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domingo, 19 de abril de 2020

As Mulheres nas Praças e nos Equipamentos Públicos


Muitas mulheres tiveram papéis relevantes na formação histórica de Fortaleza: professoras, escritoras, médicas, educadoras, artistas. Mas as mulheres foram pouco lembradas por ocasião do batismo de praças e monumentos da cidade. Várias se tornaram nomes de ruas, postos de saúde e escolas de primeiro grau. Mas a maioria absoluta, são homenagens a homens, alguns totalmente desconhecidos para a maior parte da população, outros, até que são nomes conhecidos, mas não se sabe por que foram homenageados com nomes de ruas e praças da cidade, quando havia tantas mulheres notáveis que mereciam todas as homenagens.



Dona Argentina Viana Castelo Branco nasceu em Cataguases – MG, em 16 de novembro de 1899. Aos 18 anos casou-se com o então cadete Humberto de Alencar Castelo Branco. Faleceu em abril de 1963, aos 74 anos de idade, na cidade do Recife, um ano antes da revolução de 31 de março, deixando viúvo o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, que seria presidente do Brasil no período de 15 de abril de 1964 a 15 de abril de 1967.
Seus restos mortais juntamente com os do seu marido, estão sepultados no mausoléu vizinho ao Palácio da Abolição. Argentina Castelo Branco é nome de uma simpática e bem cuidada praça, localizada no bairro de Fátima, criada em 1964, no governo do General Murilo Borges Moreira.


Maria da Graça Figueiredo dos Santos nasceu em São Luís – MA, em 21 de dezembro de 1940. Atriz e diretora teatral. Foi considerada uma das maiores atrizes do Ceará, desde que chegou aqui, em 1954. Estreou no grupo Teatro-Escola, dirigido por Nadir Papi Sabóia, e foi uma das primeiras alunas do Curso de Arte Dramática da Universidade Federal do Ceará. Em 1960, fundou com o marido, o ator Edilson Soares, o grupo Experiência, que montou duas peças infantis. Maria da Graça (Gracinha) diplomou-se no Curso Normal do Colégio São João, no Curso de Formação de Atores e no Curso de Arte Dramática da UFC.  Gracinha Soares faleceu em 1982.
Gracinha Soares é o nome da praça localizada no bairro Edson Queiroz, criada em 1983, na gestão do Prefeito César Cals Neto. Fica entre a Avenida Sapiranga, Ruas Conselheiro Gomes de Freitas, Lourival Correia Pinho, Evilázio Miranda e Poeta Otacílio Azevedo.

Praça Margarida Sabóia de Carvalho


Margarida era professora diplomada pela Escola Normal, casada com Jáder de Carvalho, professor, advogado e jornalista. Junto com a irmão Hortênsia, fundou o Curso Eduardo Saboia, de preparação ao Admissão. Lecionou no Colégio Castelo Branco quando de propriedade do professor Odorico Castelo Branco, seu fundador. Além de educadora Margarida era Jornalista, escritora e cronista, escreveu: Por Entre Dedos; Crônicas; Santos do Céu - Santos da Terra; Imperfeição e A Vida em Contos. Morreu, vítima de atropelamento, em 11 de maio de 1975.


Colégio Castelo Branco fundado a 1º de junho de 1900 pelo professor Odorico Castelo Branco - foto Arquivo Nirez 

A Praça está localizada entre as Ruas Dr. Carlos Ribeiro Pamplona e Edmar Villar de Queiroz no bairro Edson Queiroz. O espaço sem nenhuma urbanização, foi criado em 1978, com o nome de Praça Edmar Villar de Queiroz. No mesmo ano teve a denominação modificada para Margarida Sabóia de Carvalho. Conhecida popularmente como praça da CTC, a praça foi revitalizada em 2019, na gestão do prefeito Roberto Cláudio.

casa no Jacarecanga onde residiu Narcisa Borges. Foi demolida

Dona Narcisa Borges da Cunha Moreira, casada com José da Rocha Moreira, eram os pais do tenente Murilo Borges Moreira (que mais tarde seria prefeito de Fortaleza no período 1963-1967), e sogra do capitalista José Maria Filomeno Gomes. Dona Narcisa, foi vítima de um rumoroso crime que abalou a sociedade de Fortaleza, ao ser brutalmente assassinada pelo marido de uma empregada da sua casa, ao defendê-la da agressão do marido, no dia 21 de dezembro de 1936.
Narcisa Borges é nome  de uma praça localizada no bairro Vicente Pinzon, e de  uma escola municipal localizada na travessa Costa Rica no bairro Antônio Bezerra (ou Paes de Andrade).

