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sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Cinema era a Melhor Diversão

 

Por volta do ano de 1955 havia muitos cinemas espalhados pelos Centro e em alguns bairros de Fortaleza. Frequentá-los implicava em ter que aceitar algumas regras. Assistir filme no Cine Diogo, por exemplo, exigia pompa e circunstância. Para entrar no cinema tinha que estar de paletó e gravata, da mesma maneira que para comparecer à aula da Faculdade de Direito.

Por essa época vários estabelecimentos do Centro alugavam paletós. Um desses locais era o Café Cearazinho, que dispunha de meia dúzia de paletós surrados, para emprestar aos clientes da casa, que pretendiam ir assistir uma fita, mas viviam esquecendo tal formalidade. Numa das paredes do café, alguém escreveu um versinho à mão:

Estás desanimado?

Esmorecido, sem fé?

Põe o trabalho de lado.

Vem tomar um café...

Uma letrinha miúda, encabulada, completava o convite:

(“No Cearazinho”)

O Diogo pertencia, como o futuro Cine São Luiz, à cadeia nacional de cinemas, fundada por um cearense de Baturité, Luiz Severiano Ribeiro. Mas não era a única. Havia outra rede de casas exibidoras montada com capital cearense, pertencente a Amadeu de Barros Leal, Álvaro Melo, Pedro Coelho de Araújo e Rui Firmeza e possuía entre outros, o Cine Atapu, localizado na esquina da Avenida Pontes Vieira com Visconde do Rio Branco, no rumo de Messejana. Ficava ao lado da casa do Sr. Amadeu de Barros Leal, um bangalô branco, com placa na porta, como era moda então, anunciando seu nome e sua profissão. Foi o segundo cinema da rede Cinemar, e como era longe do centro, era assegurado aos frequentadores das sessões noturnas, que ao final destas, haveria um ônibus da empresa São Francisco, com destino ao Centro.



Cine Atapu, fachada original e depois da reforma

Numa época em que os filmes americanos ainda seguiam alguns critérios de censura, que proibia alguns deslizes de comportamento no campo da moral e dos bons costumes, o Atapu levou ao seu público o realismo do cinema francês. Assim, começou a exibir sessões clandestinas de filmes eróticos, em sessões noturnas às 22horas. O público ficava sabendo por avisos que se propagavam rapidamente em conversas informais da Praça do Ferreira. O fato é que esses festivais de filmes curtos de sexo explícito, despertavam interesse do público, simplesmente por se constituir em evento proibido. Como resposta, o Atapu sofreu denuncias de jornais como O Povo e censuras de publicações da Igreja Católica. O Cine Atapu se manteve por 11 anos, fechando em 1960.

 

Cine Samburá, onde depois funcionou o Cine Fortaleza

Outro cinema importante era o Cine Samburá, principal investimento da Cinemar e o quarto de sua propriedade, onde se dizia que, com os movimentos certos, podia-se namorar sem qualquer limitação. Era um cinema amplo, com 700 lugares, com endereço à Rua Major Facundo, 802, a dois quarteirões da Praça do Ferreira. Com uma inauguração festiva, a sessão de abertura no dia 15 de agosto de 1952, exibiu uma produção histórica italiana: “Pompeia, Cidade Maldita”. Nove anos depois, a 18 de maio de 1969, o cine Samburá fecha as portas com o filme “Aquele que Deve Morrer”.

Fazia parte da rede cearense o Toaçu, localizado à Rua General Sampaio, 927Praça José de Alencar. Era um cinema popular, inaugurado as 9 horas do dia 13 de março de 1956 em concorrida solenidade, que contou com a presença de autoridades e da imprensa. As instalações do Toaçu eram um forno e uma armadilha. O calor era intenso e a decoração toda feita de esteiras de palha de carnaúba, um perigo sempre presente. E não deve ter sido à toa que passou por um incêndio, tendo sido recuperado e equipado com tela panorâmica. O único cinema a se instalar na Praça José de Alencar teve duração de 8 anos, encerrando as atividades em 1963.

 

Cine Toaçu, fachada original e depois da reforma

Fora do perímetro central havia o Cine Ventura, o primeiro cinema da Aldeota, propriedade do português Júlio Ventura, que visando investir no segmento, construiu um imóvel destinado a exibição de filmes, que fosse um divertimento barato e acessível aos moradores. Ficava na Avenida Barão de Studart, 1521, esquina com a Rua João Carvalho. Foi inaugurado em 1941 e encerrou as atividades em 1973.  

Na Praça da Estação à rua General Sampaio, 526, havia o Cine Luz, com 800 lugares, status de cineteatro, propriedade de Luiz Severiano Ribeiro, Inaugurado em 1939, fechado em 1951.

