quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Igreja de São Pedro dos Pescadores

 

A antiga igreja de baixo, construída nas areias do Mucuripe pelos pescadores e suas famílias, segundo contam, uma moradora levou uma imagem de Nossa Senhora da Saúde para o Mucuripe. A princípio os moradores iam venerar a santa na casa da moradora. Depois uma outra moradora devota da Santa, de mais posses do que a primeira, mandou erigir uma capela em pagamento de uma graça alcançada. Então levaram a imagem para essa capela, que recebeu o nome de sua padroeira, Nossa Senhora da Saúde.

A igrejinha tinha a sua frente dois pés de flamboyant e a uma proximidade deslumbrante com o mar verde do Mucuripe. As festas reuniam multidões, com fortes manifestações de devoção a Nossa Senhora, quando se queimavam centenas de velas.

A igreja original, com janelas no sótão. Depois de reformas, o sótão foi removido.

Alguns moradores passaram a comercializar velas e outros artigos religiosos no patamar e nas proximidades do templo, o que desagradou ao vigário padre Luiz Rocha. Como os moradores insistiram na prática, o padre mandou fechar a igreja. Mas o povo não concordou e arrombou as portas da igreja, o que provocou a ira do padre e do bispo Dom Manuel, que mandou excomungar todos os envolvidos no episódio e interditar a igrejinha.  Inconformados, os moradores se juntaram em mutirões se empenharam na construção de uma nova igreja, no alto de uma duna, a atual matriz da paróquia do Grande Mucuripe, concluída em 1932.

Depois de algum tempo, em 1937, atendendo reivindicação de moradores, foi dada permissão do arcebispo, para reabertura do pequeno templo dos pescadores, que depois de restaurada passou a cultuar a devoção a São Pedro, o santo pescador. Essa igrejinha outrora, tinha um sótão, onde ficavam o coral e um órgão. Possuía três frentes e, no lugar onde hoje está o sino, havia duas janelinhas que davam vista para o mar. A planta original foi sendo modificada à medida que aconteceram as reformas. O sótão desapareceu com as mudanças. 



Era na igrejinha de baixo que os pescadores vinham pagar suas promessas, não só eles, mas todo o povo do Mucuripe e de outros lugares da cidade e até do interior. Centenas de ex-votos, talvez milhares deles, atestando a fé da gente praiana na sua padroeira: miniaturas de jangadas que se salvaram em dias de mar revolto, garrafas com preces recolhidas na praia, braços, pernas e mãos em gesso, em cera, em osso, em madeira, um mundo de provas dos milagres de Nossa Senhora. Todos esses ex-votos desapareceram com o fechamento da igrejinha.

A igrejinha foi fechada, considerada “porta do inferno” por Monsenhor Luiz Rocha, que convenceu o arcebispo a interditar a capelinha onde os moradores faziam suas preces e agradeciam os milagres de sua mãe protetora. A comemoração da festa de São Pedro, com procissão de barco pela enseada do Mucuripe, existe desde a década de 1930.


Foto Diário do Nordeste

Foto O Povo

A programação em homenagem a São Pedro, realizada anualmente, tem início no dia 20 de junho, com a tradicional novena realizada todas as noites na Igreja de São Pedro, na Avenida beira Mar. As celebrações encerram no dia 29 de junho com uma missa realizada logo nas primeiras horas da manhã. Após a cerimônia, a imagem do santo é conduzida em cortejo terrestre por pescadores vestidos com roupas tradicionais até uma embarcação. Em seguida, tem início a procissão marítima em direção ao espigão do Náutico.   

A Festa de São Pedro dos Pescadores, é primeiro bem imaterial registrado oficialmente em Fortaleza.

fontes:

Mucuripe, de Pinzon a Padre Nilson, de Blanchard Girão/Jornais O Povo/Diário do Nordeste. Fotos Pinterest/Anuário do Ceará. 

