Mostrando postagens com marcador hotel de france. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador hotel de france. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Quais São e Onde estão os Imóveis mais Antigos do Centro de Fortaleza

Capital do século XIX, Paris foi molde para as cidades que se formavam.  Feita por linhas tortas à época, seguindo  o curso dos rios, a então Vila de Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção remodela-se à imagem e semelhança de Paris. A cidade não se instalou por acaso, seguiu um traçado urbano. A reforma urbana que aconteceu em Paris serviu de modelo para Fortaleza. Mas a cidade demorou a crescer. O Ceará é de colonização tardia devido a fatores diversos: o difícil acesso, o mar de vagas traiçoeiras, o terreno arenoso das dunas, rios que desaparecem no meio do curso, e o clima semiárido, quente com areias escaldantes.

 

A cidade vista dos seus outeiros cabia no espaço de uma janela. A Fortaleza da primeira metade do século XIX ainda era um arremedo de cidade. Situava-se entre as ruas da Praia (atual Avenida Pessoa Anta) e da Misericórdia (atual Dr. João Moreira, ao Norte; De Baixo (atual Rua Conde D'Eu) a Oeste; , Dom Pedro (atual Pedro I) ao Sul e Amélia (atual Senador Pompeu) a Oeste. Fora deste circuito, com pequenas exceções, tudo eram areias, casas de palha, uma ou outra casa de tijolo com sofrível aparência. 

Passeio Público com a Avenida Caio Prado vista da Avenida Mororó - 1908

A partir da segunda metade, a cidade começou a se desenvolver e começaram a surgir edificações com arquitetura mais refinada. A maioria das construções desse período até o início do século XX, desapareceu, restando alguns poucos exemplares, que escaparam da onda modernista que invadiu a cidade.
Identificamos alguns deles, que funcionaram como residências ou comércios ou serviram aos dois usos. Dentro desse critério de funcionalidade, desconsideramos as igrejas, a Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, (antigo Forte Schoonenborch), construído em 1649 e o Seminário da Prainha, cuja inauguração remonta aos idos de 1864.

 (final do Século XVIII)


O mais antigo dentre os antigos, é sem dúvida, o Palácio da Luz. Construído com auxilio de mão-de-obra indígena, para servir de residência ao capitão-mor Antonio de Castro Viana. Em 29 de setembro de 1802, a câmara municipal pediu ao Príncipe Regente que mandasse arrematar o imóvel, ficando a câmara obrigada a pagar o seu valor com as sobras que pudesse ter anualmente. Em 1809, o então governador Luis Barba Alardo de Menezes passou a ocupar o edifício que pertencia à câmara municipal. Em 12 de março, 26 de abril e 30 de junho de 1810, a câmara oficiou ao governador, pedindo-lhe o prédio, uma vez que era necessário que tivesse uma casa para suas sessões e guarda de arquivos. Tudo em vão.  Como não obtivesse solução a respeito, a câmara fez uma representação ao Príncipe Regente, se queixando que o governador se apoderara da casa que lhe pertencia. E o imóvel permaneceu como residência oficial dos governadores do Ceará até 1963, quando a sede do governo foi transferida para uma casa na Avenida Barão de Studart. Além de sede do governo estadual, o Palácio já abrigou a Biblioteca Pública, e a Casa de Cultura Raimundo Cela. Hoje acolhe a Academia Cearense de Letras. Fica na Rua do Rosário s/n, Centro. Tombamento Estadual de 1983.


para saber mais sobre o Palácio da Luz:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2011/08/o-palacio-que-o-tempo-esqueceu.html

2 - Palácio João Brígido atual Paço Municipal
 (início século XIX)

foto Flick - Bete Maciel
Uma das edificações mais antigas de Fortaleza abriga hoje a sede do Governo Municipal. Construído no início do século XIX,  o edifício  da Rua São José era um armazém de alimentos de propriedade do Sargento-Mor Antônio Francisco da Silva, um dos antepassados da família Albano. Dos Albanos, o armazém passou para os Guimarães, outro poderoso clã da cidade.  
Naqueles velhos tempos, a chácara dos Guimarães era um oásis à beira do Pajeú e ainda afastado do Centro da cidade, embora fosse perto da Catedral. Em 1866 foi comprado pela Tesouraria da Fazenda por 60 mil réis. 
Mais tarde, conforme contrato entre a igreja e o governo, foi transferido para a Diocese para servir de sede ao Bispado. A partir daí passou a ser conhecido como Palácio do Bispo. Recomprado pela prefeitura em 1973, passou por diversas reformas e desde 2010 abriga o Paço Municipal. Localizado na Rua São José, s/n, Centro. Imóvel tombado pelo Município.  