Hospital e Maternidade Zilda Arns (Hospital da Mulher)


Zilda Arns Neumann nasceu em Forquilhinha, Santa Catarina, no dia 25 de agosto de 1934.  Era médica pediatra e sanitarista, irmã de Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo. Fundou em 1983 a Pastoral da Criança, um programa de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Em 2006, foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz. Zilda Arns faleceu em Porto Príncipe, Haiti, no dia 12 de janeiro de 2010, quando participava de uma palestra sobre as atividades da Pastoral da Criança, no momento em que a cidade foi atingida por um violento terremoto. O hospital foi Inaugurado em 2012, localizado na Avenida Lineu Machado, 155, bairro Jóquei Clube.

Praça Luiza Távora - foto de Silas Junior

Luiza Silva de Moraes Correia nasceu em Fortaleza no dia 01 de julho de 1923, filha de Luiz Moraes Correia, professor de direito da Faculdade de Direito do Ceará e Esmerina Silva Correia, proveniente de uma abastada família do Piauí. Casou-se com o coronel Virgílio Távora com quem teve dois filhos. A partir do casamento mudou o nome para Luiza Moraes Correia Távora. Foi uma das primeiras damas mais atuantes do Ceará durante os dois mandatos de governador de Virgílio Távora (1963/1966 – 1979/1982). Luiza Távora faleceu em 1992, aos 68 anos de idade. 

Luiza Távora em companhia de Virgilio Távora na inauguração da energia de Paulo Afonso em fevereiro de 1965 - foto do livro História da Energia no Ceará, de Ary Bezerra Leite 

Equipamentos públicos que receberam o nome da primeira data:
Praça Luiza Távora - Localizada entre a Avenida Santos Dumont e as ruas Carlos Vasconcelos, Monsenhor Bruno e Costa Barros, construída onde antes existia um castelo erguido por Plácido de Carvalho, no início da década de 1920, no então rarefeito bairro do Outeiro.
Posto de Saúde Luiza Távora, no bairro Itaperi
Restaurante Escola Luiza Távora – criado em 1981 a pedido da primeira dama. É vinculado ao Centro Educacional Padre João Piamarta, localizado na Avenida Aguanambi, bairro Aeroporto.
EEFM Dona Luiza Távora – Bairro São João do Tauape
EEFM Luiza Távora – Bairro Jardim das Oliveiras

Rachel de Queiroz

Posse na Academia Brasileira de Letras em 1977 - foto O Povo

Raquel de Queiroz nasceu em Fortaleza, em 17 de novembro de 1910. Apesar de ter nascido na capital era em Quixadá, sertão central que a escritora tinha suas raízes.  Autora de destaque na literatura nacional, estreou em 1927, com o pseudônimo de Rita de Queiroz, no jornal O Ceará.  Em 1930, publicou o romance O Quinze, que retrata os horrores vivenciados pela escritora na terrível seca daquele ano.
Com apenas 20 anos Rachel de Queiroz se projetava na vida literária do país, com um romance de fundo social. O livro editado às expensas da autora surgiu em modesta edição de mil exemplares, e recebeu críticas dos maiores escritores da época. O entusiasmo da crítica diante do lançamento de “O Quinze” tornou Rachel de Queiroz um nome nacional, e aos vinte anos já era uma figura pública.
Trecho do Parque Rachel de Queiroz em 2010 - foto Fortaleza em Fotos

A consagração veio com o prêmio Fundação Graça Aranha em 1932. Rachel de Queiroz foi primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras em 1977. Foi a primeira mulher a receber o Prêmio Camões, o Nobel da língua portuguesa.  Rachel fez sólidos contatos com algumas lideranças políticas, e terminou sendo uma das fundadoras do Partido Comunista do Ceará.
Quando a ditadura de Getúlio Vargas começou a atuar com mão de ferro, intensificando o combate aos “vermelhos” Raquel foi presa incomunicável no Quartel do Corpo de Bombeiros em Fortaleza. A convivência com os bombeiros rendeu uma crônica onde a então presa política relata sua rotina. A escritora faleceu em 04 de novembro de 2003, no Rio de Janeiro. 