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Padre José Nilson, o Benfeitor do Mucuripe

 

Desde quando foi elevado à categoria de Paróquia, em 1931, o Mucuripe teve sucessivos vigários: chegavam, passavam dias, algumas semanas ou meses e depois pediam transferência. Era realmente uma paróquia difícil, uma comunidade constituída de pescadores e suas famílias que moravam em casebres, não contavam com qualquer tipo de ajuda e sofriam as maiores carências, situando-se muito aquém da linha de pobreza. Mas tinham uma grande religiosidade e depositavam suas esperanças na proteção da padroeira do lugar, Nossa Senhora da Saúde


Região do Farol do Mucuripe final dos anos 1930

Praia do Mucuripe início dos anos 1950, cenário encontrado pelo padre Nilson
 

No dia 05 de maio de 1950, assumia um novo vigário, o padre José Nilson Oliveira Lima: pouco mais de dois anos de ordenação, vinte e poucos anos de idade. Tempo previsto de permanência: 6 meses. Logo no início, o padre se surpreendeu com o contraste entre a esplendorosa paisagem natural e a miséria dos moradores. Começou seu reconhecimento pelos recantos do imenso território da paróquia. Subia e descia morros, vencia trechos prolongados no meio de um areal cansativo; Farol, Morro do Teixeira, Encantado, Santa Teresinha, Favela Verdes Mares, Varjota, Jurema, Vila dos Estivadores... um longo e penoso percurso que a juventude e o ardor religioso do padre enfrentavam com entusiasmo e coragem.


Imagem: https://www.facebook.com/acervopejosenilson/
Seminário da Prainha anos 1910

Naquele início dos anos 50, chegar ao Mucuripe era uma aventura. Havia tão somente uma linha de ônibus – Cais do Porto – que demorava horas, e já vinha lotado do Centro. Padre Nilson morava no Seminário da Prainha, e pegava o ônibus em frente ao local. Tinha lugar garantido, por mais cheio que o ônibus estivesse. Os estivadores que vinham do centro, reservavam o seu lugar. Era conhecido dos motoristas da linha e dos demais passageiros, estimado e respeitado por todos.

De Início o Padre Nilson criou a Associação da Juventude Católica do Mucuripe, para encaminhamento de menores pobres, que viviam em ambiente pernicioso, pouco recomendável a crianças, sem escola e sem regras. Incentivou a construção do cemitério, colégio, estádio e a restauração da igreja de cima (a atual Igreja de Nossa Senhora da Saúde, na Avenida da Abolição). Para tanto, contava com o apoio da comunidade, de alguns políticos, e com as célebres quermesses, que angariavam fundos para tais iniciativas.

Com o tempo, Padre Nilson passou a intervir positivamente junto as comunidades do Mucuripe: tornou-se interlocutor dos Estivadores junto às autoridades da Marinha e da administração do Porto. Foi inscrito como estivador, com direito a carteira do Sindicato, e remuneração pelos dias em que, por sorteio, era escalado para trabalhar na carga e descarga dos navios atracados. Quando vinham lhe pagar o valor da diária, sugeriu que os estivadores guardassem o dinheiro para alguma eventualidade. Mais tarde, foi aposentado como estivador do cais do Porto de Fortaleza.

Também os jangadeiros do Mucuripe tornaram Padre Nilson sócio efetivo da Colônia Z-8. Depois da missa matinal dos domingos, o padre reunia-se com os pescadores, e à exemplo dos estivadores, cuidava dos interesses deles junto à Capitania dos Portos. Tornou-se um pescador de carteirinha. Gozava de muita simpatia e total acolhida por parte das autoridades da Marinha, e sempre era convidado para toda e qualquer solenidade promovida por eles.

As mulheres de faziam a vida na prostituição do Mucuripe contavam com a compreensão e o acolhimento do padre Nilson. Muitas vezes, ao chegar para rezar a missa na capelinha de baixo (atual Capela de São Pedro, na avenida Beira Mar), o padre se deparava com algumas delas embriagadas, sentadas à porta da Igreja. Tinham pelo padre respeito e estima. Levantavam-se quando ele chegava, e apesar da embriaguez, não há qualquer registro de que essas mulheres tenham sido agressivas ou tenham dirigido ao religioso qualquer palavra grosseira.

