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sexta-feira, 17 de maio de 2024

As Ruínas da Cidade

 

Fortaleza é a cidade onde o poder público não investe na recuperação de bens que precisam de manutenção ou reparação. A filosofia é deixar se degradar até o ponto de não ter mais como restaurar. Ai, acham a solução final. Abandonar ou mandar demolir. Não é uma questão da mentalidade desse ou daquele gestor, é uma prática danosa generalizada; é a cidade onde não existe nenhuma preocupação com a preservação de qualquer bem que possa vir a ser identificado com a formação da cidade. Conseguimos criar uma cidade sem memória, sem passado, sem história. Devido à condição de cidade moderna, não são toleradas estruturas ou edificações que lembrem seu hábitos ou usos passados. Primeiro passo é abandonar, fazer de conta que não existe.  Abandonados estão o Farol do Mucuripe, a Ponte Metálica, a Ponte dos Ingleses, a Escola Jesus, Maria José, as Caixas d’água da Praça Clóvis Beviláqua.    

Abandonada foi a velha Ponte Metálica, primeiro porto de Fortaleza, equipamento que contribuiu decisivamente para o crescimento da cidade, quando os exportadores de couro e algodão aproveitaram a inauguração da estrada de ferro e passaram a embarcar seus produtos pelo porto de Fortaleza, em detrimento dos portos de Aracati e Camocim, que até então cumpriam esse papel.  Concluída em 1906, a ponte metálica foi o necessário porto de embarque de passageiros e cargas até 1947, quando começou a ser gradativamente desativada, à medida que entravam em operação os serviços do Porto do Mucuripe.



Ponte Metálica em 1935 e atualmente (imagens UWM Libraries e G1)

Para justificar a falta de investimentos no equipamento, deram-lhe o pomposo título de ruína histórica”, que no caso, equivale a cercá-la com tapumes para evitar o acesso de incautos e curiosos que insistiam em visitar o local. Em outros plagas, “ruínas históricas” são atrações turísticas devidamente preservadas, que rendem grandes recursos na medida que atraem visitantes. Viraram ruínas porque não existem mais os materiais originais de suas construções, nessa situação, restaurá-las significaria descaracterizá-las. No Brasil, por exemplo, uma das ruínas históricas mais visitadas estão no Rio Grande Do Sul, as ruínas dos “Sete Povos das Missões” cuja fundação pelos jesuítas remonta ao tempo das acirradas guerras entre portugueses e espanhóis pela conquista das terras onde hoje se localiza o Rio Grande; batalhas épicas, descritas na magnifica obra de Érico Verissimo “O Tempo e o Vento”; ou as ruinas do “Castelo Garcia D’Ávila”, construção de 1551,  em Praia do Forte, na Bahia. São ruinas/monumentos abertos à visitação, com acesso pago, aptos a contar uma parte importante dos primórdios desses Estados. No Ceará, ruína histórica é sinônimo de abandono e esquecimento.

Outros fadados ao apagamento são o farol velho do Mucuripe, e a Ponte dos Ingleses. O farol teve suas obras iniciadas em 1840, e concluídas em 1846. Foi construído com mão-de-obra escrava, passou por inúmeras reformas e foi desativado no fim da década de 1950. Por um breve período funcionou como sede do museu do jangadeiro, mas o projeto não vingou e o equipamento desde então ficou abandonado. Apesar do abandono, é tombado como patrimônio histórico do Ceará. 


Ponte dos Ingleses em 2012 e atualmente (imagens Fortaleza em Fotos e G1)


A Ponte dos Ingleses seria originalmente o porto de Fortaleza em substituição a Ponte Metálica, mas não chegou a ser concluída, portanto, não tinha uma função específica. Passou anos sem nenhuma função. Mas caiu bem como equipamento turístico, quando foi recuperada em 1994, como espaço de lazer. Virou point de encontro e de contemplação da cidade. O mais interessante é que já foi anunciado reiteradas vezes pelas mídias, que o poder público dispõe de recursos para recuperação de ambos, tanto do farol quanto da ponte. Já houve até disputa entre gestores municipais e estaduais para ver quem levava o privilégio de recuperar a Ponte dos Ingleses. Até agora, nada.



     Caixas d'água da Praça Clóvis Beviláqua (imagens Arquivo Nirez e Mapio)                            

As Caixas d’água localizadas na Praça Clóvis Beviláqua datam as duas mais antigas, de 1912, quando da implantação do sistema de abastecimento de água. Os reservatórios armazenavam as águas do açude Acarape do Meio. Ao lado está o pequeno edifício destinado ao escritório da administração O terceiro reservatório é da década de 1960. Com o crescimento de Fortaleza veio a necessidade de expandir o sistema de distribuição de águas, tendo as caixas d’aguas do Benfica sido desativadas. Hoje, tudo está abandonado: os reservatórios, o prédio da administração, as grades que as cercam.



