quinta-feira, 2 de abril de 2026

Bens Tombados pelo Patrimônio Histórico-Cultural-Arquitetônico

 

O tombamento é um ato administrativo de restrição de uso imposto pelo Poder Público (federal, estadual ou municipal) para proteger bens móveis ou imóveis com valor histórico, cultural, arquitetônico ou ambiental. Ele impede a destruição ou descaracterização, mas não altera a propriedade, permitindo venda ou aluguel, conforme definição do IPHAN. A seguir, alguns bens que foram objeto de tombamento nos níveis municipal, estadual e federal, localizados em Fortaleza. 

 


Solar dos Guimarães – Palácio do Bispo – Paço Municipal – Palácio João Brígido


O terreno já foi parte de uma sesmaria pertencente à Confraria de Nossa Senhora de Assunção em 1681, em terras localizadas entre o Rio Ceará e a Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Em data incerta, foi vendido para o comerciante português Antônio Francisco da Silva, ascendente da família Albano. Depois foi adquirido pela família Cruz Guimarães, outro poderoso clã da cidade. Em 1860, devido à proximidade com a catedral, o governo imperial comprou a propriedade por 60 mil réis para ser a sede do Bispado de Fortaleza.

Por mais de 100 anos serviu como morada episcopal, quando o conjunto arquitetônico passou por algumas reformas e novos blocos foram acrescentados.  Em 1973 foi vendido pelo arcebispo Dom José de Medeiros Delgado ao prefeito Vicente Fialho (1971/1975), para abrigar a sede da Prefeitura de Fortaleza. Para conseguir vender o casarão, Dom Delgado recorreu ao Vaticano, devido a falta de autorização local. Conseguido o apoio, foi passada a edificação, com área de mais de dois mil metros quadrados, incluindo o casarão e o bosque no entorno.  

O imóvel é denominado oficialmente de Palácio João Brígido, em homenagem ao político e jornalista João Brígido dos Santos (1829-1921). Fica na Rua São José, 1 – Centro. Tombamento Municipal de 2005.

Palacete Jeremias Arruda - Sede do Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará 


O prédio foi construído entre 1919 e 1920 para residência do comerciante Jeremias Arruda, projeto do arquiteto João Saboia Barbosa. Adquirido pela Prefeitura de Fortaleza, vários órgãos funcionaram no local, dentre os quais a Prefeitura de Fortaleza e o Ginásio Municipal Filgueiras Lima. Hoje é a sede do Instituto do Ceará. Fica na Rua Barão do Rio Branco, trecho Praça do Carmo. Tombamento Estadual em 2019.

Banco Frota Gentil


Inaugurado em 07 de fevereiro de 1925, na esquina das ruas Floriano Peixoto e Senador Alencar, construído por José Gentil Frota de Carvalho, e projeto do engenheiro João Saboia Barbosa. A edificação se insere no contexto do ecletismo arquitetônico, muito em voga na capital cearense durante as três primeiras décadas do século XX. Atualmente o prédio abriga uma agência do Banco Itaú. Tombamento Estadual em 1995. 



O Palacete foi concluído em 1907 para abrigar a família do coronel Antônio Frederico de Carvalho Motta, situado na antiga Rua da Cadeia, atual General Sampaio, inicialmente em terreno medindo cerca de 700 m².Possui estilo eclético, numa mistura de elementos neoclássicos e art nouveau. Reformado e ampliado por volta dos anos 1920, foram mantidos os seus traços gerais. Depois da ampliação a área construída passou para 1.344,20 m².

Apesar de ser objeto de tombamento pelo IPHAN desde 1983, o palacete está fechado e sem nenhum tipo de manutenção desde que o Museu das Secas, que funcionou no imóvel de 1985 a 2004, fechou as portas. Mas deixou no local a documentação que compunha o seu acervo, como documentos do projeto e construção do Açude do Cedro, a primeira grande obra hídrica do Brasil, presente do imperador Pedro II ao Ceará. O que se pode deduzir é que, como quase todos os tombamentos patrimoniais de Fortaleza, o Palacete Carvalho Motta é só mais um que está na fila do tombamento de fato, cujo processo, já se encontra bem adiantado.

