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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Bairro Jangurussu

 

Até o final da década de 1970 a área que hoje corresponde ao bairro Jangurussu era o aterro sanitário da cidade.  A ocupação da área começou ao redor do aterro, por famílias migrantes em busca de moradia e trabalho, dando origem às primeiras comunidades do território. No entorno do lixão, várias comunidades foram se formando, dando origem à Favela do Jangurussu, conhecida por "Favela do Lixo".



Mas o processo de assentamento da população que mais tarde daria origem ao Jangurussu começou bem antes, quando o território recebeu as primeiras incursões organizadas para Messejana, de acordo com o historiador Paulino Nogueira. O nome se deve a um sítio de propriedade de Urbano de França Alencar que existiu no início da povoação, nos séculos XVIII e XIX, denominado Jangurussu, que se estendia da estrada Guarani, na antiga BR-116, ao Rio Cocó; e da entrada do Mondubim, atual avenida Perimetral, até o Sítio Ancuri.



A desativação do aterro em 1998, deu espaço para o surgimento de conjuntos habitacionais e a inúmeros projetos de urbanização.  O primeiro a ser construído no local, de acordo com registros históricos locais e estudos acadêmicos, foi o Conjunto Maria Tomásia, empreendimento de grande porte com 1.126 unidades habitacionais, implantado no processo de estruturação e urbanização oficial do bairro, com entregas iniciais no final da década de 2000 e início de 2010.

Outro grande habitacional da área, o Conjunto José Euclides foi concluído em duas etapas nos anos 2017 e 2018, com 2.992 unidades divididas em blocos com 16 apartamentos cada. Entregue inicialmente sem escolas, creches ou linhas de ônibus, os moradores se uniram para lutar por seus direitos.

O Residencial Luiz Gonzaga I e II, localizados na Rua Estrela de Ouro, o Luiz Gonzaga original foi inaugurado em novembro de 2019. Em novembro de 2025, foi autorizada a construção do Luiz Gonzaga II, vinculado ao programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades, com 536 novas moradias e investimentos conjuntos da União, Estado e Município.


Atualmente o Jangurussu é o bairro mais populoso de Fortaleza com 70.651 habitantes, de acordo com o Censo do IBGE de 2022. Em termos percentuais, o Jangurussu concentra 2,9% da população da capital. Fica na Regional 9 e faz limites com Messejana, Passaré, Ancuri, Pedras e Conjunto Palmeiras. Tem muitos problemas na área de infraestrutura, apesar das muitas conquistas. 


Açude do Jangurussu


As obras do Açude Jangurussu foram concluídas em 1922. A barragem foi construída nas terras do Sítio Jangurussu, então pertencente a João Francisco Ribeiro Neto, numa área rural próxima a Messejana. 

Nesse período o IFOCS hoje DNOCS intensificava a construção de pequenos e médios açudes estratégicos no Ceará para combater os efeitos das secas. As águas do açude eram usadas para consumo, pesca, lavagem de roupa e lazer dos moradores. 

Muitos açudes desta fase eram pequenos reservatórios rurais, destinados mais ao suporte regional do que ao abastecimento urbano. Atualmente o açude Jangurussu apresenta altos índices de poluição, oferece risco de rompimento da barragem e armazena águas impróprias para consumo.  



Fontes: 

Tudo foi a gente indo atrás: histórias e memórias de uma moradora indígena sobre o Jangurussu. Autoras: Marília Duarte Guimarães e Laís Regina de Oliveira Alves. Disponível em <file:///C:/Users/mfati/Downloads/stephanie_ce,+Portugu%C3%AAs-PDF%20(2).pdf>

DO ESPAÇO CONCEBIDO À PRODUÇÃO DO COTIDIANO EM FORTALEZA-CEARÁ: a experiência do conjunto habitacional Maria Tomásia, no bairro Jangurussu. Dissertação de Mestrado de SHARON DARLING DE ARAÚJO DIAS. Disponível em 

< https://www.uece.br/wp-content/uploads/sites/60/2020/02/sharon_dias_dissertacao.pdf >

Jornal O Povo https://mais.opovo.com.br/reportagens-especiais/cidade-

https://fortalezaembairros.fortaleza.ce.gov.br/bairro/jangurussu

Diário do Nordeste https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/ceara/acude-do-jangurussu-tem-mais-de-100-anos




sábado, 6 de setembro de 2025

As Lagoas e seus Parques Urbanos

 

As lagoas exercem múltiplas funções no meio urbano, quando a quadra chuvosa é mais intensa, essas atribuições ganham mais relevância, é a de escoamento do excesso de água das precipitações. Nesse caso a lagoa funciona como armazenamento desse excesso.



