aos Agentes Produtores de Espaço.Marília Natacha de Freitas Silva
Simone Fernandes Soares

http://www.cidadessustentaveis.org.br/boas-praticas/banco-palmas

Desenvolvimento Urbano e Segregação Sócio-Espacial:Um Estudo da Avenida Leste-Oeste em Fortaleza – Ce
Carlos Henrique Lopes Pinheiro

fotos do arquivo Nirez, O Povo, Diário do Nordeste e Google Street view

sábado, 28 de dezembro de 2013

Rua Boris, antiga Travessa da Praia



A antiga travessa da Praia – atual Rua Boris – perpendicular à rua da Praia (Avenida Pessoa Anta), na Praia de Iracema, foi chamada durante muito tempo,  de Ladeira do Solon, por residir na mesma, no prédio que vemos mais ao fundo na foto mais antiga, num chalé com portas arqueadas, o coronel Solon, que possuía uma plantação de videiras e lá residiu por 21 anos.



Na velha foto, do Álbum de Vistas do Ceará de 1908, vemos, na esquina, uma casa tipo beira-e-bica, seguida da Casa Boris, fundada em 1869, tendo como razão social a firma "Theodore Boris & Irmão" constituída de Alphonse Boris e Theodore Boris, o primeiro chegado em 1865, de navio e o segundo pelo interior em 1867. Em 1870 a firma passou a denominar-se "Boris Frères", com a administração dos sócios Achiles Boris, Adrien Boris e Isaie Boris, tendo como sede a cidade de Paris.

Em 1878 Isaie veio morar no Ceará, chegando a vice-cônsul Francês. Quando se foi, em seu lugar ficou Achiles. Graças à firma Boris Frères é que hoje temos a oportunidade de conhecer Fortaleza no início deste século, através de mais de cento e sessenta fotografias editadas em dois álbuns em 1908 sob o título de Vistas do Ceará – 1908 impresso em Nancy, França



Na foto atual,  já não existe o calçamento, mas o asfalto; as calçadas continuam irregulares tanto na largura como na altura, embora hoje existam o meio-fio e um código de obras e posturas que determina a regularidade tanto na altura como na largura; a casa de beira-e-bica foi reformada; a casa do coronel Solon desapareceu com a construção da avenida Leste-Oeste; novas construções surgiram prosseguindo a rua; postes de concreto levam a luz e a força através dos fios; somente o prédio onde funcionou a Casa Boris resistiu ao tempo.

foto antiga do Álbum de Vistas do Ceará, de 1908
foto atual de Google
fonte: NIREZ 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O antigo Bairro da Prainha

Vista do Porto de Fortaleza a partir da torre da Igreja da Conceição da Prainha (foto MIS)

Na outrora pacata capital do Ceará, se desfrutava de tranquilidade nos bairros, onde conviviam pacificamente famílias abastadas e carentes. As Cambirimbas e a Tijubana eram aglomerados da classe pobre, existentes respectivamente ao lado das espaçosas residências do velho Alagadiço e de Jacarecanga. A Cachorra Magra se agregava ao Benfica, bairro descoberto pelas famílias ricas da cidade. E, ao então simplório bairro do Outeiro, trecho de Fortaleza situado a Leste do riacho Pajeú, alcançado por caminhos diversos como o Corredor do Bispo (atual Rua Rufino de Alencar), o Beco do Pocinho e o início da futura Rua Pinto Madeira, se agregava a Prainha, alcançada também pela antiga Rua da Praia (atual Pessoa Anta) e habitada por pessoas de posses.

Inauguração de trecho da Avenida Leste Oeste em 1974. A inauguração da avenida determinou o desaparecimento da Rua Franco Rabelo

O bairro da Prainha compreendia não somente a parte  que fica abaixo da colina onde nossa cidade se assenta, mas se estendia à porção de cima, que dava frente para o areal hoje correspondente à Praça Cristo Redentor e ao início da Rua do Seminário, atualmente Avenida Monsenhor Tabosa.




A ladeira da Prainha em dois tempos, na primeira foto ainda existia a casa com a torre vigia onde morou o Mister Hull e na segunda foto, com o imóvel já demolido.

