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terça-feira, 22 de julho de 2025

A Criação do bairro Pirambu

 

O Pirambu está localizado no litoral oeste da cidade.  No passado, finais do séc. XIX, a região do Pirambu, era uma vasta zona de praia, formada por dunas, areias alvíssimas, algumas lagoas e um ou outro casebre de pescadores, que preferiam habitar a região do Mucuripe ou da Praia de Iracema.




A área começou a ser ocupada a partir de emigrantes que fugiam das secas, que periodicamente assolavam as cidades do interior do Estado,  e das calamidades que as estiagens traziam, fome, miséria, doenças, desemprego. Os governantes ficaram alerta pelos problemas que precisaram enfrentar em estiagens anteriores, decorrentes do aumento súbito da população, carente e faminta, e pensaram numa solução para situações vindouras: Os Campos de Concentração.

Os retirantes da seca de 1932, que chegaram nos trens, foram isolados num dos tais espaços; cerca de 1800 pessoas ficaram no lugar hoje conhecido por Pirambu. Depois que passou o período crítico da seca, muitos voltaram para seu lugar de origem, e muitos ficaram em Fortaleza, no Pirambu. Os que desistiram de voltar construíram barracos, conseguiram trabalho nas fábricas que se instalaram ao longo da Avenida Francisco Sá e na rede ferroviária, nas oficinas do urubu. A vizinhança de poder aquisitivo reduzido, incomodou os ricos moradores do Jacarecanga, que iniciaram busca por novos locais de moradia. 



As dunas foram ocupadas, as lagoas foram aterradas, os moradores se multiplicaram e o Pirambu se firmou como a maior favela de Fortaleza. O lugar não tinha nenhuma urbanização nem contava com infraestrutura, os terrenos tinham preços mais em conta para as famílias de migrantes. Haviam os que em muitas oportunidades os ocupavam clandestinamente, daí o crescimento irregular, com a propagação de lotes de tamanhos irregulares, casas modestas e favelas, becos e ruas estreitas, tortuosas e sem saída, e inexistência de espaços públicos e áreas de lazer. O bairro foi criado em 1932.  

Os ocupantes do Pirambu já contavam em torno de 5 mil pessoas, quando apareceram duas famílias alegando que eram donas da área, os Braga Torres e os Carvalho. Pressionavam os moradores para que desocupassem as terras ou vendessem os terrenos. Sentindo-se ameaçados, os moradores começaram a se organizar, a se reunir. Mas não tinham uma liderança, não queriam interferência política e não chegavam a um acordo sobre o que fazer.

Então convidaram o padre Hélio Campos, que havia pouco tempo tinha se formado capelão da Marinha, e atuava na Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes. Corria o ano de 1958, quando descobriram que nem os Braga Torres e nem os Carvalho eram donos da área. E sob a liderança do padre, iniciaram um movimento pela manutenção da posse da terra, pela melhoria das condições sociais e de moradia e contra novas ameaças de expulsão. Por força do decreto nº 1058, de 25 de maio de 1962, que declara tais terras de utilidade pública para execução de plano habitacional em favor dos seus moradores, hoje, os terrenos são considerados de propriedade comunitária.


Com o aumento da ocupação da área, o Pirambu foi dividido em vários bairros, embora a região situada entre o bairro Moura Brasil e a Barra do Ceará continue sendo conhecido como o “Grande Pirambu”. Vários projetos, associações e ONG's atuam na área do Grande Pirambu, na busca de melhorar a qualidade de vida dos moradores, equacionar problemas estruturais e dessa forma, mudar a história daquela região, contada por anos e anos de pobreza, preconceito e exclusão social. De acordo com o IBGE (Censo de 2022), o Pirambu abriga a maior favela do Ceará.   


Consultados: 

https://www.ebc.com.br/especiais-agua/campos-de-concentracao

Verso e reverso do perfil urbano de Fortaleza, de Gisafran Nazareno Mota Jucá. 