Com a urbanização desordenada e a ocupação de áreas, muitos espelhos d’água foram aterradas, processo que continua e se verifica até em lagoas maiores, com a de Parangaba e Maraponga, em que partes delas são invadidas para fins imobiliários, e outras, em alguns casos, foram completamente aterradas.

Oficialmente, Fortaleza tem 43 corpos hídricos classificados como lagos ou lagoas, onde figura como maior delas em volume de água, a de Parangaba. Mas há na cidade inúmeras lagoas pequenas, localizadas em bairros. 

Os Parques são áreas verdes urbanas, consideradas como áreas de proteção especial, com predomínio de vegetação e de características naturais. Eles influenciam diretamente na qualidade de vida das cidades, proporcionando lazer, contato com a natureza e estimulam a prática de atividades físicas, trazendo benefícios psicológicos, sociais e fisiológicos para a população.

Fortaleza possui 14 parques urbanos criados visando a preservação de lagoas e espelhos d’águas, a maioria criados em 2014, na gestão do prefeito Roberto Claudio. 


Lagoa da Maraponga – Parque Urbano da Lagoa da Maraponga


A Lagoa da Maraponga é o principal equipamento de lazer do Bairro Maraponga além de ser um dos mais belos espelhos d’água da cidade de Fortaleza, com aproximadamente 95.000 m², e grande extensão de área verde ao seu redor. A lagoa era um antigo açude produzido pelo aterro da Avenida Godofredo Maciel sobre o córrego que alimenta o açude Uirapuru. Antes o local era denominado Parque Ecológico Lagoa da Maraponga, criado no início dos anos 1990.

O Parque urbano foi criado pelo Decreto nº 13.286, de 14/01/2014, limitado a leste pela Avenida Godofredo Maciel; e a oeste pela Rua Áustria (limítrofe à faixa de domínio da Via Férrea). A área do parque é de 193.697,72m².

Lagoa da Sapiranga (Coité) – Parque Urbano da Lagoa da Sapiranga

A Lagoa da Sapiranga faz parte da bacia hidrográfica do Rio Cocó e fica na região leste de Fortaleza, região essa que vem apresentando grande crescimento e desenvolvimento urbano nos últimos anos. Ainda não existe uma ocupação expressiva do entorno da lagoa, apenas algumas construções de tipo residencial. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano Lagoa da Sapiranga nº 13.591, de 20/05/2015. Localização: Bairro Sapiranga. Área: 994.840,13m².

Lagoa da Messejana – Parque Urbano Jornalista Demócrito Dummar


A Lagoa de Messejana é importante marco físico e visual para quem mora no bairro que deu nome à lagoa, o bairro da Messejana. É a segunda maior lagoa do município, tendo importante papel no nascimento do bairro e no desenvolvimento histórico da cidade de Fortaleza. Atualmente é oficialmente denominado como Parque Urbano Jornalista Demócrito Dummar, possui uma área de mais de 380 mil metros quadrados e conta com equipamentos de lazer e feirinha nos fins de semana. Decreto de criação do Parque Urbano nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Messejana. Área Total: 388.060,80m².

Lagoa da Parangaba – Parque Urbano da Lagoa da Parangaba

É a maior lagoa de Fortaleza, tanto em profundidade (máxima de 4,92 metros, média de 2,77 m)) quanto em volume de água (1.190.000m³), faz parte da Bacia Hidrográfica do Rio Ceará. A lagoa é frequentada por um público diverso, incluindo pescadores e pessoas que buscam lazer, sendo conhecida pela famosa feira que se realiza todos os domingos. No final de 2019 passou por uma obra de requalificação onde foram construídas novas calçadas, pista de cooper e vários equipamentos de esporte laser. Também contou com novo paisagismo com o plantio de árvores e criação de jardins. Decreto de criação e do Parques Urbano Lagoa da Parangaba: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Parangaba.  Área: 567.701,84m².

