terça-feira, 12 de junho de 2012

Monumento ao General Sampaio


Praça da Estação em foto de 1900, dia da inauguração da estátua em homenagem ao General Sampaio. (arquivo Nirez)

A Estátua em homenagem ao general Antônio Sampaio foi inaugurada na Praça Castro Carreira, também conhecida por Praça da Estação no dia 24 de maio de 1900. O general  Sampaio  participou da Guerra do Paraguai, foi ferido gravemente na célebre batalha de Tuiuti, em 24 de maio de 1866 e faleceu a 6 de julho daquele mesmo ano.
Antônio de Sampaio nasceu em 24 de maio de 1810, na Fazenda Vitor, em Tamboril, a 300 quilômetros de Fortaleza,  Ceará, filho de Antônio Ferreira de Sampaio, e Antônia Xavier de Araújo.


A vida de Sampaio é uma série ininterrupta de lutas, combates e serviços de campanha desde que sentou praça a 17 de junho de 1830, até cair com três ferimentos mortais  no campo de batalha, onde combateu junto com a 3ª. Divisão em operações contra o Paraguai. O general veio a falecer dos ferimentos recebidos a bordo do Eponina, perto de Buenos Aires. Seus  restos mortais foram trazidos para Fortaleza no vapor Cruzeiro do Sul, sendo recebidos em Fortaleza em 25 de novembro de 1871, e guardados na Igreja Matriz de São José, ate 25 de outubro de 1877, quando foram sepultados no mausoléu construído no Cemitério de São João Batista.  Pela sua bravura na Guerra, é o patrono da arma de Infantaria no Brasil.

Localização atual da Estátua, na área do Quartel da 10a. RM 
(foto disponível em : http://www.pbase.com/alexuchoa/image/34297722) 

O  monumento foi custeado por subscrição popular. Coube ao Sr. João Adolfo Barcelos a maior soma de esforços para a sua efetivação, sendo auxiliado por uma comissão composta do Dr. Henrique Autran, tenente-coronel Joaquim Manoel Carneiro da Cunha, major  Francisco Pedro dos Santos, major Francisco José do Nascimento, tenente Rodolfo Fontoura, alferes José de almeida Fortuna, Antônio Macedo, Tomé Rodrigues, João Araújo Viana e Izidoro Bruno.





Representava o herói de Tuiuti, de pé, sobre uma coluna de mármore de dez metros de altura, ladeada por um gradil de ferro. Este gradil desapareceu com o decorrer do tempo. Foi a segunda estátua de Fortaleza.
Em 1966 a estátua foi retirada da Praça Castro Carrera e levada para a Avenida Bezerra de Menezes sem o pedestal que foi destruído, e juntado a ela os restos mortais do homenageado.   




Em 1996, por iniciativa do Instituto do Ceará, a estátua foi transferida para a Avenida Alberto Nepomuceno, em frente da 10ª Região Militar. Na 10a. RM, antiga fortaleza de N.S. da Assunção, foi criado o Pantheon Brigadeiro Antônio de Sampaio, em 25 de maio de 1996.

fotos Rodrigo Paiva e Fátima Garcia
Extraído do livro
Os Monumentos do Estado do Ceará, de Eusébio de Sousa

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Comunidade Aldaci Barbosa



Ate  meados da década de 1930, início dos anos 40, o aglomerado urbano de Fortaleza se resumia basicamente ao perímetro formado pelos Boulevards planejados  por Adolfo Herbster na Planta da Cidade de Fortaleza e Subúrbios em 1875 – as atuais avenidas D. Manuel, Imperador e Duque de Caxias.  
Na década de 1930, uma grande seca provocou, mais uma vez, a expulsão de sertanejos, que viam como única chance de sobrevivência, a migração para a Capital,  enquanto as  autoridades locais tentavam impedir, a todo custo a entrada desses retirantes.
No interior onde havia estrada de ferro, eles eram confinados para não viajar para Fortaleza. Os que conseguiam burlar a vigilância e chegavam à capital, eram presos e isolados nos dois campos de concentração existentes em Fortaleza: um deles era o Arraial Moura Brasil, que ficou conhecido por “Curral”. Mas, a migração para Fortaleza continuava,  mesmo depois de passadas as fases mais críticas da estiagem.  



