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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Padre Quinderé

Padre Quinderé 
 (imagem do blog As Trilhas da Vida)

Padre Quinderé é uma figura lendária. Falecido em 1960, ainda vive nas memórias da cidade, graças à maneira cativante de externar-se, de comunicar-se com todo mundo, seus gracejos oportunos e o seu invencível repentismo. Estava sempre bem-humorado e marcou época nas funções que ocupou, seja como religioso, jornalista e professor.

Como professor do Liceu do Ceará, fazia o gênero linha dura, ameaçando céus e terras para o aluno que não aprendesse os rudimentos da língua latina. O colégio realizava quatro provas escritas de avaliação por ano, e antes de cada uma, semblante fechado, o mestre anunciava: “é agora cambada, que chegou a hora da onça beber água. Quem prestou atenção, quem estudou, quem vai se dar bem, quem malandrou, entra no zero, zerorum...e aquele que eu apanhar pescando, boto pra fora no mesmo instante”


Prédio onde funcionava o Liceu do Ceará, na Praça dos Voluntários
(imagem Arquivo Nirez) 

Sentado na cadeira de professor, vez por outra levantava-se, dava uma volta na sala de aula, esmiuçava cada um dos alunos em busca de pesca. De repente, faltando uns 10 a 15 minutos para terminar o horário da prova, ele avisava: “olhem, vou até a cantina tomar um chá. Quero comportamento exemplar, se eu souber que alguém pescou já sabem, o zero vai cair sem piedade, em cima de vocês”

E se retirava estrategicamente, convencido de que era inútil seu esforço de conscientizar aquelas crianças da importância do ensino do Latim, para uma melhor compreensão do Português, do Francês, do Espanhol, enfim, de todas as línguas modernas que direta ou indiretamente, nasceram do idioma espalhado no mundo antigo pelo Império Romano.

Com esse sistema, nunca reprovou ninguém, em compensação, o estudo do Latim ficou para depois... ou para nunca. Monsenhor Quinderé patrimônio moral e cultural do Ceará, escritor e jornalista, ganhou fama também por sua espirituosidade. Gostava de contar anedotas, fazia rir sem ser ofensivo.

E deixou em seus alunos a lembrança do professor devotado e severo, ao mesmo tempo generoso, porque cedo entendeu que o estudo do latim positivamente era uma carga pesada demais que o currículo impunha aos alunos secundaristas.

Contam que certa vez o padre recebeu um grupo de alunos e alunas do Liceu que o convidaram a um piquenique comemorativo do término do curso. Argumentaram que a presença dele daria mais destaque ao evento. Padre Quinderé agradeceu, mas respondeu “não posso ir, mas peço-lhes, porém, uma coisa: me tragam depois os meninos nascidos desse piquenique para eu  batizá-los.” 

Amigo da família do Comendador Nogueira Acióli, Presidente do Estado durante muitos anos, Monsenhor Quinderé recebeu de "presente" uma cadeira de deputado Estadual. Eleito, cumpriu dois mandatos, onde ele próprio afirmava: "Fui deputado, sem conhecer um eleitor, e jamais qualquer deles me procurou para tratar de interesses pessoais. Os chefes é que defendiam junto ao governo as pretensões dos seus correligionários''.

Simpático e acessível, frequentava as residências ricas ou pobres, como pessoa de casa, e jamais alguém duvidou da lisura dos seus procedimentos morais e das suas virtudes de clérigo. Certa vez, para fazer gracejo, perguntaram-lhe se ele era um sacerdote sério, e a resposta foi: "sério eu sou, não sou é sisudo".

Quando faleceu, no dia 26 de agosto de 1960, Monsenhor Quinderé já estava privado da visão há alguns anos e o seu passamento resultou de um insidioso câncer. Foram suas últimas palavras: "A batalha está terminada. Encontrei o caminho do céu". Morreu aos 78 anos, como sempre viveu: em paz com sua consciência. Está sepultado na cripta da Catedral Metropolitana de Fortaleza.