Escola Jesus Maria José, na inauguração e atualmente (fotos Pinterest e Diário do Nordeste)

Já o prédio da Escola Jesus Maria José é um exemplar da arquitetura eclética tão em voga em fins do século XIX e início do século XX. A construção foi iniciada em 1902, sendo inaugurado 1905, numa iniciativa do bispo de Fortaleza Dom Joaquim José Vieira, para abrigar uma escola para meninos pobres ou órfãos. Merece ser recuperado em reconhecimento ao seu valor arquitetônico e histórico. 

publicação Fortaleza em Fotos/por Fátima Garcia 



terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

As moradas dos Ricos de Fortaleza (Século XIX/Início do Século XX)


Até o final do século XVIII, Fortaleza, apesar de ser a capital da Capitania, não se destacava em relação a outras vilas cearenses. Poucas ruas eram pavimentadas, as edificações residenciais eram de uma singeleza que se ofuscavam diante das casas assobradadas de Aracati, ou quando comparadas com a qualidade dos materiais utilizados nas construções de Icó.

Com a separação de capitania de Pernambuco, em 1799, Fortaleza, por sua localização e pela qualidade do seu porto, rivalizou com outras vilas a possibilidade de centralizar a exportação de algodão e couro, como também de se destacar enquanto centro importador. Esse período assistiu à mudança do significado político da cidade, que passou a ser a capital econômica da província.

Porto de Fortaleza - década de 1910

Ocorreram mudanças em algumas residências que ganhavam sobrados, no estabelecimento de construção destinados à inspeção do algodão exportado e no porto, que recebia um volume cada vez maior de embarcações portuguesas e inglesas. O comércio e a arquitetura começaram a se diferenciar em comparação com outras localidades cearenses. A partir de 1840, uma série de empresas europeias se instalaram, e intensificaram o comércio com a América com a exportação de produtos agropecuários.

A lenta transformação pela qual a cidade passava, era indicada por um crescimento arquitetônico registrado em 1841, pelo viajante americano Daniel Kidder. Em sua fala o americano não deixava de ressaltar que a população ainda preferia construções mais simples e rápidas de serem erguidas, não sendo usual a edificação de casas mais caras e trabalhosas. As ruas continuavam sem pavimentação até 1857, quando foi efetivado o projeto de calçamento que contou com a contratação de “calceteiros” das Ilhas de Açores.

O sobrado erguido em 1825 por Francisco José Pacheco de Medeiros foi o primeiro imóvel de tijolo e telha a levantar-se em Fortaleza. Em 1831 a Câmara comprou o prédio mudou-se para a nova sede em 1833, dividindo o sobrado com a cadeia pública. Mais tarde, com a saída da Casa de Correção, o prédio foi ocupado pela Intendência Municipal. Foi demolido em agosto de 1941 

A explosão comercial, o aumento da presença de estrangeiros na cidade, o incremento da circulação de produtos e hábitos europeus, poderiam ser considerados alguns dos fatores que contribuíram para uma tímida mudança na arquitetura interna e nos significados dos domicílios de Fortaleza. Essas transformações não alcançavam toda a sociedade, era restrita a um grupo social mais abastado.

Um cronista da época, o conhecido Boticário Ferreira, em 1843 deixava claro que segmento social estava relacionado diretamente com essas transformações: a elite. A cidade era quase toda de casebres. Na maioria das ruas só se encontravam casas baixas e estreitas, de porta e janela, sem rótulas ou persianas. O material empregado era a taipa e a palha (paredes de taipa de sopapo e cobertas de folha de palmeiras eram amplamente utilizadas pela população mais pobre), sendo este o tipo mais comum de edificação.

De beira e bica, a primitiva residência dos governadores, estava localizada na Rua Direita dos Mercadores, atual Sena Madureira. Construção despojada, dos primórdios da cidade, quando ainda não se arrematam os beirais com platibandas.

O desenvolvimento da cidade e o surgimento de famílias com mais recursos financeiros, permitiram um novo padrão de moradia; e entre as simplórias casas de taipa e palha, foram sendo erguidas residências de maior porte, de alvenaria, edificadas com materiais mais duradouros, com o uso de tijolos, assentados com argamassa de cal de ostras e areia e cobertas com telhas. Tudo sem requintes, sem ornamentos nas fachadas, sem platibandas, todas de beira e bica. Aos poucos, a lenta evolução da província ia permitindo aqui e ali, alguma construção de maior vulto, até atingir o período em que senhores de vastas posses, muitas deles detentores de títulos e brasões, traziam da Europa, os projetos para suas moradias.