para saber mais sobre o Palácio João Brígido:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2011/08/o-palacio-do-bispo-entre-igreja-e-o.html

 3 - Palacete Avenida Central - atual Casarão dos Fabricantes (década de 1830)


Construído em 1830, em estilo neoclássico por Joaquim Ignácia da Costa Miranda, para sua residência. Originalmente era um sítio localizado às margens do Riacho Pajeú e de frente para a Igreja da Sé.Depois perdeu parte dos terrenos, desapropriados pela prefeitura. Neste local funcionaram o Hotel Avenida e várias repartições, como a Codagro, o Departamento de Expansão Econômica, o Departamento de Estatística , primeira sede do BNB, a Prefeitura de Fortaleza e a Câmara dos Vereadores, e o Polo Central de Atendimento Social a Criança e ao Adolescente, inaugurado em setembro de 1992 para atender os meninos de Rua. 
Atualmente funciona no local o Casarão dos Fabricantes, que abriga revendedores de confecções, bolsas e artesanatos. Fica na Avenida Alberto Nepomuceno, 339, esquina com a Rua Rufino de Alencar. Centro.

para saber mais sobre o Palacete Avenida Central:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2014/09/alguns-imoveis-do-seculo-xix-no-centro.html


A história da Santa Casa de Fortaleza é datada do início do século XIX, mas a construção de sua sede só ocorre a partir de 1847. Com o apoio e a consequente instalação da associação religiosa Irmandade da Misericórdia, o hospital, até então denominado Hospital da Caridade, passa a se chamar Santa Casa de Misericórdia com inauguração oficial em 1861. Endereço: Rua Barão do Rio Branco, 20, Centro. Tombado pelo Município de Fortaleza.

para saber mais sobre a Santa Casa:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2009/09/santa-casa-da-misericordia-de-fortaleza.html

5 - Sobrado Dr. José Lourenço (segunda metade do Século  XIX)


O sobrado de três pavimentos e três portas foi construído na segunda metade do Século XIX. Tinha na fachada original a frente adornada de frisos de azulejos, com dois jarrões e uma bela estatueta. Localizado na Rua da Palma, atual Major Facundo, foi o primeiro prédio de três andares construído no Estado. Pertenceu ao médico sanitarista Dr. José Lourenço de Castro e Silva (1803-1874), que utilizou o casarão como residência e consultório.
Mas o sobrado conheceu outros usos:  No térreo funcionou uma fábrica de guarda-chuvas. Os dois pavimentos superiores foram ocupados pelo então Tribunal da Relação do Ceará que funcionou no local desde o dia 17 de abril de 1875, até mudar-se para o edifício da Rua Barão do Rio Branco. Também funcionou no sobrado por pouco tempo, na década de 1930, a Prefeitura de Fortaleza. Na década de 1950 abrigou a Boate Marajó.Depois de ficar anos abandonado, o velho sobrado foi tombado pela Secretaria de cultura do Ceará em 2004, e restaurado em 2006. Inaugurado em 31 de julho de 2007, foi entregue ao público com nova destinação: ser um espaço de convivência das artes visuais do Ceará. Fica na Rua Major Facundo, 154, centro de Fortaleza

para saber mais sobre o sobrado:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2010/09/sobrado-dr-jose-lourenco.html


O prédio onde está instalado o Colégio da Imaculada Conceição foi construído em 1865 para servir de asilo a meninos pobres - a Casa dos Educandos -  mas fora fechada por falta de recursos para sua manutenção. O lugar acabou sendo adquirido pelas freiras da Ordem das Filhas de São Vicente de Paulo, com a ajuda financeira do presidente da Província. O Colégio passou a funcionar no local a partir de 1867.  Ocupa toda a quadra situada entre as ruas Coronel Ferraz, Costa Barros, 25 de Março, e a Avenida Santos Dumont,  integrando na confluência das Avenida Santos Dumont, com a rua Coronel Ferraz, a Igreja do Pequeno Grande.  Tombamento Municipal em 2015.