Lagoa do Mondubim – Parque Urbano da Lagoa do Mondubim


A Lagoa do Mondubim, que faz parte da bacia do Rio Ceará onde índios nativos da região pescavam e caçavam, possui uma história intrinsecamente ligada ao crescimento de Fortaleza. O nome “Mondubim” já podia ser encontrado em antigos mapas portugueses, mas somente depois da construção da “Estrada de Ferro Baturité” foi que as pessoas começaram a desembarcar vindo do interior e desenvolver a região. A Lagoa atualmente é um ponto central para lazer no bairro, pois está localizada ao lado do Cuca Mondubim e próxima a vários modais de mobilidade urbana. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano Lagoa do Mondubim: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Novo Mondubim e Vila Manoel Sátiro. Área: 257.967,07m².

Lagoa do Papicu – Parque Urbano da Lagoa do Papicu

A Lagoa do Papicu é considerada uma lagoa totalmente urbana e de pequeno porte, com um espelho d’água de aproximadamente 43.000,00m², Faz parte da bacia hidrográfica da Vertente Marítima. Em 22 de dezembro de 2011, foi aprovada lei que estabelece diretrizes para a realização da Operação Urbana Consorciada Lagoa do Papicu, trazendo melhorias para o entorno da Lagoa do Papicu. Hoje a lagoa e seu entorno são frequentada pela população que busca um espaço de lazer, contando com um campo de futebol e uma pista de skate. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano da Lagoa do Papicu: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Papicu – Área: 210.305,61m².

Lagoa Redonda –  Parque Urbano da Lagoa Redonda

O Parque Urbano da Lagoa Redonda consiste em uma das maiores áreas regulamentadas dentre as lagoas urbanas do município. Além disto, mesmo estando inserida em um dos bairros de maior densidade populacional de Fortaleza, a Lagoa Redonda possui em seu entorno uma parcela de mata atlântica ainda preservada. Decreto de criação do Parque Urbano da Lagoa Redonda: Nº 14.026, de 30/05/2017.Localização: Bairro Lagoa Redonda. Área: 216.625,35m².

Lago Jacarey – Parque Urbano do Lago Jacarey


O Parque Urbano Lago Jacarey é um espaço de lazer bastante utilizado pela população de Fortaleza. A área contempla a área de preservação ambiental e a área de espaço de lazer onde acontecem atividades recreativas, feirinhas de comida, artesanato e há um restaurante. O espaço é adequado para a prática de atividades físicas, com rota de caminhada em toda sua extensão. Na área ao seu redor estão instalados vários pontos comerciais o que torna o lugar um polo gastronômico da cidade. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano do Lago Jacarey: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Cidades dos Funcionários – Área Total: 21.655,27m².

Lagoa do Opaia – Parque Urbano da Lagoa do Opaia

A Lagoa do Opaia é um local frequentado pela população do seu entorno desde a década de 1980, com seu espelho d’água de aproximadamente 116.970,74m². A construção da praça em seu entorno se deu em meados da década de 1970, período em que foi feita uma revitalização no Aeroporto Internacional de Fortaleza. Atualmente parte do seu entorno está urbanizado, sendo a maioria da ocupação por residências familiares. Seu espaço é utilizado praticantes de esportes e lazer. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano Lagoa do Opaia: nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Aeroporto. Área: 310.748,17m².