Mais tarde, a cidade começou a ser dividida em bairros, onde se destacavam casas de grande porte, palacetes e mansões. Alguns desses ricos proprietários até se permitiam o luxo de trazer do Velho Mundo os materiais necessários às suas construções, sem falar nos acabamentos. Foi quando as rústicas telhas de barro, produzidas nos arredores da cidade, foram substituídas pelas delicadas telhas de Marselha e até por ardósia importada da Franca, para as construções mais suntuosas.

Palácio Guarani construído em 1908, cópia de um imóvel europeu. Foi modificado algum tempo depois para retirada do telhado de ardósia. Era de propriedade do Barão de Camocim. O imóvel bastante modificado, fica na Rua Barão do Rio Branco esquina com Senador Alencar.

E os telhados ganharam status de obra-de-arte, motivo de admiração de uma população desacostumada a essas novidades. Da Inglaterra vinham as louças sanitárias (os vasos, as banheiras, os lavatórios). Portugal mandava as pinhas, os jarrões, as estátuas e os ladrilhos de faiança. Algumas casas utilizavam madeiras europeias e o agora raro pinho de riga. Era usado em assoalhos, portas, janelas e bandeirolas. Em muitos casos, até o cimento era importado.    
conhecida por "Casa da Normandia", foi construída em 1920, copiada de uma revista francesa. Permanece praticamente inalterada. Fica na Avenida Filomeno Gomes, no bairro Jacarecanga. 

Outro ponto que distinguia as casas dos mais abastados, era a mobília. Em geral, em casas de pobres, nas vilas, nas cidades e nas zonas rurais, as mobílias das casas eram sintetizadas na presença de redes, malas, algumas cadeiras e mesas rústicas. Já em Fortaleza, começavam a aparecer as mobílias mais pesadas, caras, com o claro objetivo de proporcionar conforto e requinte.

Sofás, cadeiras, mesa de centro, castiçais, lanternas, jarras, cômodas, foram alguns dos itens anunciados pelo leiloeiro Victoriano Borges, objetos oferecidos em leilão por uma família de mudança para o Pará. No armazém de Rocha Junior, eram vendidos canapés com assento de palhinha, mesa de sala, cômodas grandes e pequenas, lavatórios, camas e oratórios.


O requinte da mobília cresceu proporcionalmente ao luxo dos casarões. Tapetes, jarros, pratarias, lustres, quadros, móveis e outros elementos de decoração, passaram a ser importados da Europa.

Fontes:
Entre Paredes e Bacamartes – de A. Otaviano Vieira Jr 
Mansões, Palacetes, Solares e Bangalôs de Fortaleza – de Marciano Lopes 
fotos Arquivo Nirez


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Palácio do Bispo, atual Paço Municipal/ Palácio João Brígido

Para quem já viveu sobre seu piso de madeira vermelha, o prédio ainda hoje é conhecido como Palácio do Bispo. A alcunha é devido ao fato de o local ter abrigado – por mais de cem anos, de 1860 a 1973 – a residência episcopal. Serviu de morada aos bispos e padres, além de seminaristas que recebiam aulas de religião em seus aposentos.


Localizado num terreno atrás da Catedral Metropolitana de Fortaleza, na Rua São José, o palácio e a área que o circunda, passou do poder religioso ao poder público municipal, e é hoje a sede da Prefeitura de Fortaleza. Considerando o passado arquitetônico, trata-se de um prédio raro, embora não muito antigo do ponto de vista histórico. Não tem nem 200 anos. Porém, em termos de Fortaleza, é um dos mais antigos, de acordo com o historiador Antônio Luiz Macedo.


No século XIX, mesmo com a expressão econômica da cidade sendo diminuta, começaram a proliferar as edificações de alvenaria, mais passíveis de preservação. Construções mais modestas e abundantes, de madeira trançada, não tiveram como resistir à passagem do tempo.

A partir de 1973, o casarão foi palco das decisões políticas dos prefeitos de Fortaleza, mas foi deixado de lado em 1991, no primeiro mandato do prefeito Juraci Magalhães. O resultado foi o total esquecimento da manutenção do edifício durante esse período, ocupado por algumas secretarias municipais. Em 2005, foi tombado, o que, no entanto, não significou uma restauração imediata, o que só veio a ocorrer três anos depois.