Foi o Padre José Nilson quem orientou as mulheres a se transferirem para a vizinhança do Farol Velho, onde estavam sendo providenciadas acomodações com relativo conforto. Além de luz, água e transporte coletivo; as prostitutas se estabeleceriam no entorno do farol e as famílias residiriam mais além, em local mais tarde denominado Vicente Pinzon. Cerca de mil e trezentas mulheres da vida fizeram esta baldeação e ali sacramentaram a chamada Zona do Farol.

Padre Nilson chegou ao Mucuripe para ficar 6 meses, mas acabou ficando por mais de 50 anos. Testemunhou amplas transformações no bairro, principalmente transformações físicas, mudando quase que por inteiro aquela visão formosa que encantou os primeiros navegantes que aportaram por aqui, nos idos de 1500. A praia de areias brancas está reduzida a uma estreita faixa praticamente toda ocupada por embarcações, por barraquinhas de venda de peixe ou por equipamentos de lazer implantados pela prefeitura.


Praia do Mucuripe 2011

Centenas de pequenas embarcações a motor apinham as águas calmas da baía. E as dunas de outrora cederam lugar a espigões de muitos andares que compõem um paredão a impedir que o “Nordeste” refresque com sua aragem a cidade calorenta. Do muito que aconteceu, Padre Nilson viu de perto. Depois que se aposentou o padre continuou vivendo no Seminário da Prainha. Faleceu no dia 14 de abril de 2010, aos 88 anos, deixando para todos o exemplo de uma pessoa voltada e devotada às coisas de Deus, pela presença e solidariedade com todos que o cercavam.


O Colégio do Mucuripe foi fundado pelo Padre Nilson em 1963, depois teve o nome mudado para EEF Padre José Nilson - 2012

Igreja de Nossa Senhora da Saúde, construída em 1932, no cimo de uma duna


Morro do Teixeira - 2012

Região do farol, depois que a zona de prostituição foi transferida para lá

Mucuripe atual - vista aérea - imagem Diário do Nordeste


Fontes:

Mucuripe, de Pinzon ao Padre Nilson de Blanchard Girão. Edições Fundação Demócrito Rocha-1998.

Mucuripe / Audifax Rios – Fortaleza: 2013.

fotos: Arquivo Nirez, IBGE, Anuário do Ceará e Fortaleza em Fotos



sábado, 6 de setembro de 2025

As Lagoas e seus Parques Urbanos

 

As lagoas exercem múltiplas funções no meio urbano, quando a quadra chuvosa é mais intensa, essas atribuições ganham mais relevância, é a de escoamento do excesso de água das precipitações. Nesse caso a lagoa funciona como armazenamento desse excesso.



Com a urbanização desordenada e a ocupação de áreas, muitos espelhos d’água foram aterradas, processo que continua e se verifica até em lagoas maiores, com a de Parangaba e Maraponga, em que partes delas são invadidas para fins imobiliários, e outras, em alguns casos, foram completamente aterradas.

Oficialmente, Fortaleza tem 43 corpos hídricos classificados como lagos ou lagoas, onde figura como maior delas em volume de água, a de Parangaba. Mas há na cidade inúmeras lagoas pequenas, localizadas em bairros. 

Os Parques são áreas verdes urbanas, consideradas como áreas de proteção especial, com predomínio de vegetação e de características naturais. Eles influenciam diretamente na qualidade de vida das cidades, proporcionando lazer, contato com a natureza e estimulam a prática de atividades físicas, trazendo benefícios psicológicos, sociais e fisiológicos para a população.