para saber mais sobre o Colégio da Imaculada Conceição: 
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2010/06/colegio-da-imaculada-conceicao-igreja.html

7 -Prédio da Antiga Cadeia Pública - atual Centro de Turismo do Ceará (1866)


A antiga Cadeia Pública, hoje Centro de Turismo do Ceará, foi projetada em 1850, levando cerca de 16 anos para ter suas obras concluídas, em 1866. Localizado no centro, na Rua Senador Pompeu, 350, o edifício de linhas neoclássicas,  com dois pavimentos era dividido em dois raios no pavimento inferior, onde ficavam as celas em número de 28. No andar superior ficavam o alojamento do carcereiro, o arquivo e as enfermarias. Cada cela recebia entre 12 e 20 presos, e continham uma janela alta com grossas barras de ferro. 
Com a mudança da Cadeia para outro local, o prédio foi ocupado pela Emcetur - Centro de Turismo do Ceará, criada em 1973 pelo então governador César Cals. Atualmente funcionam no local, além da Emcetur, o Museu de Arte Popular e o Museu da Mineralogia. A edificação foi tombada pelo Estado em 1982.

para saber mais sobre a antiga cadeia pública: 
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2010/10/o-antigo-sistema-carcerario.html

8 - Prédio do Palace Hotel - atual sede da Associação Comercial do Ceará (por volta de 1870)


foto de Francisco Garcia
Primitivamente havia no local um sobrado construído na 2a. metade do século XIX, pertencente a Odorico Sergismundo de Arnout. O sobrado foi demolido e construido outro, para residência do casal Emília Borges e Dario Telles de Menezes. Posteriormente o casal resolveu morar em Maranguape, onde passou a administrar o Sitio Ypioca, adquirido da família Amaral. Na ocasião alugaram o sobrado para o Clube Cearense,   que se instalara primeiramente em sua sede própria, o prédio edificado pela União Cearense, na esquina da Rua Floriano Peixoto com a Rua Dr. João Moreira, e que se tornara pequeno para o grande número de sócios. De lá saiu para o prédio alugado aos Borges Telles. O Clube Cearense encerrou suas atividades na passagem para o século XX, e o imóvel passou a ser ocupado pelo Hotel de France, e mais tarde pelo Palace Hotel, que ficou no edifício entre 1927 e 1971. A partir de 1977, passou a funcionar no local a sede da Associação Comercial do Ceará. Localizado na Rua Dr. João Moreira, n° 207, Centro.

9 - Palácio Senador Alencar - atual Museu do Ceará (1871)

 

O prédio que hoje abriga o Museu do Ceará teve sua construção iniciada em 1855 e concluída em 1871. Foi idealizado para ser a Assembleia Provincial do Ceará, em pleno Brasil Império. Fica no quadrilátero entre as ruas São Paulo (frente principal), General Bezerril, Floriano Peixoto e Travessa Morada Nova. O projeto em estilo neoclássico é do engenheiro Adolfo Herbster. O Palácio Senador Alencar já foi ocupado pela Faculdade de Direito, Biblioteca Pública,  Tribunal Regional Eleitoral,  Instituto do Ceará e a Academia Cearense de Letras. O imóvel foi tombado pelo IPHAN em 1973.

para saber mais sobre o Palacete Senador Alencar:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2010/10/palacio-senador-alencar-museu-do-ceara.html

10 -Escola de Música Luiz Assunção (1875)


Na Rua Solon Pinheiro, n° 60, bem em frente ao Parque da Criança, imprensada ali, entre o antigo prédio do IBEU, hoje transformado em estacionamento, e a ABCR (Associação Beneficente Cearense de Reabilitação), está a Escola de Música Luiz Assunção. O casarão foi construído em 1875 e está com tombamento provisório feito, através do decreto número 11.961, de 2006, pela Prefeitura de Fortaleza.

para saber mais sobre a Escola de Musica: 
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2013/11/escola-de-musica-luiz-assuncao.html