Lagoa do Catão – Parque Urbano da Lagoa do Catão

Integrante da Bacia do Rio Cocó, a Lagoa do Catão é um ponto de encontro entre os moradores do bairro Mondubim e Prefeito José Walter. O espelho d’água, de aproximadamente 37.000m² (trinta e sete mil metros quadrados), é um ponto de atração para a população que busca um local para lazer e banho, além de amenizar o clima do ambiente do entorno do manancial. Em seu arredor existem uma série de pontos comerciais, sendo o principal de venda de alimentos. Também conta com uma estação de tratamento da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (CAGECE), que contribui para a conservação do corpo hídrico. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano Lagoa do Catão: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Mondubim –Área Total: 54.059,88m².

antes da criação do Parque 

Lagoa do Porangabussu – Parque Urbano da Lagoa do Porangabussu

A Lagoa do Porangabussu faz parte da bacia hidrográfica do Rio Cocó, com seu espelho d’água de aproximadamente 85.000,00m². A área do entorno da lagoa possui uma grande concentração de equipamentos públicos e de saúde. Hoje o espaço é urbanizado, e conta com áreas de lazer, anfiteatro, quiosques para educação ambiental, quadras de esporte, pista de skate, playground, área de ginástica, pista de cooper. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano Lagoa do Porangabussu: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Rodolfo Teófilo. Área: 117.258,93m².

Lagoa Itaperaoba – Parque Urbano da Lagoa da Itaperaoba

A Lagoa da Itaperaoba localiza-se no Bairro da Serrinha, próximo ao campus da UECE, sendo delimitada ao sul pela Av. Dedé Brasil, a oeste pela Rua Dr. Justa Araújo, ao norte pela Rua Pe. Nóbrega e a leste pela Rua Benjamin Franklin. A lagoa faz parte do Loteamento Parque Itaperaoba, aprovado em 27 janeiro de 1956 pela Prefeitura Municipal de Fortaleza. Decreto de criação e regulamentação do Parque Urbano Lagoa da Itaperaoba: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Serrinha. Área Total: 42.411,06m².

Lagoa da Viúva – Parque Urbano Lagoa da Viúva

localizado no bairro Siqueira

A Lagoa da Viúva, também chamada de Açude da Viúva, está inserida na bacia do Maranguapinho, possui um espelho d´água de aproximadamente 50.000m² e com características de um corpo hídrico bem preservado, além de um grande campo de carnaúbas à jusante do açude. Tais aspectos motivaram a criação do Parque Urbano Lagoa da Viúva, regulamentado apenas no ano seguinte ao Decreto de Criação dos Parques urbanos das Lagoas de Fortaleza, mas que significou uma área de mais de 39 hectares protegidos e reservados para educação ambiental e lazer. Decreto de criação do Parque Urbano Lagoa da Viúva: N° 13.687, de 09/11/2015. Localização: Bairro Siqueira – Área Total: 398.564,50m².

Lagoa da Maria Vieira – Parque Urbano da Lagoa de Maria Vieira

Com um espelho d’água de aproximadamente 2,992h, uma profundidade média de 1m e um volume de 29,92m³, a Lagoa Maria Vieira é a “joia da coroa” do bairro Cajazeiras, contando inclusive com a presença ilustre de gansos em suas águas. A Lagoa integra a Sub-Bacia B-2 do rio Cocó e é alimentada por um riacho que aflui a este reservatório, através do canal de drenagem sob a Av. Paulino Rocha. Decreto de criação e regulamentação dos Parque Urbano da Lagoa de Maria Vieira: Nº 13.286, de 14/01/2014. Localização: Bairro Cajazeiras – Área: 50.298,20m².


Fontes: 

https://urbanismoemeioambiente.fortaleza.ce.gov.br/infocidade/696-parques-urbanos-fortaleza

Fotos - Diário do Nordeste - O Povo - G1








domingo, 27 de janeiro de 2019

Bairro do Papicu

fotos facebook - Google

Antônio Diogo de Siqueira, industrial ligado a diversas atividades econômicas no Ceará, adquiriu de seu genro Waldemiro Maia, uma grande gleba de terra, que compreendia a área limitada pelo Rio Cocó, por trecho do ramal ferroviário que se destinava ao Porto do Mucuripe e pelo Oceano Atlântico, do Mucuripe até a foz do Rio Cocó. Essa área em finais do século XIX representava uma enorme extensão de terras com finalidade agro-pastoril – local para criação de gado e salga de carne para exportação. A área tinha bom valor comercial pela existência de salinas.