Ao ocupar o Palácio, o Paço Municipal não preservou sua fachada original. Ao longo dos anos e dos diferentes usos que foram dados ao imóvel, ele foi sendo modificado. Sua estrutura é original, mas as diversas intervenções foram agregando elementos de outras concepções.

O edifício da Rua São José era um armazém de alimentos de propriedade do Sargento-Mor e comerciante português Antônio Francisco da Silva, um ascendente da família Albano. Dos Albano, o armazém passou para os Guimarães, outro poderoso clã da cidade.  No século XIX, a chácara dos Guimarães era um oásis à beira do Pajeú e ainda afastado do Centro da cidade, embora fosse perto da Catedral .

imagem da área do Centro com a antiga Igreja de São José (demolida em 1938), e logo atrás, o Palácio do Bispo e o Bosque Dom Delgado 

E foi essa proximidade com a Catedral o principal motivo que levou o casarão a mudar de dono mais uma vez. Em 1860, o prédio foi comprado pelo Governo Imperial por 60 mil réis para ser a sede do Bispado de Fortaleza. Ainda não havia bispo naquela época.  Dom Luiz Antônio dos Santos, embora nomeado o primeiro prelado da diocese do Ceará em 1859, só chegou a Fortaleza em 1861, mas não ocupou o Palácio.

Mais tarde a casa passou aos cuidados de Dom Joaquim – bispo de 1884 a 1912 – que foi responsável por manter junto à igreja, a posse do prédio, mesmo depois da Proclamação da república (1889) e da Primeira Constituição Republicana, quando a igreja perdeu a relação com o Estado.

fachada interna do Palácio João Brígido 

A venda do Palácio do Bispo para a Prefeitura foi feita por Dom José Delgado. Para conseguir vender o casarão, Dom Delgado recorreu ao Vaticano, devido a falta de autorização local. Conseguido o apoio, foi passada a edificação, com área de mais de dois mil metros quadrados, ao prefeito Vicente Fialho, por Cr$ 3.094.500,00.

Bosque Dom Delgado, no quintal do Palácio, cortado pelo riacho Pajeú. Foto de 1991

Dom Delgado alegou “a pobreza da arquidiocese, que não suportava o ônus da manutenção do patrimônio, aos ecos do Concilio Vaticano II, que propagava a pobreza pelos quadrantes do mundo, levando aos bispos a despojar-se do poder e riqueza,e a presença constante de comensais no Palácio, que obrigava as religiosas a redobrados trabalhos”, escreveu no O Povo, em março de 1979.

Dom José de Medeiros Delgado

A justificativa era em resposta ao artigo “Devolva-se o quanto antes à Arquidiocese o histórico Palácio do Bispo”. Assinado por Daniel Carneiro Job, publicado no mesmo jornal, em fevereiro, no qual acusava o bispo de vender o casarão “a preço de bolo de milho em fim de festa”.

O antigo Palácio do Bispo, o atual Paço Municipal é denominado oficialmente de Palácio João Brígido, em homenagem ao político e jornalista João Brígido dos Santos (1829-1921). 


Fontes:
Anuário de Fortaleza 2012-2013
fotos O Povo, Arquivo Nirez e Anuário do Ceará

    

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Quais São e Onde estão os Imóveis mais Antigos do Centro de Fortaleza

Capital do século XIX, Paris foi molde para as cidades que se formavam.  Feita por linhas tortas à época, seguindo  o curso dos rios, a então Vila de Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção remodela-se à imagem e semelhança de Paris. A cidade não se instalou por acaso, seguiu um traçado urbano. A reforma urbana que aconteceu em Paris serviu de modelo para Fortaleza. Mas a cidade demorou a crescer. O Ceará é de colonização tardia devido a fatores diversos: o difícil acesso, o mar de vagas traiçoeiras, o terreno arenoso das dunas, rios que desaparecem no meio do curso, e o clima semiárido, quente com areias escaldantes.

 

A cidade vista dos seus outeiros cabia no espaço de uma janela. A Fortaleza da primeira metade do século XIX ainda era um arremedo de cidade. Situava-se entre as ruas da Praia (atual Avenida Pessoa Anta) e da Misericórdia (atual Dr. João Moreira, ao Norte; De Baixo (atual Rua Conde D'Eu) a Oeste; , Dom Pedro (atual Pedro I) ao Sul e Amélia (atual Senador Pompeu) a Oeste. Fora deste circuito, com pequenas exceções, tudo eram areias, casas de palha, uma ou outra casa de tijolo com sofrível aparência. 