Fortaleza possui 14 parques urbanos criados visando a preservação de lagoas e espelhos d’águas, a maioria criados em 2014, na gestão do prefeito Roberto Claudio


Lagoa da Maraponga – Parque Urbano da Lagoa da Maraponga


A Lagoa da Maraponga é o principal equipamento de lazer do Bairro Maraponga além de ser um dos mais belos espelhos d’água da cidade de Fortaleza, com aproximadamente 95.000 m², e grande extensão de área verde ao seu redor. A lagoa era um antigo açude produzido pelo aterro da Avenida Godofredo Maciel sobre o córrego que alimenta o açude Uirapuru. Antes o local era denominado Parque Ecológico Lagoa da Maraponga, criado no início dos anos 1990.

O Parque urbano foi criado pelo Decreto nº 13.286, de 14/01/2014, limitado a leste pela Avenida Godofredo Maciel; e a oeste pela Rua Áustria (limítrofe à faixa de domínio da Via Férrea). A área do parque é de 193.697,72m².

Lagoa da Sapiranga (Coité) – Parque Urbano da Lagoa da Sapiranga

A Lagoa da Sapiranga faz parte da bacia hidrográfica do Rio Cocó e fica na região leste de Fortaleza, região essa que vem apresentando grande crescimento e desenvolvimento urbano nos últimos anos. Ainda não existe uma ocupação expressiva do entorno da lagoa, apenas algumas construções de tipo residencial. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano Lagoa da Sapiranga nº 13.591, de 20/05/2015. Localização: Bairro Sapiranga. Área: 994.840,13m².

Lagoa da Messejana – Parque Urbano Jornalista Demócrito Dummar


A Lagoa de Messejana é importante marco físico e visual para quem mora no bairro que deu nome à lagoa, o bairro da Messejana. É a segunda maior lagoa do município, tendo importante papel no nascimento do bairro e no desenvolvimento histórico da cidade de Fortaleza. Atualmente é oficialmente denominado como Parque Urbano Jornalista Demócrito Dummar, possui uma área de mais de 380 mil metros quadrados e conta com equipamentos de lazer e feirinha nos fins de semana. Decreto de criação do Parque Urbano nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Messejana. Área Total: 388.060,80m².

Lagoa da Parangaba – Parque Urbano da Lagoa da Parangaba

É a maior lagoa de Fortaleza, tanto em profundidade (máxima de 4,92 metros, média de 2,77 m)) quanto em volume de água (1.190.000m³), faz parte da Bacia Hidrográfica do Rio Ceará. A lagoa é frequentada por um público diverso, incluindo pescadores e pessoas que buscam lazer, sendo conhecida pela famosa feira que se realiza todos os domingos. No final de 2019 passou por uma obra de requalificação onde foram construídas novas calçadas, pista de cooper e vários equipamentos de esporte laser. Também contou com novo paisagismo com o plantio de árvores e criação de jardins. Decreto de criação e do Parques Urbano Lagoa da Parangaba: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Parangaba.  Área: 567.701,84m².

Lagoa do Mondubim – Parque Urbano da Lagoa do Mondubim


A Lagoa do Mondubim, que faz parte da bacia do Rio Ceará onde índios nativos da região pescavam e caçavam, possui uma história intrinsecamente ligada ao crescimento de Fortaleza. O nome “Mondubim” já podia ser encontrado em antigos mapas portugueses, mas somente depois da construção da “Estrada de Ferro Baturité” foi que as pessoas começaram a desembarcar vindo do interior e desenvolver a região. A Lagoa atualmente é um ponto central para lazer no bairro, pois está localizada ao lado do Cuca Mondubim e próxima a vários modais de mobilidade urbana. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano Lagoa do Mondubim: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Novo Mondubim e Vila Manoel Sátiro. Área: 257.967,07m².

Lagoa do Papicu – Parque Urbano da Lagoa do Papicu

A Lagoa do Papicu é considerada uma lagoa totalmente urbana e de pequeno porte, com um espelho d’água de aproximadamente 43.000,00m², Faz parte da bacia hidrográfica da Vertente Marítima. Em 22 de dezembro de 2011, foi aprovada lei que estabelece diretrizes para a realização da Operação Urbana Consorciada Lagoa do Papicu, trazendo melhorias para o entorno da Lagoa do Papicu. Hoje a lagoa e seu entorno são frequentada pela população que busca um espaço de lazer, contando com um campo de futebol e uma pista de skate. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano da Lagoa do Papicu: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Papicu – Área: 210.305,61m².

