segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Bairro Vila Velha

 O bairro Vila Velha tem suas origens ligadas aos primeiros processos de ocupação da região às margens do rio Ceará, ainda no período colonial, quando ali foi instalada, no início do século XVII, uma das primeiras povoações da capitania, com o Fortim de São Tiago da Nova Lisboa. Por longo tempo toda a região era conhecida por Barra do Ceará. O bairro Vila Velha só foi criado oficialmente em 1961, localizado na margem do Rio Ceará, zona Oeste de Fortaleza.


No início havia pouquíssimas casas, e o restante da área era ocupada por salinas. A ocupação começou de fato a partir da década de 1970 quando centenas de casas populares foram construídas em regime de mutirão pelos próprios moradores, às margens do estuário do Rio Ceará.

Sem planejamento estatal prévio na época, o bairro começou a crescer de forma desordenada com a ocupação ilegal de áreas que deveriam ser de preservação, com a construção de barracos em áreas alagadas, ao redor dos conjuntos habitacionais organizados por moradores e loteamentos informais. Alguns dos habitacionais dessa época são o Nova Assunção, Beira Rio e Bancários. 


A Igreja de Nossa Senhora da Assunção foi construída em regime de mutirão na década de 1980

Os conjuntos habitacionais governamentais chegaram a partir de 1991, cumprindo a tradição de ocupar áreas distantes onde os terrenos são mais baratos. Foram construídos e entregues entre 1992 e 1993, os residenciais Vila Velha I e II, com recursos da COHAB-CE, em parceria com a Prefeitura de Fortaleza e financiamento da Caixa Econômica Federal. Depois foram erguidos o Vila Velha III e IV, este último concluído em 2002.

De acordo com o IBGE, em 1991 o bairro possuía uma população de 35.737 habitantes, já em 2000 contava com 49.468 habitantes, obtendo assim uma taxa de crescimento anual de 3,68%. Em 2022 a população já contava com 52.881 habitantes. O bairro figura entre os mais populosos da capital, ocupando a 7ª colocação geral no ranking municipal.

 

Em 2024, após anos de espera, a prefeitura legitimou a posse das casas construídas sob o regime de mutirão, concedendo registros dos imóveis aos seus proprietários originais.   

O Vila Velha limita-se com os bairros Barra do Ceará, Jardim Iracema, Jardim Guanabara e Quintino Cunha.

  

Fontes:

https://fortalezaembairros.fortaleza.ce.gov.br/bairro/vila-velha

https://www.facebook.com/BairroVilaVelha/photos/

Jornal Diário do Nordeste 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Frei Tito

 

Tito de Alencar Lima nasceu em Fortaleza no dia 14 de setembro de 1945, filho de Ildefonso Rodrigues de Lima e Laura de Alencar Lima. Foi o último dos onze filhos do casal, que já estavam com idade avançada quando ele nasceu, e cresceu entre o afeto, e os cuidados das irmãs mais velhas.

Começou a mostrar interesse pela política a partir dos 12 anos de idade, participando da Juventude Estudantil Católica (JEC), movimento de Ação Católica voltado para estudantes secundaristas, que unia a fé cristã ao compromisso social e à transformação política, influenciado por uma de suas irmãs.

Entre 1961 e 1962, estudou no Liceu do Ceará, participando da União Cearense de Estudantes Secundaristas. Nessa época, também se tornou congregado mariano, atuando nas comunidades pobres de Fortaleza, atuando na favela do Dendê, em Fortaleza.

Casa onde nasceu em Fortaleza, à Rua Rodrigues Júnior, 364

Em 1963 assumiu a direção da JEC e foi morar no Recife. Em 1966, ingressou no noviciado dos dominicanos em Belo Horizonte, e sendo ordenado sacerdote em 1967. A vivência na JEC moldou a trajetória religiosa e militante de Tito, aproximando-o de pautas de direitos humanos e da resistência contra o regime militar instaurado em 1964.

Mudou-se para São Paulo para estudar Filosofia na Universidade de São Paulo (USP). Em outubro de 1968, foi preso por participar do 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna (SP). A reunião foi interrompida por uma operação policial, e Tito foi um dos 719 estudantes detidos. Fichado pela polícia, tornou-se alvo de perseguição pela repressão militar.

Preso em novembro de 1969, em São Paulo, acusado de oferecer infraestrutura a Carlos Marighella, político, escritor e guerrilheiro comunista, considerado um dos principais organizadores da luta armada contra a ditadura militar brasileira. Tito foi submetido à palmatória e choques elétricos, no Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Em fevereiro do ano seguinte, quando já se encontrava em mãos da Justiça Militar, foi retirado do Presídio Tiradentes e levado para a sede da Operação Bandeirantes (Oban).