Capela do Cristo Ressuscitado na Cripta da Catedral
(imagem Fortaleza em Fotos 2012) 

José Alves Quinderé nasceu em Maranguape, filho de João Gualberto Quinderé e Josefina Pinheiro Muniz, no primeiro dia do ano de 1882. Ingressou no Seminário de Fortaleza em 1904, com estudos custeados pela irmã Gagnet, madre superiora do Colégio da Imaculada Conceição, que admirava a sua inteligência e as suas virtudes. Depois da ordenação passou a trabalhar no Palácio Episcopal, até que em 1910 foi nomeado professor de latim do Liceu do Ceará. Três anos depois, fundou o Colégio Cearense, que em 1916 passou a ser dirigido pelos irmãos Maristas. Na hierarquia da igreja atuou como Secretário-Geral do bispo Dom Joaquim José Vieira. Em 1920, foi distinguido com o título de Cônego, tornando-se Monsenhor em 1929. Exerceu o mandato de deputado estadual em duas legislaturas e foi Vice-Presidente da Assembleia. Suas atividades literárias começaram em 1939, quando escreveu um trabalho intitulado "Subsídio para a História Eclesiástica do Ceará", inserido numa edição de "O Ceará".

Monsenhor José Quinderé publicou, além de "Subsídio Para a História Eclesiástica do Ceará", o "Ano Litúrgico", "Sinal Sensível", (Editora Agir-Rio), "Palavra de Vida Eterna"(Editora Vozes, de Petrópolis), "A Mais Antiga Constituição" (Editora Beneditina, Salvador), "A Vida de D. Joaquim José Vieira- 29 Bispo do Ceará" (Editora Instituto do Ceará), "Vida de Santa Filomena" (Editora A. Batista Fontenele) e, finalmente, "Reminiscências".

 

Fontes: O Liceu e o Bonde/Blanchard Girão/Editora ABC/Fortaleza, 1997

Padre Quinderé, por Raimundo Girão. Disponível em https://academiacearensedeletras.org.br/revista/revistas/1982/ACL_1982_22_O_Padre_Quindere_Raimundo_Girao.pdf 



quarta-feira, 29 de abril de 2015

411, 366, 314, 289: Afinal, Quantos anos tem a Cidade de Fortaleza?





De acordo com a história oficial, a primeira tentativa de ocupação do território cearense foi em 1603, com o açoriano Pero Coelho de Sousa. O capitão-mor fundou às margens do Rio Ceará, o Forte de São Tiago e o povoado de Nova Lisboa, batizando a capitania pelo nome de Nova Lusitânia. Não ficou muito tempo: os índios, revoltados com o comportamento brutal dos europeus, atacaram o forte, forçando a fuga do colonizador.

 A cruz assinala o exato local onde foi construído o Forte de Santiago, na Barra do Ceará, no início do Século XVII, por Pero Coelho de Sousa.

Gravura representando Forte de São Sebastião, erguido na Barra do Ceará por Martim Soares Moreno, no mesmo local onde antes esteve o Forte de Santiago. O forte ficou no local entre 1611 e 1640, quando foi destruído pelos indígenas.
 

Nova tentativa ocorreu em 1611, com Martim Soares Moreno. Acompanhado de um padre e seis soldados, Moreno se instalou na capitania do Siará Grande, fundando na barra do Rio Ceará o pequeno Forte de São Sebastião – no mesmo local do Forte de São Tiago. Em 1613, Moreno foi convocado para combater a França Equinocial, no Maranhão. Retornou em ao Siará, definitivamente, em 1621, agora como capitão-mor, titulo dado pela Coroa em reconhecimento aos bons serviços prestados.

 Marco Zero, na Praça de Santiago, na Barra do Ceará.O cruzeiro com as imagens de São Tiago, do Cristo Crucificado, de Nossa Senhora de Assunção, e São José, foi presente do Governo da Espanha.
   

Soares Moreno reencontrou o Forte de São Sebastião quase destruído. Os soldados maltrapilhos, com soldos atrasados, sofriam constantes ataques de índios inimigos. Remodelou-se, então, o que foi possível, e houve uma tentativa de se iniciar uma atividade econômica com a criação de gado vacum e cultivo de cana-de-açúcar.

Nos anos seguintes, em várias oportunidades,  Martim Soares Moreno recorreu às autoridades portuguesas no sentido de obter ajuda para viabilizar a colonização: tudo em vão. Em 1631, terminando o período de dez anos como Capitão-Mor, cansado da falta de recursos e da falta de atenção da Metrópole, retirou-se do Siará em definitivo, deixando o comando do forte com seu sobrinho, Domingos da Veiga.

