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sábado, 15 de setembro de 2012

O (Breve) Governo Franco Rabelo

Franco Rabelo foi eleito para o governo do Estado sucedendo Antônio Pinto Nogueira Accioly. As eleições vieram logo após a revolta urbana de 1912, mas o novo governante não ficaria mais do que 2 anos na direção do poder estadual.  

 após a deposição do oligarca Accioly em janeiro de 1912, populares rabelistas voltam a se rebelar em novembro: cavam trincheiras em frente a Assembleia Legislativa, impedindo reunião de deputados aciolinos para depor o Presidente Franco Rabelo

Contando com o apoio da população da Capital que o concebia como verdadeiro salvador, Rabelo procurou concentrar as atenções  de sua gestão na governabilidade de Fortaleza. No pouco tempo em que durou, Franco Rabelo realizou diversas melhorias na cadeia pública, no intuito de torná-la mais cômoda, segura e confortável e mostrou-se disposto a modificar o regime penitenciário, julgado ultrapassado, através de uma reforma progressista. Demonstrando estar também preocupado com o disciplinamento dos contingentes mais pobres para salvaguardar a ordenação urbana, o Presidente Estadual investiu na formação de uma nova guarda policial cívica, que deveria proceder a eliminação da mendicidade, da vagabundagem nas ruas e praças da capital.
Com relação à saúde pública, procurou instaurar uma efetiva polícia médica. Para tanto assegurou junto a Assembleia verbas mais amplas no orçamento para tentar recuperar a saúde pública, principalmente através da vacinação em larga escala para o combate à febre amarela, aquisição de laboratórios, construção de isolamentos para os acometidos de varíola e fiscalização de gêneros alimentícios.

 Instituto de Proteção e Assistência à Infância, criado no governo de Franco Rabelo
 
A maior realização rabelista nessa área foi a instalação do Instituto de Proteção e Assistência à Infância, onde diária e gratuitamente três médicos consultavam crianças e distribuíam leite para as mais necessitadas.  
A respeito do saneamento urbano, o governo Rabelo retomou o projeto de abastecimento de água e esgoto e o confiou ao engenheiro Dr. João Felipe. O rio Acarape foi o escolhido como reservatório e sua água enviada para análise por Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, que a aprovou como sendo de boa qualidade – desde que fervida e tratada por ozone. 

 Os vendedores ambulantes, na época já desafiavam a ordem urbana: o Intendente municipal proibiu a venda de qualquer produto que causasse sujeira nas ruas e praças.
 
Durante o governo de Franco Rabelo, a administração municipal ficou a cargo do intendente Ildefonso Albano, igualmente apontado como um dos que mais fizeram pelo progresso da cidade. Entre as obras que realizaria através de empréstimo que a Câmara autorizara, (mas que foram interrompidas pela Sedição de Juazeiro), incluíam-se as construções de um matadouro moderno, um mercado de verduras com estrutura  metálica e uma vila operária para resolver o problema de moradia dos pobres, consideradas anti-higiênicas e de aluguel elevado.   
Ao longo do seu governo, o intendente Albano ressalta em várias passagens, que suas intervenções na cidade tinham, entre outros objetivos específicos, a finalidade de torna-la mais higiênica e bonita. Nesse propósito procurou trabalhar em estreita colaboração com o então Inspetor de Higiene Pública, Dr. Abdenago da Rocha Lima. Contratou na Capital Federal o engenheiro João Gualberto Marques Porto e um jardineiro especializado para as obras municipais e os serviços de jardinagem e arborização. 

 Os quiosques que ocupavam os logradouros públicos e comercializavam alimentos passaram a ser fiscalizados. Na foto, o cafè Fênix, que funcionava na Praça Carolina (atual Praça Waldemar Falcão)

No campo da saúde pública, a Intendência, em conjunto com a Inspetoria de Higiene, estabeleceu uma cruzada contra os quiosques que ocupavam as praças. Na Avenida Bezerra de Menezes, obrigou a retirada de dois deles, sem indenização. Os pequenos engenhos , que forneciam a popular garapa de cana também não escaparam da fiscalização: zelando pelo asseio do Mercado Público, proibiu o estacionamento das engenhocas.
Para viabilizar o serviço de limpeza pública, dividiu a cidade em quatro distritos, ocupados por subinspetores subordinados à inspetoria de Higiene, que por sua vez cuidaria apenas do perímetro central. 
 