Fotos G1/Jornal Diário do Nordeste/IBGE/


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Jacarecanga e Benfica – Os Primeiros bairros elegantes de Fortaleza


Na Fortaleza de hoje temos os bairros do Meireles, Aldeota e alguns emergentes como Cocó, Guararapes e Lourdes como os mais valorizados e consequentemente, os mais elegantes da cidade, já que esse atributo – elegância – sempre esteve ligado, primordialmente, ao poder aquisitivo dos moradores e ao alto padrão das edificações.
Mas no início do Século XX, outros bairros detiveram esse status de “mais elegantes”, levando em conta os mesmos parâmetros usados hoje.



fotos Fortaleza em Fotos

Tudo começou quando o Centro da cidade, então local de moradia das classes mais abastadas, se afirmava como núcleo comercial e administrativo, e as elites elegeram novos espaços para construírem suas residências. Essa dinâmica foi possível graças ao surgimento do automóvel como meio de transporte daquele segmento da sociedade, que facilitou a mobilidade e possibilitou o surgimento dos dois primeiros bairros elegantes de Fortaleza: O Jacarecanga e o Benfica.

O Jacarecanga localizado na zona Oeste da cidade, próximo à área central, nasceu nas proximidades do riacho do mesmo nome, onde se aglutinaram em sobrados, os representantes das elites comercial e agrária, tornando-se um local privilegiado, com mansões e chácaras com plantas e fachadas copiadas de revistas e publicações especializadas europeias.  A partir do cruzamento com a Avenida Imperador, a Travessa Municipal formava um corredor diferenciado pelo seu conjunto de luxuosas residências. Era o início do bairro. A continuação da Travessa Municipal, depois Rua Guilherme Rocha é a atual Avenida Francisco Sá, antiga Avenida Demóstenes Rockert  


Uma das mais suntuosas residências do Jacarecanga, foi construída em 1924, planta copiada de um imóvel de Portugal, em estilo art-nouveau, para moradia de Thomaz Pompeu Sobrinho. Tem 38 cômodos em quatro andares feitos com materiais importados da Europa. Tem porão habitável, salão de festas, quartos e salas com as dimensões de alguns apartamentos atuais. imagem Fortaleza em Fotos

Na Avenida Philomeno Gomes ainda resiste a residência da família do advogado Raimundo Pinheiro de Melo. Construída em 1920, é cópia de uma casa da Normandia, obtida de uma revista francesa. A casa continua praticamente inalterada, exceto o alto muro de proteção que hoje ostenta. A outra casa visível, uma mansão de três andares, era a moradia do empresário do ramo de transportes, Oscar Pedreira. Foto Arquivo Nirez

Na Rua Guilherme Rocha,1055, erguia-se um dos mais importantes símbolos dos tempos de fausto do Jacarecanga: a Itapuca Villa. Cercada por imenso jardim, com gradis artísticos, a vila foi erguida com dois pavimentos, copiados das construções inglesas, na Índia. A edificação tinha um vistoso trabalho em madeira: na parte superior existiam imensas varandas com circulação livre. Na edição de O Povo, de 11/11/1989, era noticiada a demolição do imóvel que se encontrava em ruínas. A Itapuca Villa pertencia ao comerciante Alfredo da Rocha Salgado
 Imagem: óleo sobre tela do artista plástico Tarcísio Garcia

na esquina da Praça Gustavo Barroso (Praça do Liceu) com a Avenida Philomeno Gomes, ficava a casa da família do advogado e professor Luiz Moraes Correia e Dona Esmerina. Depois que a família deixou o imóvel funcionou no local uma repartição pública.  Suas duas fachadas de ornamentos, sacadas e escadas, com tantos elementos decorativos não foram respeitadas pelas picaretas do progresso: a casa foi demolida para construção de um galpão. Foto Arquivo Nirez

Hoje, a maioria das residências construídas no período do apogeu, foi demolida,  descaracterizada ou se encontra em precário estado de conservação. O Jacarecanga perdeu sua condição de área nobre a partir de meados do século passado, quando a sua avenida principal, a Avenida Francisco Sá, começou a ser ocupada por uma série de indústrias de transformação e com a instalação do ramal ferroviário e das oficinas da Rede Viação Cearense. Os novos equipamentos atraíram vizinhos de menor poder aquisitivo, que se alojaram em vilas operárias ou ocuparam irregularmente as terras situadas entre a principal avenida do bairro e a zona litorânea, dando origem ao que viria ser a maior favela de Fortaleza, o Pirambu.