As primeiras favelas surgiram em Fortaleza já na década de 1930, em consequência principalmente das grandes secas, que provocaram o crescimento das migrações para a capital. A população desassistida foi se instalando em barracos próximos à ferrovia, às indústrias, à zona de praia e às margens dos rios, áreas desprezadas pelos grupos sociais de maior poder aquisitivo.
Com a construção, no início da década de 1940, do ramal ferroviário ligando a Parangaba ao porto do Mucuripe, muitas famílias viram nas margens da ferrovia, uma oportunidade de construir sua moradia em terras sem dono, que ninguém reclamava. Surgia assim o embrião das atuais comunidades que se encontram ao longo da linha do trem.  Uma dessas comunidades é a Aldaci Barbosa.


Localizada no Bairro de Fátima, em frente a Avenida Borges de Melo, a comunidade seria atingida em cheio pelo projeto do VLT, uma vez que seria construída uma estação no local, o que iria provocar  retirada das casas. Mas depois de muita resistência por parte dos moradores, a estação mudou para o outro lado da avenida,  numa área em frente  à antiga localização, entre a Avenida Borges de Melo e a Rua Francisco Lorda, o que reduziu o número de casas desapropriadas: de 250 para 20. A mudança foi anunciada no último dia 12 de março, no site do METROFOR.


A comunidade Aldaci Barbosa foi uma das primeiras a resistir contra as remoções do VLT e até hoje tem se negado a colaborar com o governo. Por conta disso, no dia 02 de agosto de 2011, o governador Cid Gomes foi protagonista de uma atrapalhada operação de intimidação  à comunidade, levada a cabo à noite, e sem aviso prévio, com o intuito de pressionar os moradores a aceitarem a remoção. 
Acompanhado de secretários, assessores e um batalhão de seguranças (até o comandante-geral da Polícia Militar estava lá!), Cid tentou percorrer casa por casa, conversando com moradores a portas fechadas. Mas a tentativa de intimidação pegando a comunidade desprevenida virou uma grande confusão,  verdadeiro vexame! 
Não demorou muito e moradores de outras comunidades ameaçadas pelo VLT, militantes de organizações políticas e de movimentos sociais se uniram aos moradores da Aldaci. Diversos meios de comunicação mostraram o governador  sendo expulso da comunidade de forma humilhante, sob uma chuva de vaias e aos gritos de “terrorista” e “ditador, respeite o morador!”



A resistência deu certo: as casas continuam marcadas, com a tinta verde que identifica os imóveis que serão removidos. Mas a Comunidade Aldaci Barbosa continuará onde está.


fotos Rodrigo Paiva
Site consultado:

sábado, 9 de junho de 2012

Do Diogo ao São Luiz


 Cine São Luiz na noite de sua inauguração (Arquivo Nirez)

Dezoito anos depois de reinar solitário como a sala de exibição maias elegante da cidade, o Diogo Perdeu a coroa para o Cine São Luiz, inaugurado em 23 de março de 1958, com o filme Anastácia, estrelado por Ingrid Bergman e Yul Brynner.  A história do cine São Luiz, conta também a evolução de  Fortaleza. Durante longos anos, os tapumes escondiam o esqueleto do arranha-céu que o Sr. Luiz Severiano Ribeiro, o pai, mandara erguer em plena Praça do Ferreira, numa manifestação de amor à terra natal.
Surgiram curiosas lendas a respeito da obra inconclusa. Dizia-se, por exemplo, que Severiano Ribeiro, o maior exibidor cinematográfico da América do Sul, com salas em quase todas as grandes cidades do País, tivera um sonho no qual lhe era dito que sua morte aconteceria ao término da construção do edifício São Luiz. Claro que a causa da demora tinha fundamento econômico.
A cidade, ainda muito acanhada, não comportava um cinema melhor e mais amplo do que o Diogo. Isto significa que, ao abrir o São Luiz em 1958, a Empresa Severiano Ribeiro entendeu que Fortaleza evoluíra, que já não era mais aquela província que costumava vaiar a tudo e a todos na Praça do Ferreira.

  folder de inauguração do Cine São Luiz (arquivo Nirez)

 O folder trazendo o programa inaugural do cinema, traz na capa como se fora o filme de abertura da programação, O Principe Encantado, mas na página seguinte é logo tudo esclarecido. O filme de abertura do São Luiz, em 23.03.1958 foi Anastácia. O festival de inauguração incluíam grandes clássicos do cinema, como Suplicio de uma Saudade, Férias de Amor, Melodia Imortal, Tarde Demais para Esquecer, Juventude Transviada, e outros.
Estes filmes, lançados sucessivamente, voltariam a cartaz pouco tempo depois, demorando-se alguns por larga temporada, de acordo com o sucesso de público.
As sessões do São Luiz tornaram-se uma passarela de elegância, onde desfilavam as moças mais distintas da sociedade, as familias mais importantes, todos caprichando nas indumentárias.
 