Passeio Público com a Avenida Caio Prado vista da Avenida Mororó - 1908

A partir da segunda metade, a cidade começou a se desenvolver e começaram a surgir edificações com arquitetura mais refinada. A maioria das construções desse período até o início do século XX, desapareceu, restando alguns poucos exemplares, que escaparam da onda modernista que invadiu a cidade.
Identificamos alguns deles, que funcionaram como residências ou comércios ou serviram aos dois usos. Dentro desse critério de funcionalidade, desconsideramos as igrejas, a Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, (antigo Forte Schoonenborch), construído em 1649 e o Seminário da Prainha, cuja inauguração remonta aos idos de 1864.

 (final do Século XVIII)


O mais antigo dentre os antigos, é sem dúvida, o Palácio da Luz. Construído com auxilio de mão-de-obra indígena, para servir de residência ao capitão-mor Antonio de Castro Viana. Em 29 de setembro de 1802, a câmara municipal pediu ao Príncipe Regente que mandasse arrematar o imóvel, ficando a câmara obrigada a pagar o seu valor com as sobras que pudesse ter anualmente. Em 1809, o então governador Luis Barba Alardo de Menezes passou a ocupar o edifício que pertencia à câmara municipal. Em 12 de março, 26 de abril e 30 de junho de 1810, a câmara oficiou ao governador, pedindo-lhe o prédio, uma vez que era necessário que tivesse uma casa para suas sessões e guarda de arquivos. Tudo em vão.  Como não obtivesse solução a respeito, a câmara fez uma representação ao Príncipe Regente, se queixando que o governador se apoderara da casa que lhe pertencia. E o imóvel permaneceu como residência oficial dos governadores do Ceará até 1963, quando a sede do governo foi transferida para uma casa na Avenida Barão de Studart. Além de sede do governo estadual, o Palácio já abrigou a Biblioteca Pública, e a Casa de Cultura Raimundo Cela. Hoje acolhe a Academia Cearense de Letras. Fica na Rua do Rosário s/n, Centro. Tombamento Estadual de 1983.


para saber mais sobre o Palácio da Luz:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2011/08/o-palacio-que-o-tempo-esqueceu.html

2 - Palácio João Brígido atual Paço Municipal
 (início século XIX)

foto Flick - Bete Maciel
Uma das edificações mais antigas de Fortaleza abriga hoje a sede do Governo Municipal. Construído no início do século XIX,  o edifício  da Rua São José era um armazém de alimentos de propriedade do Sargento-Mor Antônio Francisco da Silva, um dos antepassados da família Albano. Dos Albanos, o armazém passou para os Guimarães, outro poderoso clã da cidade.  
Naqueles velhos tempos, a chácara dos Guimarães era um oásis à beira do Pajeú e ainda afastado do Centro da cidade, embora fosse perto da Catedral. Em 1866 foi comprado pela Tesouraria da Fazenda por 60 mil réis. 
Mais tarde, conforme contrato entre a igreja e o governo, foi transferido para a Diocese para servir de sede ao Bispado. A partir daí passou a ser conhecido como Palácio do Bispo. Recomprado pela prefeitura em 1973, passou por diversas reformas e desde 2010 abriga o Paço Municipal. Localizado na Rua São José, s/n, Centro. Imóvel tombado pelo Município.  

para saber mais sobre o Palácio João Brígido:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2011/08/o-palacio-do-bispo-entre-igreja-e-o.html

 3 - Palacete Avenida Central - atual Casarão dos Fabricantes (década de 1830)


Construído em 1830, em estilo neoclássico por Joaquim Ignácia da Costa Miranda, para sua residência. Originalmente era um sítio localizado às margens do Riacho Pajeú e de frente para a Igreja da Sé.Depois perdeu parte dos terrenos, desapropriados pela prefeitura. Neste local funcionaram o Hotel Avenida e várias repartições, como a Codagro, o Departamento de Expansão Econômica, o Departamento de Estatística , primeira sede do BNB, a Prefeitura de Fortaleza e a Câmara dos Vereadores, e o Polo Central de Atendimento Social a Criança e ao Adolescente, inaugurado em setembro de 1992 para atender os meninos de Rua. 
Atualmente funciona no local o Casarão dos Fabricantes, que abriga revendedores de confecções, bolsas e artesanatos. Fica na Avenida Alberto Nepomuceno, 339, esquina com a Rua Rufino de Alencar. Centro.

para saber mais sobre o Palacete Avenida Central:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2014/09/alguns-imoveis-do-seculo-xix-no-centro.html