Palácio Senador Alencar – Assembleia Provincial – Museu do Ceará 


A obra foi iniciada em 25 de outubro de 1856, com projeto de Adolfo Herbster, em estilo neoclássico, ficando determinado que o edifício abrigaria a Assembleia Provincial. A partir de 1865 os serviços de finalização ficaram a cargo do engenheiro Adolfo Herbster (até então estavam sob responsabilidade do engenheiro José Antônio Seifert). A obra foi finalmente entregue no dia 3 de março de 1871. O palácio da assembleia permaneceu sem uma denominação oficial até fins da década de 40, quando entrou em debate a escolha de um nome para o edifício. O nome do senador José Martiniano de Alencar, foi proposto e aceito por unanimidade, como patrono da Assembleia Legislativa do Ceará.

A Assembleia Provincial, mais tarde Assembleia Legislativa funcionou a partir de 1871 e permaneceu no Palácio Senador Alencar até o dia 10 de maio de 1977, quando se mudou para o novo endereço na Avenida Desembargador Moreira. Depois passou a sediar o Museu do Ceará, e está há anos em reforma. Fica na no quadrilátero entre as ruas São Paulo (frente principal), General Bezerril, Floriano Peixoto e Travessa Morada Nova. Tombado Federal pelo IPHAN em 1973. 




O velho Palácio da Luz foi construído com auxilio de mão-de-obra indígena, para servir de residência ao capitão-mor Antônio de Castro Viana. Em 29 de setembro de 1802, a câmara municipal pediu ao Príncipe Regente que mandasse arrematar o imóvel, ficando a câmara obrigada a pagar o seu valor com as sobras que pudesse ter anualmente. 

Em 1809, o então governador Luís Barba Alardo de Menezes passou a ocupar o edifício que pertencia à câmara municipal. Em 12 de março, 26 de abril e 30 de junho de 1810, a câmara oficiou ao governador, pedindo-lhe o prédio, uma vez que era necessário que tivesse uma casa para suas sessões e guarda de arquivos. Tudo em vão.  Como não obtivesse solução a respeito, a câmara fez uma representação ao Príncipe Regente, se queixando que o governador se apoderara da casa que lhe pertencia.

E o imóvel permaneceu como residência oficial dos governadores do Ceará até 1963, quando a sede do governo foi transferida para uma casa na Avenida Barão de Studart. Além de sede do governo estadual, o Palácio já abrigou a Biblioteca Pública, e a Casa de Cultura Raimundo Cela. Fica na Rua do Rosário s/n, Centro. Tombamento Estadual de 1983.


Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção – Forte Schoonenborch


O forte é o imóvel mais antigo de Fortaleza, com 377 anos. Nasceu antes da cidade. Construído durante a segunda invasão holandesa no Ceará em 1649, quando aqui chegaram ao todo, 298 homens sob o comando de Matias Beck. Após o desembarque e à improvisação dos abarracamentos, seguiu-se o que era mais indispensável: a construção de uma fortaleza de proteção: contra os índios e contra inimigos vindos do mar.

O local escolhido foi o monte chamado Marajaitiba. Ao sopé do monte corria o riacho Marajaik (atual Pajeú), que forneceria água fresca e limpa. Além disso, o morro estava próximo à praia, defronte ao porto, onde ficavam os navios da expedição. Era, portanto o local ideal, militarmente estratégico e topograficamente favorável. Deram-lhe o nome de Forte Schoonenborch, em homenagem ao governador holandês de Recife.

Depois da retirada dos holandeses, e de posse dos portugueses, a edificação recebeu o nome de Forte de Nossa Senhora da Assunção. Era uma construção precária, até ser reconstruída em alvenaria em 1816, se transformando de fato numa fortaleza, graças à ação do Governador Manuel Inácio Sampaio, e ao projeto do engenheiro Silva Paulet. Tombamento Federal IPHAN em 2008.

Capela de Santa Teresinha


Construção iniciada em 14 de novembro de 1926, e inaugurada dois anos depois, em 1928.  Está localizada no Bairro Moura Brasil, na Avenida Presidente Castelo Branco, local dos antigos abarracamentos promovidos pelo governo local para manter sob controle os retirantes que fugindo da seca, se dirigiam para a capital. Com a expansão da cidade, surgiu o projeto de construção da Avenida Castelo Branco, na década de 70, que previa a remoção dos moradores como de fato ocorreu, e a demolição da capela, o que não foi concretizado em virtude dos protestos e das manifestações populares.  O projeto foi alterado e o templo permaneceu no local.