A Casa Boris, aqui estabelecida no século XIX e de grande importância social e econômica para a então provinciana cidade de Fortaleza 

Em sua parte mais elevada, na esquina noroeste da Rua Boris, hoje reduzida em sua extensão em decorrência da demolição da face norte da desaparecida Rua Franco Rabelo, e a atual Avenida Castelo Branco,  chamada popularmente de Leste Oeste, existia um velho solar pertencente ao coronel Solon da Costa e Silva, proprietário da Empresa Ferro-Carril – que explorava o serviço de bondes de tração animal, sucedida em 1914 pela Ceará Light concessionária do serviço de bondes elétricos.  O prédio foi demolido para o alargamento da Avenida Leste Oeste.

Neste local, onde havia inúmeros imóveis, está hoje o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura

Neste prédio, onde funcionou até uma repartição do Estado, foi demolido e, no local, está a rampa de acesso ao centro Dragão do Mar. 

Ao lado do belo prédio em que se abriga a Biblioteca Pública, havia a casa n° 317 da desaparecida Rua Franco Rabelo, no início da avenida leste Oeste. Foi o primeiro bangalô construído em Fortaleza, iniciativa de Manuel Pio. Vizinho a esse prédio, existia outro na esquina com a atual Rua Almirante Jaceguai , que integra a Ladeira da Prainha, onde os bondes estacavam pela impossibilidade de subi-la. Nele residiu José Pio, irmão do proprietário do bangalô vizinho, e sua estampa consta do Álbum de Vistas do Ceará, editado em 1908. Depois foi residência de Francis Hull, cônsul inglês em nossa terra e gerente da Ceará Light, e autor de estudos sobre a problemática das secas. Também esse imóvel foi demolido e o terreno correspondente serve de estacionamento de automóveis ou atividade similar.


Olhando em diagonal, para a Praça Cristo Redentor e de frente para a Igreja da Conceição da Prainha, localiza-se o prédio outrora residência do Barão de São Leonardo, que correspondia aos n°s 5, 15 e 23 da Avenida Monsenhor Tabosa, antiga Rua do Seminário.
Vizinha a casa do barão, situava-se outra que hoje tem o número 39, onde residia no início do século passado grande poeta cearense que batizou rua da cidade, e foi preterido por um vereador qualquer, que renomeou a rua com o nome do pai, dono de um posto de gasolina ali situado. José Albano, poeta dos maiores, membro da família chefiada pelo Barão de Aratanha, morava na Prainha. Costumava descer a ladeira do bonde para banhar-se nas ondas que quebravam nas areia da então Praia do Peixe.


antiga Rua do Seminário, hoje Avenida Monsenhor Tabosa

No primeiro quarteirão, face sul da Avenida Monsenhor Tabosa, foi construído o prédio do Seminário Diocesano, e completando a quadra, com oitão para a Praça cristo Redentor, foi levantada a Igreja da Conceição.
Com referência à praça, antes de 1915, sua face oeste praticamente não existia, ocupada por casebres, motivo pelo qual foi fácil levantar o suntuoso prédio do Círculo Operário São José, uma das primeiras iniciativas do 3° bispo do Ceará, Dom Manuel da Silva Gomes. No centro da praça foi erguida, em 1922, uma coluna com a imagem do Cristo Redentor no seu topo, abençoando a cidade.  



Essa coluna foi construída em comemoração ao centenário da independência do Brasil, por inspiração de Raimundo Frota, grande benfeitor do Círculo Operário, tendo sido inaugurada em 7 de setembro de 1922. Enquanto os foguetes subiam ao céu, os quatro novos sinos da Igreja da Prainha badalavam, dentre os quais o Centenário. Na ocasião pôs-se em funcionamento o relógio de quatro faces, depois retirado por inativo, em consequência da oscilação da coluna, e vendido à Igreja dos Remédios, no Benfica. A coluna teve seus dias de glória, quando em dias especiais, Dom Manuel celebrava na capelinha que lhe servia de base, enquanto a imagem era iluminada à noite, até que, durante a 2ª  Guerra Mundial, as autoridades impuseram a retirada da iluminação por questões de segurança. Aos domingos e dias festivos era franqueada a subida até o topo da coluna, através de uma escada interna em espiral, de onde se descortinava todo o belo panorama da cidade e do mar.

fotos do Arquivo Nirez
Extraído do livro
História Abreviada de Fortaleza e crônicas  sobre a cidade amada,
de Mozart Soriano Aderaldo           

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O Governo Vicente Fialho e a construção das Avenidas

As Avenidas Aguanambi, Borges de Melo  e  José Bastos são algumas das grandes vias da Fortaleza atual que nasceram na gestão de Vicente Fialho. Prefeito de Fortaleza entre 1971 e 1975, Vicente Fialho teve sua gestão marcada pela abertura de vias importantes para a Capital. 