A história da Santa Casa de Fortaleza é datada do início do século XIX, mas a construção de sua sede só ocorre a partir de 1847. Com o apoio e a consequente instalação da associação religiosa Irmandade da Misericórdia, o hospital, até então denominado Hospital da Caridade, passa a se chamar Santa Casa de Misericórdia com inauguração oficial em 1861. Endereço: Rua Barão do Rio Branco, 20, Centro. Tombado pelo Município de Fortaleza.

para saber mais sobre a Santa Casa:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2009/09/santa-casa-da-misericordia-de-fortaleza.html

5 - Sobrado Dr. José Lourenço (segunda metade do Século  XIX)


O sobrado de três pavimentos e três portas foi construído na segunda metade do Século XIX. Tinha na fachada original a frente adornada de frisos de azulejos, com dois jarrões e uma bela estatueta. Localizado na Rua da Palma, atual Major Facundo, foi o primeiro prédio de três andares construído no Estado. Pertenceu ao médico sanitarista Dr. José Lourenço de Castro e Silva (1803-1874), que utilizou o casarão como residência e consultório.
Mas o sobrado conheceu outros usos:  No térreo funcionou uma fábrica de guarda-chuvas. Os dois pavimentos superiores foram ocupados pelo então Tribunal da Relação do Ceará que funcionou no local desde o dia 17 de abril de 1875, até mudar-se para o edifício da Rua Barão do Rio Branco. Também funcionou no sobrado por pouco tempo, na década de 1930, a Prefeitura de Fortaleza. Na década de 1950 abrigou a Boate Marajó.Depois de ficar anos abandonado, o velho sobrado foi tombado pela Secretaria de cultura do Ceará em 2004, e restaurado em 2006. Inaugurado em 31 de julho de 2007, foi entregue ao público com nova destinação: ser um espaço de convivência das artes visuais do Ceará. Fica na Rua Major Facundo, 154, centro de Fortaleza

para saber mais sobre o sobrado:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2010/09/sobrado-dr-jose-lourenco.html


O prédio onde está instalado o Colégio da Imaculada Conceição foi construído em 1865 para servir de asilo a meninos pobres - a Casa dos Educandos -  mas fora fechada por falta de recursos para sua manutenção. O lugar acabou sendo adquirido pelas freiras da Ordem das Filhas de São Vicente de Paulo, com a ajuda financeira do presidente da Província. O Colégio passou a funcionar no local a partir de 1867.  Ocupa toda a quadra situada entre as ruas Coronel Ferraz, Costa Barros, 25 de Março, e a Avenida Santos Dumont,  integrando na confluência das Avenida Santos Dumont, com a rua Coronel Ferraz, a Igreja do Pequeno Grande.  Tombamento Municipal em 2015.

para saber mais sobre o Colégio da Imaculada Conceição: 
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2010/06/colegio-da-imaculada-conceicao-igreja.html

7 -Prédio da Antiga Cadeia Pública - atual Centro de Turismo do Ceará (1866)


A antiga Cadeia Pública, hoje Centro de Turismo do Ceará, foi projetada em 1850, levando cerca de 16 anos para ter suas obras concluídas, em 1866. Localizado no centro, na Rua Senador Pompeu, 350, o edifício de linhas neoclássicas,  com dois pavimentos era dividido em dois raios no pavimento inferior, onde ficavam as celas em número de 28. No andar superior ficavam o alojamento do carcereiro, o arquivo e as enfermarias. Cada cela recebia entre 12 e 20 presos, e continham uma janela alta com grossas barras de ferro. 
Com a mudança da Cadeia para outro local, o prédio foi ocupado pela Emcetur - Centro de Turismo do Ceará, criada em 1973 pelo então governador César Cals. Atualmente funcionam no local, além da Emcetur, o Museu de Arte Popular e o Museu da Mineralogia. A edificação foi tombada pelo Estado em 1982.

para saber mais sobre a antiga cadeia pública: 
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2010/10/o-antigo-sistema-carcerario.html

8 - Prédio do Palace Hotel - atual sede da Associação Comercial do Ceará (por volta de 1870)


foto de Francisco Garcia
Primitivamente havia no local um sobrado construído na 2a. metade do século XIX, pertencente a Odorico Sergismundo de Arnout. O sobrado foi demolido e construido outro, para residência do casal Emília Borges e Dario Telles de Menezes. Posteriormente o casal resolveu morar em Maranguape, onde passou a administrar o Sitio Ypioca, adquirido da família Amaral. Na ocasião alugaram o sobrado para o Clube Cearense,   que se instalara primeiramente em sua sede própria, o prédio edificado pela União Cearense, na esquina da Rua Floriano Peixoto com a Rua Dr. João Moreira, e que se tornara pequeno para o grande número de sócios. De lá saiu para o prédio alugado aos Borges Telles. O Clube Cearense encerrou suas atividades na passagem para o século XX, e o imóvel passou a ser ocupado pelo Hotel de France, e mais tarde pelo Palace Hotel, que ficou no edifício entre 1927 e 1971. A partir de 1977, passou a funcionar no local a sede da Associação Comercial do Ceará. Localizado na Rua Dr. João Moreira, n° 207, Centro.

9 - Palácio Senador Alencar - atual Museu do Ceará (1871)

 

O prédio que hoje abriga o Museu do Ceará teve sua construção iniciada em 1855 e concluída em 1871. Foi idealizado para ser a Assembleia Provincial do Ceará, em pleno Brasil Império. Fica no quadrilátero entre as ruas São Paulo (frente principal), General Bezerril, Floriano Peixoto e Travessa Morada Nova. O projeto em estilo neoclássico é do engenheiro Adolfo Herbster. O Palácio Senador Alencar já foi ocupado pela Faculdade de Direito, Biblioteca Pública,  Tribunal Regional Eleitoral,  Instituto do Ceará e a Academia Cearense de Letras. O imóvel foi tombado pelo IPHAN em 1973.

para saber mais sobre o Palacete Senador Alencar:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2010/10/palacio-senador-alencar-museu-do-ceara.html

10 -Escola de Música Luiz Assunção (1875)


Na Rua Solon Pinheiro, n° 60, bem em frente ao Parque da Criança, imprensada ali, entre o antigo prédio do IBEU, hoje transformado em estacionamento, e a ABCR (Associação Beneficente Cearense de Reabilitação), está a Escola de Música Luiz Assunção. O casarão foi construído em 1875 e está com tombamento provisório feito, através do decreto número 11.961, de 2006, pela Prefeitura de Fortaleza.

para saber mais sobre a Escola de Musica: 
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2013/11/escola-de-musica-luiz-assuncao.html


A Estação Central da Estrada de Ferro de Baturité, foi projetada e construída pelo engenheiro Henrique Foglare, no local do antigo cemitério de São Casemiro praticamente com mão-de-obra dos retirantes da seca de 1877 . O terreno em que foi erguida pertencia à sesmaria de Jacarecanga, de procedência da família Torres que fez doação a uma sociedade de oficiais do exército. A Confraria de São José declarou-se dona da região e mais tarde a aforou à via férrea de Baturité. A obra teve sua pedra fundamental lançada em 30 de novembro de 1873, mas somente foram iniciadas as obras em 1879, sendo, assim, inaugurada em 9 de junho de 1880, em frente ao antigo Campo da Amélia, atual Praça Castro Carreira (Praça da Estação). A Estação João Felipe foi desativada em 2014 e passa por reformas para ser transformada num espaço de lazer e cultura. Tombamento estadual. 

saiba mais sobre a estação João Felipe: 
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2011/05/construcao-da-estrada-de-ferro-de.html

12 - Solar Fernandes Vieira - Arquivo Público do Ceará (1880)


O edifício onde funciona atualmente o Arquivo Público do Estado do Ceará, foi construído em 1880 pela família Fernandes Vieira, para residência do deputado Miguel Fernandes Vieira (1819-1879).  Adquirido em 1883 pelo Governo Imperial para sediar a Tesouraria da fazenda, o edifício passou por diversas reformas e ampliações quando sediou instituições públicas, dentre as quais a Receita Federal. O edifício pertence à União, e encontra-se cedido ao Governo do Estado.  Tombamento estadual. Localizado na Rua Senador Pompeu, 648 

saiba mais sobre o solar: 
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2010/09/arquivo-publico-do-estado-do-ceara.html

13 - Antiga Escola Normal - atual sede do IPHAN (1884)

 

O prédio localizado na então Praça Marquês de Herval (atual Praça José de Alencar), foi construído para abrigar a Escola Normal.  Em 2 de outubro de 1881 foi feito o lançamento da pedra fundamental, projeto do engenheiro Henrique Foglare e execução do mestre Francisco de Souza Brasil. Foi concluído em dezembro de 1882, mas sua inauguração só aconteceu algum tempo depois, em 1884. Em 1925 passou a ser ocupado pelo Grupo Escolar Norte da Cidade,  mais tarde, pelo  Grupo José de Alencar.  Em 1947 o prédio foi doado ao Instituto Médico, atual Faculdade de Medicina, a qual passou a funcionar no local a partir de 17 de novembro de 1947, permanecendo até 1954. Foi transferido para a Universidade Federal em abril de 1956, tendo sido ocupado pela Faculdade de Farmácia e Odontologia até 1987, quando o curso foi transferido para o Campus de Porangabuçu,  passando o prédio a ser ocupado pelo IPHAN. Tombamento Estadual em 1995. 