Imóvel na Avenida Francisco Sá (imagem Fortaleza em Fotos)

Quase que ao mesmo tempo em que o Jacarecanga se firmava como bairro dos ricos, o Benfica, bem mais distante do centro, também passou a ser cobiçado pelos que desejavam fugir do então agitado centro de Fortaleza. Antes da formação do bairro, o local era conhecido por sitio Benfica,  localizado na Estrada de Arronches, fora dos limites urbanos de Fortaleza. Começou a ser valorizado quando uma epidemia de cólera-morbus assolou a cidade. Devido a distância do núcleo urbano, as terras do sítio foram consideradas aptas para resolver o problema de abastecimento de água, por estarem distantes de qualquer foco de contaminação dos cemitérios e por contar com inúmeras fontes de águas limpas.

Igreja dos Remédios foto Arquivo Nirez

Em 1878, com o Benfica ainda com uma ocupação insipiente, foi iniciada a construção da primeira igreja do lugar, a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios. Mas quem verdadeiramente iniciou o processo de ocupação e desenvolvimento do Benfica foi o banqueiro e empresário José Gentil Alves de Carvalho, que em 1909, adquiriu de João Antônio Garcia, uma chácara localizada na Avenida Visconde de Cauípe (atual Avenida da Universidade), que remodelada em 1918, perdeu as feições rurais e virou palacete.



Casal José Gentil e Dona Melinha com seus 15 filhos em frente a casa antiga da chácara - 1909
e o Palacete de 1918, atualmente ocupado pela reitoria da UFC, proprietária do imóvel.  Fotos Arquivo Nirez 

Em torno da construção principal, José Gentil loteou terrenos e construiu uma vila moderna e aprazível, amplamente arborizada, com residências dotadas de esgoto e água encanada, que recebeu o nome de Gentilândia. Boa parte das construções do Benfica e da Gentilândia viriam a ser incorporadas ao patrimônio da Universidade Federal do Ceará.


Antigo prédio do Colégio Santa Cecília, na Avenida da Universidade, que foi adquirido e demolido pela UFC - acervo do MAUC

Na década de 1950, quando as famílias mais ricas estavam de mudança para a zona leste da cidade, e os imóveis estavam sendo colocados à venda, o palacete da família Gentil foi adquirido pela Universidade Federal do Ceará, que havia sido criada em dezembro de 1954, e estava se instalando em Fortaleza. Depois da aquisição do casarão dos Gentis, a Universidade comprou vários outros imóveis ao longo da principal avenida.


Rua N. S. dos Remédios - imagem Fortaleza em Fotos

A chegada da Universidade ao Benfica em 1956, repercutiu sobre o espaço físico natural e construído do bairro. Muitos imóveis de belíssimas arquiteturas que poderiam ter sido preservados, não o foram, e muitas árvores foram abatidas, inclusive para  construção da Concha Acústica, inaugurada em 1959. 


Fontes:
Lira Neto. História Urbana e Imobiliária de Fortaleza: uma biografia sintética/Lira Neto, Cláudia Albuquerque – 1ª ed. – São Paulo: Editora Braba, 2014.
Revista Universidade Pública ano 8 n° 45 – Set/Out 2008.    

sábado, 21 de janeiro de 2012

Projeto Vila do Mar (Avenida Costa Oeste)



Conhecido como espigão da Barra do Ceará, o Mirante Rosa dos Ventos fica no bairro Cristo Redentor, e segundo frequentadores e moradores da região, é um local inseguro. Os visitantes costumam ser surpreendidos por ladrões que surgem inesperadamente, vindos pelas pedras que circundam o equipamento. 

O braço de pedras, que entra 200 metros mar adentro, já existia, mas foi urbanizado, ganhou um mirante, e se transformou em lugar privilegiado para observação de boa parte do litoral fortalezense


Quando concluída a avenida terá  uma extensão de beira mar de 5,5 km, entre a Escola de Aprendizes Marinheiros e a Barra do Ceará e, inclui a consolidação de melhorias urbanísticas e dotação de equipamentos públicos.