Homenagens a Rachel de Queiroz em Fortaleza:
Escola Municipal Rachel de Queiroz na Barra do Ceará
Centro de Educação Infantil Rachel de Queiroz no bairro Prefeito José Walter
Praça Rachel de Queiroz – Rua Cel. Raimundo Guanabara, 608-132 - São Gerardo
Estátua na Praça General Tibúrcio
Parque Rachel de Queiroz – o Parque Rachel de Queiroz no papel desde 1995, tinha previsão de iniciar a primeira etapa no primeiro trimestre de 2020. Localizado na zona Oeste de Fortaleza, terá 10 km de extensão e uma área total de aproximadamente 203 hectares. As intervenções no Parque irão beneficiar diretamente 285 mil pessoas, em uma área de abrangência de 14 bairros.
Colégio Militar do Corpo de Bombeiros Escritora Rachel de Queiroz –  fundado no dia 13 de abril de 1998 no bairro Jacarecanga.

Colégio Militar do Corpo de Bombeiros Escritora Rachel de Queiroz -  foto Governo do Estado

A Incendiária e os Bombeiros (Crônica de Rachel de Queiroz)

Praça General Tibúrcio foto: Fortaleza em Fotos 2012 

Em 1937, quando  Getúlio Vargas preparava seu golpe de estado, todos os possíveis opositores que se espalhavam pelo território nacional foram apanhados. No Ceará, mandaram os jornalistas para a cadeia pública. Mas comigo tiveram consideração, pois eu era uma senhora de boa família. Fui presa no quartel do Corpo de Bombeiros em Fortaleza.
No início de outubro, trabalhava em uma firma que embarcava algodão para Europa. Fui surpreendida por um delegado de polícia, que me conduziu a uma viatura para o Quartel do Corpo de Bombeiros, onde fui entregue não aos soldados, mas a Senhora do Comandante, que praticamente me pedia desculpas ao mostrar as precárias comodidades do local: uma cama de solteiro, uma mesa e duas cadeiras.
Levou-me a uma das janelas e disse que bastava eu chegar ali e dar um grito que ela imediatamente seria chamada. Assim, morando com os bombeiros, passei cerca de um mês, enquanto Getúlio dava e consolidava seu golpe.
Praticamente, tornei-me bombeira. Da minha janela assistia aos exercícios. É impressionante como aqueles homens arriscavam a vida, adestrando-se para salvar a vida de outros. Eles vinham marchar debaixo das minhas janelas.
A Senhora do comandante me mandava, por eles, guloseimas da sua mesa. Sua filha adolescente que me chamava de "Tenente", também me visitava. Era uma menina bonita a quem às vezes ajudava com problemas da escola. Era como se eu tivesse uma família afetuosa ao alcance das mãos. Já a minha família não tinha o direito de me visitar.
Afinal, Getúlio deu seu golpe, o Brasil voltou à normalidade possível, e nós, presos políticos, fomos soltos. Voltei para casa, mas confesso, senti saudades... das serenatas dos músicos sob minhas janelas, das ocasiões em que eu ajudava os bombeiros, estudantes aflitos, em hora de exames, que mandavam bilhetinhos das questões mais difíceis de português; bilhetinhos que devolvia com as respostas.
Saí afinal, mas fiquei amiga da família do Comandante, principalmente fiquei amiga dos bombeiros. Alguns vinham me visitar nas folgas e infalivelmente ao me encontrar na rua, assumiam posições de sentido e batiam solene continência e eu, confesso, ficava morrendo de orgulho.
E o carinho se renovou no coração da velha senhora.
Rachel de Queiroz


Pesquisa:
Praças de Fortaleza, de Maria Noélia Rodrigues da Cunha
Rachel de Queiroz, de Heloisa Buarque de Holanda
wikipédia
    

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Tombamentos Municipais 1/2



Por falta de tombamento a cidade perdeu edificações únicas como o Castelo do Plácido, que ocupava o espaço onde hoje existe a praça Luiza Távora, na Aldeota, e monumentos que faziam parte da memória afetiva da cidade, como a antiga Coluna da Hora, na Praça do Ferreira.


O tombamento é um ato administrativo realizado pelo Poder Público com o objetivo de preservar, por intermédio da aplicação de legislação específica, bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e, também, de valor afetivo para a população, evitando que venham a ser destruídos ou descaracterizados.