para saber mais:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2012/12/predio-do-iphan.html

14 - Casa de Juvenal Galeno (1887)

 
foto de Muhammad Said
Construída para residência do poeta Juvenal Galeno e sua família, foi transformada em centro cultural e literário desde 1919. No local, Galeno criou os seus sete filhos e viveu até morrer, cego, aos 95 anos em 1931.  Trata-se de imóvel de ampla fachada com porta principal e quatro portas com sacadas de ferro. Originais são os ornamentos da platibanda, com volutas estilizadas e uma lira centralizada. Fica na Rua General Sampaio, 1128, Centro. 

para saber mais:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2011/04/casa-de-juvenal-galeno.html

15 - Edifício da Alfândega atual Caixa Cultural (1891)


O prédio da antiga alfândega,  teve projeto de José Gonçalves da Justa, execução e obras de Tubias Laureano Figueira de Melo e Ricardo Lange, que utilizaram pedras e argamassa feita de óleo de peixe e areia. As ferragens foram importadas da Inglaterra, da empresa Walter Mac Farlane e Co. Foi a primeira obra significativa realizada no Ceará na Primeira República. 
A responsabilidade pela construção coube a Companhia Ceará Harbour Corporation, empresa inglesa concessionária dos serviços portuários de Fortaleza, reunia interesses dos governos inglês e brasileiro e dos exportadores cearenses. O Contrato de construção foi celebrado em 5 de maio de 1883, tendo iniciado as obras em 14 de outubro de 1884 e inaugurada em julho de 1891. Fica na Avenida Pessoa Anta, Praia de Iracema. Tombado pelo Estado.

para saber mais sobre o prédio da Caixa Cultural:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2013/01/a-alfandega-no-ceara.html

16 -Casa do Barão de Camocim 
 (final do Século XIX)


A mansão do Barão de Camocim foi construída no final de século XIX com uma arquitetura baseada no Renascimento europeu. Considerada uma das edificações mais antigas de Fortaleza, a casa do Barão foi um lugar que recebeu pessoas ilustres do cenário nacional e internacional. Atualmente o espaço vem sofrendo com modificações na estrutura original. Além disso, os próprios efeitos do tempo e a falta de manutenção provocam o desgaste de objetos que ainda permanecem no local. Fica na Rua General Sampaio, 1632 – Centro. Propriedade da Prefeitura Municipal de Fortaleza. Tombamento Municipal.  

17 - Prédio da União Cearense - atual Museu da Indústria (final do século XIX)


Construído no final do século XIX, foi sede do primeiro clube social da cidade, a Sociedade União Cearense (Clube Cearense). Também abrigou o Grand Hotel do Norte, de propriedade do francês Norberto Golinac, onde funcionou a primeira sorveteria de Fortaleza. Em 7 de março de 1895 recebeu as instalações do Correio, vindo do térreo da Assembleia Legislativa, que permaneceu no local até 1934. Em 1935 foi adquirido pela The Ceará Tramway Light and Power, empresa inglesa que explorou os serviços de energia e transportes coletivos. A partir de 1948, com a encampação da Light pela prefeitura de Fortaleza, o prédio passou para a empresa de eletricidade. Desde setembro de 2014, o local abriga o Museu da Indústria do Ceará. Fica na Rua Dr. João Moreira, 143. Tombamento Estadual.

para saber mais sobre o prédio do Museu da Indústria:
http://www.fortalezaemfotos.com.br/2010/07/patrimonio-edificado-o-predio-da-coelce.html


Obras Consultadas:
Ideal Clube - História de uma sociedade de Vanius Meton Gadelha Vieira
Luis Sucupira. Origem e Desenvolvimento da Santa Casa de Fortaleza. Revista do Instituto Histórico do Ceará. Tomo XCIX, 1985. Pg. 212-220.
Descrição da Cidade de Fortaleza - Antônio Bezerra de Menezes, introdução e notas de Raimundo Girão
Geografia Estética de Fortaleza - Raimundo Girão
Caminhando por Fortaleza - Francisco Benedito 
História do Ceará - Airton de Farias
História Abreviada de Fortaleza e Crônicas sobre a cidade amada - Mozart Soriano Aderaldo
Revista Fortaleza - fascículo 9 - artigo Cidade "A la Belle Maniere"
Mansões, Palacetes, Solares e Bangalôs de Fortaleza - Marciano Lopes
fotos do Arquivo Nirez, IBGE, Google e Fortaleza em Fotos