O Cine Rex na Rua General Sampaio, 1263, empreendimento da empresa Clóvis Janja & Cia Ltda, foi entregue ao público no dia 10 de agosto de 1940. Era dotado de ampla sala de espera, extenso hall com cartazes e vasto salão com 640 cadeiras. O cinema fechou as portas pouco mais de um ano depois da inauguração, em 13 de setembro de 1941. Foi reaberto em 10 de maio de 1944, como sala secundária do Grupo Severiano Ribeiro.


Cine Rex, na Rua General Sampaio

O Cineteatro Centro Artístico Cearense funcionava na Rua Tristão Gonçalves, 1008, e esteve em atividade entre 1926 e 1956, quando foi fechado.  

Muitas outras salas de projeção  ofereciam a mais pura diversão com a oferta de grandes filmes, que despertavam diversão e bom entretenimento no público: o Cine Moderno, o Araçanga, o Majestic, o Nazaré, o Cristo Rei, o Popular, o  Benfica, o Merceeiros, o Navegantes, o Parangaba, e muitos outros.

 

Fontes:

A Tela Prateada, de Ary Bezerra Leite, 2011

Louvação de Fortaleza, de Lustosa da Costa. 1995  

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Memórias do Cine Nazaré, no Otávio Bonfim (Farias Brito)

 

Antigamente na confluência dos atuais bairros Otávio Bonfim e Parque Araxá, havia uma lagoa denominada Lagoa da Onça, localizada a um quarteirão do Cercado do Zé Padre, na Rua Padre Graça. Naquelas imediações foi inaugurado um cinema, o Cine Nazaré, em 1945, final da guerra. Por causa lagoa, quando chovia, as ruas ficavam inundadas e o povo assistia aos filmes no Nazaré, com os pés dentro d’água, mas ninguém reclamava. O cinema se constituía a grande diversão do bairro, junto com o outro cinema, o Familiar, localizado em frente a Praça de Otávio Bonfim, que funcionava sob orientação dos frades franciscanos. Fora os cinemas, só havia as novenas e as quermesses da Igreja das Dores.


Região do bairro Otávio Bonfim, com a Igreja das Dores, e o fundo  estação da RVC
foto do arquivo Nirez

Não havia controle de acesso, todos podiam entrar, as mulheres geralmente levavam os filhos, mesmo que fossem crianças de colo, a não ser que o filme fosse censurado, no caso, aqueles de terror, ou os mais insinuantes, com mulheres de maiô ou cenas de beijos.

O Cine Nazaré foi tão marcante naquela época, que na exibição do “Ladrão de Bagad” foi necessário abrir uma segunda seção. Tinha tanta gente esperando do lado de fora e na lateral do cinema, que o muro caiu. O povo começou a se amontoar e a empurrar. Quando o muro caiu, quem já estava assistindo o filme nem ligou, continuou assistindo.

A sala cinematográfica tinha capacidade para 300 pessoas, com dois tipos de ingressos: 200 nas cadeiras com assento e encosto de madeira e 100 na geral, bem em frente a tela, com bancos sem encosto. Na geral, onde o preço do ingresso era menos de metade das cadeiras   (400 reis), quando chovia era um sufoco, a água minava do chão já que todo o terreno ao redor da Lagoa da Onça ficava encharcado.


Região onde ficava a Lagoa da Onça, nas proximidades da estação da RVC
foto Lucas Jr/Facebook/Fortaleza Antiga

Para minimizar o problema, oito pisos foram sobrepostos para aumentar o nível do chão, cuja base foi construída abaixo do nível da lagoa. Nesse caso, havia duas opções: ou o espectador ficava de cócoras sobre o banco, ou tirava o calçado e ficava com os pés na água, enquanto assistia o filme. Do lado de fora, esperando os cinéfilos para o lanche, estavam os vendedores de bolo, tapioca e café. A pipoca ainda não era moda.           

O primeiro arrendatário do cinema foi o marchante José Marcelino, que tinha uma banca de venda de carne no Mercado São Sebastião. Naquela época, final dos anos 40, início dos 50, os cinemas passaram a ser a principal diversão da cidade. E as salas se multiplicaram, havia diversas espalhadas nos bairros e no Centro. A partir dos anos 60, os cinemas fora do centro começaram a fechar: encerraram as atividades o Ventura, na Aldeota, o Dioguinho, na praça do Colégio Militar, e muitos outros. O Nazaré também fechou. Em 1968 foi a vez do Cine Familiar.


Cine Nazaré e seu proprietário Sr. Raimundo Carneiro de Araújo, no centro
foto Diário do Nordeste

O Cine Nazaré fechou e reabriu muitas vezes, capricho e menina dos olhos do seu proprietário desde 1970, o radiotécnico Raimundo Carneiro de Araújo, conhecido por Vavá. Foi durante muito tempo o único (e o último) cinema de bairro da cidade. Mas seu Vavá faleceu esse ano, em fevereiro de 2022, e levou com ele a luz que guiava os filmes de sonhos que animavam o Cine Nazaré, agora, definitivamente fechado. 