Ao longo da orla, são cinco os espigões - quatro foram reformados pela Prefeitura e um construído. Segundo a coordenadora do Vila do Mar, não há planos de urbanização dos demais.


vegetação para fixação de dunas e encostas. Sem os devidos cuidados, as plantas murcharam 

A parte mais alta da avenida 

Vista do Mirante Rosa dos Ventos

Apesar de reconhecerem as melhorias, os frequentadores reclamam de assaltos no calçadão do Pirambu à Barra do Ceará
Visão panorâmica do calçadão
O belo fim de tarde sobre o Rio Ceará

O nome original era Projeto Costa Oeste e foi concebido ainda no Governo Lúcio Alcântara (2003-2007). As obras foram iniciadas em 2003 com a previsão da construção de uma avenida na orla, com 5,36 km de extensão no trecho entre a Barra do Ceará e o antigo kartódromo, no Pirambu.  Pelo projeto inicial a via teria duas pistas, canteiro central, ciclovia e calçadão.  A gestão municipal atual mudou o nome para Projeto Vila do Mar.
Produto de uma parceria entre os governos municipal, estadual e federal,  o projeto Vila do Mar  tem como principal viés a resolução do problema de habitação, do saneamento e das áreas degradadas de locais como o Pirambu, Cristo Redentor e Barra do Ceará, região oeste de Fortaleza que tem um atraso de requalificação.
O caráter social do Vila do Mar está na inclusão. Projetos intersetoriais promoverão a qualificação profissional, a valorização cultural e o empreendedorismo da população residente na área. Parcerias com as secretarias municipais de Esporte e Lazer, Direitos Humanos, Turismo e Cultura já estão em desenvolvimento para a geração de renda de artesãos, pescadores artesanais, donos e barracas de praia e outros profissionais das comunidades envolvidas.
A proposta tem como foco o resgate à população do Grande Pirambu, de uma extensão de beira mar de 5,5 km, entre a Escola de Aprendizes de Marinheiro e a Barra do Ceará e, inclui a consolidação de melhorias urbanísticas e dotação de equipamentos públicos nesta  seção da orla marítima, tais como: implantação de calçadão e via paisagística, além de nove outras vias de acesso a praia; dotação de iluminação pública, intensificação de arborização urbana que inclui replantio de coqueirais nativos. A primeira fase do projeto já foi concluída. 


fotos:
Rodrigo Paiva
Raquel Vianna
Fátima Garcia

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Pirambu, Reino da Pobreza e Exclusão Social


 Pirambu - Fortaleza  
foto Fátima Garcia

De acordo com dados divulgados pelo IBGE, relativos ao Censo Demográfico de 2010, a nona maior favela do Brasil está em Fortaleza, mais precisamente, no Pirambu. Com 42.878 habitantes, e  11.630 lares,  o Pirambu consta na lista dos aglomerados subnormais mais relevantes do País, segundo a pesquisa.

O conceito de aglomerado subnormal foi utilizado pela primeira vez no Censo Demográfico de 1991. Possui certo grau de generalização de forma a contemplar a diversidade de assentamentos irregulares existentes no país, conhecidos como favelas, invasões, grotas, baixadas, comunidades, vilas, ressacas, mocambos, palafitas, entre outros.

O IBGE  classifica como aglomerado subnormal cada conjunto constituído de, no mínimo, 51 unidades habitacionais carentes, em sua maioria, de serviços públicos essenciais, ocupando ou tendo ocupado, até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular) e estando dispostas, em geral, de forma desordenada e densa. A identificação atende aos seguintes critérios:

Alagamento em área de risco - Fortaleza (foto jangadeiro online)

Ocupação ilegal da terra, ou seja, construção em terrenos de propriedade alheia (pública ou particular) no momento atual ou em período recente (obtenção do título de propriedade do terreno há dez anos ou menos); e

Possuírem urbanização fora dos padrões vigentes (refletido por vias de circulação estreitas e de alinhamento irregular, lotes de tamanhos e formas desiguais e construções não regularizadas por órgãos públicos) ou precariedade na oferta de serviços públicos essenciais (abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta de lixo e fornecimento de energia elétrica).