 Cine Diogo em 1992 (O Povo)
O Diogo embora apresentando grandes filmes ficou em segundo plano. Mas a sua sessão das quatro perdurou como ponto obrigatório de encontro da juventude todos os domingos. 
Assim o São Luiz representou de fato, um marco de progresso na capital cearense. Seu surgimento corresponde à era Juscelino, sinônimo de desenvolvimento do Brasil e do Ceará, inclusive através  do processo de industrialização, que provocou a mudança da sociedade rural brasileira numa sociedade urbana. Os automóveis, fabricados em São Paulo, começaram a povoar as ruas de Fortaleza, que até hoje paga o preço dos atropelos causados por um trânsito caótico, por conta da falta de planejamento urbanístico adequado para os tempos que estavam chegando.

Extraído do livro
Sessão das Quatro, cenas e atores de um tempo mais feliz,
De Blanchard Girão


quinta-feira, 7 de junho de 2012

Depois da Reforma: Praça Luiza Távora (Praça do CEART)








Os castelinhos ainda estão lá, os seis, dois de cada cor. Foram construídos em 1938, por Emilio Hinko, com características ecléticas. Hoje abrigam vários órgãos estaduais a exemplo da Coordenadoria de Promoção de Trabalho e Renda, a Ouvidoria Especial, e a Gráfica em Braile.




Vários canteiros gramados foram retirados e colocado piso de cerâmica, o que confere ao lugar um calor insuportável nas horas mais quentes do dia. as únicas árvores localizadas no centro da praça são palmeiras, que não produzem sombra para amenizar o calor .       

Central de Artesanato do Ceará – CEART 

componente da estrutura administrativa da Secretaria do Trabalho e Ação Social, o CEART desenvolve um programa de apoio através do cadastramento e da capacitação visando o resgate e o aperfeiçoamento dos produtos tradicionais assim como estimulando a inovação e adaptação destes mesmos produtos.
Atua também no apoio à organização de grupos, associações e cooperativas, na promoção de cursos de gerenciamento e no apoio à comercialização em lojas e feiras. 



vagão em madeira utilizado para transporte de passageiros, fabricado em 1938 pela Cia. Centrale Construction, em Haine Saint Pierre, na Bélgica. Considerado de 1a. classe, era puxado por uma locomotiva, conhecida como Maria Fumaça. Operou pela Rede de Viação Cearense (RVC) em duas linhas, cobrindo as regiões norte e sul do Estado do Ceará. Entre seus usuários ilustres, Rachel de Queiroz, Padre Cícero e Getúlio Vargas.

dentre as novidades introduzidas na praça estão uma fonte luminosa bastante modesta 


a iluminação podia ser melhorada

A Praça Luiza Távora passou por uma reforma geral, patrocinada pelo governo do Estado, e foi devolvida ao público há pouco mais de um ano. A reforma incluiu a mudança do piso, a inclusão de equipamentos de ginásticas, pista de skate, rampas de acesso, placas de sinalização e uma cafeteria. Ganhou ainda uma placa com toque saudosista, lembrando que no local existiu uma das mais monumentais obras arquitetônicas do início do século:  O Castelo de Plácido de Carvalho. Acrescenta que o imóvel foi demolido no início da década de 1970. 

foto Arquivo nirez

Riquíssimo e de extremo bom gosto, O Palácio do Plácido foi considerado uma das residências mais suntuosas do Brasil. Presente do comerciante Plácido de Carvalho para sua mulher Pierina, uma italiana de Milão, o imóvel ocupava uma quadra inteira, com frente para a Avenida Santos Dumont, entre as ruas Carlos Vasconcelos, Monsenhor Bruno e Costa Barros, na Aldeota, antigo bairro do Outeiro. 