A Estação Central da Estrada de Ferro de Baturité, foi projetada e construída pelo engenheiro Henrique Foglare, no local do antigo cemitério de São Casemiro praticamente com mão-de-obra dos retirantes da seca de 1877 . O terreno em que foi erguida pertencia à sesmaria de Jacarecanga, de procedência da família Torres que fez doação a uma sociedade de oficiais do exército. A Confraria de São José declarou-se dona da região e mais tarde a aforou à via férrea de Baturité. A obra teve sua pedra fundamental lançada em 30 de novembro de 1873, mas somente foram iniciadas as obras em 1879, sendo, assim, inaugurada em 9 de junho de 1880, em frente ao antigo Campo da Amélia, atual Praça Castro Carreira (Praça da Estação). A Estação João Felipe foi desativada em 2014 e passa por reformas para ser transformada num espaço de lazer e cultura. Tombamento estadual. 

saiba mais sobre a estação João Felipe: 
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2011/05/construcao-da-estrada-de-ferro-de.html

12 - Solar Fernandes Vieira - Arquivo Público do Ceará (1880)


O edifício onde funciona atualmente o Arquivo Público do Estado do Ceará, foi construído em 1880 pela família Fernandes Vieira, para residência do deputado Miguel Fernandes Vieira (1819-1879).  Adquirido em 1883 pelo Governo Imperial para sediar a Tesouraria da fazenda, o edifício passou por diversas reformas e ampliações quando sediou instituições públicas, dentre as quais a Receita Federal. O edifício pertence à União, e encontra-se cedido ao Governo do Estado.  Tombamento estadual. Localizado na Rua Senador Pompeu, 648 

saiba mais sobre o solar: 
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2010/09/arquivo-publico-do-estado-do-ceara.html

13 - Antiga Escola Normal - atual sede do IPHAN (1884)

 

O prédio localizado na então Praça Marquês de Herval (atual Praça José de Alencar), foi construído para abrigar a Escola Normal.  Em 2 de outubro de 1881 foi feito o lançamento da pedra fundamental, projeto do engenheiro Henrique Foglare e execução do mestre Francisco de Souza Brasil. Foi concluído em dezembro de 1882, mas sua inauguração só aconteceu algum tempo depois, em 1884. Em 1925 passou a ser ocupado pelo Grupo Escolar Norte da Cidade,  mais tarde, pelo  Grupo José de Alencar.  Em 1947 o prédio foi doado ao Instituto Médico, atual Faculdade de Medicina, a qual passou a funcionar no local a partir de 17 de novembro de 1947, permanecendo até 1954. Foi transferido para a Universidade Federal em abril de 1956, tendo sido ocupado pela Faculdade de Farmácia e Odontologia até 1987, quando o curso foi transferido para o Campus de Porangabuçu,  passando o prédio a ser ocupado pelo IPHAN. Tombamento Estadual em 1995. 

para saber mais:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2012/12/predio-do-iphan.html

14 - Casa de Juvenal Galeno (1887)

 
foto de Muhammad Said
Construída para residência do poeta Juvenal Galeno e sua família, foi transformada em centro cultural e literário desde 1919. No local, Galeno criou os seus sete filhos e viveu até morrer, cego, aos 95 anos em 1931.  Trata-se de imóvel de ampla fachada com porta principal e quatro portas com sacadas de ferro. Originais são os ornamentos da platibanda, com volutas estilizadas e uma lira centralizada. Fica na Rua General Sampaio, 1128, Centro. 

para saber mais:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2011/04/casa-de-juvenal-galeno.html

15 - Edifício da Alfândega atual Caixa Cultural (1891)


O prédio da antiga alfândega,  teve projeto de José Gonçalves da Justa, execução e obras de Tubias Laureano Figueira de Melo e Ricardo Lange, que utilizaram pedras e argamassa feita de óleo de peixe e areia. As ferragens foram importadas da Inglaterra, da empresa Walter Mac Farlane e Co. Foi a primeira obra significativa realizada no Ceará na Primeira República. 
A responsabilidade pela construção coube a Companhia Ceará Harbour Corporation, empresa inglesa concessionária dos serviços portuários de Fortaleza, reunia interesses dos governos inglês e brasileiro e dos exportadores cearenses. O Contrato de construção foi celebrado em 5 de maio de 1883, tendo iniciado as obras em 14 de outubro de 1884 e inaugurada em julho de 1891. Fica na Avenida Pessoa Anta, Praia de Iracema. Tombado pelo Estado.