Liga a Avenida Dom Manuel à Avenida Borges de Melo. Sua construção foi iniciada em 2 de junho de 1971, e  inaugurada um ano depois, em 1° de junho de 1972.  

Na lista de avenidas construídas durante seu mandato estão a Aguanhambi, e a Borges de Melo, em 1972, a Presidente Castelo Branco (Leste Oeste) em 1973, a Zezé Diogo, o Quarto Anel Viário e a  José Bastos, em 1975.

Engenheiro especializado na área de transportes, Fialho assumiu a gestão municipal em uma época em que os problemas neste setor saltavam aos olhos. 
Não havia, por exemplo, uma avenida que ligasse o Porto do Mucuripe à região industrializada da cidade, na Barra do Ceará.  Na política, o tempo era de ditadura militar e Fialho chegara ao governo municipal por indicação do coronel César Cals, então governador do Ceará.

A Praça do Ferreira, inicio dos anos 1970. Os famosos caixotes que descaracterizaram e enfeiaram o coração de Fortaleza, foi herança do antecessor, José Walter Cavalcante. 

Como diretriz  para as intervenções que precisavam ser feitas, o ex-prefeito teve em mãos um Plano Diretor concebido ainda na gestão do general Cordeiro Neto, que comandou o município entre 1959 e 1963. A peça indicava soluções para o sistema viário básico e foi usada por Fialho para planejar as ações de sua gestão.

Avenida Leste Oeste, em meados da década de 1970. Ainda não havia o Hotel Marina

Construindo uma  via para ligar a região do Porto do Mucuripe à Barra do Ceará, por exemplo, resolvia-se mais que a necessidade de ligar o porto às indústrias, mas também se facilitava o acesso ao bairro do Pirambu, cujo grau de violência urbana crescia em função da pouca acessibilidade para a região.


A Avenida Leste Oeste mede em toda sua extensão, 3.500 metros. Tem inicio na confrontação da Avenida Dom Manuel e estende-se até a Barra do Ceará. 

Com essa concepção nasceu a Avenida Presidente Castelo Branco, a famosa Avenida Leste-Oeste.  A urbanização da região pôs fim, inclusive, a famosa zona de prostituição que funcionava naquela área. O detalhe é que a Prefeitura pagou às madames pela liberdade das moças.

Para resolver o eterno congestionamento  da Avenida João Pessoa, a solução foi abrir outra via de fluxo entre os bairros da região sul de Fortaleza a bairros como Centro e zona Leste.  A partir daí a gestão de Fialho executou as obras de construção da Avenida José Bastos, com três faixas em cada mão. 

Avenida José Bastos, abrangendo da Carapinima até a Osório de Paiva; passando pela Rua Augusto dos Anjos é também a segunda etapa do 4° Anel Viário de Fortaleza. (arquivo Nirez)

A maioria dos recursos empregados, nestas e em outras avenidas, foram oriundos de financiamento com o Governo Federal através do recém-criado Fundo Nacional de Desenvolvimento Urbano.


Vicente Cavalcante Fialho nasceu em Tauá, veio para Fortaleza aos 13 anos de idade, formou-se em engenharia pela Universidade Federal do Ceará e, a partir desse momento, teve uma vida pública agitada.

Antes de ser prefeito de Fortaleza, foi prefeito de São Luís do Maranhão indicado pelo então governador José Sarney; depois foi ministro das Minas e Energia entre 1989 e 1990; e deputado federal pelo Ceará, de 1991 a 1995.

Fontes:
Jornal O Povo
Wikipédia

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Bairros de Fortaleza: Pirambu


A área original do que era Pirambu foi dividida em pequenos bairros pela Prefeitura de Fortaleza: Tirol, Nossa Senhora das Graças, Quatro Varas e Cristo Redentor . Como ninguém consegue definir onde termina um e começa o outro, para efeito desse post, consideramos o Pirambu como a área que fica entre a os Bairro Moura Brasil e o Cristo Redentor, limitada pela Avenida Leste-Oeste e o Oceano.  
   
O bairro é cortado por uma das principais avenidas de Fortaleza, a Leste-Oeste

O Pirambu está localizado no litoral oeste de Fortaleza. Sua origem remonta ao final do Séc. XIX,  quando a capital recebeu levas de flagelados que fugiam das secas que assolavam o interior do estado. 

A população indigente foi se alojando em barracos,  em terrenos próximos à ferrovia, às indústrias, à zona de praia, e às margens dos rios, áreas desprezadas pelos grupos sociais de maior poder aquisitivo. 

 As ruas sem alinhamento denunciam o caráter informal/ilegal da ocupação da área

 o desnível do terreno é um indício de que em tempos passados esta pode ter sido uma área 
de dunas


Apesar de pequenos, esses aglomerados começaram a se tornar visíveis a partir da década de 1930, quando começaram a ser apontados como locais de extrema pobreza, moradias precárias, alta insalubridade e altos índices de violência.

Em meados da década de 1940 os dois bairros mais pobres eram o Arraial Moura Brasil, na parte baixa da cidade, localizado entre a linha férrea e a região de praia, e o Pirambu localizado na praia a noroeste do centro. 

 o emaranhado de fios de alta tensão transmitem uma impressão de precariedade e risco à segurança dos moradores

com vistas para o mar 

O Pirambu era considerado um prolongamento do Arraial Moura Brasil, tanto na base territorial quanto no sofrimento do povo.  Mas o Pirambu foi à luta. Desde 1948 possuía uma sociedade feminina constituída para lutar contra a ameaça de expulsão dos moradores do bairro e a favor de melhorias urbanas. A maioria dos moradores não pagava aluguel, porque seus casebres estavam em terrenos de marinha

O ônibus que fazia a linha do bairro tinha o seu ponto final na Rua Braga Torres, logo depois de passar pelo Moura Brasil. Ali começava o Pirambu. Na continuação dessa rua ficava um trecho muito habitado, dos dois lados, formando uma longa rua. 
Num riacho situado entre o Pirambu e o Moura Brasil havia uma ponte estreita, chamada de pinguela, que só dava passagem a uma pessoa de cada vez e no inverno o povo tinha que caminhar dentro d’água. 


A Sociedade Feminina do bairro solicitava o calçamento das ruas, reivindicava remédios, empregos e alimentos. Nas décadas de 1940/50, O Pirambu ainda era um subúrbio, onde se misturavam casebres e palhoças ocupadas por operários, pescadores, lavadeiras, e empregados domésticos. 

Em uma carta ao Jornal o Povo, um leitor faz um comentário sobre o Pirambu: “estão sendo construídos casebres, e mais casebres em propriedade privada, sem plano, sem licença, sem nenhuma norma legal... até casas edificadas no espaço reservado às ruas... criando sério e insolúvel problema para a higiene e estéticas locais, com uma favela a mais e uma praia a menos...”  


A situação no bairro só começou a melhorar com a construção da Avenida Leste-Oeste na década de 1970 e a implantação do saneamento básico nos anos 90, gerando perspectivas de melhorias para seus moradores. 

 Fortaleza dos contrastes: uma das áreas mais pobres da capital  emoldurada pelo metro quadrado mais caro da cidade: o Meireles

lixão na beira do mar

Mas o desenvolvimento local, não foi do tamanho esperado pela população: O Pirambu é o bairro mais populoso de Fortaleza e apresenta maior densidade populacional do Brasil, com 40 mil habitantes por km2. 

A comunidade tem baixos indicadores sociais, com um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de apenas 0,391, classificando-se entre os 10 piores da Capital cearense.


A área que cresceu muito nos últimos anos, é ainda conhecida por ser uma das mais perigosas; a falta de moradia e o desemprego são, ainda, graves problemas sociais.E conta com famílias que ocupam a faixa de praia, onde estão expostas a riscos como avanço da maré, deslizamentos de encostas, insalubridade, doenças e total insegurança.

Vários projetos, associações e ONG's atuam na área do Pirambu, na busca de melhorar a qualidade de vida dos moradores, equacionar problemas estruturais e dessa forma, mudar a história do bairro, contada por anos e anos de pobreza, preconceito e exclusão social.  


fotos: Raquel Vianna
(fevereiro de 2011)
fontes:
Jucá. Gisafran Nazareno Mota. Verso e Reverso do Perfil Urbano de Fortaleza (1945-1960). São Paulo: Annablume; Fortaleza: SECULT, 2000
Costa, MCL. Fortaleza: expansão urbana e organização do espaço. In_____Silva, José Borzacchielo da; Cavalcante, Tércia C; Dantas, Eustógio W.C (org). Ceará: um novo olhar geográfico. Fortaleza: Demócrito Rocha, 2005. 
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