sábado, 1 de janeiro de 2011

Fortaleza anos 30: Os Espaços da Elite

Praia de Iracema, Restaurante Ramon - década de 1930 (Arquivo Nirez)

Os pontos elegantes de Fortaleza nos anos 1930/1940, um pouco da década de 1950, situavam-se na Praia de Iracema, mais precisamente na Rua dos Tabajaras, servida por sua linha de bondes, cujo ponto final era ao lado da Igreja de São Pedro. 

Praia de Iracema - postal da Loja Crysanthemo 1931 - Arquivo Nirez)

Na Praia de Iracema viviam as famílias de maior poder econômico, o “soçaite” que freqüentava o Praia Clube, os serões artísticos do Jangada Clube, do industrial Fernando Pinto, o restaurante afamado do espanhol Ramon e, um pouco mais a frente, o restaurante Lido, do francês Charles D’Alva e o bar do Figueiredão, onde numa certa manhã de domingo foi assassinado o “playboy” Vicente de Castro Neto.

Praia de Iracema - Igreja de São Pedro - 1939 (Arquivo Nirez)

Na década de 1940, a Praia de Iracema se tornou o foco da presença dos norte-americanos, soldados da marinha e do exército dos Estados Unidos que estavam aquartelados nas bases do Pici e do Cocorote para servir aos planos estratégicos das Forças aliadas em guerra contra o eixo nazi-fascista, formado pela Alemanha, Japão e Itália. 
Vila Morena na Praia de Iracema - na época ocupada pelo United States Office - 1944 (arquivo Nirez)

Na Rua dos Tabajaras os ianques ocuparam a Vila Morena e montaram o USO – United State Office, espécie de clube sócio-esportivo para seus militares. Neles surgiram as famosas “coca-colas”, moças conterrâneas que tiveram a ousadia de namorar os descendentes de Tio Sam. Os nativos não as perdoaram.

bangalôs na esquina da Rua Carlos Vasconcelos com Avenida Santos Dumont - 1938
 (Arquivo Ah! Fortaleza)

Outro bairro de alta distinção era a aldeota que por algum tempo se chamou Outeiro, nome que constava da placa indicativa de seu bonde que tinha ponto terminal onde hoje está a Avenida Barão de Studart. Dali em diante estendia-se a mata da Aldeota. Os ricos e a classe média alta moravam na Avenida Santos Dumont, hoje um vasto corredor comercial que se estende até quase alcançar a Praia do Futuro. A Santos Dumont é, nos dias atuais, o eixo em redor do qual se movimenta a moderna Fortaleza.

fonte: 
Bondes e Bodegas - referências da Fortaleza dos anos 1930/40 
de Blanchard Girão

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O Cinematógrafo Júlio Pinto

O Cinema de Julio Pinto, inaugurado em 1909, foi o segundo cinema fixo de Fortaleza e funcionava na antiga Rua da Palma, atual Major Facundo. Tinha quatro portas de frente, duas para a sala de espera e as outras abriam para o escritório de uma fábrica de mosaicos. O salão de projeção ficava atrás, na mesma largura das quatro portas de frente. 


A Rua Major Facundo e um fantástico conjunto de sobrados e casas térreas. 
(Arquivo Marciano Lopes)


Do lado esquerdo de quem entrava, ficava o aparelho projetor, marca Pathé, com um condensador cheio de água que era usada para refrescar a objetiva e impedir a combustão das fitas que eram de celulose e altamente inflamável.

Do lado direito ficava a tela; na sua frente, uma enorme cacimba coberta por grossas tábuas, sobre as quais ficava a pequena orquestra que tocava à noite durante as sessões: Pilombeta (piano), João Brandão (flauta), Manuel Nunes Freire (violão) Pedro Nanim (piston) e mais um músico que tocava rabeca.

O cinema empregava dois pintores de tabuleta, um dos quais reproduzia à tinta com cola os retratos dos artistas preferidos: Tom Mix, Charles Chaplin, Theda Bara, Asta Nielsen, Max Linder, Buster Keaton, e outros, além dos emblemas das fábricas patrocinadoras: Monogram, Nordisk, Pathé, Biograph.

Os cinemas ainda eram mudos: Júlio Pinto, Polytheama, Amerikan Kinema e o Di Maio. Foi Júlio Pinto o pioneiro do cinema falado. Um dia apareceu ali, um aparelho com o sistema “vitaphone”. O som era gravado em discos, que começavam a rodar no inicio da fita. Quando a fita quebrava, era preciso contar os quadros perdidos e intercalar pedaços de fita preta. Se não se fizesse essa substituição, o som ficava fora de sincronia com a imagem.