Fonte: 

Jornal Diário do Nordeste "Cine Nazaré conta a história do bairro", de 05/06/2006  

  

sexta-feira, 3 de julho de 2020

A Vida nos Bairros de Fortaleza nos anos 40


Na primeira metade da década de 1940, os distritos de Messejana, Mucuripe, Parangaba e Antônio Bezerra eram como pequenas cidades do interior, de difícil acesso, por causa das estradas ruins e dos transportes escassos. Ir a um desses distritos implicava numa viagem. O Mucuripe era então quase isolado da cidade, pois não havia acesso de veículos, com muitas dunas e outros entraves.


O Mucuripe era distante, isolado e quase desabitado - imagem:  Ah, Fortaleza!

No distrito de Antônio Bezerra, ficava o bairro Brasil Oiticica, nome que herdou da fábrica de beneficiamento de oleaginosas que se instalou na Avenida Francisco Sá, em 1934. O bairro começava na primeira linha de trem e terminava na altura da atual matriz da localidade. Ali os ônibus faziam sua parada final, pois a pista, que já era bastante estreita, era interrompida por um riacho que a atravessava. A partir, daí, era só mata, de cajueiros e muricizeiros. Para atingir a Barra do Ceará, então, pequeno povoado, só a pé ou em lombo de animal. Aos poucos o bairro foi sendo ampliando e urbanizado, teve o nome foi mudado para Carlito Pamplona.


prédio do Matadouro Modelo, hoje no local está o Colégio Paulo VI no bairro Jardim América. imagem: Arquivo Nirez

Logo após o Prado, ficava o Matadouro Modelo, pequeno aglomerado em volta do abatedouro oficial da cidade, que ficava no local onde hoje se encontra o Colégio Paulo VI. Mais tarde surgiu neste local o bairro Jardim América. Depois que o matadouro público foi desativado, os trabalhadores e suas famílias ocuparam uma grande área do entorno, formando a hoje denominada Comunidade Brasilia. Reúne cerca de 300 famílias, a maioria de baixa renda, que ocupam becos e vielas que desembocam na Avenida dos Expedicionários e formam a única área carente identificada como favela do bairro.

Não existiam o Montese, e o então Porangabuçu, atual Rodolfo Teófilo, estava começando a se formar em volta da Lagoa do Bessa. Em tempos anteriores ali existiu uma fazenda, e a matriz de São Raimundo era a capela da propriedade. A capela ficava sobre um verde gramado que circundava a lagoa de águas cristalinas.



A atual Paróquia de São Raimundo Nonato era em tempos passados, a capela de uma fazenda que existia no local. A paróquia foi criada em 1963, por padres redentoristas. imagem: O Povo

Entre o Porangabuçu, que surgia e o São Gerardo, existia o Campo do Pio, pequena comunidade sem ruas definidas. Foi engolido pela Parquelândia. Outro bairro que começava a tomar forma era o Monte Castelo, entre São Gerardo e Brasil Oiticica.

Sem favelas, sem bairros miseráveis, tinha o Morro do Moinho, entre a estação da RVC e o Cemitério São João Batista. O Morro do Ouro situava-se entre o Açude João Lopes e o nascente Monte Castelo.  Outro bairro bem próximo do centro e que foi totalmente tomado pelo comércio, era o Seminário, que compreendia a região em torno daquela casa de ensino religioso.

O São João do Tauape localizava-se no final do bairro Joaquim Távora e se estendia até os charcos do Lagamar. Mais além, margeando a BR-116, estava o Alto da Balança e a seguir, vinha Cajazeiras, antes de Messejana.

Pequena e tranquila, com seus 200 mil habitantes, Fortaleza era singela, com poucos bairros, que dependiam do Centro para praticamente tudo. Tirando as mercearias ou cinemas em alguns, tudo o mais só era encontrado no centro: lojas, bancos, correios, farmácias, mercearias finas.

No Joaquim Távora tinha a Casa Girão, armarinho sortido que vendia até tecidos, um cinema – o Joaquim Távora – e a Farmácia Carneiro, da família do repórter Luciano Carneiro. No Otávio Bonfim tinha os cinemas Nazaré, Familiar, a Farmácia São Sebastião e os jardins Japonês e São José, que vendiam flores e confeccionavam coroas fúnebres.

A Aldeota contava com dois cinemas, o Santos Dumont na Praça Cristo Rei e o Ventura, na Avenida Barão de Studart. Na Praça dos Pinhões, tinha a Casa Paranaense, outro armarinho sortido que vendia de tudo. No Jardim América, na Praça Presidente Roosevelt, tinha o Cine América.


As compras de gêneros alimentícios eram feitas nas bodegas, cujos bodegueiros conhecedores da sua clientela, formada quase que exclusivamente por moradores da vizinhança, vendiam fiado e à retalho – ½ barra de sabão, 300 gr de manteiga, ½ pacote de café - que não havia supermercado para lhes fazer concorrência; as contas de luz tinham de ser pagas na sede da Light, no Passeio Público; as de água e esgoto, na Secretaria de Viação e Obras Públicas, na Rua Dragão do Mar.