Consta que Plácido adquiriu a planta de um palácio na Itália e reproduziu o imóvel em Fortaleza, que foi construído pelo engenheiro João Sabóia Barbosa. A obra teve inicio no ano de 1918 e foi concluída em 1921.

Pierina e Plácido ficaram casados até a morte deste, em 1935.  Mais tarde Pierina contraiu núpcias com o arquiteto húngaro Emilio Hinko, que construiu, a pedido da mulher, uma série de casas para aluguel em torno do palacete principal. 

O casal Pierina e Hinko morou em diversas casas em Fortaleza, inclusive em duas das que compunham o complexo do castelo, sem jamais ocuparem a edificação central. Em 1957, aos 68 anos de idade D. Pierina vem a falecer e sua filha Zaira torna-se a proprietária do complexo do castelo, sem nele também voltar a morar. 

Posteriormente o imóvel foi adquirido por um grupo empresarial local e em 1974, o castelo foi demolido para dar lugar a um supermercado. No entanto o referido grupo empresarial  encontrava-se endividado com o Poder Público e resolveu quitar a vultuosa dívida transferindo a posse do complexo, já sem o castelo, para o Governo do Estado. 
A Praça Luiza Távora fica na Avenida Santos Dumont, 1589, Aldeota.


fotos:
Rodrigo Paiva
Fátima Garcia

domingo, 3 de junho de 2012

O Futuro do Presente


o mar na Praia do Futuro aparenta calma e com ondas pequenas. Mas o local oferece risco aos banhistas mais afoitos, em razão das correntes marítimas, perigo invisível que tem sido causa de muitos afogamentos.


As barracas investiram também em decoração e paisagismo, no vale tudo para atrair clientes 



um dos poucos serviços públicos que podem ser encontrados na Praia do Futuro são os prestados pelos salva-vidas. A segurança pública e o disciplinamento do tráfego  de veículos não existem no local. Os poucos seguranças encontrados são particulares e contratados pelas barracas


a maioria dos estabelecimentos contam com palcos para shows musicais e humorísticos, inclusive noturnos


A Praia do Futuro é a mais frequentada por moradores e turistas que visitam a cidade, em razão da diversidade de serviços e atrações que oferece.  Tudo oferecido pelas barracas, que em sua maioria tem infraestruturas parecidas com as de clubes. Além dos serviços de bar e restaurante,  chuveiros, e guarda-sol, comuns a esse tipo de estabelecimento, piscinas, parque aquático, massagens, tratamentos estéticos  são alguns dos diferenciais das barracas da praia do Futuro. 
Mas toda essa infraestrutura montada pelos comerciantes da área, pode estar com os dias contados. Há anos o Ministério Público Federal entrou com uma representação contra a permanência dos equipamentos na Praia do Futuro, alegando que todos estão irregulares, porque ocupam a faixa de praia. E solicitou à Secretaria de Patrimônio da União, a retirada de cerca de 154 barracas.
A questão está em andamento na justiça, que já se pronunciou em algumas sentenças desfavoráveis aos barraqueiros. 

 orla da Praia do Futuro (foto: http://www.vejanomapa.com.br)
Numa dessas decisões, que atende à ação Civil Pública do Ministério Público Federal, o juiz da 4a. vara federal, sentenciou os ocupantes dos estabelecimentos a se adequarem à legislação. De acordo com a sentença, todos os réus construíram extensões em área de praia sem elaboração de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) e sem autorização do poder público para efetivar as obras. O processo que tramita no Tribunal Regional Federal da 5ª região - TRF 5, diz ainda que os ocupantes dos estabelecimentos ocupam o espaço para fins comerciais ou de moradia em uma área que pertence à União, que não pode ser ocupada.O documento determina, ainda, que os empresários recomponham as áreas e recuperem as dunas primárias e a vegetação nativa danificadas pelas estruturas construídas pelas ocupações. Os comerciantes recorreram.

 Existe na Praia do Futuro 28 construções abandonadas e 19 ruínas. Por decisão da Procuradoria Geral do Município e da Advocacia Geral da União, todos serão demolidos (foto Diário do Nordeste)

A Associação dos empresários diz ser favorável apenas à demolição dos prédios abandonados, em ruínas e transformados em habitação por moradores de rua. Segundo a presidente da associação, muitos desses espaços são usados como ponto de venda de drogas e servem de esconderijo para assaltantes. 


fotos:
Rodrigo Paiva
Fátima Garcia