Quando a lucratividade do negócio do gado começou a cair, a família Diogo vislumbrou a possibilidade de comercialização de grande faixa daquelas terras. Assim, na primeira metade do século XX, dois loteamentos foram lançados: o loteamento “Moderna Aldeota” situado onde hoje está a Avenida Santos Dumont, chegando à Avenida Engenheiro Santana Júnior e o bairro do Papicu, e outro loteamento junto ao Porto do Mucuripe, chamado "Praia do Futuro". O empresário Waldyr Diogo Vital Siqueira, filho de Antônio Diogo Siqueira, marcou o início da urbanização da região, com a primeira intervenção naquelas terras virgens através da construção da Estrada Dioguinho, ainda em 1949, que se tornou num marco de separação entre a Praia do Futuro e o Papicu.

Avenida Dioguinho, construída em 1949 - de um lado, Praia do Futuro; do outro, Papicu (foto Anuário do Ceará - 1979)

Até meados da década de 1960, a região do atual bairro do Papicu era uma extensa sequência de dunas – entrecortadas pelo Rio Cocó, por duas lagoas maiores, a do Papicu e a do Gengibre e várias outras, menores, temporárias. Nesse deserto de areias brancas e águas cristalinas, os soldados do quartel do 23º BC, praticavam tiro ao alvo e treinavam exercícios militares.

Hospital Geral à época da inauguração (foto: site do HGF)

O primeiro equipamento de porte a se instalar no loteamento "Moderna Aldeota" foi o Hospital Geral de Fortaleza, inaugurado em 23 de maio de 1969, com uma área construída de 15.000 m² e 200 leitos. Daquela época, os moradores mais antigos lembram que foi a Cialtra a primeira empresa de ônibus a interligar o HGF (antes denominado de INSS) a outros pontos da Capital cearense. A Lagoa do Gengibre ainda não tinha sido soterrada, e o Papicu ainda era contornado por uma densa vegetação e protegido por dunas gigantescas.

Cervejaria Astra/Brahma no Papicu - no entorno, dunas e lagoas
imagem facebook/LeandroMaia 

Logo depois instalou-se no bairro, a Cervejaria Astra, Empresa do Grupo J. Macedo, inaugurada em 1970, na Rua Lauro Nogueira, 1355. No ano seguinte, a Astra se associou à Brahma, que assumiu o controle acionário da marca. A instalação da cervejaria no Papicu trouxe benefícios ao local, pois para funcionar, tal indústria precisou de melhorias de infraestrutura no seu entorno, a fim de viabilizar suas operações. Entre essas melhorias, estão  abertura e pavimentação de ruas, a ampliação da rede elétrica, dentre outras. 



O terreno que pertenceu à cervejaria sendo preparado para receber o Shopping Rio Mar, com vista da lagoa e da favela do Pau Fininho. Fotos de 2012 - Fortaleza em Fotos

As instalações que serviram à cervejaria foram abandonadas e assim ficaram por longos anos, até serem implodidas em 2010, após o terreno ter sido vendido ao grupo econômico que construiu o Shopping Rio Mar no mesmo local

Mas o que deu ao bairro ares de endereço residencial foi a instalação do Conjunto residencial Cidade 2000, no ano de 1970. O conjunto foi construído com recursos do antigo BNH (Banco Nacional de Habitação), e inaugurado em 1970, numa região ainda despovoada, dividido em 46 quadras com duas alamedas cada uma, que levavam o nome de flores. A construção do loteamento destruiu dunas, aterrou várias lagoas, inclusive a do Gengibre - no período chuvoso as águas ressurgem no meio das ruas, assombrando os moradores, comprometendo a qualidade de vida e a segurança das moradias. 

A Cidade 2000 atraiu centenas de moradores para o local, povoou o Papicu com escolas, igrejas, linhas de ônibus, e pequenos comércios e motivou a realização das obras de prolongamento da Avenida Santos Dumont, que até então terminava no entorno do Hospital Geral. Em 1976, a Santos Dumont foi prolongada até a Avenida Dioguinho, na Praia do Futuro, para facilitar o acesso à Cidade 2000. 