Comumente as fitas eram divididas em quatro partes. Havia cinco minutos de intervalo entre as partes, espaço de tempo que se traduzia em grande algazarra. A plateia impaciente batia os pés e assobiava estridentemente. Quando o espectador sentava para assistir a uma fita, já sabia dos principais lances da história, pois tinha lido o programa resumido, distribuído à entrada ou mesmo na rua, de casa em casa. Os programas, porém, não contavam o final do filme o que não fazia muita diferença, já que todos sabiam que a mocinha casava com o herói e o bandido era castigado. 
   
Todos os cinemas daquela época expunham grandes cartazes que anunciavam os próximos filmes. Estas tabuletas eram postas nas esquinas da Praça do Ferreira e adjacências. Quanto a fita era muito boa, o preço era aumentado, de duzentos para quinhentos Réis. – uma exorbitância, diziam, só no Ceará se vê isso! – mas os cinemas estavam sempre lotados...


o primeiro automóvel a circular em Fortaleza foi este Rambler pertencente a Meton de Alencar e Júlio Pinto (Arquivo Nirez)


Foi Júlio Pinto que trouxe para Fortaleza o primeiro automóvel, em 1909. Seu motorista era um português chamado Rafael Dias Marques.



Fonte:
Fortaleza Descalça, de Otacílio de Azevedo.


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Praça da Bandeira (Praça do Cristo-Rei)

Vista do alto mostra a vastidão do Colégio Militar, quando os dois blocos laterais ainda tinham só o andar térreo. Ao fundo, o Outeiro e seu casario (arquivo Marciano Lopes)
A origem da praça remonta ao lançamento da pedra fundamental do prédio que seria para funcionamento do Asilo de Mendicidade, iniciado por subscrição pública promovida pelo Barão de Ibiapaba, e que acabou sendo cedido à Escola Militar de Fortaleza. 
Foi demarcado grande terreno no Outeiro, que recebe o nome de Praça Barão de Ibiapaba, em homenagem ao doador do terreno. Depois foi Praça do Asilo, do Colégio Militar, Benjamin Constant e hoje é Praça da Bandeira, também conhecida por Praça do Cristo-Rei, por causa da Igreja do mesmo nome que fica em frente a praça.



O busto do Duque de Caxias foi inaugurado em 25 de agosto de 1947, na administração do prefeito José Leite Maranhão (1947-1948). 

domingo, 26 de dezembro de 2010

Casa de José de Alencar




A Casa de José de Alencar está situada no Sítio Alagadiço Novo, antiga Vila Nova Real de Messejana da América, também chamada Vila de Nossa Senhora da Conceição de Messejana. Adquirido em 1825, pelo padre José Martiniano de Alencar, foi por nove anos o lar do escritor cearense José de Alencar.  Mais remotamente, o local fazia parte da aldeia dos índios Paupina. 



A casa onde nasceu o romancista no dia 01 de maio de 1829 é uma casa simples de parede de tijolo e cal, madeiramento em carnaúba e cobertura de telha. 



Na casa que resistiu ao tempo não há móveis ou qualquer outra lembrança da família, o que restou se encontra no museu contíguo. 



O sitio abriga as ruinas do primeiro engenho de ferro a vapor do Ceará, assentado pelo mestre-carpina francês Gagné, sob a direção do engenheiro João Esteves Seraine. Sua inauguração em 1830,  foi o marco inicial da industrialização do EstadoNo engenho eram produzidos  cachaça, açúcar mascavo e rapadura.




Em 1965, durante a gestão do reitor Antônio Martins Filho, a Universidade Federal do Ceará, adquiriu  o sítio Alagadiço Novo e, na comemoração dos dez anos de criação da UFC, abriu a casinha da família Alencar à visitação pública, bem como o edifício-sede, que passa a abrigar o acervo museológico, artístico, antropológico, arqueológico, histórico e literário. 



O escritor era filho de José Martiniano de Alencar, ex-padre, que ficou conhecido como Senador Alencar, e de sua prima legítima, Ana Josefina de Alencar.  Os dois formaram uma união socialmente bem aceita, e Martiniano desligou-se bem cedo de qualquer atividade sacerdotal. 

No final do século XIX e início do XX havia o costume de os pais levarem os filhos ao sítio na esperança de que eles ficassem inteligentes, costume que na época ocorria até em cidades europeias, como Roma e Veneza, por exemplo. Com o passar do tempo o costume foi esquecido. A Casa de José de Alencar fica na Avenida Washington Soares, 6055 - Messejana, Fortaleza.  



fontes:
Casa de José de Alencar. Disponível em 

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010