para saber mais sobre o prédio da Caixa Cultural:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2013/01/a-alfandega-no-ceara.html

16 -Casa do Barão de Camocim 
 (final do Século XIX)


A mansão do Barão de Camocim foi construída no final de século XIX com uma arquitetura baseada no Renascimento europeu. Considerada uma das edificações mais antigas de Fortaleza, a casa do Barão foi um lugar que recebeu pessoas ilustres do cenário nacional e internacional. Atualmente o espaço vem sofrendo com modificações na estrutura original. Além disso, os próprios efeitos do tempo e a falta de manutenção provocam o desgaste de objetos que ainda permanecem no local. Fica na Rua General Sampaio, 1632 – Centro. Propriedade da Prefeitura Municipal de Fortaleza. Tombamento Municipal.  

17 - Prédio da União Cearense - atual Museu da Indústria (final do século XIX)


Construído no final do século XIX, foi sede do primeiro clube social da cidade, a Sociedade União Cearense (Clube Cearense). Também abrigou o Grand Hotel do Norte, de propriedade do francês Norberto Golinac, onde funcionou a primeira sorveteria de Fortaleza. Em 7 de março de 1895 recebeu as instalações do Correio, vindo do térreo da Assembleia Legislativa, que permaneceu no local até 1934. Em 1935 foi adquirido pela The Ceará Tramway Light and Power, empresa inglesa que explorou os serviços de energia e transportes coletivos. A partir de 1948, com a encampação da Light pela prefeitura de Fortaleza, o prédio passou para a empresa de eletricidade. Desde setembro de 2014, o local abriga o Museu da Indústria do Ceará. Fica na Rua Dr. João Moreira, 143. Tombamento Estadual.

para saber mais sobre o prédio do Museu da Indústria:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2010/07/patrimonio-edificado-o-predio-da-coelce.html


Obras Consultadas:
Ideal Clube - História de uma sociedade de Vanius Meton Gadelha Vieira
Luis Sucupira. Origem e Desenvolvimento da Santa Casa de Fortaleza. Revista do Instituto Histórico do Ceará. Tomo XCIX, 1985. Pg. 212-220.
Descrição da Cidade de Fortaleza - Antônio Bezerra de Menezes, introdução e notas de Raimundo Girão
Geografia Estética de Fortaleza - Raimundo Girão
Caminhando por Fortaleza - Francisco Benedito 
História do Ceará - Airton de Farias
História Abreviada de Fortaleza e Crônicas sobre a cidade amada - Mozart Soriano Aderaldo
Revista Fortaleza - fascículo 9 - artigo Cidade "A la Belle Maniere"
Mansões, Palacetes, Solares e Bangalôs de Fortaleza - Marciano Lopes
fotos do Arquivo Nirez, IBGE, Google e Fortaleza em Fotos 


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Expandindo a cidade

Do Passeio Público nasciam paralelas e em direção a Praça do Ferreira as três mais importantes ruas da cidade: Boa Vista, Palma e Formosa, hoje respectivamente,   Floriano Peixoto, Major Facundo e Barão do Rio Branco. Cortadas perpendicularmente por travessas – como eram chamadas as ruas que tinham seu desenvolvimento na direção Leste-Oeste – formavam quarteirões, identificados por suntuosos edifícios. 


Pelos velhos casarões alinharam-se as ruas, disciplinando assim, a expansão da cidade, iniciada por Silva Paulet.  A Rua Floriano Peixoto foi a primeira a ser retificada. Serviu como sua balizadora a direção que ia do forte à antiga residência dos Governadores. Ressaltando o seu início, frente ao Passeio Público, erguia-se o belo edifício que foi a sede própria do Clube Cearense e que abrigaria o Grande Hotel do Norte.