Avenida Pontes Vieira, ao centro cruzamento com a Avenida Desembargador Moreira. A esquerda, o bairro Dionísio Torres: à direita, o São João do Tauape. Ao fundo, as salinas do Cocó e a Cidade 2000. Foto de Nelson F. Bezerra - 1973

Com essa facilidade de acesso, ocorreu uma expansão do sistema viário para o leste, e um acelerado processo de especulação imobiliária, abrindo-se novos loteamentos, sem nenhum acompanhamento do poder público municipal, e sem nenhuma infraestrutura, construindo-se residências de alto padrão em grandes lotes.

No início dos anos 80, o Papicu ganhou sua primeira favela, a comunidade do Pau Fininho, parte dela instalada na Área de Preservação Permanente – APP do Papicu. Trata-se de um conjunto de moradias precárias, sem esgotamento sanitário ou abastecimento de lixo, localizadas às margens da lagoa. A comunidade é constituída por cerca de 622 famílias, totalizando 1.861 pessoas.



Mas a região onde se localiza o Papicu é uma das que mais cresceram em face da especulação imobiliária.  O fenômeno que explicaria a grande movimentação imobiliária no Papicu estaria, em parte, no apelo do verde, e por outro lado, a existência de muitos terrenos vazios. A aproximação com o Parque do Cocó implica numa valorização do metro quadrado, que tem se aproximado de valores das demais áreas nobres da cidade. Embora haja uma predominância de construções com fins residenciais, houve também uma expansão da oferta de serviços e comércios, fazendo com que o lugar se tornasse ainda mais atraente para diferentes segmentos sociais.


O bairro Cidade 2000 foi criado oficialmente no dia 1° de julho de 2009, através do Decreto Legislativo n° 382.


Fontes:
Revista do Instituto do Ceará – As múltiplas facetas de um marchante: a vida empresarial de Antônio Diogo de Siqueira de Carlos Negreiros Viana 09/2009.
Uso e Ocupação do Solo  Futuro da Praia do Futuro – Dissertação de Mestrado Pedro Itamar de Abreu Júnior – UFC/Prodema 2005
Jornais O Povo e Diário do Nordeste
IBGE - Wikipedia - 

quinta-feira, 24 de março de 2016

Bairro Cidade 2000

O Conjunto habitacional Cidade 2000, foi mais um conjunto residencial a dar origem a um bairro de Fortaleza. Surgiu em terras oriundas do parcelamento do Sítio Cocó, situado na margem esquerda do Rio Cocó, de propriedade da família Diogo. Foi construído com recursos do antigo BNH (Banco Nacional de Habitação), e inaugurado em 1970, numa região ainda despovoada, dividida em 46 quadras com duas alamedas cada uma, que levavam o nome de flores. 

Avenida Pontes Vieira, tendo à esquerda o bairro Dionísio Torres e a direita o São João do Tauape. Ao fundo as salinas do Cocó e a Cidade 2000 - 1973 (Foto de Nelson Bezerra)

Foi projetado pelo arquiteto Rogério Froes, com desenho que lembra a Taça Jules Rimet, troféu ganho pela Seleção Brasileira de Futebol, campeã da Copa do Mundo de 1970. O nome faz referência ao então distante ano 2000, pois em 1970, todos usavam este termo como sinônimo de futuro, prosperidade e avanço. 

Como sempre ocorria com os conjuntos habitacionais construídos naquela época, A Cidade 2000 também foi inaugurada com grande carência de infraestrutura. O prolongamento da Avenida Santos Dumont até a Praia do Futuro, com o objetivo de facilitar o acesso ao conjunto habitacional, só foi feito em 1976. Antes, chegar à Cidade 2000 era bastante difícil.
  
A distância era um desafio, de acordo com moradores mais antigos. A área onde o conjunto foi assentado era isolada da malha viária básica da cidade, os ônibus não chegavam até lá. No entorno, havia muito mato,  muitos morros e grandes espaços vazios.  O Jornal O POVO do início  da década de 1970 comparava a construção à Brasília feita anos antes por Juscelino Kubitschek. “Cidade 2000 caminha em ritmo de Brasília na Aldeota”, dizia a manchete de página do dia 6/2/1971. 