Outra tentativa de demolição da capela ocorreu algum tempo depois, com a execução do projeto do Hotel Marina Park.  A proposta era a construção de outra igreja, mais ampla e moderna, apta a receber pessoas de diferentes áreas da cidade. O projeto ganhou simpatias e teve o apoio da Paróquia a que estava subordinado o templo. À época, as atividades da Capela de Santa Terezinha estavam parcialmente suspensas, em virtude das obras que estavam sendo construídas no seu entorno. No entanto, mais uma vez a população se mobilizou contra a demolição do templo, agora com apoio da Câmara Municipal que apresentou um Projeto de Lei considerando a capela como bem patrimonial, de relevante interesse histórico e cultural para a cidade de Fortaleza. Tombamento municipal de 1986.




Construída em 1730, com donativos ofertados pelos fiéis da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, num local afastado da Vila, a Praça dos Leões. Como toda construção daquele tempo, a capela era feita de taipa e palha.

A igreja foi reformada em 1753 porque ameaçava ruir, sendo reconstruída com pedra e cal, e ficou improvisada como matriz entre 1821 e 1854, enquanto se reconstruía a Matriz de São José. Construída em estilo barroco é a igreja mais antiga de Fortaleza. No piso da igreja do Rosário se concentrava o maior número de sepultamentos no século XIX, com sepulturas anônimas, sem lápide, sem identificação. Como não havia cemitérios na época, os enterros eram feitos nas igrejas ou nas suas imediações. Após dois anos a sepultura era aberta e os ossos recolhidos em urnas que eram enterrados novamente. Hoje a única sepultura identificada é a do Major Facundo, que fica numa parede lateral da igreja. Fica na Praça General Tibúrcio (Praça dos Leões). Foi duplamente reconhecida como patrimônio histórico de Fortaleza: Tombamento Estadual de 1983 e Municipal em 2006.

Casa de José de Alencar


A Casa de José de Alencar está situada no Sítio Alagadiço Novo, antiga Vila Nova Real de Messejana da América, também chamada Vila de Nossa Senhora da Conceição de Messejana. O imóvel adquirido em 1825 pelo padre José Martiniano de Alencar, foi por nove anos o lar do escritor cearense José de Alencar. Mais remotamente, o local fazia parte da aldeia dos índios Paupina. O sítio abriga as ruinas do primeiro engenho de ferro a vapor do Ceará, sua inauguração em 1830,  foi o marco inicial da industrialização do Estado. No engenho eram produzidos cachaça, açúcar mascavo e rapadura.

Em 1965, durante a gestão do reitor Antônio Martins Filho, a Universidade Federal do Ceará, adquiriu  o sítio Alagadiço Novo e, na comemoração dos dez anos de criação da UFC, abriu a casinha da família Alencar à visitação pública, bem como o edifício-sede, que passa a abrigar o acervo museológico, artístico, antropológico, arqueológico, histórico e literário. Tombamento Federal - IPHAN  desde 1964.

Passeio Público – Praça dos Mártires


O Passeio Público foi inaugurado por volta de 1880. Foi projetado para ser o lugar representativo dos novos tempos que a cidade vivia, com a riqueza vinda do algodão e os novos usos e costumes ditados pela belle époque. Nenhum outro logradouro de Fortaleza era tão belo, tão confortável, tão iluminado. Tinha vista para o mar, bancos, coreto, jardins, lagos artificiais, estátuas de figuras mitológicas, árvores frondosas e grades. Era um éden a servir de passarela para o desfile de elegantes e palco para o exercício de uma sociabilidade europeizada. Não era à toa que o Passeio Público ficava lotado às quintas e domingos, dias em que as bandas tocavam. Inicialmente tinha 3 planos: o terreno do primeiro plano foi cedido a uma empresa inglesa para instalação da usina de luz e força da cidade; o segundo plano foi cedido ao quartel da Décima Região Militar. E o terceiro plano remanescente, foi tombado pelo IPHAN como patrimônio histórico em 1964.

Prédio da Antiga Escola Normal


O prédio foi construído para abrigar a Escola Normal, iniciado em 1881 com base no projeto do engenheiro Henrique Foglare. Foi concluído em 1882, e inaugurado em 1884. Depois que a Escola Normal se mudou para a Praça Figueira de Melo, o prédio foi reformado e passou a abrigar o Grupo Escolar Norte e mais tarde pelo Grupo José de Alencar. O local já abrigou além dos estabelecimentos de ensino, a Faculdade de Medicina até 1954 e a Faculdade de Farmácia e Odontologia até 1987, quando passou a ser ocupado pelo IPHAN. Consta que o IPHAN se mudou para o Complexo Cultural Estação das Artes Belchior, na Praça da Estação. O prédio fica na Praça José de Alencar e é tombado como patrimônio do Estado desde 2006.