A obra mais dispendiosa da gestão do Intendente Ildefonso Albano foi a reforma da Praça General Tibúrcio. O ajardinamento da praça obedeceu ao estilo "Jardim Inglês", com caminhos e canteiros sinuosos; o velho gradil de ferro foi substituido por uma balaustrada artistica, encimada por combustores, jarros bronzeados e três estátuas de leões, autênticas obras de arte
  
Os vendedores ambulantes, que à época já desafiavam o poder urbano, foram proibidos de comercializar qualquer produto que causasse sujeira nas ruas.  Quanto aos melhoramentos urbanos, o Intendente criou uma Banda Municipal para, uma vez por semana, tocar nas retretas dos logradouros públicos; recuperou calçamentos e realizou a abertura da Avenida Senna Madureira, que considerou essencial, porque alargava a única via existente entre a praia e o centro.

 Rua Sena Madureira

Sua obra mais demorada e dispendiosa, entretanto, foi a reforma da Praça General Tibúrcio, localizada na vizinhança do Palácio do Governo, um dos pontos centrais da capital. Por sua localização, Albano se indignava com o fato de vê-la transformada em depósito de materiais e de pastagem para animais. O projeto da nova praça exigiu o recuo de oito casas do lado ocidental do logradouro.
A energia elétrica finalmente chegou a Fortaleza em 1914, através da Ceará Light and Power Co,  eletrificando os bondes antes puxados por burros que, entre outros contratempos, costumavam sujar as vias públicas. Os bondes elétricos, mais compatíveis com a velocidade imposta pelo ritmo urbano de então, passou a cobrir pontos mais distantes da cidade para atender a crescente necessidade de mobilidade da população. 

 A chegada da energia elétrica possibilitou a modernização do transporte coletivo com o surgimento dos bondes movidos a eletricidade em substituição aos de tração animal. Na foto, o bonde do Outeiro percorre a Rua Floriano Peixoto

Por outro lado, os novos bondes – juntamente com o aumento do número de automóveis que alteravam o cotidiano da cidade desde 1910 – requereram polícia de trânsito e pavimentação das ruas.
Tudo acabou em 1914, quando da região do Cariri veio um exército de sertanejos, comandados por coronéis Acciolistas e abençoados pelo Padre Cícero, para depor pela força das armas o governo de Franco Rabelo. A população se preparou para mais um enfrentamento, o que acabou não acontecendo em face à intervenção do Governo Federal, que substituiu Rabelo pelo Interventor Setembrino de Carvalho.

fotos do Arquivo Nirez
extraído do livro de Sebastião Rogério Ponte
Fortaleza Belle Epoque: reformas urbanas e controle social (1860-1930)
 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A Usina do Mucuripe

Falta de Luz é bom pra namorar
mas depois disso nem é bom falar
a usina lá do Mucuripe
todo mês tem gripe
não quer mais funcionar
(Falta de Luz, 
 de Irapuan Lima e Mário Filho)

Prefeito Paulo Cabral de Araújo

A questão do fornecimento de energia elétrica em Fortaleza tornou-se prioridade na gestão do prefeito Paulo Cabral (1951-1955), que promoveu estudos visando a criação de uma autarquia municipal de luz e força e a construção de uma usina termelétrica no bairro do Mucuripe.  Para atenuar o déficit de energia elétrica em Fortaleza enquanto a usina do Mucuripe ainda não estivesse concluída, o governo municipal recorre a fábricas particulares para que estas forneçam o excedente em sua capacidade de geração de energia.  Durante o ano de 1952, são contratadas a Fábrica São José, de Gomes e Cia, e a Fábrica Progresso. No ano seguinte incorpora-se ao sistema a Brasil Oiticica, com o fornecimento de energia elétrica com a demanda máxima de 550 KW, e em 1954, o Cotonifício leite Barbosa, sujeito a demanda máxima de 300 KW.


assinatura do contrato pelo representante da Westinghouse (fabricante dos equipamentos da Usina), assistida pelo Prefeito Paulo Cabral e os deputados Paulo Sarasate e Virgílio Távora - 30.06.1952 