Durante três dias, bateram sua cabeça na parede, queimaram sua pele com brasa de cigarros e deram-lhe choques por todo o corpo, em especial na boca, “para receber a hóstia”. As autoridades queriam que Tito denunciasse quem o ajudara a conseguir o sítio em Ibiúna para o congresso da UNE e assinasse depoimento atestando que dominicanos haviam participado de assaltos a bancos. Tito tentou o suicídio e foi socorrido a tempo no hospital militar, no bairro do Cambuci.

Na prisão, escreveu sobre a sua tortura. O documento correu pelo mundo e se transformou em símbolo da luta pelos direitos humanos. Em dezembro de 1970, incluído na lista de presos políticos trocados pelo embaixador suíço Giovanni Bucher, sequestrado pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Tito foi banido do Brasil pelo governo Médici e seguiu para o Chile. Sob a ameaça de novamente ser preso, fugiu para a Itália. De Roma, foi para Paris, onde recebeu apoio dos dominicanos. Traumatizado pela tortura, Frei Tito submeteu-se a um tratamento psiquiátrico. Nas ruas da capital francesa, ele “viu” o espectro de seus torturadores e cometeu suicídio.

No dia 10 de agosto de 1974, um morador dos arredores de Lyon encontrou o corpo de Frei Tito suspenso por uma corda pendurada em uma árvore. Foi enterrado no cemitério dominicano do Convento Sainte-Marie de La Tourette, em Éveux.


Convento dos Dominicanos, na França, onde Tito viveu seus últimos dias

Em 1983, o corpo de Frei Tito chegou ao Brasil. Cercado por bispos e um numeroso grupo de sacerdotes, Dom Paulo Evaristo Arns repudiou a tragédia da tortura em missa de corpo presente, acompanhada por mais de 4 mil pessoas. A atuação de Frei Tito, como padre dominicano, foi predominantemente de caráter político. 


Fontes: 

https://memoriasdaditadura.org.br/personagens/frei-tito-de-alencar-lima/

https://mpce.mp.br/pagina-personalizada/especial-80-anos-de-frei-tito/   

jornal O Povo - Fotos Internet

 

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Museu da Imagem e do Som

 

O museu foi criado em 1980, instalado inicialmente no subsolo da Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel, sendo parte do antigo Departamento de Patrimônio de Bibliografia. Depois de alguns anos, o Museu da Imagem e do Som passou a integrar o Departamento de Audiovisual, tendo seu acervo ampliado. O espaço recebeu novos equipamentos, documentos variados e material audiovisual, e uma coleção de filmes da TV Educativa.


Em agosto de 1996 o MIS foi transferido para a Avenida Barão de Studart, 410, na casa projetada pelo arquiteto José Barros Maia, para servir de residência ao Senador Fausto Augusto Borges Cabral, inaugurada em novembro de 1951. Anos mais tarde, a casa foi desapropriada pelo governo estadual.

O museu é um equipamento cultural, de caráter virtual e físico, sendo responsável pela preservação, pesquisa e difusão da memória audiovisual de todo o Estado do Ceará, com foco na cultura, na política, na antropologia, na história e nas tradições populares, produzidas de forma variada, seja dentro do próprio Estado ou fora dele.

Em 2022 o museu passou por uma grande reforma, obras de restauro e ampliação de suas instalações, denominado Museu da Imagem e do Som Chico Albuquerque. O velho casarão do início dos anos 1850, sede da instituição, agora é parte de um complexo, um prédio de cinco andares, dois deles subterrâneos, além de uma praça com telão,   

O casarão dos anos 1940, que abrigava a instituição, agora faz parte de um complexo. Um prédio de cinco andares (dois deles subterrâneos), uma praça com telão externo, que promete ser ponto de encontro do público. De olho no futuro, o MIS-CE reabre as portas com outra proposta de funcionamento.




Atualmente o Museu da Imagem e do Sim é um equipamento cultural da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult-CE), gerido administrativamente pelo Instituto Mirante de Cultura e Arte. Localizado na Av. Barão de Studart, 410, Meireles o Museu fica aberto de quinta a domingo, das 13h às 21h. A Entrada é gratuita.