De acordo com a Lei Municipal 9.347/2008, inicia-se o processo de tombamento ao se dar entrada na sua solicitação. Tal solicitação deve ser encaminhada diretamente à Secretaria de Cultura de Fortaleza e pode ser de iniciativa de qualquer cidadão, do proprietário do bem a ser tombado ou do próprio órgão municipal de preservação.

Após a abertura do processo, o Secretário de Cultura o encaminha à Coordenação de Patrimônio para que se realize a análise e o parecer técnico. A partir de então, o proprietário será notificado e o bem já estará protegido em caráter provisório.

Com o prosseguimento do processo, serão feitos estudos mais aprofundados, haverá análise do Conselho de Proteção ao Patrimônio Histórico e Cultural (COMPHIC) e será definida uma poligonal de proteção para o entorno. A finalização do processo acontece com a homologação e decreto do Prefeito.

Com base nesses critérios, foram tombados, ou estão em processo de tombamentos os seguintes bens:

Imóveis tombados pelo município de Fortaleza  


Localizada na Avenida Presidente Castelo Branco (Avenida Leste-Oeste) s/n – Bairro Moura Brasil, tombada na forma da Lei No Lei 6.087 de 09 de junho de 1986. A capela teve sua construção iniciada em 1926 e foi concluída em 1928. Tombamento requerido pela população, que em duas oportunidades viu o pequeno templo sob ameaça de demolição para atender interesses de obras e construções na região em que se acha localizada. Situação atual: em ótimo estado e em pleno funcionamento. 


Vila Morena (Estoril) 

Endereço: Rua Tabajaras, nº 397, bairro Praia de Iracema, tombamento pela Lei No 6.119 de 19 de setembro de 1986.
Construído em 1915, na antiga Praia do Peixe para residência de José Magalhães Porto, foi a primeira moradia a se destacar na orla marítima e a primeira a ter piscina em Fortaleza. Nos anos 40, durante a 2ª. Guerra, serviu de cassino e local de diversão para os soldados americanos que montaram base em Fortaleza. Depois virou reduto da boemia cearense, e mais tarde foi ocupado por uma família que explorava um restaurante. Restaurado pela prefeitura, foi transformado em equipamento cultural.
Situação atual: funcionando regularmente e com boa programação cultural.


Espelho de Água da Lagoa da Messejana 
Lei No 6.201 de 27 de maio de 1987 

Espelho de Água da Lagoa da Parangaba
Lei No 6.201 de 27 de maio de 1987 

O tombamento dos espelhos d’água visa a proteção do patrimônio cultural, mas  não garante a proteção ambiental, pelo menos é o que se conclui da observação do estado atual das lagoas da Messejana e da Parangaba.  Ambas estão poluídas e degradadas. Na lagoa da Parangaba há ocupação irregular no entorno e das margens,  devido a feira que ocupa os espaços de forma desordenada.  Há muito lixo e há ligações de esgoto. A lagoa da Messejana também está com o entorno degradado, há lixo nas margens e na água. 
 
Riacho Papicu e suas Margens  

O riacho e suas margens foram tombados pela Lei n° 6.297 de 01 de julho de 1988,  assinada pela então Prefeita Maria Luiza Fontenele. Trata-se de um pequeno curso d’água alimentado de forma perene pela Lagoa do Papicu, que escoa em direção a Avenida Beira-Mar após sua confluência com o riacho Maceió. Difícil é conseguir localizar o riacho atualmente.


Teatro São José 
foto portal Tribuna do Ceará

Localizado na Rua Rufino de Alencar, nº 523 - Praça do Cristo Redentor, Centro, tombamento municipal através da Lei No  6.318 de 01 de julho de 1988.Criado em 1914, o São José passou a funcionar como uma alternativa ao Teatro José de Alencar, inaugurado quatro anos antes. O teatro conta com 530 lugares, sendo 420 cadeiras na plateia, e reuniu apresentações célebres de artistas cearenses. Foi desapropriado em 2008 pela Prefeitura de Fortaleza para que espaço fosse reformado e transformado em mais um equipamento cultural, transformando-o no Teatro Municipal de Fortaleza. Apesar da desapropriação, do tombamento e das promessas de restauração,  o equipamento encontra-se à beira da ruína total, fechado, com portas e janelas danificadas e teto comprometido.