Outra providência adotada para o grave problema de déficit de energia elétrica foi instalada em janeiro de 1954, no bairro do Meireles, na confluência das Avenidas Barão de Studart e Monsenhor Tabosa, um grupo diesel-elétrico. A Usina Auxiliar do Meireles, como passou a ser chamada, foi adquirida pelo valor de CR$ 4.241.787,50, om empréstimos de curto prazo a bancos locais.
Para produzir, transformar e distribuir a energia elétrica no município, foi criada a autarquia municipal Serviço de Luz e Força de Fortaleza – SERVILUZ , pela lei Municipal n° 803, de 20 de maio de 1954.
Coube à administração de Paulo Cabral projetar e executar a construção da usina termelétrica do Mucuripe, com obras iniciadas em 30 de julho de 1952. Compunham a Usina do Mucuripe, três caldeiras munidas de fornalha para queimar fuel oil ou lenha, com instrumentos e equipamentos completos para operação automática. Havia também um conjunto de geradores trifásicos e vários outros componentes.
A inauguração da usina ocorreu no dia 23 de março de 1955, dois dias antes de assumir a prefeitura, para seu segundo mandato, Acrísio Moreira da Rocha. Foi um acontecimento social importante, com amplo interesse popular, por se constituir passagem para a alternativa adequada de geração termelétrica a óleo Bunker C, ao invés de lenha, que já estava esgotada em nosso Estado.


vista aérea da Usina do Mucuripe, na Praia Mansa, próxima ao antigo farol - 1955

Nesta etapa, a usina do Mucuripe servia a região compreendida pelo Mucuripe, Volta da Jurema, Meireles, parte da Aldeota, Estância, Vila Zoraide e Vila Monteiro. Enquanto isso continuavam operando a turbina n° 3 da usina velha do Passeio Público, a usina diesel-elétrica do Meireles, nem como as unidades geradoras das fábricas contratadas no plano de emergência.
Apesar do sistema de geração de energia estar sensivelmente reforçado, na prática, surgiam problemas que determinavam cortes de energia elétrica. O projeto do Mucuripe utilizava água do mar. De um canal, as bombas sugavam a água para resfriamento dos condensadores. Mas quando ocorria a maré baixa, entravam nos tubos areia, peixinhos, crustáceos, etc. ocasionando sua obstrução e frequentes interrupções no fornecimento de energia.  O SERVILUZ teve que manter equipes de mergulhadores, que cumpriam o penoso trabalho de limpeza e deslocamento das bombas de dragagem. 


                     O Engenheiro Jesamar Leão de Oliveira e trabalhadores, na plataforma das caldeiras, comemoram a recuperação da Usina do Mucuripe, depois de dois dias de intensos esforços  - dezembro de 1957

No final de 1957, uma grave pane – o rompimento do tubo interno de aquecimento do óleo combustível – fica na história da usina. Durante os dias 28 e 29 de dezembro, os operários liderados pelo engenheiro Jesamar, ficam impregnados de óleo durante dois dias de contínuo trabalho, para que Fortaleza não passasse as festas de Ano Novo no escuro.
No final da década de 1950, a cidade constata que, mesmo com todo o esforço de governantes e dirigentes do setor elétrico, Fortaleza continuava a viver duros tempos de crises e desesperança, traduzidas em notícias como a que se segue, publicada no Jornal O Povo, de 6 de agosto de 1959. 


Usina do Passeio Público

"Há alguns dias que as noites de Fortaleza estão mais perigosas, embora os poetas ainda achem que as noites são mais belas sob a luz exclusiva da lua e das estrelas. A turbina Stahl, do Serviluz, com capacidade para 7.500 kVA, está em pandarecos, o que deixa grande parte da nossa capital sem energia elétrica durante a maior parte do dia e da noite. Somente a linha n° 3, que fornece energia ao centro da cidade é que continua funcionando regularmente" 

extraído do livro
História da Energia no Ceará
de Ary Bezerra Leite

sábado, 17 de setembro de 2011

A Energia de Paulo Afonso

Até meados da década de 1960, a capital vivia sob uma severa crise energética.  A empresa  concessionária, a Ceará Light praticamente falira depois da 2ª. Guerra e não conseguia arcar com os custos de operação. 

Por descumprir uma determinação judicial relativa ao pagamento de salários dos empregados, a companhia sofreu intervenção  do governo federal.  Em 1948 a Light foi definitivamente encampada pelo governo do prefeito Acrísio Moreira da Rocha (1948-1951).

Gasômetro da Ceará Gaz no início do século

Daí surgem a Conefor, o Serviluz,  usinas térmicas, troca de combustível a lenha por óleo diesel, e remendos sem fim nas velhas caldeiras.  Apesar de tudo, a crise energética perdurava,  Fortaleza continuava sofrendo com a falta de energia, o crescimento industrial paralisado,  a economia estagnada, as residências às escuras.