Fundação em 1910, no governo de Antônio Pinto Nogueira Accioly, construído e decorado por muitas mãos. Na inauguração, um grande concerto da banda sinfônica do Batalhão de Segurança, sob a regência dos maestros Luigi Maria Smido e Henrique Jorge Ferreira Lopes.

A estrutura metálica, em estilo art-nouveau, foi importada do Reino Unido, fabricada pela Casa Walter Max Farlane and Co., de Glasgow, Escócia; Jacinto Matos, (1882-1947) artista plástico pernambucano, pintou o teto e os florões no forro da sala de espetáculos; Rodolfo Amoedo, carioca, (1857-1941) pintou a moldura circular, acima do Pano de Boca. Os camarotes levam os nomes das obras de José de Alencar. Os nomes pintados sobre as grades são de autoria do artista cearense Ramos Cotoco (Raimundo Ramos de Paula Filho, 1871–1916). Paula Barros, artista natural do Pará pintou os retratos de Carlos Gomes e de José de Alencar no teto do foyer do teatro. Ainda no teto do foyer, as figuras em torno dos retratos e as figuras femininas foram pintadas por Ramos Cotoco. Os jardins foram inaugurados em 1974, com projeto paisagístico de Burle Marx. Tombamento Federal IPHAN 1964 

Sobrado Dr. José Lourenço


Foi o primeiro prédio de três pavimentos construído no Ceará, erguido na segunda metade do Século XIX pelo médico sanitarista José Lourenço de Castro e Silva(1803-1874), que utilizou o casarão como residência e consultório. Depois do falecimento do médico, o sobrado foi alugado e teve diversos usos, como a sede do Tribunal de Relação do Ceará, a prefeitura de Fortaleza, e nos altos, no tempo das pensões no centro, abrigou a Boate Marajó, na década de 1950. Depois o imóvel foi abandonado, ficou em péssimo estado de conservação, até ser restaurado em 2006 pela Secretaria de Cultura do Estado, que transformou o sobrado em Centro Cultural. Fica na Rua Major Facundo, 154, Centro. Tombamento Estadual em 2006.


Fontes: AZEVEDO, Otacílio. Fortaleza Descalça; reminiscências. Fortaleza: Edições UFC/PMF, 1980/GIRÃO, Raimundo. Geografia Estética de Fortaleza. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1959/Revista do Instituto do Ceará/Fortaleza, uma breve História/Revista porque Reportar/Revista Fortaleza/Jornal Diário do Nordeste. Fortaleza, uma breve história, de Artur Bruno e Airton de Farias/Fotos: Arquivo Nirez/Pinterest/Revista do Instituto do Ceará/Fortaleza em Fotos. 


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Confederação do Equador - Por um Nordeste Independente

 

Foi um movimento revolucionário contra o governo do Imperador Dom Pedro I, em razão de sua mudança de postura e dos ideais defendidos antes da Proclamação da Independência, em 1822. Passado menos de dois anos desse evento, a insatisfação com as decisões políticas de Dom Pedro I já eram percebidas em segmentos da população, em razão de um conjunto de medidas autoritárias adotadas pelo imperador.


Em novembro de 1823 dissolveu a Assembleia Constituinte por discordar das limitações que seriam impostas ao imperador, e impôs o seu próprio projeto político para o País.  A Assembleia Constituinte era formada por representantes eleitos das províncias para elaboração de uma constituição para o Brasil. Porém, Dom Pedro não aceitou os termos propostos, e optou por dissolvê-la.

Em março de 1824 o Imperador instaura o Poder Moderador na primeira Constituição do País, criando um quarto poder, exclusivo do Imperador, "chave" de toda a organização política brasileira, destinado a manter a independência, o equilíbrio e a harmonia entre os demais poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário).




A Confederação do Equador foi a principal reação contra essa política centralizadora. Teve origem na Província de Pernambuco com adesão do Ceará, e demais províncias do Nordeste. Os revolucionários pretendiam fundar uma nação republicana, independente do resto do Brasil.