área de risco em Fortaleza (lagoa da zeza) foto Diário do Nordeste

Os aglomerados subnormais frequentemente ocupam áreas menos propícias à urbanização.  Em Fortaleza encontram-se predominantemente, em áreas de praia. 
A pesquisa também aponta que Fortaleza lidera o ranking, contabilizando 194 assentamentos irregulares de um total de 14 municípios. Caucaia aparece logo em seguida, com 14 ocupações e Guaiuba com quatro. Aquiraz, Camocim, Granja, Itaitinga, Juazeiro do Norte, Maracanaú, Maranguape, Pacatuba, Pentecoste, Quixadá e Senador Pompeu também são municípios cearenses que possuem aglomerados irregulares.

De acordo ainda com os números divulgados, o Ceará é o terceiro estado do Nordeste, com 226 assentamentos irregulares, ficando atrás dos da Bahia, com 280 e de Pernambuco, com 347 ocupações. Ao todo são 441.937 pessoas residindo em domicílios particulares nestes aglomerados no Ceará.

Em relação aos outros estados brasileiros, o Ceará ocupa a sexta posição no ranking. Além de possuir números inferiores a Pernambuco e Bahia, o Estado perde também para Minas Gerais, com 372; Rio de Janeiro, com 1.332 e São Paulo, com 2.087 aglomerados.

Sobre o Pirambu

Orla marítima do Pirambu  
 foto Fátima Garcia

A origem do bairro Sua origem remonta ao final do Séc. XIX,  quando a capital recebeu levas de flagelados que fugiam das secas que assolavam o interior do estado.  A população indigente foi se alojando em barracos,  em terrenos próximos à ferrovia, às indústrias, à zona de praia, e às margens dos rios, áreas desprezadas pelos grupos sociais de maior poder aquisitivo.

Desde então a ocupação da área hoje correspondente ao bairro do Pirambu, só aumentou: desordenada, descontrolada e sem uma urbanização adequada. 

rua do Pirambu
 foto Fátima Garcia

O ordenamento das ruas da que é considerada a maior favela do Ceará, não segue um padrão. À medida que se embrenha pelas vias em direção ao mar ou ao sertão, as ruas vão se estreitando continuamente. Quanto mais se afasta da avenida Presidente Castelo Branco,     (Avenida Leste Oeste), mais as condições de moradia no bairro se tornam precárias.

Devido a atuação de diversas entidades como associações, ONG’s, e até da Igreja católica, representada pelo Padre Hélio Campos, que permaneceu durante muitas anos à frente da paróquia do Pirambu, as condições de vida e de moradia melhoraram bastante,  mas estão longe de atingir as condições mínimas de dignidade. O resultado da pesquisa do IBGE atesta o fato.
  
Rua do Pirambu
foto Fátima Garcia


6%  dos  brasileiros  vivem em aglomerados subnormais;
O Ceará é o 3° colocado no Nordeste, em número de aglomerados subnormais com um total de 226 aglomerados;
Em Fortaleza, dos 108.903 domicílios em aglomerados subnormais, 2.906 não dispõem de tratamento adequado para o lixo. 
O local com maior índice é o Marrocos (no bairro Bom Jardim). Dos 519 domicílios, 63% não coletam.
7.958 não dispõem da forma correta de abastecimento de água. 
A maior deficiência, com 13% do total, é o Pirambu.
29.924 não dispõem do serviço de rede geral de esgoto. 
O local com maior deficiência é Borba Gato. Dos 3.567 domicílios, 2.488 não possuem rede de tratamento de esgoto.

Ranking Nacional em Aglomerados Subnormais:

1-Rocinha – Rio de Janeiro  –  23 352 domicílios
2-Rio das Pedras – Rio de Janeiro –  18 700 domicílios
3-Sol Nascente – Brasília –  15 737 domicílios
4-Casa Amarela – Recife – 15 215 domicílios
5-Coroadinho – São Luís –  14 278 domicílios
6-Paraisópolis – São Paulo – 13 071 domicílios
7-Baixadas da Estrada Nova Jurunas – Manaus – 12 666 domicílios
8-Heliópolis – São Paulo – 12 105 domicílios
9-Pirambu – Fortaleza – 11 630 domicílios