A primitiva Residência dos Governadores, que mais tarde pertenceria a Martinho de Borges, tinha seu pátio atravessado por esta rua. Nesta área atualmente encontram-se o Banco do Brasil, o Palácio do Comércio e o prédio dos Correios.  Da Rua Floriano Peixoto originaram-se importantes travessas. A partir do casarão do português  Manuel Nunes de Mello, o Barão de Santo Amaro, delineou-se a Travessa das Hortas, atual Rua Senador Alencar. Esta travessa prolongava-se até o primitivo matadouro da cidade, onde hoje se ergue o Palacete Guarani, na Rua Barão do Rio Branco, onde funcionou a partir de 1913, o Clube dos Diários.
 
No cruzamento sudoeste dessas ruas, Barão do Rio Branco e Senador Alencar, deparava-se com a esquina do Telles, assim chamada pela presença do grande sobrado do comendador Antônio Telles de Menezes, que se prestava ao alinhamento da Rua Barão do Rio Branco. No alto do casarão residia o Comendador Telles e no pavimento térreo distribuíam-se os conhecidos “quartos do Telles” servindo de armazéns de víveres, e de hospedarias, provavelmente as primeiras da cidade. Estes corriam ao longo de uma das chamadas “calçadas altas”, elevações formadas no desnível da rua, pela convergência de águas pluviais – até a Rua Amélia, hoje, Senador Pompeu. Atualmente esses quartos da antiga Fortaleza são ocupados por diversas lojas comerciais e pela sede do Instituto de Previdência do Estado (IPEC).

Rua Floriano Peixoto esquina com a Rua São Paulo -1929 

Em 1893, na esquina das ruas Floriano Peixoto e Senador Alencar, estabeleceu-se a firma Frota e Gentil, que em 1917 criou uma seção bancária, transformada em 1931 no Banco Frota e Gentil.

O capitão-mor Joaquim José Barbosa recepcionava em sua residência a elite de Fortaleza. De seu casarão, edificado na parte norte da atual  Praça General Tibúrcio, originou-se a travessa da Assembleia, hoje Rua São Paulo. Posteriormente funcionou neste sobrado “ A Central”, de Pedro Lazar.

No dia 25 de maio de 1940 inaugurou-se o Palácio do Comércio, projetado pelo renomado arquiteto francês George Henri Munier e construído por Omar O’Grady. Na parte térrea deste edifício passaria a funcionar, a partir de junho de 1940, a segunda sede do Banco União, tendo como endereço a Rua Floriano Peixoto, 397. Também em 1940, no térreo do Palácio do Comércio foi inaugurado o Restaurante Belas Artes, propriedade de Osvaldo José Azin e filhos. 

Sobrado do Comendador Machado, na esquina das Ruas Guilherme Rocha com Rua Major Facundo, demolido para dar lugar ao Excelsior Hotel

A residência de Francisco José Pacheco de Medeiros, abrigaria desde 1831, a Intendência Municipal e  a Câmara dos Vereadores. Daí, até o sobrado do Comendador Machado, onde hoje se encontra o Excelsior Hotel, estendia-se a Travessa Municipal, hoje Rua Guilherme Rocha . Este casarão alinhava também a Rua Major Facundo.

O Palacete dos Borges Telles iniciava a Rua Major Facundo em frente ao Passeio Público. Essa residência serviu de última sede ao aristocrático Clube Cearense e, a seguir, ao Hotel de France, sediando de 1927 a 1971 o Palace Hotel. A partir de 1977 passou a funcionar ali a sede da Associação Comercial do Ceará. O Palace Hotel teve seu tempo de brilho. Ali realizaram temporadas artísticas cantores famosos como Vicente Celestino, Augusto Calheiros e o regente Ercole Varet. 

 Rua Major Facundo, 1913

Nas baixadas da lagoinha e no antigo Campo da Amélia, ao lado do Morro do Croatá, sítios onde mais tarde seriam construídos o Hospital César Cals e a Estação Central da Estrada de Ferro Baturité, nascia um afluente do Pajeú. Corria pela quadra entre as ruas São Paulo e Castro e Silva, atravessando o centro da cidade, unindo-se a este principal riacho, no lado sul da Praça da Sé. No tempo das chuvas as águas corriam para seu antigo leito, inundando ruas e terrenos vizinhos. No antigo vale deste afluente, a colônia libanesa instalaria seus armazéns de fazendas e miudezas. Já em 1922 ali se encontravam: Elias Asfora & Cia; Jacob Elias e Irmão; Salomão Hissa, Salim Nasser e Irmão, Simão Jereissati, Jorge Honsy e Filho, Kalil Otoch e Filho, Jamil Rabay, Elias Bachá, e outros.