Ponte dos Ingleses (Viaduto Lucas Bicalho) 

A construção do viaduto foi iniciada em 24 de setembro de 1921, pela empresa inglesa Norton Griffts Co., para ser o Porto de Fortaleza, em substituição a antiga Ponte Metálica. No entanto, nunca funcionou como porto. Sua estrutura foi desenhada por engenheiros da empresa inglesa que mantinha interesses comerciais no Ceará, daí veio a nome de “Ponte dos Ingleses”. Passou por uma reforma recente onde foram instalados alguns quiosques que funcionariam como lanchonetes ou ponto de venda de artesanatos. Esses quiosques estão fechados e sem uso. Endereço à Rua dos Cariris, bairro Praia de Iracema. tombado pela Lei N° 6.512 de 11 de outubro de 1989.

Parque da Liberdade (Cidade da Criança)

Endereço: Rua Pedro I, s/n – Centro - Lei No 6.837 de 24 de Abril de 1991.O parque da Liberdade foi construído onde antes desembocavam dois riachos formando a Lagoa do Garrote. O local recebeu o nome de Parque Liberdade em 1890, uma referência à libertação dos escravos. Em 1922, ano do primeiro centenário da independência recebe o nome de Parque da Independência e, em 1936, é criada a Cidade da Criança, passando a funcionar como um espaço educacional.



A feira é considerada um patrimônio cultural imaterial, que segundo define a UNESCO,está relacionado às "... práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas - junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados - que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural”.
A feira de artesanato da avenida Beira Mar apresenta uma rica variedade de produtos, fabricados em diferentes materiais. São vários boxes dispostos em corredores no calçadão que vendem bijuterias, calçados, roupas, redes, peças de decoração, artigos feitos à mão, bebidas e comidas regionais, dentre outros produtos. É um lugar de memórias, continuidade de saberes, fazeres e práticas regionais.  
Tombada pela Lei No 7.719 de 23 de Maio de 1995.


 Palácio João Brígido (Paço Municipal) e Bosque do Pajeú 
foto Anuário de Fortaleza 2012/2013

Endereço: Rua São José, n° 1 – Centro - Decreto Municipal 11.909 de 23 de novembro de 2005. Não se sabe ao certo a data de construção do prédio, mas sabe-se que foi um dos primeiros casarões de Fortaleza do século XIX. O edifício era um armazém de alimentos de propriedade do Sargento-Mor e comerciante português Antônio Francisco da Silva. Em 1860, o prédio foi comprado pelo Governo Imperial para ser a sede do Bispado de Fortaleza, e ao longo do tempo mudou de dono e de função por diversas vezes. Em 1973, o Palácio foi posto à venda, tendo sido comprado pela Prefeitura de Fortaleza por mais de três milhões de cruzeiros para ser o Paço Municipal.
O Palácio João Brígido possui características de uma construção tipicamente neoclássica, do qual faz parte um bosque, o Dom Delgado, com algumas árvores frutíferas e jardins que foram projetados pelo artista brasileiro Burle Marx. Desde  2010, é sede da Prefeitura de Fortaleza. O bosque do Pajeú circunda o palácio. O riacho corre por Fortaleza e é exposto em algumas áreas urbanizadas da cidade.


Escola Jesus Maria José

A construção do prédio foi iniciada em 1902, sendo inaugurado em 22 de janeiro de 1905, numa iniciativa do bispo de Fortaleza Dom Joaquim José Vieira, para abrigar a Escola Jesus Maria José, para meninos pobres.  A administração ficou a cargo das irmãs Vicentinas do Colégio da imaculada Conceição, auxiliadas por órfãs. Tinha capacidade para 350 alunos. De propriedade da Arquidiocese de Fortaleza, o imóvel foi cedido à Prefeitura em regime de comodato por meio de acordo firmado em 2008, pelo qual a prefeitura se prontificava a restaurá-lo e mantê-lo por 20 anos. Quando de seu tombamento, em 2006, a expectativa era de que a obra de restauro do prédio começasse ainda em 2007. Atualmente está em ruínas. 
Endereço: Rua Coronel Ferraz, s/n - Centro. Decreto Municipal 12.303 de 05 de dezembro de 2007. 