As famílias ainda guardavam o hábito das cadeiras na calçada. O Costume predominava mais entre as famílias que residiam para além da Rua General Sampaio, rumo do Oeste e para os lados norte e leste além da Senador Alencar e da Governador Sampaio.

Nas ruas mais centrais, onde residiam os mais endinheirados ou projetados socialmente, as casas eram de porões e sacadas avarandadas, o que não significa que naquelas ruas não houvesse os adeptos da velha prática. Mas, geralmente, na hora de pegar o frescor vespertino, damas e cavalheiros não precisavam ir para as calçadas, bastava abrir as portas por trás das varandas, de balaustrada de ferro ou alvenaria trabalhada.



Praça Clóvis Beviláqua (antiga Praça a Bandeira)/ Rua Senador Pompeu 
imagem Arquivo Nirez

Havia duas razões entre as classes mais modestas para o hábito das cadeiras na calçada: a primeira era as casas pegadas umas às outras, as chamadas paredes-meias, sem áreas de circulação interna, abafadas como clausuras.

A segunda razão devia-se a necessidade do trato social, já que os clubes eram exclusivos, poucos possuíam rádio, televisão nem sonhava em chegar. Tudo isso motivava as reuniões nas calçadas em frente as casas, com as cadeiras arrumadas de modo a estabelecer a conversa fácil entre vizinhos, tudo amenizado pela brisa, sempre corrente, após o rigor do sol.

A Fortaleza de hoje, com mais de 2,6 milhões de moradores, precisou crescer, de forma desordenada, ampliando bairros, fazendo surgir uns e sumindo com outros, modificando hábitos e costumes, distanciando pessoas. Alguns bairros são verdadeiras cidades dentro da cidade, com toda infraestrutura, como supermercados, bancos, colégios, restaurantes, hotéis, e tudo o mais que compõem uma comunidade. O velho Centro, em torno do qual a cidade gravitava, está esquecido e esvaziado.



Fontes:
"Royal Briar – a Fortaleza dos Anos 40” de Marciano Lopes
"Crônicas da fortaleza e do siará grande" de Otacílio Colares
Guia Turístico da Cidade - Prefeitura Municipal de Fortaleza - 1961


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

No escurinho do cinema (Memórias da Fortaleza dos anos 50)

O cine São Luiz completou 50 anos no dia 26 de março de 2008. Estava com 15 anos quando o São Luiz abriu suas portas. Grande expectativa. A construção durou 20 anos. Foi interrompida por causa da guerra. A obra foi retomada em 1952 e concluída em 1958.

O cinema, criado pelo arquiteto Humberto da Justa Menescal, surgiu no coração de Fortaleza todo em mármore e com lustres tchecos iluminando a sala de espera. A imensa sala de exibição, com mil e duzentas poltronas e uma decoração exuberante, ganhou logo um apelido do “Ceará moleque”: Bolo Confeitado.



Fortaleza, na época com 500 mil habitantes, parou. As pessoas saíram de casa, lotaram os ônibus, foram ver a festa de inauguração. O Pedão, no Abrigo Central, nunca vendeu tanto sanduíche de carne moída e coentro com abacatada. O Pega-Pinto do Mundico teve que colocar mais água no aluá para atender tanta gente. A Leão do Sul, do seu Dimas, pai do Pedro Jorge, não parou de vender caldo de cana com pastel à noite toda. Uma Banda de Música tocava em frente ao São Luiz. A rua, fechada para os automóveis, foi ocupada por uma multidão que queria ver a chegada dos mil e duzentos convidados. Era o sereno.


Na noite de gala foi exibido o filme "Anastácia, a Princesa Esquecida". Dirigido por Anatole Litvak, tinha como estrela a sueca Ingrid Bergman. O cinófilo Jose Augusto Lopes contou, em matéria no Diário do Nordeste, que o filme mostrava a história de uma sobrevivente do massacre de 1917 contra a família do Czar russo.

A praça do Ferreira, que já era famosa pelo seu ventinho que levantava a saia das meninas, ganhava nova atração graças a Luiz Severino Ribeiro. Este filho de Baturité era dono da maior rede de cinemas do país. Só no centro de Fortaleza ele tinha o Diogo, o Majestic, e o Moderno. Acho que o Rex, Nazaré e outros mais populares também pertenciam a ele.

O Majestic era imenso. Tinha o formato de um teatro, com vários andares e geral lá em cima. A entrada para a geral, que tinha o preço mais barato, era por uma porta independente. O pessoal era obrigado a deixar os tamancos na entrada para não fazer barulho no piso de madeira. Na volta, os mais sabidos trocavam seus tamancos velhos por pares mais novos. A grande confusão que se criava só parava com a chegada da polícia. O Moderno, tinha a tela virada para a entrada. O Diogo, na Barão do Rio Branco, até então era o melhor e passou a ser o segundo da cidade depois da abertura do São Luiz.