Critérios para uso e permanência no espaço: o MIS é um espaço de convivência, de diálogo, de troca de saberes, aprendizado, reflexão, conhecimento, fruição artística e lazer. Para que todos se sintam à vontade na ida ao Museu, são disponibilizadas as seguintes orientações: para acessar as exposições, é necessário apresentar documento de identificação com foto; menores de 12 anos devem estar acompanhados de pais ou responsáveis; nos espaços expositivos e auditório, o consumo de alimentos e bebidas não é permitido; a área externa do Museu é aberta a todos os animais. Já nos espaços internos do Museu, podem circular apenas cães-guias acompanhados de seus donos; você pode fotografar tudo o que quiser no MIS; o uso de telefones celulares e rádios de comunicação é permitido em todo o Museu. Em respeito aos demais visitantes, recomendamos evitar falar ao telefone nos espaços expositivos e manter seu telefone no modo silencioso.


foto/videos Ricardo Garcia



terça-feira, 26 de maio de 2026

A Vila Soterrada de Tatajuba


A Vila de Tatajuba, localizada no município de Camocim, a cerca de 350 km de distância da Capital, visitada por centenas de pessoas todos os dias, destino turístico daquela parte do litoral oeste do Ceará, não é a vila original. Sob as areias quentes da antiga Vila, distante algumas centenas de metros da atual, estão as ruínas de dezenas de casas de pescadores e de moradores de uma comunidade tradicional que foi soterrada por dunas móveis, abundantes naquela região. O fenômeno ocorreu entre os anos 1970 e 1980.


Igreja de São Francisco, na Velha Tatajuba, durante o soterramento

A vila foi construída no início do século XX, numa área de dunas móveis que se movimentam naturalmente. Foi soterrada paulatinamente, porque foi construída numa área de dunas, caracterizada pelo deslocamento da areia, devido ao vento forte e constante e a ausência de vegetação.

Quando o processo de soterramento teve início, a então Vila de Tatajuba era um lugarejo em franco desenvolvimento, com igreja, escola, posto policial, posto de saúde e alguns comércios. Não se sabe ao certo o número de moradores atingidos, mas sabe-se que à época a vila tinha mais moradores do que a antiga Vila Serrote, atual Jericoacoara.





A igreja foi a primeira a sentir os efeitos da ação do vento. Diariamente os fiéis retiravam do seu interior, uma fina camada de areia que cobria a nave e o altar. Depois o processo foi se acelerando e todos os objetos foram sendo retirados, imagens, bancos, sino e outros objetos. Em seguida, a escola, o posto de saúde e dezenas de casas também desapareceram, em uma das ocorrências naturais naquela região do Ceará, a exemplo do já ocorrera com a Igreja de Almofala, no ano de 1898, situada no município de Itarema, litoral Oeste.


A Igreja da Conceição, na Praia de Almofala em Itarema, foi soterrada por uma duna e passou 40 anos sob a areia. Depois que o vento a desenterrou, foi restaurada e tombada pelo IPHAN 

Após a antiga vila desaparecer sob a areia, os moradores buscaram abrigo em comunidades vizinhas, formando o que hoje intitula-se como distrito de Tatajuba, reconhecido em 12 de novembro de 2025, por Lei Municipal 1716/2025. Em 1978, as últimas famílias abandonaram a velha Tatajuba e partiram em busca de áreas nas proximidades.  

Aquela região está inserida em uma Área de Proteção Ambiental (APA), determinada pela Lei Municipal Nº. 559/94 e que foi redefinida em abril deste ano. Marcada por dunas, lagoas e próxima ao mar, ela também faz parte da Rota das Emoções, famoso destino turístico que também inclui Jericoacoara e o Delta do Parnaíba. O território com mais de cinco mil hectares é composto por quatro vilas: Tatajuba, Baixa Tatajuba, Vila Nova e São Francisco.

O soterramento da vila de Tatajuba foi somente um capítulo dessa história. Após a ocorrência ambiental na década de 80, os moradores se depararam com outro problema. Em 2001, eles descobriram que o terreno onde estão as quatro vilas foi comprado por uma grande empresa de turismo e, na época, as terras não eram regularizadas.



Havia um projeto para construção de um condado ecológico para receber turistas, com resorts, piscinas e  com cinco campos de golfe. Isso significava que todas as pessoas que moravam nas quatro vilas, principalmente nas vilas mais próximas da praia, teriam que sair, ou seriam expulsas. Foi aí que a Associação dos Moradores entrou com dois processos na Justiça para interditar qualquer tipo de projeto de empresas e anular as matrículas.