Ranking Municipal

1-  Pirambu – 42.878 pessoas
2 - Lagoa do Coração – 19.256 pessoas
3 -  Alto do Bode – 16.495 pessoas
4 -  Giona’s Motel – 14.293 pessoas
5 -  Borba Gato – 12.950 pessoas
6 -  Língua de Cobra 12.379
7 -  Farol – 10.112 pessoas
8 -  Pantanal III – 9.419 pessoas


Fontes:
IBGE
Jornal O Povo
Jornal Diário do Nordeste

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O Governo Vicente Fialho e a construção das Avenidas

As Avenidas Aguanambi, Borges de Melo  e  José Bastos são algumas das grandes vias da Fortaleza atual que nasceram na gestão de Vicente Fialho. Prefeito de Fortaleza entre 1971 e 1975, Vicente Fialho teve sua gestão marcada pela abertura de vias importantes para a Capital. 



Liga a Avenida Dom Manuel à Avenida Borges de Melo. Sua construção foi iniciada em 2 de junho de 1971, e  inaugurada um ano depois, em 1° de junho de 1972.  

Na lista de avenidas construídas durante seu mandato estão a Aguanhambi, e a Borges de Melo, em 1972, a Presidente Castelo Branco (Leste Oeste) em 1973, a Zezé Diogo, o Quarto Anel Viário e a  José Bastos, em 1975.

Engenheiro especializado na área de transportes, Fialho assumiu a gestão municipal em uma época em que os problemas neste setor saltavam aos olhos. 
Não havia, por exemplo, uma avenida que ligasse o Porto do Mucuripe à região industrializada da cidade, na Barra do Ceará.  Na política, o tempo era de ditadura militar e Fialho chegara ao governo municipal por indicação do coronel César Cals, então governador do Ceará.

A Praça do Ferreira, inicio dos anos 1970. Os famosos caixotes que descaracterizaram e enfeiaram o coração de Fortaleza, foi herança do antecessor, José Walter Cavalcante. 

Como diretriz  para as intervenções que precisavam ser feitas, o ex-prefeito teve em mãos um Plano Diretor concebido ainda na gestão do general Cordeiro Neto, que comandou o município entre 1959 e 1963. A peça indicava soluções para o sistema viário básico e foi usada por Fialho para planejar as ações de sua gestão.

Avenida Leste Oeste, em meados da década de 1970. Ainda não havia o Hotel Marina

Construindo uma  via para ligar a região do Porto do Mucuripe à Barra do Ceará, por exemplo, resolvia-se mais que a necessidade de ligar o porto às indústrias, mas também se facilitava o acesso ao bairro do Pirambu, cujo grau de violência urbana crescia em função da pouca acessibilidade para a região.


A Avenida Leste Oeste mede em toda sua extensão, 3.500 metros. Tem inicio na confrontação da Avenida Dom Manuel e estende-se até a Barra do Ceará. 

Com essa concepção nasceu a Avenida Presidente Castelo Branco, a famosa Avenida Leste-Oeste.  A urbanização da região pôs fim, inclusive, a famosa zona de prostituição que funcionava naquela área. O detalhe é que a Prefeitura pagou às madames pela liberdade das moças.

Para resolver o eterno congestionamento  da Avenida João Pessoa, a solução foi abrir outra via de fluxo entre os bairros da região sul de Fortaleza a bairros como Centro e zona Leste.  A partir daí a gestão de Fialho executou as obras de construção da Avenida José Bastos, com três faixas em cada mão. 

Avenida José Bastos, abrangendo da Carapinima até a Osório de Paiva; passando pela Rua Augusto dos Anjos é também a segunda etapa do 4° Anel Viário de Fortaleza. (arquivo Nirez)

A maioria dos recursos empregados, nestas e em outras avenidas, foram oriundos de financiamento com o Governo Federal através do recém-criado Fundo Nacional de Desenvolvimento Urbano.


Vicente Cavalcante Fialho nasceu em Tauá, veio para Fortaleza aos 13 anos de idade, formou-se em engenharia pela Universidade Federal do Ceará e, a partir desse momento, teve uma vida pública agitada.

Antes de ser prefeito de Fortaleza, foi prefeito de São Luís do Maranhão indicado pelo então governador José Sarney; depois foi ministro das Minas e Energia entre 1989 e 1990; e deputado federal pelo Ceará, de 1991 a 1995.

Fontes:
Jornal O Povo
Wikipédia