O jornalista Lustosa da Costa tinha por habito almoçar na Loja de Variedades, aquela que tinha entradas pelas ruas Major Facundo e Barão do Rio Branco. Era o primeiro “self-service” da cidade. Depois ia cochilar no cine Diogo, que tinha mil lugares. Muita gente passou a fazer a mesma coisa no São Luiz, que tinha um sistema de ar condicionado muito mais possante.

Geralmente, nos dias da semana, à tarde, os 1.200 lugares do cinema nunca estavam ocupados. Muitos jornalistas, que naquele tempo cobriam a Assembleia Legislativa, almoçavam no restaurante do Alfredo, que ficava entre a AL e a praça do Ferreira, e depois iam fazer a sesta no cinema. Alguns deputados também aderiam ao conforto das poltronas e roncavam, embalados pela música do filme que estivesse em cartaz. 


Com o paletó no braço, gravata no bolso, eu costumava pegar o Circular 24 ou 25 da empresa São Jorge. Naquele tempo, na minha rua, só o engenheiro José Lino da Silveira, o advogado Aldy Mentor e o médico Mário Mamede tinham automóveis. O ônibus passava em frente minha casa, na Avenida Padre Ibiapina e me deixava no Abrigo Central. Lá mesmo colocava a gravata, vestia o paletó e ia, animadamente, pegar a fila. Ninguém reclama da demora. Um dia, a namorada do Chico Moura, a Norma, desmaiou na fila.

Uma amiga ainda lembra a tensão que vivia nas filas do São Luiz. Era uma coisa tão marcante que chegou a ter pesadelos. Sonhava que estava na fila, sem calcinha maliciosa. Não era difícil se ouvir o grito de uma mulher reclamando de algum engraçadinho que se aproveitava da confusão da fila para tirar casquinha. Um dia prenderam um tarado que se exibia para uma freira que enfrentava a fila para assistir Marcelino, Pão e Vinho.

O Cine São Luiz tinha algo além do conforto. As superproduções como "Trapézio", "Nunca é Tarde para Esquecer", "Sansão e Dalila", eram exibidas em tela panorâmica. O som estereofônico eletrizava o ambiente, aproximando os casais de namorados e inspirando os gaiatos que faziam piadas em voz alta para alegria da galera. Faz lembrar a Rita Lee com a sua música “No escurinho do cinema....”

A exigência de paletó fez surgir um comércio de aluguel. Os caras guardavam o paletó no Café Cearazinho, na Guilherme Rocha. Reza a lenda da Praça do Ferreira que ganharam muita grana alugando paletó para quem decidia, de última hora, ir ao cinema.
Os lanterninhas do São Luiz estavam atentos para evitar excessos. Um dia, o jornalista Silvio Leite, assim que acabou o filme, resolveu tirar o paletó, os lanterninhas chegaram junto para obrigá-lo a vestir. Silvio, irreverente, perguntou o que eles fariam se ele não colocasse o paletó.
- Você será expulso do cinema - vociferaram.
- Então, me expulsem.

Ora, como todo mundo já estava de saída mesmo, teria sido apenas cômico se os lanternas não tivessem partido para obrigar o jornalista a vestir o paletó. E ele acabou saindo, sem vestir o paletó. Não esqueço a Polícia Estadual, na entrada do cinema, pedindo documento para descobrir falso estudante pagando meia ou menor de idade tentando ver filme impróprio. Sonhava em ser um deles para me exibir para as meninas.

O progresso sempre chega acabando com o tradicional. Descentralizou o comércio. Os bairros ganharam shoppings, os shoppings abriram praças de alimentação, salas de exibição. Ao mesmo tempo, a televisão foi conquistando cada vez mais espaço e tempo das pessoas, provocando uma mudança de habito que afetou a vida das cidades.


A sessão das 21h30, nas noites de domingo, verdadeiro desfile de moda parece coisa de ficção. Há cinquenta e oito anos, homens de terno, mulheres com os últimos lançamentos da moda, usavam a fila do São Luiz como passarela, O povão, em frente, elogiando, criticando, aplaudindo e vaiando. O São Luiz faz parte do patrimônio histórico do Ceará e suas histórias estão tombadas também, em nossa memória.


Memórias de autoria do jornalista Wilson Ibiapina
Disponível em http://www.casadoceara.org.br/index.php?arquivo=pages/blog/perfil_wilson/e0508.php
fotos do arquivo Nirez e do Anuário do Ceará


domingo, 27 de dezembro de 2015

Os Velhos Cinemas de Fortaleza - 1908 a 1932

Primeiro chegaram os bioscópios, uma espécie de lanterna mágica que projetava na tela imagens estáticas. O introdutor da novidade foi um italiano chamado Pascoal, que instalou a máquina na Rua Barão do Rio Branco. Dado o êxito obtido, vários bioscópios foram instalados em diversos locais da cidade: um na Rua Major Facundo, outro na Praça do Ferreira, outro no antigo prédio do Clube Iracema e mais um no Beco das Trincheiras (atual Rua Liberato Barroso), esquina com a Rua Senador Pompeu. Tempos depois, apareceu o kinetofone, que era uma combinação do bioscópio com o gramofone. O novo equipamento foi armado no teatro José de Alencar, e fez um sucesso retumbante.