Dessa colônia surgiria a Sociedade União Síria, fundada em 17 de março de 1923, nos altos do Armazém Esplanada de Abraão Otoch, na Rua Major Facundo, n° 55. Posteriormente juntamente com a Colônia Libanesa formaria a União Sírio-Libanesa, instalando-se na Avenida Santos Dumont. Por essa época, foi fundado o Clube Líbano Brasileiro, que construiu sua sede na Rua Tibúrcio Cavalcante, até seu encerramento.

de Vanius Meton Gadelha Vieira
fotos do Arquivo Nirez 

sábado, 2 de agosto de 2014

O Culto do Afrancesamento

O Hotel de France acompanhava a tendência de afrancesamento da época; o Passeio Público, que teve como modelo os  jardins públicos europeus, acolhia as elites da cidade.
 
Paris, capital do século XIX, segundo a expressão de Walter Benjamin, não só estava na moda como ditava modas para o mundo ocidental estabelecendo os modelos e figurinos a serem seguidos para se poder estar em dia com os novos tempos. E assim foi na Europa, em São Paulo, Rio de Janeiro e em Florianópolis. Em Fortaleza não foi diferente, seduzindo os novos grupos afluentes, ansiosos por novidades que lhes deleitassem e demarcassem a superioridade social e estética. O afrancesamento, sinal de prestígio e refinamento, tornou-se uma febre na capital, nas mais variadas formas e sentidos.

 Rua Major Facundo, esquina com a Guilherme Rocha anos 20. No local onde  funcionava o Café Riche hoje está o Excelsior Hotel.  

Era elegante utilizar termos e nomes franceses onde fosse possível. O caso mais evidente era o das próprias lojas que vendiam objetos de desejo mundano vindos de Paris. Assim, não era à toa que as mesmas passassem a ostentar títulos como Rendez-vous de Dames, Au Phare de La Bastille, Paris des Dames, Paris n’America, Bom Marché, Maison Moderne, Louvre; e também Hotel de France, Restaurant Entaminet Europeu, café Riche, Confeitaria Maison Art Nouveau, Notre Dame de Paris, além de Farmácia Francesa e Farmácia Pasteur. Em suas vitrines, o atraente acervo de artigos europeus constituídos de tecidos, sapatos, perfumes, chapéus, bijuterias, conservas, bebidas, maquinários e peças de automóveis.

Propaganda da Farmácia Pasteur, fundada em 1894 e vendida em 1905, para a empresa que fez esse anúncio

Havia no ofício de fotógrafo a superstição dos nomes franceses. Fotógrafo com nome nacional ficava sem trabalho. O velho e moreno Moura passou a ser Moura Quineau. O Eurico Bandeira transformou-se em Eurico Bandière.
Alguns casos de mudança de nomes nacionais por franceses não se deram por objetivos mercadológicos, mas pela espiritualidade popular que a tudo satirizava, e que não poderia deixar passar sem gozação, tamanha compulsão pelas coisas da França. Foram os casos do Bembém Garapeira, chamado de “Bien-Bien Garapiere” e do Dr. Aurélio de Lavor que se tornou “Monsieur Laveur”. 


 Garapeira do Bembém, localizada na antiga Praça Carolina e José de Alencar, atual Waldemar Falcão. foto de 1909.

Bembém era o proprietário de um quiosque de madeira no centro da Cidade que vendia garapa de cana-de-açúcar. Seu pequeno estabelecimento divertia o público pelas brincadeiras do seu dono e por conter coisas bizarras, como cabeças feitas pelo próprio garapeiro em quengas de coco. De tanto ouvir falar da França, o garapeiro passou a cultivar o sonho de conhecer Paris. Instruído por Alfredo Salgado, um dos mais ricos comerciantes da cidade, Bembém economizou dinheiro e um belo dia, para surpresa geral, viajou para a França. Seu relato da viagem é uma das mais hilariantes histórias que a Capital já ouviu. 