A revolta no Ceará foi marcada pela participação ativa de figuras locais, como Pereira Filgueiras (José Pereira Filgueiras), Tristão Gonçalves (Tristão Gonçalves de Alencar Araripe), Padre Mororó (Gonçalo Inácio de Loiola Albuquerque e Melo), Pessoa Anta (João de Andrade Pessoa Anta), Francisco Ibiapina (Francisco Miguel Pereira Ibiapina), Azevedo Bolão (Luís Inácio de Azevedo Bolão), José Carapinima (Feliciano José da Silva Carapinima) e Martiniano de Alencar (José Martiniano de Alencar). 

Em janeiro de 1924, a Câmara de Campo Maior de Quixeramobim sob a influência do padre Mororó (Inácio Loiola de Albuquerque declarou excluído do trono do Imperador Pedro I e a queda da Dinastia Bragantina, proclamando a República com um governo que ficaria a cargo de Pereira Filgueiras. O movimento teve forte apoio popular e de certas elites no interior, como na região do Crato.

Em 18 de abril as lideranças rebeldes ocupam Fortaleza e convocam uma reunião da Câmara e das pessoas com mais posses da Vila, onde Tristão Gonçalves foi eleito presidente temporário do Ceará. A partir desse evento, a preocupação maior foi com os preparativos para enfrentar a reação do império.

A reação do Império começou por Pernambuco, as forças monarquistas entraram em Recife em 12 de setembro de 1824; houve massacre da população que viu com terror os saques, incêndios e fuzilamentos. Depois avançaram pelas vilas do Ceará, dizimando as tropas republicanas. Diante da derrota nos sertões cearenses, Tristão Gonçalves, presidente temporário do Ceará, foi obrigado a deixar Fortaleza e partir para Aracati, para combater um levante monarquista. A Divisão Naval do Império aportou em Fortaleza a 18 de outubro de 1824, sob o comando de Lorde Cochrane que exigiu o fim imediato da rebelião. O movimento resistiu até dezembro de 1824. Os Chefes do movimento revolucionário, foram presos ou mortos.


Tristão Gonçalves foi morto a tiros nas imediações do povoado de Santa Rosa, antiga Jaguaribara. Teve o cadáver mutilado e deixado insepulto. Dias depois o corpo foi encontrado e sepultado por correligionários.


Pereira Filgueiras temendo ser assassinado ou preso e torturado, acabou se rendendo, foi preso e conduzido ao Rio de Janeiro, mas morreu durante a viagem. 


José Martiniano de Alencar foi preso na Bahia, enviado ao Rio de Janeiro e negou envolvimento com a Confederação do Equador. Por se tratar de importante líder político do Nordeste, foi perdoado pelo imperador em 1825.

Foram condenados à pena de morte os revolucionários Padre Mororó, Pessoa Anta, Francisco Ibiapina, José Carapinima, Azevedo Bolão, Frei Alexandre da Purificação, Antônio Bezerra de Sousa, e José Ferreira de Azevedo. Os três últimos tiveram a pena comutada em degredo para a Amazônia. Antônio Bezerra de Sousa morreu antes, no Cariri.

Os condenados deveriam ser enforcados, mas como ninguém quis fazer o papel do carrasco, foram fuzilados em 1825, no antigo Campo da Pólvora, depois chamado de Praça dos Mártires. 


A derrota dos confederados no Ceará, com a execução em praça pública, fortaleceu o poder das capitais e das autoridades representantes do governo imperial, que passaram a se impor ainda mais sobre o interior, controlando a província com maior eficácia. 


Fontes:

Revista do Instituto do Ceará – Personagens da Confederação do Equador no Ceará, de Júlio Lima Verde Campos de Oliveira-2024

História do Ceará, de Airton de Farias 

Fotos da Internet

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Os Patronos da Educação em Fortaleza

 

Geralmente a escolha dos nomes das escolas públicas envolvem homenagens a educadores, figuras históricas ou personalidades relevantes para a comunidade. O nome ideal deve ser fácil de lembrar, transmitir o diferencial da escola, e ser único para evitar confusões com outras instituições. As escolas de Fortaleza não fogem a regra, com predomínio de em nomes de educadores e políticos. 

Professores – Intelectuais

EM Professor José Valdevino de Carvalho – R. Guará, 98, bairro Parangaba


José Valdevino (Valdivino) de Carvalho (1911–1987) foi professor, poeta, escritor e acadêmico cearense. Graduado em Direito, foi professor de Português e Francês, destacando-se no magistério. Membro da Academia Cearense de Letras.

EM Manuel Lima Soares – Rua Cento Trinta, 60 - Parque Dois Irmãos

Manuel Lima Soares (1923–1990) professor, intelectual, jornalista e político cearense, radicado em Fortaleza. Atuou como vereador, redator e ocupou cargos na Secretaria de Educação do Ceará, sócio efetivo do Instituto do Ceará.

EMEIF Thomaz Pompeu Sobrinho – Rua José Meneleu, 531 – bairro Itaperi

Thomaz Pompeu de Sousa Brasil Sobrinho nasceu em Fortaleza em 1880. Formou-se em engenharia pela Escola de Ouro Preto, MG, com atuação em várias obras públicas. Foi membro efetivo do Instituto do Ceará e membro da Academia Cearense de Letras. Faleceu em 1967.  

EEFM Joaquim Alves – Rua Estado do Rio, 955 – bairro Demócrito Rocha

Joaquim Alves de Oliveira foi historiador, nascido em 1896. Membro efetivo do Instituto do Ceará, fundador da Sociedade Cearense de Geografia e História, e membro da Sociedade Brasileira dos Amigos de Astronomia e do Instituto do Nordeste.

EEEP Joaquim Moreira de Sousa – Rua Caio Prado, 2 – bairro Parangaba

Joaquim Moreira de Sousa foi diretor Geral da Educação no Ceará, cargo que ocupou entre 1933 e 1936. Ao ser exonerado, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro.

EMEIF Waldemar Barroso – Rua Cônego Lima Sucupira, 410 – bairro Serrinha

Waldemar Barroso de Souza Cordeiro nasceu em 1909, em Trairi-Ce. Foi juiz de direito em diversas comarcas quando se aposentou em 1961. Faleceu em Fortaleza em 1997.

EMTP Cláudio Martins – Rua Barão de Canindé S/N – Bairro Montese

Foi advogado, escritor, poeta e professor cearense, além de ter sido Presidente da Academia Cearense de Letras. Foi Secretário de Estado e titular das pastas da Fazenda e Educação. Nasceu em Barbalha em 1910 e faleceu em Fortaleza em 1995

EMTI Professora Antonieta Cals – Rua Monsenhor Salazar, 1480 – Bairro Tauape

Maria Antonieta Cals de Oliveira, educadora cearense, primeira mulher a gerir a Secretaria de Educação do Estado do Ceará. Pedagoga formada pela Uece, ela foi secretária de educação municipal e estadual, além de presidente do Conselho Estadual de Educação. 

EEEP Professor Joaquim Antônio Albano – Rua Júlio Siqueira, 390 – bairro Dionísio Torres

O Professor Joaquim Antônio Albano foi um educador e figura notável em Fortaleza, cujo legado é perpetuado na educação estadual.

EEFM Professor Jader Moreira de Carvalho – Rua Heloísa Ferreira Lima, 420 – Bairro Serrinha

Jáder Moreira de Carvalho (1901–1985) intelectual que atuava como professor, jornalista, advogado e escritor modernista, autor de romances como "Aldeota". Fundador do jornal Diário do Povo e membro da Academia Cearense de Letras. 

EMTI Professor José Júlio da Ponte – Rua Mario de Andrade s/n Bela Vista

José Júlio da Ponte Filho (1935–2013) agrônomo, pesquisador e professor emérito da Universidade Federal do Ceará, referência nacional em Fitopatologia. Pioneiro no uso de alternativas naturais a agrotóxicos, e pela pesquisa com manipueira no combate a pragas.

EEMTI Professora Adalgisa Bonfim Soares – Avenida Penetração Norte, 150 – bairro Conjunto Esperança

Adalgisa Bonfim Soares (1921–1979) foi uma educadora cearense, nascida em Redenção, Ceará, reconhecida por sua brilhante trajetória profissional no magistério.

EMTI Filgueiras Lima – Avenida dos Expedicionários, 3910 – bairro Jardim América


Antônio Filgueiras Lima (1909/1965). Educador, poeta e político cearense, fundador de diversas escolas e defensor da pedagogia funcional no Ceará. Fundou o Colégio Lourenço Filho e atuou como Secretário de Educação e Saúde do Ceará.

EEEP Joaquim Nogueira – Rua Moreira de Sousa, 327 – bairro Parquelândia



Joaquim da Costa Nogueira (1866-1935) foi um educador, diretor de colégios, fundador do Instituto de Humanidades em 1904, e editor de livros didáticos em Fortaleza, reconhecido por sua dedicação ao ensino e à educação do Ceará.   