A próxima tentativa de colonização ocorreu  quando os holandeses chegaram e dominaram o Nordeste brasileiro. Ocuparam a capitania do Siará, por volta de 1637, num total de 126 homens, comandados por George Gartsman. Desembarcaram no Mucuripe, dirigindo-se para o Forte do Siará, ocupado por apenas 33 soldados, que facilmente sucumbiram diante do ataque dos holandeses. Estava assim, temporariamente desfeito o império luso no Ceará.

Posteriormente, em 1640, quando se encontrava sob o comando de Gedeon Morris de Jorge, o Forte de São Sebastião foi invadido e destruído pelos indígenas, que trucidaram todos os holandeses. O Siará voltava a ser apenas dos nativos.


Cinco anos depois, em 1649, chegou ao Ceará uma nova expedição holandesa, comandada por Matias Beck, que mandou erguer o Forte Schoonenborch, na Colina Marajaitiba, às margens do Riacho Pajeú. A região da Barra do Ceará foi abandonada pelos novos colonizadores, que optaram por se estabelecer às margens do riacho.

Há alguns anos surgiu a polêmica sobre o local e data da fundação da cidade de Fortaleza, iniciada na década de 1960, quando o historiador Raimundo Girão lançou o livro “Matias Beck, o fundador de Fortaleza”.  A historiografia mais antiga considerava a Barra do Ceará como o local onde surgira a cidade, tendo como referenciais o Forte de São Sebastião e a chegada de Martim Soares Moreno à capitania do Siará.

Apoiado em argumentos sólidos e dados consistentes, Raimundo Girão argumentou que o núcleo colonizador comandado por Soares Moreno na Barra do Ceará não teve maiores consequências – o Forte de São Sebastião fora conquistado pelos holandeses em 1637 e destruído pelos indígenas em 1644.

Para Girão, o núcleo original da cidade estaria no Forte Schoonenborch, construído pelos holandeses em 1649, por ordem de Matias Beck. Foi em torno do forte – reconquistado em 1654 pelos portugueses, e renomeado para Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, que surgiria a atual capital do Ceará.

A polêmica sobre a criação de Fortaleza prosseguiu com relação a data de nascimento da cidade: o marco de criação considerado, não levou em conta, nem a chegada do português Martim Soares Moreno e a construção do Forte de São Sebastião na Barra do Ceará (fins de 1611), nem a invasão dos holandeses e a consequente construção do Forte Schoonenborch (1649).

Na escolha da data em comemoração ao aniversário de Fortaleza foi tomada como base, o dia  em que o povoado do forte foi elevado à condição de Vila – 13 de abril de 1726.


1° Mapa de Fortaleza, feito pelo capitão-mor Manuel Francês, em 1726, quando o povoado foi elevado à categoria de Vila. Não há registros de outros aglomerados urbanos na Vila além desse, ao redor do Forte de N.S. de Assunção. 

Apesar de Fortaleza ter oficialmente, 289 anos, a construção mais antiga da cidade, o Forte de N. S. da Assunção, fundado em 1649, completa 366 anos em 2015; Em 1701 é eleita a primeira Câmara no Iguape, tendo a denominação de São José de Ribamar; no dia 20 de abril de 1701, a Câmara da Vila de São José de Ribamar, resolve mudar de lugar se instalando na Barra do Ceará, tendo a dita Câmara iniciado os trabalhos no mesmo ano de 1701. Assim, a Câmara Municipal soma respeitáveis 314 anos.

Os moradores da Barra do Ceará comemoram todos os anos o aniversário do bairro,  que esse ano completou 411 anos. Para os moradores, a data oficial do aniversário da Capital deveria 25 de julho, contados a partir de 1604, data do surgimento da Vila, na Barra do Ceará, às margens do Rio Ceará.

 Barra do Ceará anos 70

Barra do Ceará em foto de 2005

Mas, ao contrário do que pensam os manifestantes da Barra do Ceará, não foi a ex-prefeita Luizianne Lins quem definiu o 13 de abril como o dia de Fortaleza. Conta o professor José Liberal de Castro, que certo dia foi procurado pelo então presidente da Fundação Cultural do Município, Cláudio Pereira, no sentido de que fosse escolhida uma data na qual Fortaleza comemorasse alguma referência significativa do seu passado.

O professor apresentou então, uma curta lista de datas, acompanhada de algumas considerações pertinentes, a fim de que fosse escolhida a que melhor conviesse. Após estabelecer as devidas ponderações, Cláudio Pereira optou pela data de 13 de abril de 1726, decisão que foi levada ao vereador Idalmir Feitosa, autor do projeto que instituía o dia de Fortaleza. 