Lagoa Redonda Parque Urbano da Lagoa Redonda

O Parque Urbano da Lagoa Redonda consiste em uma das maiores áreas regulamentadas dentre as lagoas urbanas do município. Além disto, mesmo estando inserida em um dos bairros de maior densidade populacional de Fortaleza, a Lagoa Redonda possui em seu entorno uma parcela de mata atlântica ainda preservada. Decreto de criação do Parque Urbano da Lagoa Redonda: Nº 14.026, de 30/05/2017.Localização: Bairro Lagoa Redonda. Área: 216.625,35m².

Lago Jacarey – Parque Urbano do Lago Jacarey


O Parque Urbano Lago Jacarey é um espaço de lazer bastante utilizado pela população de Fortaleza. A área contempla a área de preservação ambiental e a área de espaço de lazer onde acontecem atividades recreativas, feirinhas de comida, artesanato e há um restaurante. O espaço é adequado para a prática de atividades físicas, com rota de caminhada em toda sua extensão. Na área ao seu redor estão instalados vários pontos comerciais o que torna o lugar um polo gastronômico da cidade. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano do Lago Jacarey: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Cidades dos Funcionários – Área Total: 21.655,27m².

Lagoa do Opaia – Parque Urbano da Lagoa do Opaia

A Lagoa do Opaia é um local frequentado pela população do seu entorno desde a década de 1980, com seu espelho d’água de aproximadamente 116.970,74m². A construção da praça em seu entorno se deu em meados da década de 1970, período em que foi feita uma revitalização no Aeroporto Internacional de Fortaleza. Atualmente parte do seu entorno está urbanizado, sendo a maioria da ocupação por residências familiares. Seu espaço é utilizado praticantes de esportes e lazer. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano Lagoa do Opaia: nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Aeroporto. Área: 310.748,17m².

Lagoa do Catão – Parque Urbano da Lagoa do Catão

Integrante da Bacia do Rio Cocó, a Lagoa do Catão é um ponto de encontro entre os moradores do bairro Mondubim e Prefeito José Walter. O espelho d’água, de aproximadamente 37.000m² (trinta e sete mil metros quadrados), é um ponto de atração para a população que busca um local para lazer e banho, além de amenizar o clima do ambiente do entorno do manancial. Em seu arredor existem uma série de pontos comerciais, sendo o principal de venda de alimentos. Também conta com uma estação de tratamento da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (CAGECE), que contribui para a conservação do corpo hídrico. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano Lagoa do Catão: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Mondubim –Área Total: 54.059,88m².

antes da criação do Parque 

Lagoa do Porangabussu – Parque Urbano da Lagoa do Porangabussu

A Lagoa do Porangabussu faz parte da bacia hidrográfica do Rio Cocó, com seu espelho d’água de aproximadamente 85.000,00m². A área do entorno da lagoa possui uma grande concentração de equipamentos públicos e de saúde. Hoje o espaço é urbanizado, e conta com áreas de lazer, anfiteatro, quiosques para educação ambiental, quadras de esporte, pista de skate, playground, área de ginástica, pista de cooper. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano Lagoa do Porangabussu: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Rodolfo Teófilo. Área: 117.258,93m².

Lagoa Itaperaoba – Parque Urbano da Lagoa da Itaperaoba

A Lagoa da Itaperaoba localiza-se no Bairro da Serrinha, próximo ao campus da UECE, sendo delimitada ao sul pela Av. Dedé Brasil, a oeste pela Rua Dr. Justa Araújo, ao norte pela Rua Pe. Nóbrega e a leste pela Rua Benjamin Franklin. A lagoa faz parte do Loteamento Parque Itaperaoba, aprovado em 27 janeiro de 1956 pela Prefeitura Municipal de Fortaleza. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano Lagoa da Itaperaoba: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Serrinha. Área Total: 42.411,06m².