EMEIF Professora Maria Odnilra Cruz Moreira – Avenida das Adenanteras, 800 – bairro Cidade 2000

Maria Odnilra Cruz Moreira nasceu em Juazeiro do Norte, CE, em 1922. Exerceu o magistério em várias unidades escolares, das redes municipal e estadual exercendo os cargos de professora e vice-diretora. Faleceu em 2001.

EMTI Professora Maria José Ferreira Gomes – Rua Cônego de Castro, 8617 – Bairro Parque Presidente Vargas

Maria José dos Santos Ferreira Gomes foi professora e educadora brasileira.  Atuou no Colégio Sant'Ana e no Dom José Tupinambá da Frota em Sobral. Faleceu em 2015, aos 86 anos.

EMEIF Ismael Pordeus – Rua Desembargador Faustino Albuquerque, 511 – bairro Jardim das Oliveiras

Ismael de Andrade Pordeus (1912–1964) historiador, pesquisador e sócio do Instituto do Ceará. Atuou como técnico de pesquisas no Arquivo Público e publicou diversas obras sobre fatos históricos. 

EMEIEF Mozart Pinto – Rua Jorge Dumar, 2078 – bairro Jardim América

Mozart Pinto Damasceno foi professor, conferencista, musicólogo, nascido em Canindé, em 1886. Membro da Academia Cearense de Letras e professor do Colégio Militar de Fortaleza e da Escola Normal. Faleceu em 1948.

EEEP Dona Creusa do Carmo – Avenida Sargento Hermínio, 2006 – bairro Monte Castelo


EM Creusa do Carmo Rocha – Rua Duas Nações, 1055 –bairro Granja Portugal


Creuza do Carmo Rocha (1897-1974) foi diretora-presidente do jornal O Povo, casada com Demócrito Rocha.


Religiosos

EMEIF Dom Manuel da Silva Gomes – Rua Samuel Uchoa, 550 – Bairro Bom Futuro




Dom Manuel da Silva Gomes (1874–1950) primeiro Arcebispo Metropolitano de Fortaleza entre os anos de 1915 a 1941. Nascido em Salvador, atuou ativamente na assistência social durante a seca de 1915 e impulsionou a criação das dioceses de Crato, Sobral e Limoeiro do Norte. 

EM Padre Felice Pistone – Rua Júlio César, 1810 – bairro Damas

Padre Felice Pistone foi um sacerdote católico, italiano, associado à congregação Sagrada Família de Nazaré, conhecido no Brasil por seu trabalho na educação e assistência social.  Está ligado ao desenvolvimento de ações voltadas a crianças e adolescentes, no contexto da expansão dos Colégios Piamarta no Brasil, que teve início em 1957.

EEFM Padre Rocha – Rua Coronel Alves Teixeira, 525 – bairro Joaquim Távora

Antônio Cândido da Rocha (1854-1932), Padre Rocha para os seus conterrâneos, padre, orador, jornalista, professor, Deputado Provincial e Constituinte, Diretor da Escola Normal de Fortaleza e Dramaturgo nasceu em Jaguaruana.


Escritores

Escola Municipal Antônio Sales – Rua Tavares Iracema, 675, bairro Rodolfo Teófilo

Antônio Sales foi poeta, romancista, jornalista e político cearense, reconhecido como um dos maiores nomes da literatura no Ceará. Nascido em Paracuru, destacou-se como fundador e líder da Padaria Espiritual.

CEJA Professor Moreira Campos – Rua Júlio Braga, 101 – bairro Parangaba


José Maria Moreira Campos (1914–1994) foi contista brasileiro, professor e membro fundador do Grupo Clã, fundamental na literatura cearense. Catedrático de Literatura Portuguesa, professor emérito da UFC, recebeu a Medalha da Abolição, destacando-se por contos traduzidos para diversos idiomas.


Políticos – Militares

EMTI Carolino Sucupira – Rua Mundica Paula s/n – bairro Itaoca

Carolino Cavalcante Sucupira foi um dos voluntários da Pátria, que se apresentaram espontaneamente para lutar na Guerra do Paraguai que durou de 1864 a 1870, obtendo a patente de Major durante o conflito. Depois da guerra fixou residência em Jundiaí (SP), onde faleceu em 1897.

EEFM – Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco – Rua Álvaro Fernandes, 913 – bairro Montese



EEMTI – Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco – Rua Irmã Bazet, 210 – Bairro Montese



Humberto de Alencar Castelo Branco (1897-1967) foi marechal do Exército brasileiro e o primeiro presidente do regime militar (1964-1985), governando de abril de 1964 a março de 1967. Nasceu em Fortaleza em 1897 e faleceu em 1967 em um desastre aéreo.