O Conjunto habitacional Cidade 2000 após a inauguração: as casas eram iguais, e guardavam alguma distância dos vizinhos. A ausência de arborização era absoluta (Foto de Nelson Bezerra)
 
Outro problema grave que afligia o Conjunto em seus primórdios era a coleta de lixo, feita de forma bastante precária. Em reportagem publicada em 24/03/1973, o jornal O Povo, denunciava:  "O serviço de limpeza pública não está atuando no conjunto habitacional Cidade 2000, localizado após o Hospital Geral do INPS, na Aldeota. Os poucos camburões de lixo ali localizados estão completamente cheios há dias e, como não exista outro local para colocar os detritos, os moradores depositam o lixo nas alamedas, formando verdadeiros monturos. Com o vento, aliás muito forte, pois o conjunto fica localizado perto da praia, o lixo espalha-se, provocando um mal-estar generalizado".

Prolongamento da Avenida Santos Dumont - 1975  (O Povo)

Com a construção e  ocupação da Cidade 2000 naquela parte de Fortaleza, e o prolongamento da Avenida Santos Dumont, ocorreu a expansão do sistema viário para o leste, e um acelerado processo de especulação imobiliária , abrindo-se novos loteamentos, sem nenhum acompanhamento do poder público municipal, e sem nenhuma infraestrutura, construindo-se residências de alto padrão em grandes lotes.

Avenida Santos Dumont, com o prolongamento até a Praia do Futuro. O motivo principal para a obra, foi construir um acesso para Cidade 2000 - 1973 (foto de Nelson Bezerra)
 
Além dos transtornos sociais causados pela especulação imobiliária, surgiram novos problemas decorrentes da degradação ambiental, gerada por aterros de lagoas e riachos e pelo desmonte de dunas. Os problemas ambientais também afetaram a Cidade 2000, com o surgimento do novo divisor de águas para a A Zona Leste - construção da Avenida Santos Dumont e o aterro da Lagoa de Três Corações, localizada nas imediações do conjunto. A partir do aterramento das lagoas, o lugar passou a registrar alagamentos, causando contratempos a pedestres e motoristas.  

A Paróquia do Divino Espírito Santo  foi fundada no dia 13 de setembro de 1974. (imagem Google)
  
Hoje a Cidade 2000 perdeu muitas de suas características originais.  O fato de ter sido construído em um local com grande potencial de valorização do solo, trouxe alterações no desenho do conjunto, e as muitas construções ao redor de vários empreendimentos imobiliários fez com que o bairro crescesse rapidamente em poucos anos. 

 
As casas da Cidade 2000, antes ordenadas em ruas estreitas e regulares, todas com o mesmo tamanho e modelo, ostentam hoje um segundo pavimento e ampliações variadas. O bairro conta com todos os tipos de comércios e serviços, como supermercados, bancos, restaurantes, etc.  Apesar dos nomes de flores que identificam as alamedas, por ali todos só se referem aos endereços pelas quadras, como bem mostra o mapa posto no meio da praça central.
  
Escola E.F.M arquiteto Rogério Froes

A Cidade 2000 tem 8.272 habitantes. São 3.576 homens e 4.696 mulheres, divididos em 2624 domicílios, segundo o Censo 2010 do IBGE. Limita-se com os bairros do Papicu, Dunas, Cocó e com o Rio Cocó, ao Sul.

 
fontes:
De Cidade a Metrópole: (trans)formações urbanas de Fortaleza, de Eustógio Wanderley Correia Dantas, José Borzachielo da Silva, Maria Clélia Lustosa da Costa.
Wikipédia
IBGE
Jornais O Povo e Diário do Nordeste

fotos de Nelson Bezerra do livro Cidade Saudade, Fortaleza anos 70

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Messejana, antiga Aldeia Paupina

Somente a partir da incursão de Martim Soares Moreno a colonização portuguesa do Ceará começa a florescer efetivamente. Um dos fatores para esse processo foi a construção de um forte na região conhecida hoje como Barra do Ceará, com o auxílio de alguns indígenas vindos da região do Jaguaribe, o que gerou uma aglomeração no local. Corria o dia 20 de janeiro de 1612, quando Soares Moreno batizou o forte com o nome de São Sebastião.