Cine Rio Branco, fundado por Henrique Mesiano

Em 1907 chegava a Fortaleza o italiano Vitor Di Maio, trazendo o animatógrafo, montando em 1908, o Cinema Di Maio  no prédio da Maison-Art-Nouveau, na Praça do Ferreira. A partir daí teve inicio a fase de prosperidade do cinema em Fortaleza. No caminho aberto por Di Maio, outros cinematógrafos surgiram: em 1909, Henrique Mesiano inaugurou o Cinema Rio Branco, na rua do mesmo nome; na mesma época Julio Pinto abriu o Cassino Cearense, na Rua Major Facundo. Eram exibidos filmes extraordinários como O Conde de Monte Cristo e a Dama das Camélias, este último, foi exibido quase trezentas vezes. Durante a apresentação dos filmes que eram mudos, um pianista tocava as músicas da moda. 


A pré-inauguração do Cine-Teatro Polytheama ocorreu em fevereiro de 1911, na Praça do Ferreira. A inauguração oficial ocorreu em julho daquele ano. em 1916 passou ao controle de Luiz Severiano Ribeiro. O Polytheama foi o silencioso que resistiu ao advento do som, permanecendo em funcionamento com seus filmes mudos até 20 de novembro de 1938, fechando quando o prédio que ocupava foi demolido para dar lugar a construção do edifício São Luiz.

O Amerikan Kinema foi inaugurado em fevereiro de 1915, na Praça do Ferreira; no dia 23 de dezembro de 1915, surge o Cinema Riche, também na Praça do Ferreira, no antigo local do Cine Di Maio, o primeiro empreendimento tendo como sócio Luiz Severiano Ribeiro em sociedade com Alfredo Salgado. Foi desativado em 1921. Henrique Mesiano inaugurou em 1917 o Cinema da Estação, no Boulevard Joaquim Távora, em frente a estação de bondes da Ceará Tramway Light and Power. Outro empreendimento de Henrique Mesiano foi o Cinema Tiro Cearense, inaugurado no Passeio Público, que funcionou por menos de um ano. Em 1917, por iniciativa do Circulo Operário e Trabalhadores Católicos, é instalado o Cinema São José, no teatro da agremiação na Praça Cristo Redentor. Foi o primeiro cinema criado pela Igreja Católica no Ceará e adotava o critério de separar homens e mulheres em duas alas. Funcionou até o início da década de 1940.  


     

Mas o ano de 1917 ainda veria a inauguração de uma bela e luxuosa casa de espetáculos: O Cine-Teatro Majestic Palace. Construído por Plácido de Carvalho, instalado em um imponente prédio na Praça do Ferreira, com a destinação para o cinema explorado por Luiz Severiano Ribeiro e Alfredo Salgado. O palco foi inaugurado no dia 14 de julho com o espetáculo da cantora lírica e transformista italiana Fátima Miris. 

 
Um incêndio no dia 1° de janeiro de 1968, determinou o fechamento definitivo do Cine-Teatro Majestic-Palace

O Majestic tinha uma sala de projeção que também era teatro, toda em ferro, como o Teatro José de Alencar. Tinha 650 cadeiras no distribuídas no térreo, nos dois andares, onde ficavam os camarotes e na geral. No bar com cadeiras de pés de ferro e pequena mesa e mármore, tinha música ao vivo a cargo do pianista Mozart Gondim Ribeiro. O lugar era frequentado por personalidades da cidade como Quintino Cunha, Dolor Barreira, Professor Raimundo Gomes de Matos, Lauro Maia, e outros. O Cine Majestic funcionou até 1968, quando foi consumido por um incêndio que destruiu a sala de projeção. 

Cine Moderno, na Praça do Ferreira

O próximo cinema a ser inaugurado em Fortaleza foi o Moderno, na Praça do Ferreira. Construído por iniciativa de Plácido Carvalho com o fim específico de uma casa exibidora de filmes, o Cine Moderno foi inaugurado no dia 7 de setembro de 1922, dentro das comemorações do primeiro centenário da Independência  do Brasil. A exploração do cinema ficou a cargo do Sr. Luiz Severiano Ribeiro. A sala logo ganhou a preferência do público seleto da cidade e teve o privilégio de lançar o cinema sonoro, no dia 19 de junho de 1930, com a exibição do filme “Broadway Melody”, com Charles King e Bessie Love.  