EEM – Adauto Bezerra – Rua Monsenhor Liberato, 1850 – bairro Fátima

José Adauto Bezerra de Menezes, militar, empresário e político brasileiro, governador do Ceará entre 1975 e 1978. Nasceu em Juazeiro do Norte em 1926 e faleceu em Fortaleza em 2021.

EEM Dr. César Cals – Avenida Domingos Olímpio, 1800 – bairro Farias Brito

César Cals de Oliveira foi fundador do Centro Médico Cearense e um dos seus presidentes no período de 1937 a 1944. Também foi Presidente do Sindicato Médico Cearense de 1940 a 1943 e da Fundação D. Libânia Holanda, de 1941 a 1944. Na política, foi Prefeito de Fortaleza, em 1930 e 1931.

EEM Figueiredo Correa – Rua Marechal Deodoro, 733 – Bairro Benfica

Joaquim de Figueiredo Correia (1920–2003) foi um político cearense, educador e advogado, atuando como deputado estadual, vice-governador do Ceará (1963) e deputado federal (1967-1981) pelo MDB. Conhecido por sua atuação na educação e na oposição moderada durante a ditadura militar.

EMEIEF Vicente Fialho – Rua Irmã Bazet, 193 – bairro Montese

Vicente Cavalcante Fialho foi prefeito de São Luís (MA), de 1969 a 1971 e prefeito de Fortaleza de 1971 a 1975 por indicação do governador do Ceará César Cals. Foi deputado federal e Ministro das Minas e Energia, professor e engenheiro, nasceu em 1938 em Tauá-CE e faleceu em Fortaleza em 2022, em Fortaleza.

EEMTI Deputado Paulino Rocha – Rua Professor José Silveira, 528 – bairro Passaré

Paulino Rocha (1933–1979) foi um famoso comentarista esportivo cearense, conhecido como "campeão de audiência", e político influente. Eleito deputado estadual no Ceará em 1974 e 1978 pelo MDB, destacou-se como incentivador da construção do estádio Castelão. Faleceu aos 46 anos em Fortaleza.   

EEM Dr Ubirajara Índio do Ceará – Rua 751 s/n Bairro Conjunto Ceará

Ubirajara Índio do Ceará (Quixadá, 1912 — Fortaleza, 1979) foi um destacado magistrado, político e integrante do movimento integralista no Brasil. Atuou como delegado do Ministério do Trabalho, procurador e presidiu o Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (TRT-7) no Ceará em 1970.

EMEIEF Paulo Sarasate – Rua Pedro Muniz, 250 – bairro Pan Americano

   

Paulo Sarasate Ferreira Lopes nasceu em Fortaleza em 1908 e faleceu no Rio de Janeiro em 1968. Foi advogado, jornalista e político brasileiro. Ocupou o cargo de Deputado Federal por quatro legislaturas e Governador do Ceará de 1955 a 1958.  

EEFM Félix de Azevedo – Rua Monsenhor Furtado, 757 – bairro Rodolfo Teófilo 

José Félix de Azevedo e Sá (1781–1827) foi militar e político brasileiro, nascido em Fortaleza. Atuou como presidente da província do Ceará em dois mandatos, de 1824 a 1826. Faleceu em Caucaia em 1827 aos 46 anos de idade.

EEEP Juarez Távora – Rua Ministro Joaquim Bastos, 747 – bairro Fátima

Juarez do Nascimento Fernandes Távora (1898-1975). Político e militar, Participou de vários movimentos revolucionários como a Revolta dos 18 do Forte, A Revolta Paulista de 1924, a Coluna Prestes em 1926, a Revolução de 1930 e a Revolução Constitucionalista.

EMEIEF Francisco Andrade Teófilo Girão – Rua Unidos Venceremos, 2040 – bairro   Passaré

Francisco Andrade Teófilo Girão foi um político cearense, eleito vereador de Morada Nova em 1970 e deputado estadual a partir de 1982. Atuou no parlamento em defesa dos municípios cearenses.


Fontes:

https://www.academiacearensedeletras.org.br/revista/revistas

https://www.institutodoceara.org.br

Jornal O Povo/Diário do Nordeste/Wikipédia/Prefeitura de Fortaleza/Governo do Estado do Ceará

Fotos Google/internet