Lagoa da Viúva – Parque Urbano Lagoa da Viúva

localizado no bairro Siqueira

A Lagoa da Viúva, também chamada de Açude da Viúva, está inserida na bacia do Maranguapinho, possui um espelho d´água de aproximadamente 50.000m² e com características de um corpo hídrico bem preservado, além de um grande campo de carnaúbas à jusante do açude. Tais aspectos motivaram a criação do Parque Urbano Lagoa da Viúva, regulamentado apenas no ano seguinte ao Decreto de Criação dos Parques urbanos das Lagoas de Fortaleza, mas que significou uma área de mais de 39 hectares protegidos e reservados para educação ambiental e lazer. Decreto de criação do Parque Urbano Lagoa da Viúva: N° 13.687, de 09/11/2015. Localização: Bairro Siqueira – Área Total: 398.564,50m².

Lagoa da Maria Vieira – Parque Urbano da Lagoa de Maria Vieira

Com um espelho d’água de aproximadamente 2,992h, uma profundidade média de 1m e um volume de 29,92m³, a Lagoa Maria Vieira é a “joia da coroa” do bairro Cajazeiras, contando inclusive com a presença ilustre de gansos em suas águas. A Lagoa integra a Sub-Bacia B-2 do rio Cocó e é alimentada por um riacho que aflui a este reservatório, através do canal de drenagem sob a Av. Paulino Rocha. Decreto de criação e regulamentação dos Parque Urbano da Lagoa de Maria Vieira: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Cajazeiras – Área: 50.298,20m².


Fontes: 

https://urbanismoemeioambiente.fortaleza.ce.gov.br/infocidade/696-parques-urbanos-fortaleza

Fotos - Diário do Nordeste - O Povo - G1








sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Cinema era a Melhor Diversão

 

Por volta do ano de 1955 havia muitos cinemas espalhados pelos Centro e em alguns bairros de Fortaleza. Frequentá-los implicava em ter que aceitar algumas regras. Assistir filme no Cine Diogo, por exemplo, exigia pompa e circunstância. Para entrar no cinema tinha que estar de paletó e gravata, da mesma maneira que para comparecer à aula da Faculdade de Direito.

Por essa época vários estabelecimentos do Centro alugavam paletós. Um desses locais era o Café Cearazinho, que dispunha de meia dúzia de paletós surrados, para emprestar aos clientes da casa, que pretendiam ir assistir uma fita, mas viviam esquecendo tal formalidade. Numa das paredes do café, alguém escreveu um versinho à mão:

Estás desanimado?

Esmorecido, sem fé?

Põe o trabalho de lado.

Vem tomar um café...

Uma letrinha miúda, encabulada, completava o convite:

(“No Cearazinho”)

O Diogo pertencia, como o futuro Cine São Luiz, à cadeia nacional de cinemas, fundada por um cearense de Baturité, Luiz Severiano Ribeiro. Mas não era a única. Havia outra rede de casas exibidoras montada com capital cearense, pertencente a Amadeu de Barros Leal, Álvaro Melo, Pedro Coelho de Araújo e Rui Firmeza e possuía entre outros, o Cine Atapu, localizado na esquina da Avenida Pontes Vieira com Visconde do Rio Branco, no rumo de Messejana. Ficava ao lado da casa do Sr. Amadeu de Barros Leal, um bangalô branco, com placa na porta, como era moda então, anunciando seu nome e sua profissão. Foi o segundo cinema da rede Cinemar, e como era longe do centro, era assegurado aos frequentadores das sessões noturnas, que ao final destas, haveria um ônibus da empresa São Francisco, com destino ao Centro.



Cine Atapu, fachada original e depois da reforma

Numa época em que os filmes americanos ainda seguiam alguns critérios de censura, que proibia alguns deslizes de comportamento no campo da moral e dos bons costumes, o Atapu levou ao seu público o realismo do cinema francês. Assim, começou a exibir sessões clandestinas de filmes eróticos, em sessões noturnas às 22horas. O público ficava sabendo por avisos que se propagavam rapidamente em conversas informais da Praça do Ferreira. O fato é que esses festivais de filmes curtos de sexo explícito, despertavam interesse do público, simplesmente por se constituir em evento proibido. Como resposta, o Atapu sofreu denuncias de jornais como O Povo e censuras de publicações da Igreja Católica. O Cine Atapu se manteve por 11 anos, fechando em 1960.