O consequente projeto defendido pelo vereador transformou-se na Lei Municipal n° 7535, de 16 de junho de 1994, que decidiu a data de 13 de abril como o Dia da Cidade. A lei aprovada pela Câmara Municipal entrou em vigor no ano seguinte e logo se incorporou ao calendário de eventos da cidade.

Livros consultados:
História do Ceará, de Airton de Farias
As Comemorações do 13 de abril, de José Liberal de Castro, publicado em “Ah, Fortaleza”
Cronologia Ilustrada de Fortaleza, de Miguel Ângelo de Azevedo (NIREZ)
Revista Fortaleza, fascículo 3

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Fortaleza na Era Vitoriana - A Corrida do Algodão

Nunca houve na história da Inglaterra uma época tão esplendorosa como a Era Vitoriana. No Século XIX a Grã-Bretanha quase duplicou os domínios de seu extenso império que, desde 1763, já era a primeira potência colonial do mundo. A partir da segunda metade desse século, o mundo seria ofuscado com o brilho do império britânico.

A revolução Industrial foi a principal causa e seu aceleramento, o resultado do progresso técnico e das transformações ocorridas na Inglaterra. Com a expansão da civilização industrial, novas descobertas científicas e técnicas encontraram suas aplicações práticas no prodigioso mundo vitoriano. O desenvolvimento das telecomunicações começou com o telégrafo de Morse, em 1837. Estabeleceu-se em 1851, a primeira comunicação telegráfica submarina. Quinze anos mais tarde realizou-se a primeira transmissão transoceânica.

 Rua Major Facundo, ano de 1893 

A pequena Fortaleza, tão distante do brilhante mundo inglês, viveu em sua versão própria a Era Vitoriana (em alusão à Rainha da Inglaterra Alexandrina Vitória que reinou por 64 anos, entre 1837 a 1901). Importante entreposto na exportação de algodão, a capital cearense passou a manter relações comerciais regulares com o continente europeu a partir de 1831.  Atraídos por esse comércio, ingleses, portugueses e franceses, nascidos quando se propagava em ondas a Revolução Industrial na Inglaterra, se estabeleceram em Fortaleza e tornaram-se prósperos comerciantes.

O historiador Raimundo Girão refere-se a eles como “homens afeitos às exigências das grandes cidades europeias, e por esta razão, finos cavalheiros no meio que mal saía dos hábitos mais rudimentares.

 Rua Floriano Peixoto, 1910 

A capital do Ceará não passava então de um acanhado povoado com menos de dez mil habitantes. Recentemente elevado à categoria de cidade, sua parte urbanizada não excedia a um quadrilátero formado por seis quarteirões. As  casas em geral eram baixas, escuras, com telhado de beira e bica. As ruas não eram calçadas, o abastecimento de água era muito precário e não havia iluminação pública. Na cidade observavam-se os costumes simples do sertão, com uma rotina triste e monótona. Aracati, Sobral e, sobretudo, Icó, eram mais adiantados e populosos que a pequena Fortaleza de Nova Bragança.

Com o propósito de sanear a economia e finanças do Ceará, o senador José Martiniano de Alencar então no governo da província, criou o Banco Provincial do Ceará, o primeiro a funcionar no Brasil depois do Banco do Brasil, criado por Dom João VI. Entre as obras públicas, Alencar abriu estradas, como a que ligava Fortaleza a Icó e a Sobral; construiu açudes e distribuiu terrenos entre os colonos para povoar e cultivar as terras devolutas da província, fornecendo instrumentos e condições adequadas para o seu trabalho.

Por esta época Robert Singlehurst fundou em Fortaleza a famosa Casa Inglesa, que já centenária, encerraria suas atividades como propriedade da família Salgado. Robert Singlehurst foi seguido pelos concorrentes Kalkmann, Brunn, John F. Graf, Louis Sand e J.U.Graff, que instalariam seus negócios, trazendo mudanças aceleradas na vida da cidade,  dedicando-se à importação e exportação, Henry Ellery construiu seu próprio trapiche para embarque e desembarque de mercadorias.

 fábrica Philomeno 

A Guerra de Secessão (1860-1865) trouxe a riqueza algodoeira para o Ceará. No período mais glorioso do Império britânico, quando o comércio  mundial crescia num ritmo sem precedentes, a indústria  ficou ameaçada de entrar em colapso devido ao  impedimento da exportação do algodão dos Estados Unidos, em decorrência dessa guerra. Com a corrida do algodão, o Brasil por suas condições favoráveis, tornou-se o maior produtor mundial dessa fibra, sendo o algodão cearense preferido entre os demais por sua qualidade, alvura e asseio. Iniciou-se então uma fase particularmente propícia ao desenvolvimento econômico do Ceará.