Casa do Barão de Camocim
foto de Ricardo Sabadia
http://www.panoramio.com/photo/21209630 

A mansão do Barão de Camocim foi construída no final de século XIX com uma arquitetura baseada no Renascimento europeu. Considerada uma das edificações mais antigas de Fortaleza, a casa do Barão foi um lugar que recebeu pessoas ilustres do cenário nacional e internacional. Atualmente o espaço vem sofrendo com modificações na estrutura original. Além disso, os próprios efeitos do tempo e a falta de manutenção provocam o desgaste de objetos que ainda permanecem no local. Situação atual: fechada e precisando de restauração.
Endereço: Rua General Sampaio, n° 1632 – Decreto Municipal 12.304 de 05 de dezembro de 2007. 

 Estação Ferroviária da Parangaba  

Inaugurada em 28 de janeiro de 1941, sob a gerência da Rede de Viação Cearense (RVC), tendo em vista a necessidade de construção do ramal ferroviário de cargas Mucuripe-Parangaba.  A obra foi realizada durante o governo de Menezes Pimentel, após a demolição, em 1939, da Estação da Vila Nova de Arronches (antiga denominação e condição administrativa de Parangaba). A Estação da Parangaba teve uma importância muito grande no desenvolvimento econômico e social do Ceará, pois operava como ponto de apoio para o embarque e desembarque de passageiros, de alguns animais e mercadorias, facilitando assim o escoamento da produção agrícola entre diferentes cidades do Estado. A Estação da Parangaba é desse modo, um ponto de referência para os trabalhadores da ferrovia, aposentados ou em exercício, e para os moradores da beira da linha. Com a construção da estação do metrofor, a velha estação da Parangaba ficou confinada entre as novas estruturas e passarelas.
Endereço: Rua Dom Pedro II, s/n – Parangaba - Decreto Municipal 12.313 de 13 de dezembro de 2007


Mercado dos Pinhões 

O Mercado dos Pinhões é uma parte do antigo Mercado da Carne, inaugurado em 18 de abril de 1897, na gestão do Intendente  Guilherme Rocha, e do presidente Comendador Antônio Pinto Nogueira Accioly. A estrutura metálica do mercado foi inteiramente pré-fabricada em ferro, na França. Era formado de por dois galpões unidos por uma passagem coberta, conhecida como  avenida. Em 1938 a estrutura foi desmontada e um dos seus dois pavilhões foi transferido para a Praça Visconde de Pelotas, popularmente conhecida como Praça dos Pinhões. Encontra-se em plena atividade e bom estado de conservação. 
Endereço: Praça Visconde de Pelotas, Centro. Tombamento via Decreto Municipal 12.368 de 31 de março de 2008.


Paróquia do Senhor do Bom Jesus dos Aflitos

A história da Igreja do Senhor do Bom Jesus dos Aflitos tem início em 1664 num período marcado pela forte ocupação indígena, além do estabelecimento de missões e aldeamentos jesuítas no Estado do Ceará. A capela se combina com a própria história de Porangaba, Real Vila Nova de Arronches e, posteriormente, Parangaba, um dos mais antigos povoamentos cearenses. O espaço, que permanece praticamente inalterado, possui várias imagens sacras e realiza a tradicional Festa da Coroa. Endereço: Praça Coronel Alfredo Weyne, nº 100. Tombada de acordo com o Decreto Municipal 12.407 de 16 de junho de 2006


Mercado da Aerolândia

É a outra metade do Mercado da Carne, e semelhante ao Mercado dos Pinhões, que inicialmente foi deslocado para a Praça São Sebastião e, posteriormente, novamente desmontado e levado para a Aerolândia, às margens da BR-116 (antigo bairro do Alto da Balança), onde passa por um processo de restauração. 
Endereço: BR 116, nº 5431 - Bairro Aerolândia, tombado pelo Decreto Municipal 12.408 de 16 de junho de 2008.


Casa Rachel de Queiroz 

O espaço era denominado Sítio Pici, adquirido pelo pai da escritora, em 1927. Foi nesse espaço que Rachel passou por momentos importantes de sua vida e carreira como escritora. Alguns aspectos originais da construção da casa permanecem até hoje como os três pés de Benjamim plantados por Dona Clotilde, mãe da escritora. Daí o nome Casa dos Benjamins, como a residência também é conhecida.
Localizada na Rua Antônio Ivo, nº 290, bairro do Henrique Jorge, a casa onde residiu Rachel de Queiroz foi tombada pelo Decreto Municipal 12.582 de 15 de outubro de 2009.

fonte:
IPHAN
Secult
Anuário de Fortaleza 2012/2013
fotos de Rodrigo Paiva e Raquel Garcia