 

Cine Samburá, onde depois funcionou o Cine Fortaleza

Outro cinema importante era o Cine Samburá, principal investimento da Cinemar e o quarto de sua propriedade, onde se dizia que, com os movimentos certos, podia-se namorar sem qualquer limitação. Era um cinema amplo, com 700 lugares, com endereço à Rua Major Facundo, 802, a dois quarteirões da Praça do Ferreira. Com uma inauguração festiva, a sessão de abertura no dia 15 de agosto de 1952, exibiu uma produção histórica italiana: “Pompeia, Cidade Maldita”. Nove anos depois, a 18 de maio de 1969, o cine Samburá fecha as portas com o filme “Aquele que Deve Morrer”.

Fazia parte da rede cearense o Toaçu, localizado à Rua General Sampaio, 927Praça José de Alencar. Era um cinema popular, inaugurado as 9 horas do dia 13 de março de 1956 em concorrida solenidade, que contou com a presença de autoridades e da imprensa. As instalações do Toaçu eram um forno e uma armadilha. O calor era intenso e a decoração toda feita de esteiras de palha de carnaúba, um perigo sempre presente. E não deve ter sido à toa que passou por um incêndio, tendo sido recuperado e equipado com tela panorâmica. O único cinema a se instalar na Praça José de Alencar teve duração de 8 anos, encerrando as atividades em 1963.

 

Cine Toaçu, fachada original e depois da reforma

Fora do perímetro central havia o Cine Ventura, o primeiro cinema da Aldeota, propriedade do português Júlio Ventura, que visando investir no segmento, construiu um imóvel destinado a exibição de filmes, que fosse um divertimento barato e acessível aos moradores. Ficava na Avenida Barão de Studart, 1521, esquina com a Rua João Carvalho. Foi inaugurado em 1941 e encerrou as atividades em 1973.  

Na Praça da Estação à rua General Sampaio, 526, havia o Cine Luz, com 800 lugares, status de cineteatro, propriedade de Luiz Severiano Ribeiro, Inaugurado em 1939, fechado em 1951.

O Cine Rex na Rua General Sampaio, 1263, empreendimento da empresa Clóvis Janja & Cia Ltda, foi entregue ao público no dia 10 de agosto de 1940. Era dotado de ampla sala de espera, extenso hall com cartazes e vasto salão com 640 cadeiras. O cinema fechou as portas pouco mais de um ano depois da inauguração, em 13 de setembro de 1941. Foi reaberto em 10 de maio de 1944, como sala secundária do Grupo Severiano Ribeiro.


Cine Rex, na Rua General Sampaio

O Cineteatro Centro Artístico Cearense funcionava na Rua Tristão Gonçalves, 1008, e esteve em atividade entre 1926 e 1956, quando foi fechado.  

Muitas outras salas de projeção  ofereciam a mais pura diversão com a oferta de grandes filmes, que despertavam diversão e bom entretenimento no público: o Cine Moderno, o Araçanga, o Majestic, o Nazaré, o Cristo Rei, o Popular, o  Benfica, o Merceeiros, o Navegantes, o Parangaba, e muitos outros.

 

Fontes:

A Tela Prateada, de Ary Bezerra Leite, 2011

Louvação de Fortaleza, de Lustosa da Costa. 1995  

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Praça Capistrano de Abreu (Praça da Lagoinha)

 

Localizada no centro entre as Avenidas Tristão Gonçalves, Imperador e Rua Guilherme rocha, ao lado do Hospital e Maternidade Cesar Cals. Sua demarcação é anterior a 1859, ano em que o Conselho de Intendência autorizou a construção de uma cacimba de pedra. A praça foi construída sobre uma pequena lagoa, formada por um dos afluentes do riacho Pajeú, daí a origem dessa primeira denominação. Como a população trazia o lixo de quase toda a cidade para ser descartado ali, a cacimba converteu-se num foco de doenças, ameaçando a saúde pública e teve que ser aterrada.