Ao final de 1860, podiam-se contar quinze casas comerciais estrangeiras na cidade, fora as portuguesas. Entre esses comerciantes europeus, os Borges estavam entre os primeiros que aqui chegaram. Seu patriarca Martinho de Borges requereu ao rei D. João VI um passaporte para o Ceará. Na parte ocidental da atual Praça do Ferreira construiu seu palacete residencial, que posteriormente serviria de residência ao Barão de Aquiraz. Adquiriu o antigo Palácio dos Governadores, na então Rua dos Mercadores, atual Conde D’Eu, instalando ali sua casa comercial. 

 Casa Boris, 1909 

José Smith Vasconcellos, o futuro Barão de Vasconcellos chegou em 1831, em companhia do seu meio-irmão John William Studart, que se tornaria vice-cônsul britânico no Ceará e pai do Barão de Studart. Em Fortaleza, esta família juntou-se aos Mendes da Cruz Guimarães, aos Hughes, aos Ridgway, aos Moreira da Rocha e aos Albano. Maranguape abasteceria Fortaleza com as lavouras dos açorianos Amaral e Correia de Melo.

Ao lado de outras famílias tradicionais, oriundas de troncos lusitanos dessas época, estão: Amaral, Bastos, Theóphilo, Correia de Melo, Almeida, Nunes de Mello, Gouveia, entre muitas outras que ajudaram a construir esta cidade, como a família Mamede que, já em 1842 instalou a Farmácia Mamede. Do velho mundo vieram os Justa; da França Henrique Cals e vindos da Alsácia-Lorena, os Gradvohl, os Boris e os Meyer, que tantos benefícios trariam à economia e à cultura cearense.


Extraído do livro ideal Clube, história de uma Sociedade
De Vanius Meton Gadelha Vieira  
fotos do Arquivo Nirez e FIEC   

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Praça do Ferreira - 1930




Nesta imagem da Praça do Ferreira, está presente  todo um conjunto arquitetônico que foi desaparecendo ao longo dos anos:  1 – o coreto mandado construir em 1925 pelo prefeito Godofredo Maciel – onde a filarmônica da policia Militar executava dobrados e outras belas canções à noitinha – demolido em 1933, pelo prefeito Raimundo Girão, que o substituiu pela Coluna da Hora.
2 – a antiga sede do Cine Politheama, último reduto do cinema mudo da cidade, inaugurado em 1911, no prédio de propriedade de Luiz Severiano Ribeiro. Foi demolido para a construção do edifício São Luiz, entre as décadas de 30 e 50.



3 – Cine-teatro Majestic Palace,  inaugurado no dia 14 de julho de 1917, construído por Plácido de Carvalho. Encerrou as atividades no dia 1° de janeiro de 1968, quando um grande incêndio destruiu suas instalações. No alto do prédio do Majestic havia uma torre mirante que terminava por uma bola iluminada. A iluminação dessa bola foi proibida pela Capitania dos Portos, que temia que os navegadores a confundissem  com a luz do farol do Mucuripe.

4 – Cine Moderno, construído por Plácido de Carvalho, inaugurado no dia 7 de setembro de 1922, dentro das comemorações do primeiro centenário da Independência  do Brasil, que encerrou as atividades em 1968. O prédio foi vendido ao empresário  Edson Queiroz pelos herdeiros de Plácido de Carvalho ao preço de NCR$ 400 mil. No mesmo ano, foi demolido.

fotos do arquivo Nirez 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Bairro do Passaré


Sitio Passaré e parte de sua área remanescente

O bairro Passaré teve origem na Sesmaria da Lagoa do Passaré, localizada entre as terras da então Vila de Arronches, hoje Parangaba e a Vila de Messejana, concedida em 1810 por D. João VI ao lusitano Antônio José Moreira Gomes. 
A Sesmaria veio à se desmembrar em glebas menores, na proporção em que os descendentes casavam, mas o seu núcleo primitivo - o Sítio Passaré – continuou com os descendentes do primeiro concessionário, até que foi adquirido, em 1942, pelo historiador Raimundo Girão, ex-Prefeito de Fortaleza, juntamente com o seu sogro Prudente do Nascimento Brasil, que era um dos herdeiros e tetraneto do primeiro concessionário.



Áreas ocupadas pelo Complexo Ecológico Passaré e Centro Administrativo do Banco do Nordeste

Nos anos 60 duas  glebas, situadas ao sul da lagoa, foram desapropriadas para a ampliação do Zoológico Sargento Prata e do Horto Municipal. No início dos anos 70, sete glebas, localizadas à noroeste da referida lagoa foram também desapropriadas para a construção do Centro Administrativo do Banco do Nordeste - BNB. Por esta época o nome Passaré extrapolou os limites do Sítio, vindo a dar nome a todo o bairro atualmente conhecido. O topônimo 'Passaré' em tupi-guarani significa lagoa do atalho. 



A lagoa do Passaré pertence à Bacia Hidrográfica do Rio Cocó e localiza-se próxima ao Estádio do Castelão. Tem profundidade  média de 1,90 metros e a máxima gira em torno de 3,60 metros. Trata-se de uma pequena lagoa, situada em terreno particular, que possui sistema de alimentação pluvial e um olho d´água. 

Com relação ao meio ambiente, o bairro conta com - além da lagoa do Passaré, que é uma das mais limpas de Fortaleza - diversos córregos e áreas verdes que fazem parte da bacia do rio Cocó. 
A malha viária possui vias importantes como: Avenida Juscelino Kubitschek (continuação da Avenida Alberto Craveiro), Avenida Pedro Ramalho (continuação da Avenida Dr. Silas Munguba, antiga Dedé Brasil), Avenida Deputado Paulino Rocha, Avenida Pompílio Gomes, Avenida Prudente Brasil, Avenida Heróis do Acre, Rua Desembargador Otacílio Peixoto e Rua Cardeal Albino Lucianni.



Avenida Presidente Juscelino Kubitschek 
No inicio foi chamada de Avenida Padaria Espiritual, em homenagem a excêntrica academia literária surgida em Fortaleza no final do século XIX, que tinha como quartel-general a Praça do Ferreira e o Café Java como sede. Depois, o nome foi mudado para Avenida presidente Juscelino Kubitschek. 
(Coisas dos vereadores de Fortaleza, possivelmente por não conhecerem o significado ou por se sentirem incomodados com a criatividade que o nome evocava. Já não bastava o Hospital homenageando a família?)  

O bairro possui ruas e avenidas em grande maioria com pavimentação asfáltica. Na área há três supermercados, além de vários mercadinhos de porte menor. Fica localizado também no bairro um hospital da rede Sarah, o Hospital Sarah Kubitschek que ocupa um grande terreno e atende pacientes de todo o Estado do Ceará.


parte da estrutura do Hospital Sara Kubitschek

Possui também 2 postos de saúde e 26 escolas públicas e privadas. No bairro localiza-se o Cemitério Parque da Paz muito tradicional na capital cearense.
No Passaré fica localizado o Parque Ecológico Passaré onde ficam os equipamentos da Prefeitura Municipal de Fortaleza: Zoológico Municipal Sargento Prata, o Horto Municipal e o Espaço Verde, que diariamente são visitados por inúmeras famílias de Fortaleza. Existem também diversas praças, onde os jovens usam campos e quadras de esporte para a prática de esportes.

Não seria Rua Eldorado?


O bairro passa por um boom imobiliário, são construções de todos os tipos e para diversas faixas de público. Devido à grande extensão territorial, o Passaré é dividido em conjuntos, como: Sumaré, Residencial Passaré, Jardim União, Jardim Castelão, Barroso II, Novo Barroso e os loteamentos Santiago de Compostella e Novo Passaré.  

Distrito Mondubim
Limites Norte: Itaperi, Castelão e Dias Macêdo
Sul: José Walter
Leste: Cajazeiras e Barroso
Oeste: Parque Dois Irmãos
de acordo com o IBGE (Censo 2010) o Passaré conta com 50.940 habitantes, em 14.597 domicilios.
Subprefeitura   Secretaria Executiva Regional (SER) V

fontes:
www.fortaleza.ce.gov.br/sites/default/files/.../batimetria_relatorio.pdf‎
wikipédia
http://www.anuariodefortaleza.com.br
fotos: Fortaleza em Fotos