Durante oito anos, o Moderno apresentou filmes mudos animados por um piano perto do palco. As sessões eram noturnas (duas por noite) e o preço do ingresso custava custa 1 mil reis.  O Cine Moderno liderou por 18 anos, a vida social noturna de Fortaleza. Suas soirées eram sempre frequentadas pela alta sociedade de nossa capital, todos com suas melhores roupas e vestidos num verdadeiro desfile de elegância. Sua supremacia acabou em 1940, com a inauguração do Cine Diogo. Em franca decadência, abandonado pelos seus antigos frequentadores, o Cine Moderno encerrou as atividades no dia 21 de maio de 1968, quando o prédio onde funcionava foi vendido ao Grupo Edson Queiroz e demolido para dar lugar a uma loja. 

Até 1925, vários pequenos cinemas são instalados em Fortaleza. Em 1922, surge o Cine-Teatro Pio X, mantido pela Ordem dos Capuchinhos, na Avenida Duque de Caxias com a Rua Barão de Aratanha. Um ano depois, em 1924, foi inaugurado um pequeno cinema na então Praia do Peixe - atual Praia de Iracema - denominado Cine Beira-Mar. Em 1925 o Centro Artístico Cearense, situado na Avenida Tristão Gonçalves, 338, começa suas atividades como cinema, e a 16 de dezembro de 1931, inaugura o palco para apresentações teatrais.

No dia 2 de dezembro de 1925, o Recreio Iracema, uma iniciativa da empresa de Diversões Artísticas, de Antônio Capibaribe, inaugura sua tela de cinema, já que como espaço teatral existia desde 1923. Localizado no Boulevard Visconde de Cauípe, passou a denominar-se Cine Benfica. Em 1927, a União de Moços Católicos, localizada na Rua Barão do Rio Branco, pôs em funcionamento o cinema que se popularizou como Cine União, no imponente prédio ainda hoje existente. No mesmo ano é inaugurado o Cine Grêmio Dramático Familiar, na Avenida Visconde do Rio Branco, como desdobramento do famoso espaço teatral em que foram lançadas as criações de Carlos Câmara. 

Em 1930, duas instituições de prestigio na cidade, a Associação dos Merceeiros e a Associação Fênix Caixeiral criam salas de cinemas em suas sedes. O Cine Fênix instala-se  no dia 26 de junho de 1930, na Rua Guilherme Rocha esquina com a Rua 24 de Maio. O Cine Merceeiros, localizado na Rua Major Facundo foi inaugurado a 1° de novembro de 1930. 

Cine Luz, na Praça da Estação 

Ainda em 1930, no dia 6 de setembro, ocorria a inauguração do Cine Parochial, de propriedade das associações religiosas da Catedral, instalado à Rua Coronel Ferraz no prédio da Escola Jesus, Maria e José. O Cine Luz iniciou as atividades no dia 23 de janeiro de 1931, na Rua General Sampaio, por iniciativa dos empresários Bernardino Proença Filho e José Bezerra da Silva. Ainda em 1931 aparece mais um cinema de bairro: o Cine São Gerardo. Surgem ainda em 1932, dois outros cinemas: o Cine Circo, na Praça de Otávio Bonfim e o Cine Popular, na Rua Senador Pompeu, na então Praça de Pelotas, hoje Clóvis Beviláqua. A inauguração do Cine Popular ocorreu ocorreu no dia 9 de julho de 1932, e o prédio onde funcionava foi demolido para ampliação da Assistência Municipal, atual Instituto Dr. José Frota. 

fontes:
A Tela Prateada, de Ary Bezerra Leite
Fortaleza Velha, de João Nogueira
Reportagem publicada no Jornal Correio do Ceará, edição de terça-feira, 21 de maio de 1968.  
fotos do livro A Tela Prateada e do Arquivo Nirez   

quinta-feira, 12 de março de 2015

Os Riscos de Incêndio nos Antigos Cinemas

A maior preocupação dos pioneiros exibidores de filmes era com o risco de incêndio nos equipamentos. Razões de sobra existiam para isso, porque nos primeiros tempos, utilizando películas altamente inflamáveis, improvisando seus salões em locais sem infraestrutura adequada, a qualquer descuido poderia haver um acidente e destruir o empreendimento, causando prejuízos materiais e, pior podendo chegar a uma catástrofe, com a perda de vida de seus frequentadores e funcionários.

O primeiro incêndio registrado em cinema de Fortaleza ocorreu no dia 29 de setembro de 1902, com prejuízos para o empresário exibidor Arlindo Affonso da Costa, ex-sócio da Casa Bordallo em Fortaleza, que retornara do Rio de janeiro com um Cinematógrafo em julho daquele ano.


Arlindo Costa instalara inicialmente seu aparelho à Rua Major Facundo, 83, com estreia no dia 9 de junho e exibições contínuas até o mês de agosto. Verificando que a cidade comportava um espaço de lazer mais diversificado, nesse mesmo local inaugura o Recreio Cearense, no dia 9 de setembro, com a festa animada pela banda de música do Batalhão de Segurança, sorteio de flores entre as senhoras presentes e apresentação do seu “belo cynematographo”.