Tempos depois, essa aglomeração foi destacada para as terras do Mondubim, onde foi formado o Arraial do Bom Jesus da Parangaba por solicitação dos jesuítas. Apenas nos idos dos anos de 1690 é que é formada a aldeia de Paupina, povoada por parte da população que fazia parte da aldeia de Parangaba, criada por volta de 1662. 



Igreja de N. S. da Conceição, fundada em 1871, instituída canonicamente em 1873, conforme provisão episcopal de D. Luis Antônio dos Santos, primeiro bispo do Ceará. A igreja foi construída inicialmente pelos jesuítas, que nesse mesmo local ergueram uma capela, em cuja base foi erigida a igreja atual .


Praça da Matriz com o busto do escritor José de Alencar
Calçadão no entorno da Lagoa de Messejana

A Lagoa de Messejana está localizada na Bacia do Rio Cocó, no eixo do rio Coaçu. O seu espelho d'água tem 33,7 hectares e um volume de mais de 865 mil metros cúbicos de água, constituindo-se na segunda maior lagoa da cidade. Urbanizada em 2003, transformou-se na principal área de lazer do bairro, atraindo visitantes de toda a cidade e até turistas. O lugar possui píer, quadra poliesportiva, campo de futebol de areia e calçadão com área para cooper que começa no terminal de ônibus urbanos, contornando suas margens até o Clube da Caixa Econômica.



segundo historiadores, o bairro se formou ao redor da lagoa primeiro com ocupação indígena e, depois, veio a catequese que construiu uma capela, e lançou as bases da atual igreja. 


a Estátua de Iracema, idealizada pelo arquiteto Leonardo Fontenele. Com 13 metros de altura, a personagem do romance de José de Alencar remete ao lugar que a índia costumava banhar-se.

Feira Livre



Colégio Seráfico Nossa Senhora do Brasil, instituição educacional mantida pelos frades menores capuchinhos, criado em 1934, quando a Ordem dos  capuchinhos da Província Ceará/Piauí necessitava de um local propício à formação de seminaristas, ingressos na Ordem.
 
Instituto Frei João Pedro de Sexto - antigo Patronato Coração de Maria, surgiu em fins da década de 40, mantido e dirigido pelas freiras da ordem das Capuchinhas 

Os jesuítas foram responsáveis pela urbanização de Messejana. Com a expulsão deles em 1759, decretada pelo Marquês de Pombal, a vila passou a ser chamada "Vila Nova de Messejana da América”. Nos séculos XVII, Messejana conheceu o progresso e teve uma importante função econômica dentro do Ceará, pois serviu de via de escoamento de gado na época das charqueadas. Deste período, ainda existem vestígios da Estrada Parangaba-Messejana e a Estrada do Fio.

Mais tarde, no século XIX, Messejana foi uma das vias de escoamento do algodão vindo das regiões do Jaguaribe e Sertão do Central, para ser  exportado pelo Porto de Fortaleza. Em 1921, Messejana sofreu uma transformação que tem repercussão até os dias de hoje: o então governador do Ceará, Justiniano de Serpa, rebaixou o município de Messejana à categoria de distrito anexado ao município de Fortaleza. 



Localização: Zona sudeste de Fortaleza

Distrito Messejana, município de Fortaleza.

População: 41.689 habitantes (IBGE – censo 2010)

Sendo 19.277 homens e 22.412 mulheres

Limites:

Norte: Cajazeiras, Parque Iracema e Cambeba

Sul: Ancuri, Paupina e Coaçu

Leste: José de Alencar, Curió e Guajerú

Oeste: Barroso e Jangurussu
 

pesquisa:
Wikipédia
portal Messejana
programa Parque Vivo
fotos de Rodrigo Paiva e Raquel Garcia - janeiro de 2014