A questão durou mais de 20 anos e ainda está em processo de resolução. O reconhecimento das terras ocorreu em setembro de 2023, quando o Instituto do Desenvolvimento Agrário do Ceará e a Defensoria Pública da União, fecharam acordo para que a maior parte da terra pleiteada fosse doada. Com isso, ficou sob a tutela do Estado o perímetro onde as comunidades vivem e trabalham. A propriedade, agora pertencente ao Estado, tem um total de 2.459.734 hectares.

Os moradores vivem da pesca e do turismo em grande escala, em razão dos atrativos naturais da paisagem e da proximidade com a Vila de Jericoacoara, um dos maiores destinos turísticos do Brasil. A atual Vila São Francisco foi construída em cima das ruínas da antiga Tatajuba.

Fonte G1 - Fotos G1, Diário do Nordeste e Fortaleza em Fotos

Publicação Fortaleza em Fotos


domingo, 12 de abril de 2026

Fortaleza 300 anos

 


Àquele tempo – oh, como eu conheço tão pouco tua história - - haveria já a praça que seria do Ferreira (teu coração palpitante), mas sem o boticário malicioso e enérgico, sentado à porta de sua farmácia, de dia “à sombra do frondoso cajueiro” e à noite – quem poderá dizer com certeza? – à luz da lua ou das estrelas, vá lá, contando casos ou ouvindo histórias que se passavam “naquelas ribeiras”, como é mesmo que diziam?  Vila e forte de Nossa Senhora da Assunção, como um marzão lindo botando pra bem longe os fantásticos brigues que jamais incomodaram os nossos avós que eram uma dureza, grandes na guerra e maiores ainda na paz... 

Extraído da Crônica “Fortaleza meu Amor” de Antônio Girão Barroso



A escolha do dia 13 de abril de 1726, como marco da criação da cidade de Fortaleza, foi decorrente de um projeto, apresentado e defendido pelo vereador Idalmir Feitosa, que foi transformado na lei Municipal n° 7535, de 16 de junho de 1994, que instituiu a data de 13 de abril como o Dia da Cidade.
A lei, aprovada pela Câmara Municipal entrou em vigor no ano seguinte e logo se incorporou ao calendário de eventos da cidade.

A data comemora o dia da instalação da Vila de Fortaleza de Nossa senhora da Assunção da Capitania do Siará Grande, ocorrida há 300 anos. Refere-se a data da emancipação política e administrativa do município, seu nascimento oficial. Lembra ainda a data da instalação da Câmara Municipal de Fortaleza e da assembleia diretiva dos destinos da Cidade.

Os Primeiros de Fortaleza 

Primeiro mapa – atribuído ao capitão mor Manuel Francês – 1726

Primeira Casa de Exportação e Importação – do irlandês William Wara – 1810

Instalação da Alfândega – 1812


Edifício da Alfândega

Instalação dos Correios – 1812

Primeiro Jornal – Diário do Governo do Ceará – 1824   

Primeira Farmácia – Farmácia Mamede – 1829

Farmácia Mamede
 
Primeiro teatro - Teatro da Concórdia – 1830

Primeiro colégio público – Liceu do Ceará – 1845 

Primeiro Farol – no Mucuripe – 1846

Primeiro trem – Estrada de Ferro Baturité – 1873

Primeiro espaço público urbanizado – Passeio Público – 1879

Primeiro Transporte Coletivo – Bondes de Burros – 1880

Primeiro telefone – na Casa Confúcio – 1883

Primeira Igreja Protestante – Igreja Presbiteriana de Fortaleza – 1883

Primeira foto da cidade – mostrando a região da Praia Formosa – 1892


ramal ferroviário trecho Praia Formosa 

Primeiro relógio público – na Intendência Municipal – final do Século XIX

Primeira Faculdade – Faculdade Livre de Direito do Ceará – 1903     

Primeiro Porto – Ponte Metálica – 1906  

Primeiro cinema – Cine Di Maio – 1908

Primeiro Automóvel – importado por Júlio Pinto e Meton de Alencar – 1909

Primeira concessionária de energia elétrica – Ceará Gaz Company Ltd– 1913


Usina Ceará Gaz no Passeio Público

Primeiro time de Futebol – Rio Branco Football Clube atual Ceará Sporting Clube – 1914

Primeiro edifício de Fortaleza – Excelsior Hotel – 1931

Primeira Estação de Rádio – Ceará Rádio Clube – 1934

Primeiro Canal de TV – TV Ceará Canal 2 – 1960

Primeiro Supermercado – Supermercado Sino da rua 24 de maio – 1960

Primeiro Shopping Center - Shopping Center Um – 1974

Primeira viagem do Metrô – Percurso Pacatuba/Parangaba – 2012