O empreendimento de Arlindo Costa foi interrompido com o incêndio da noite de 29 de setembro de 1902, quando realizava testes com o aparelho, resultando em prejuízos materiais avaliados em 2 contos de reis. A imprensa noticiou o sinistro. 

A ameaça de incêndio perseguia os primitivos cinematógrafos, e o fogo apareceu na origem dos espetáculos de Cinema, em Paris, onde se registrou a ocorrência mais devastadora, um episódio que quase comprometeu irremediavelmente a nova descoberta tecnológica.

Em 1897, ano em que o cinema chegou a Fortaleza, uma grande tragédia abala Paris e ameaça o futuro do cinema. Na festa beneficente anual, denominada Bazar da Caridade, patrocinada pela aristocracia francesa, a grande atração seria o Cinematógrafo. Foi construído para esse fim um pavilhão de madeira, em área privilegiada dos Champs-Elysées, defronte às propriedades do Barão de Rothschild. E, extrema imprevidência, dotada de apenas uma porta de dois metros de largura, abrindo-se para a parte interna. 

Na tarde de 4 de maio de 1897, encontravam-se no recinto cerca de 1.500 pessoas. Às 16 horas, após a explosão de uma lâmpada de éter do cinematógrafo, as chamas se propagaram rapidamente, provocando pânico entre os presentes. O resultado da tragédia foi a total destruição das instalações e dezenas de corpos carbonizados. No incêndio morreram personalidades ilustres da sociedade parisiense. 

No final da trágica noite foram recolhidos cento e onze cadáveres, seus corpos levados para a Catedral de Notre Dame. Toda a cidade de luto, os teatros fechados, por fim, o comovente funeral assistido pelo Presidente da França.

Foi o primeiro grande desastre do Cinema que praticamente viu-se transformado em espetáculo marginalizado e restrito aos espaços circenses. Mas outros viriam a ocorrer, com a imprensa alertando para os perigos do cinematógrafo, prejudicando a confiabilidade dessa forma de diversão.

 O Cine Merceeiros sofreu um incêndio no dia 1° de novembro de 1935, na sessão comemorativa do 5° aniversário. Depois do sinistro, o cinema encerrou as atividades em definitivo.  

Em Fortaleza, além do sinistro no Cinematógrafo de Arlindo Costa, houve décadas mais tarde, a destruição pelo fogo de dois dos seus cinemas fixos. No dia 1° de novembro de 1935, na sessão comemorativa do 5° aniversário, incendiou-se o Cine Merceeiros. O incêndio teve início de uma faísca desprendida da chave de ligação, em curto-circuito, atingindo os rolos de fita. Embora o projecionista tenha procurado restringir o fogo, jogando o material incendiado no chão, as chamas se propagaram. O sinistro determinou o fechamento definitivo do cinema, mas não fez vitimas entre os espectadores. 

Praça do Ferreira com o prédio do Cine teatro  Majestic Palace - anos 30

O imponente Cine-teatro Majestic-Palace foi destruído pela ação de dois devastadores incêndios. Ocupando o terreno aos fundos do edifício de cinco andares, construído por Plácido de Carvalho, na Praça do Ferreira, perdeu a sua entrada e a ampla sala de espera com seus espelhos e cartazes, que ficavam no térreo do edifício, incendiado em 4 de abril de 1955. Uma catástrofe que consumiu também as Lojas Brasileiras 4.400 e atraiu a atenção da cidade. Sobreviveu o salão do Cine Teatro, em estrutura metálica, que ganhou uma nova entrada, mais acanhada, pelos fundos do prédio, à Rua Barão do Rio Branco. 



Incêndio do Cine-teatro Majestic-Palace em 1955 e o que restou do prédio, em fotos da ABA Film 

No segundo incêndio, no início do dia 1° de janeiro de 1968, o fogo devorou por completo o tradicional cinema, que já completara 50 anos de atividades. O incêndio foi percebido as 2 horas da madrugada do dia 1° de janeiro, pelas poucas pessoas que transitavam pela Praça do Ferreira, que notaram  que havia fumaça no interior do Cine Majestic. Apesar da ação pronta dos 70 bombeiros e 8 carros comandados pelo tenente Moacir de Sousa, três horas depois do início do incêndio, só restaram a sala de espera, a entrada e os dois projetores, encerrados em cabines de cimento armado. O teto desabou, as cadeiras foram destruídas, assim como os cartazes.

Com a impossibilidade de debelar as chamas e salvar o que tinha no interior do cinema, os bombeiros trataram de isolar a Farmácia Pasteur e a Loja Ocapana  matriz, que estavam ameaçadas pelo fogo. Às 7:30 horas, depois que o fogo estava completamente debelado, a guarnição do Corpo de Bombeiros regressou ao quartel.

extraído do livro A Tela Prateada
de Ary Bezerra Leite
fotos do livro Tela Prateada e do Arquivo Nirez