Quem conta é Otacílio de Azevedo, no seu “Fortaleza Descalça”.
Bembém foi e voltou radiante. Lamentava apenas ter ido tão tarde, não podendo assistir a decapitação de Maria Antonieta... Aquilo é que é cidade!, dizia entusiasmado. No hotel onde me hospedei fui obrigado a escrever meu nome. Como a língua era outra, escrevi: “Bien-Bien” e mais embaixo: Garapiere. E completava: Olha, lá eu só andava com um homem chamado Cicerone que falava Português como eu. Terra adiantada aquela: todo mundo falando francês, até mesmo os carregadores chapeados, as crianças e as mulheres do povo! Bembém não se cansava de falar da França e completava declarando que lá, a única palavra em português que ouvira fora “mercibocu”... a conselho de um intelectual perverso, mandou imprimir um cartão para distribuir com amigos e fregueses: 

 BIEN-BIEN – Garapière
Fortaleza – Ceará.

Já o caso do Dr. Aurélio de Lavor é uma ilustração contundente de que a mania de afrancesamento da época às vezes beirava o patético, e por isso mesmo, logo percebido e transformado em gozação pública. O médico em questão, após viagem à Europa, não descuidava de usar impecáveis fraques, calça listrada, sapatos de verniz e cravo branco à lapela. Seu exagero se completava com a compulsão de sempre falar em francês em qualquer conversação. Em face disso, o ferino jornalista João Brígido nas páginas do seu jornal Unitário resolveu mudar o nome de Aurélio de Lavor para Monsieur Laveur, alcunha pilhérica que ganhou fama na cidade.

No meio literário a admiração pela França também se fez presente, afinal era a pátria de escritores estimados pelos literatos brasileiros. Dentre os muitos literatos cearenses que cultivavam o encantamento francês, sobressaía-se Antônio Sales, um dos principais escritores do começo do século. Vibrava quando falava na França que era uma espécie de segunda pátria para ele.


Fachada da loja Torre Eiffel, localizada na Rua Major Facundo 88. Anos 20

Recitar versos em francês era comum nas rodas literárias, principalmente entre a jovem boemia literária que vigorou intensamente na cidade, perpetrando suas aventuras urbanas em cafés, tabernas, serestas, comícios e através de pequenos jornais que não cansavam de publicar e que, em geral não passavam do 3º número.

Nesse grupo uma dos que mais se destacou pela vivência boêmia foi William Peter Bernard, profundo conhecedor das obras de poetas franceses ditos malditos, como Baudelaire, Verlaine e Rimbaud. Figura singular, Bernard costumava andar arrastando um grande bode holandês, recitava poesias com ardor enquanto se embriagava nos cafés do centro e nas bodegas e botequins mais reles, quando o dinheiro escasseava.

Certa feita, ao se deparar com dezenas de flagelados da seca de 1915 em tumulto com policiais na praia, Bernard e seus companheiros promoveram uma passeata com os retirantes dali até a Praça do Ferreira, bradando “Pão ou Revolução”. Dela só desistiu quando veio o recado do Presidente do Estado de que as frentes de serviço na estrada de ferro estavam reabertas e que o Dispensário dos Pobres receberia verba especial para atender os retirantes. No dia seguinte foi intimado para ir prestar explicações à Polícia. 


 Restaurante do Clube Iracema, que funcionava no Palacete Ceará, atual Caixa Econômica, na Praça do Ferreira, década de 1920 

Todos esses indicativos de um forte referencial francês na constituição do comércio importador-exportador, no viver mundano, nas letras e ciências em Fortaleza, consubstanciam aspectos da ardente vontade de instaurar na Cidade uma nova ordem sócio-urbana, onde as classes dominantes pudessem auferir os benefícios de uma sociedade produtiva, aformoseada, civilizada e higienizada. O afrancesamento foi, nessa perspectiva, uma vivência e uma das frentes  de persuasão tentadas para romper com a tradição e o provincianismo da cidade.

Extraído do livro
Fortaleza Belle Epoque reformas urbanas e controle social – 1860-1930
De Sebastião Rogério Ponte
pesquisa:
Cronologia Ilustrada de Fortaleza
de Miguel Ângelo de Azevedo
fotos do Arquivo Nirez