A partir de 1881 recebeu a denominação de Coronel Teodorico, em homenagem a Antônio Teodorico da Costa, médico, vice-presidente da província, deputado, presidente da Assembleia e Comandante da Guarda Nacional.

Após a Proclamação da República o Conselho de Intendência resolveu que todos os nomes de ruas e praças da cidade seriam substituídos por números e datas. Assim, a praça Coronel Teodorico recebeu a nova denominação de Praça 16 de novembro – data da instalação do governo provisório do Estado do Ceará, em 1889. Mas essa deliberação só vigorou por seis meses, e a praça recebeu o antigo nome de volta, mudando só a titulação do homenageado, de Coronel para Comendador Teodorico.

Nessa ocasião a praça foi arborizada com mongubeiras, que fizeram parte do paisagismo da praça por 39 anos, sendo derrubadas para seu ajardinamento. Por outro lado, por meio de leis municipais de 1919 e 1923, a sua área foi diminuída para a construção de dois institutos de beneficência e caridade.

Havia na praça uma caixa d’água de alvenaria para abastecimento dos trens que passavam pela avenida Tristão Gonçalves, demolida na década de 1920,  pelo diretor da Rede de Viação Cearense por solicitação da prefeitura municipal. Em seu lugar foi construído um coreto, que durante anos foi utilizado para as exibições da Banda da Polícia Militar. 

  


Em junho de 1930, na gestão do prefeito Álvaro Weyne foi construído um jardim que foi chamado de Thomaz Pompeu, em homenagem ao Dr. Thomaz Pompeu de Souza Brasil, vice-presidente da Província em 1889, diretor da faculdade de Direito. Nessa mesma gestão foi instalada uma fonte de águas coloridas (que atualmente se encontra na Praça Murilo Borges).

A partir dessa urbanização, a praça caiu nas graças da população, e passou a ser frequentada por todas as classes sociais. Era chique circular em volta dos canteiros, na área arborizada e bem delineada. A exemplo do que já acontecia no Passeio Público, a divisão de classes se fazia espontaneamente, sem regulamento, sem normas escritas.



No meio da praça circulavam as pessoas da elite, os endinheirados; na periferia, os cidadãos comuns. Virou ponto de encontro de poetas, violeiros, dos casais de namorados, estudantes de rédeas soltas. Ali se realizavam verdadeiras sessões literárias e musicais ao ar livre. Também era o quartel-general de alunos da Fênix Caixeiral, quando este era o grande centro educacional do centro.  

Em 1965, o nome da praça mudou novamente, passando a denominar-se praça Capistrano de Abreu, em homenagem ao historiador nascido em Maranguape. A partir da década de 70 a praça inicia um processo de decadência, comum a outros logradouros do centro, serviu como feira de pássaros, e depois como local de negócios duvidosos, ficando por muito sendo conhecida como feira dos malandros.

A Praça em 2010 (imagem Fortaleza em Fotos)
 

Praça Capistrano de Abreu (imagem do Google Earth set/2024)

Nos últimos anos a Praça da Lagoinha foi fechada por tapumes para a construção da primeira fase do Parque da Cidade, nome dado à obra de integração daquele logradouro à Praça José de Alencar, local da mais importante estação do metrô. O trecho entre as duas praças já foi inaugurado. A praça oficialmente Capistrano de Abreu, nunca perdeu a denominação popular que lhe foi atribuída desde seu surgimento: Praça da Lagoinha 

 

Fontes:

Praças de Fortaleza/Maria Noélia Rodrigues da Cunha/1990//Caminhando por Fortaleza/FranciscoBenedito/1999/ Jornal O Povo/Jornal Diário do Nordeste/Publicação Fortaleza em Fotos - Fotos do Arquivo NIREZ