A situação começou a ser contornada a partir de 1965, com a chegada da energia gerada a partir da cachoeira de Paulo Afonso, distribuída pela CHESF. 
As gestões para trazer para Fortaleza a energia distribuída pela CHESF, teve inicio no governo de Paulo Sarasate (1955-1958) e prosseguiu com Flávio Marcilio (1958-1959). Virgílio Távora, quando Ministro da Aviação do governo João Goulart, disponibilizou os primeiros recursos.

Em pronunciamento público durante a inauguração da energia de Paulo Afonso em Natal, o então Presidente João Goulart (1961-1964), garantia que a festa de inauguração em Fortaleza ocorreria no ano seguinte, em 21 de dezembro de 1964. A deposição do presidente e a instauração da ditadura militar em 1964, não alteraram o cronograma da obra.

No dia 25 de março de 1964, foi erguida em Mondubim, a primeira subestação de energia de Paulo Afonso, cujas obras foram percorridas em junho, em visita oficial ao Estado, pelo já então presidente Castelo Branco.

Em setembro ficou constatada a impossibilidade de conclusão da obra no prazo previsto.  No dia 21 de dezembro de 1964, data prevista para a inauguração, o governador Virgílio Távora e o engenheiro Amaury Menezes, diretor-técnico da Chesf, através de pronunciamento na TV Ceará, explicam à população, as razões do atraso no prazo de entrega das obras.


Por fim a festa inaugural foi marcada para o dia 1° de fevereiro de 1965. Dois dias antes da inauguração oficial, o governador e a primeira dama Luiza Távora acionam os disjuntores que liberavam a energia gerada em Paulo Afonso, e a transmitiam para a Usina do Passeio Público.






As comemorações oficiais, no dia 01 de fevereiro de 1965, tiveram lugar na Praça de Otávio Bonfim, com público estimado de 50.000 pessoas. Enquanto aguardava a chegada das autoridades, o público assistiu a shows de artistas como o do rei do baião, Luís Gonzaga e de Paulo Cirilo e suas pastoras, dentre outros.


O presidente e demais autoridades chegaram por volta das 19h30m. Ali falaram o governador do Ceará, o ministro das Minas e Energia e o Presidente.  A solenidade foi transmitida pela TV Ceará e pela Rádio Nacional em cadeia com todas as emissoras do Ceará e do País.




Às 20 horas o governador convidou o Presidente da República para acionar a chave que iluminou a Praça de Otávio Bonfim, dando-se por inaugurada a energia de Paulo Afonso em Fortaleza.



Logo em seguida, o Hino Nacional foi executado por diversas bandas militares; todas as igrejas fizeram repicar os sinos; fogos de artifícios enfeitaram o céu; carros buzinaram, navios e trens apitaram e girândolas foram queimadas, descobrindo os retratos do presidente Castelo Branco, do governador Virgílio Távora, do ministro Mário Thibau, do Sr. Apolônio Sales e  do engenheiro Amaury Menezes.





Dois poderosos holofotes do Exército iluminavam o céu de Fortaleza, naquela que foi denominada  A Festa do Século. A energia vinda de Paulo Afonso chegava à Fortaleza depois de viajar 653 quilômetros.


Pesquisa:
História da Energia no Ceará, de Ary Bezerra Leite.
Jornal Correio do Ceará, edições de 1, 2 e 3 de fevereiro de 1965
Jornal Unitário, edição de 2 de fevereiro de 1965 
fotos do 
lampião de gás, gasômetro e autoridades, retiradas do livro História da Energia no Ceará

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O Percurso da Energia no Ceará


Passeio Público, com elegantes lampiões à gás, tendo ao fundo a Praia Formosa (Marciano Lopes)

No principio era o binômio luminoso sol e lua, a envolver a pequena povoação à beira mar, sob os coqueirais de suas areias brancas. Se era noite de luar, tudo bem. Nas noites sem lua, no entanto, a escuridão envolvia a vila. 

E começa aí a história da iluminação artificial, com as velas de cera de carnaúba, alumiando a Fortaleza recém-nascida.  Depois entram em cena os lampiões de rua, queimando azeite de peixe, que muitos anos depois foram substituídos pelos gás carbônico originário da hulha, trazido pela inglesa Ceará Gaz.   

