Na primeira metade do século XIX, o local onde hoje
se encontra a Praça do Ferreira era um imenso areal, com uma ruela denominado
Beco do Cotovelo atravessando-a de Nordeste a Sudoeste. Em 1842, o intendente Manuel
Teófilo Gaspar de Oliveira, mediante lei da Assembleia Provincial, autorizou a execução
do plano da cidade na qual incluía a reforma do local, eliminando o Beco do
Cotovelo.
e foi desmontado em 1920, pelo Prefeito Godofredo
Maciel
Em 1902 a praça recebe sua primeira urbanização com
pavimentação, na gestão do Intendente
Guilherme Rocha. Era cercada de
mongubeiras para amarrar os animais que traziam do interior as mercadorias para
abastecer o comércio local. No centro, foi instalado o jardim 7 de setembro,
ornamentado com colunas e estátuas à moda de Paris. Quatro avenidas cruzavam o
jardim havendo um portão em cada extremidade, bancos de madeira e colunas com
gradil cercando o centro da praça.
O prefeito Godofredo Maciel também mandou demolir os quiosques na mesma reforma
A partir de 1886 foram instalados 4 quiosques
(cafés/restaurantes) um em cada canto da praça, onde a sociedade se reunia para
atividades de lazer. A cacimba cavada em 1877 e que servia à comunidade, passou a fornecer água para o jardim. Em 1920
o Prefeito Godofredo Maciel mandou demolir os quiosques, retirou as grades do
jardim 7 de Setembro e mandou construir um coreto; as laterais receberam
recortes para estacionamento de automóveis e bondes, desafogando o trânsito nas
Ruas Major Facundo e Floriano Peixoto.
O Coreto foi construído pelo Prefeito Godofredo Maciel
no início dos anos 20
Em 1933 o Prefeito Raimundo Girão mandou demolir o Coreto
e construir a Coluna da Hora
A praça passou por nova reforma em 1933: o prefeito
Raimundo Girão mandou demolir o coreto e construiu a Coluna da Hora, um
monumento de cimento e pó de pedra, projetado por Clóvis Janja, no estilo
Art-Dèco medindo 13 metros de altura, com um relógio de 4 faces, adquirido nos
Estados Unidos. Após sua inauguração, a Coluna da Hora transformou-se em cartão
postal da cidade, sendo utilizada em campanhas publicitárias a nível local e
nacional.
Em 1941, todo o quarteirão que ficava entre as Ruas Major
Facundo, Pará, Floriano Peixoto e Guilherme Rocha, foi demolido, na
gestão do prefeito Raimundo de Alencar Araripe, para a construção de um
edifício que abrigaria a Prefeitura Municipal.
O Abrigo Central ou Abrigo 3 de Setembro foi
construído em 15 de novembro de 1949, na administração municipal de Acrísio
Moreira da Rocha, no lugar do quarteirão demolido em 1941
Em 1941 foi demolido todo o quarteirão da
Intendência Municipal. No local, foi construído alguns anos depois, o Abrigo
Central, inaugurado em 15 de novembro de 1949. Em 1967 o prefeito José Walter
Cavalcante fez uma reforma radical: demoliu a praça e construiu outra
completamente diferente: mudou os pontos de ônibus para a Praça José de
Alencar, demoliu a Coluna da Hora e o Abrigo Central, prometendo construir um
monumento a o Boticário Ferreira.
Na segunda metade dos anos 60, o prefeito José Walter Cavalcante fez uma grande reforma na praça, quando foram demolidos o Abrigo Central e a Coluna da Hora.
A nova
praça tinha canteiros elevados, uma galeria no subsolo a qual abrigou o salão
Antônio Bandeira e a Fundação Cultural de Fortaleza. O visual da praça causou indignação e
protestos da população e durante muito tempo passou a reivindicar o retorno de
uma praça com as características da tradicional.
Em 1991 o prefeito Juraci
Magalhães reconstruiu a Praça do Ferreira, resgatando, em parte, as
características da antiga praça, com base em um projeto dos arquitetos
Fausto Nilo e Delberg Ponce de Leon.
A Praça nos tempos da Ditadura
Conhecida como o Coração de Fortaleza, a Praça do
Ferreira sempre abrigou diferentes tribos urbanas que habitam e dividem espaço
na cidade: aposentados, desocupados, intelectuais, comerciantes, comerciários,
estudantes, professores, e como diria o outro, o público em geral. Os assuntos, todos: lançamentos literários, futebol,
política, custo de vida, religião, vida alheia, quem é, quem deixou de ser, etc.
Um dia, mandaram reformar a praça do povo. Desmancharam a Coluna da Hora,
derrubaram o Abrigo Central, tiraram os bancos, retiraram as árvores, apagaram as luzes, mandaram
o povo embora: ia surgiu uma nova praça.
A Praça do Ferreira é um dos logradouros mais antigos da cidade, contando com 172 anos, desde o marco de sua fundação, a retirada do Beco do Cotovelo, em 1842. Mas não há elementos na Praça que ateste ou tenha sido testemunha dessa passagem do tempo. A compulsão de boa parte dos governantes em destruir, demolir, alterar a paisagem, movidos provavelmente pela vaidade desmedida, destruiu o patrimônio histórico e cultural de Fortaleza. Nada foi poupado, nem a Igreja da Sé oitocentista, nem as construções históricas no entorno da Praça da Sé, nem a Praça do Ferreira, feita e refeita inúmeras vezes, ao gosto do governante de plantão.
Hoje, a praça é antiga mas tem cara de nova: monumentos, bancos pisos, árvores, tudo é recente, no máximo de 1991, exceto a velha cacimba atemporal, e alguns imóveis do entorno, milagrosamente preservados.
A Praça entre fins dos anos 60 e início dos anos
90
A Praça do Ferreira é um dos logradouros mais antigos da cidade, contando com 172 anos, desde o marco de sua fundação, a retirada do Beco do Cotovelo, em 1842. Mas não há elementos na Praça que ateste ou tenha sido testemunha dessa passagem do tempo. A compulsão de boa parte dos governantes em destruir, demolir, alterar a paisagem, movidos provavelmente pela vaidade desmedida, destruiu o patrimônio histórico e cultural de Fortaleza. Nada foi poupado, nem a Igreja da Sé oitocentista, nem as construções históricas no entorno da Praça da Sé, nem a Praça do Ferreira, feita e refeita inúmeras vezes, ao gosto do governante de plantão.
Hoje, a praça é antiga mas tem cara de nova: monumentos, bancos pisos, árvores, tudo é recente, no máximo de 1991, exceto a velha cacimba atemporal, e alguns imóveis do entorno, milagrosamente preservados.
Em 2001 a Praça do Ferreira foi oficialmente
declarada “Marco Histórico e Patrimonial de Fortaleza” (Lei Municipal
8605, de 20 de dezembro de 2001). Quem sabe assim, algum equipamento viva o suficiente para virar história.
fotos do Arquivo Nirez



















