A área original do que era Pirambu foi dividida em pequenos bairros pela Prefeitura de Fortaleza: Tirol, Nossa Senhora das Graças, Quatro Varas e Cristo Redentor . Como ninguém consegue definir onde termina um e começa o outro, para efeito desse post, consideramos o Pirambu como a área que fica entre a os Bairro Moura Brasil e o Cristo Redentor, limitada pela Avenida Leste-Oeste e o Oceano.
O bairro é cortado por uma das principais avenidas de Fortaleza, a Leste-Oeste
O Pirambu está localizado no litoral oeste de Fortaleza. Sua origem remonta ao final do Séc. XIX, quando a capital recebeu levas de flagelados que fugiam das secas que assolavam o interior do estado.
A população indigente foi se alojando em barracos, em terrenos próximos à ferrovia, às indústrias, à zona de praia, e às margens dos rios, áreas desprezadas pelos grupos sociais de maior poder aquisitivo.
As ruas sem alinhamento denunciam o caráter informal/ilegal da ocupação da área
o desnível do terreno é um indício de que em tempos passados esta pode ter sido uma área
de dunas
Apesar de pequenos, esses aglomerados começaram a se tornar visíveis a partir da década de 1930, quando começaram a ser apontados como locais de extrema pobreza, moradias precárias, alta insalubridade e altos índices de violência.
Em meados da década de 1940 os dois bairros mais pobres eram o Arraial Moura Brasil, na parte baixa da cidade, localizado entre a linha férrea e a região de praia, e o Pirambu localizado na praia a noroeste do centro.
o emaranhado de fios de alta tensão transmitem uma impressão de precariedade e risco à segurança dos moradores
com vistas para o mar
O Pirambu era considerado um prolongamento do Arraial Moura Brasil, tanto na base territorial quanto no sofrimento do povo. Mas o Pirambu foi à luta. Desde 1948 possuía uma sociedade feminina constituída para lutar contra a ameaça de expulsão dos moradores do bairro e a favor de melhorias urbanas. A maioria dos moradores não pagava aluguel, porque seus casebres estavam em terrenos de marinha.
O ônibus que fazia a linha do bairro tinha o seu ponto final na Rua Braga Torres, logo depois de passar pelo Moura Brasil. Ali começava o Pirambu. Na continuação dessa rua ficava um trecho muito habitado, dos dois lados, formando uma longa rua.
Num riacho situado entre o Pirambu e o Moura Brasil havia uma ponte estreita, chamada de pinguela, que só dava passagem a uma pessoa de cada vez e no inverno o povo tinha que caminhar dentro d’água.
A Sociedade Feminina do bairro solicitava o calçamento das ruas, reivindicava remédios, empregos e alimentos. Nas décadas de 1940/50, O Pirambu ainda era um subúrbio, onde se misturavam casebres e palhoças ocupadas por operários, pescadores, lavadeiras, e empregados domésticos.
Em uma carta ao Jornal o Povo, um leitor faz um comentário sobre o Pirambu: “estão sendo construídos casebres, e mais casebres em propriedade privada, sem plano, sem licença, sem nenhuma norma legal... até casas edificadas no espaço reservado às ruas... criando sério e insolúvel problema para a higiene e estéticas locais, com uma favela a mais e uma praia a menos...”
A situação no bairro só começou a melhorar com a construção da Avenida Leste-Oeste na década de 1970 e a implantação do saneamento básico nos anos 90, gerando perspectivas de melhorias para seus moradores.
Fortaleza dos contrastes: uma das áreas mais pobres da capital emoldurada pelo metro quadrado mais caro da cidade: o Meireles
lixão na beira do mar
Mas o desenvolvimento local, não foi do tamanho esperado pela população: O Pirambu é o bairro mais populoso de Fortaleza e apresenta maior densidade populacional do Brasil, com 40 mil habitantes por km2.
A comunidade tem baixos indicadores sociais, com um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de apenas 0,391, classificando-se entre os 10 piores da Capital cearense.
A área que cresceu muito nos últimos anos, é ainda conhecida por ser uma das mais perigosas; a falta de moradia e o desemprego são, ainda, graves problemas sociais.E conta com famílias que ocupam a faixa de praia, onde estão expostas a riscos como avanço da maré, deslizamentos de encostas, insalubridade, doenças e total insegurança.
Vários projetos, associações e ONG's atuam na área do Pirambu, na busca de melhorar a qualidade de vida dos moradores, equacionar problemas estruturais e dessa forma, mudar a história do bairro, contada por anos e anos de pobreza, preconceito e exclusão social.
fotos: Raquel Vianna
(fevereiro de 2011)
fontes:
Jucá. Gisafran Nazareno Mota. Verso e Reverso do Perfil Urbano de Fortaleza (1945-1960). São Paulo: Annablume; Fortaleza: SECULT, 2000
Costa, MCL. Fortaleza: expansão urbana e organização do espaço. In_____Silva, José Borzacchielo da; Cavalcante, Tércia C; Dantas, Eustógio W.C (org). Ceará: um novo olhar geográfico. Fortaleza: Demócrito Rocha, 2005.
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