O prédio pertenceu primeiro ao Hotel do Norte, depois a Sociedade União Cearense, Correios, Ceará Tramway, Coelce, e futura sede da IAB da Orquestra Filarmônica do Ceará. Fica na esquinas das Rua Dr. João Moreira e Floriano Peixoto (Marciano Lopes) 

Em 1912 chegou à cidade a Ceará Ligth Tramway and Power Ltd, o polvo inglês, que veio modernizar o transporte coletivo, substituindo o bonde puxado a burro pelo tramway.  Para tanto instalou a primeira rede de distribuição na cidade, como suporte para os bondes elétricos. As residências também se beneficiaram com este equipamento moderno, mas a iluminação pública permaneceu a gás até 1935, por força do contrato entre o estado e a Ceará Gaz,  assinado em 1867.

Nesse meio tempo,   A Light Tramway iniciou um duelo com a Ceará Gaz querendo assumir também o domínio do fornecimento de luz elétrica para as ruas e residências.  Estabeleceu-se pelos jornais uma batalha de anúncios sobre as vantagens de um e de outro, como este anuncio da Ceará Gaz:
Uma luz boa e barata é o gaz incandescente, porque é mais suave à vista, 50% mais econômico.
Em outra página, o troco da Light: 
A melhor e a mais econômica luz é a luz elétrica, e a única que lhe faz competência é a do sol. 

Em 1935, venceu o novo. O governo rescinde o contrato que mantinha com a Ceara Gaz, seguindo-se uma longa e difícil  batalha judicial.

Mais tarde, a Ceará Light  iniciou uma nova batalha, desta feita contra o emergente serviço de auto- ônibus, como era denominado na época. A companhia inglesa sentiu a ameaça e opôs forte resistência à chegada do novo modelo de transporte coletivo, mas teve que encarar a concorrência que se instalava. 

Adquiriu e lançou em diversas linhas alguns ônibus, veículos de pequenos,  mas confortáveis, para 17, os menores e 34 passageiros. A população apelidou os veículos da Light de ramonas, alusão ao título de um filme de sucesso naquele tempo.


Veículos da Light: bondes e ônibus concorriam entre si. Esses da foto eram utilizados para conserto das linhas elétricas dos bondes (arquivo Nirez) 

Os micro-ônibus com os quais a Light concorria com seus próprios bondes, ajudaram a empresa a se manter no ramo por mais alguns anos, até retirar-se definitivamente, por conta da precariedade dos serviços prestados. A 2ª Guerra Mundial impedira a importação de novos veículos e peças de reposição. Findo o conflito, dois anos após em 1947, os bondes sem energia suficiente para movimentá-los e sem a indispensável manutenção mecânica, saíram de circulação.

A Light entrara afinal em agonia, não podendo mais arcar com os custos de operação, deixando inclusive de cumprir sentença trabalhista que a obrigava a conceder aumentos salariais aos seus servidores.  Pelo descumprimento, a empresa sofre intervenção federal. 

A sua nova direção procura, em desespero, soluções paliativas para o agravamento do problema da energia elétrica em Fortaleza. Daí surgem a Conefor, o Serviluz,  usinas térmicas, troca de combustível a lenha por óleo diesel, e remendos sem fim nas velhas caldeiras. Tudo foi tentado, mais os apagões continuavam atormentando a vida dos moradores da cidade.

Assinatura do decreto de encampação da Ceará Light (O Povo)

Por essa época foi eleito o prefeito Acrísio Moreira da Rocha, que determinou a encampação definitiva da companhia britânica.  Apesar de tudo, a crise energética continuava,  Fortaleza continuava sofrendo com a falta de energia, o crescimento industrial paralisado,  a economia estagnada, as residências às escuras.  

Usina Serviluz era resultante da encampação pelo município da Ceará Light. (IBGE)

A situação começou a ser contornada a partir de 1964, com a chegada da energia gerada a partir da cachoeira de Paulo Afonso, distribuída pela CHESF.
A energia só chegou ao Ceará em 1964, bem depois dos depois de outras localidades do Nordeste, a exemplo  de Recife (1954) e Salvador (1955). 

Ocorreu que, quando foi criada em outubro de 1945, a área de concessão da CHESF abrangia um círculo de 450km de raio a partir da usina a ser construída em Paulo Afonso. Incluía, portanto, Salvador, Aracaju, Maceió, Recife e João Pessoa. Excluía Fortaleza e grande parte do Ceará.

Em 05 de julho de 1971, o Governo do Ceará criou, mediante lei estadual , a COELCE - Companhia de Eletricidade do Ceará, autorizada a funcionar pelo Decreto Federal 69.469 de 05 de novembro de 1971. A Coelce foi privatizada em 1998.

fonte:
Blanchard Girão e Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez)