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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A Iluminação Pública de Fortaleza

prédio da Santa Casa com o gasômetro ao fundo (arquivo Nirez)

Fortaleza começou a ser iluminada com gás hidrogenado a partir de 17 de setembro de 1867, tendo sido feita a primeira experiência no dia 7 do mesmo mês pela iluminação parcial da cidade e de alguns edifícios, entre os quais o Clube Cearense.

O serviço foi contratado pelo presidente José Bento da Cunha Figueiredo em janeiro de 1864 com Joaquim da Cunha Freire e seu sócio Thomás Rich Brandt, os quais transferiram o privilégio à companhia inglesa Ceará Gás Company Limited.
As obras tiveram início em dezembro de 1866, no terreno adjacente à Santa Casa de Misericórdia, que foi cedida para esse fim por ordem da presidência em ofício de novembro do mesmo ano.
A Santa Casa cedeu a área para instalação do Gasômetro por imposição do governo (arquivo Nirez)

Pelos decretos n° 1573 de 10 de junho de 1868 e 1686, de 28 de agosto de 1869, o governo isentou os direitos de importação do material para o serviço dessa empresa.
A Ceará Gás instalou 1607 combustores, fincados no solo à beira dos passeios, com mangas de vidro pequenas, simples, em forma de campânula, e pela proximidade entre eles (cerca de 30 metros), a intensidade de luz correspondia a um foco de 10 velas estearinas.


Os combustores eram implantados no mesmo lado da rua, distando cerca de 30 metros um do outro a uma altura de 2,40 metros. Esse que aparece na foto ficava na esquina da Rua Barão do Rio Branco com a Guilherme Rocha (arquivo Nirez)

Já em agosto de 1893, deveria começar a iluminação à luz elétrica em estabelecimentos particulares e residências, por força do contrato celebrado pela câmara municipal com Pamplona, Irmão e Cia., o que não se concretizou. A distribuição da energia elétrica só seria iniciada em 1913, beneficiando somente as propriedades particulares, continuando a iluminação das ruas e praças a cargo da Ceará Gás Co. Ltd.  Que mais tarde teve seu contrato rescindido , transferindo-se o serviço para a Ceará Tramway Light and Power Co., cujo contrato foi por sua vez rescindido em 1934.

Já em 10 de outubro de 1933 foram instaladas, a título de experiência, quatro lâmpadas de cem velas na Rua Formosa, entre a Municipal e a das Hortas; e por fim, em 08 de dezembro de 1934, inaugurou-se a iluminação geral, começando-se com a colocação de algumas lâmpadas na Praça do Ferreira.


A iluminação pública movida a energia elétrica, começou com a colocação de algumas lâmpadas na Praça do Ferreira (foto acervo Marciano Lopes)

Na gestão do prefeito Paulo Cabral de Araújo (1951-1955) foi construída, com o potencial de 12,500 kw, uma usina localizada nas proximidades do farol do Mucuripe, cujo início de operações ocorreu em março de 1955. Constituíra para tanto, em fins do ano anterior, a autarquia Municipal Serviço de Luz e Força de Fortaleza (SERVILUZ) à qual foi constituída pela Companhia Nordeste de Eletrificação de Fortaleza (CONEFOR), criada a 1° de abril de 1962, atuando somente em Fortaleza, pois já existiam outras empresas instaladas no interior do Estado.
Em 30 de agosto de 1971 foi criada a Companhia de Eletricidade do Ceará – COELCE, autorizada a funcionar pelo Decreto federal de 5 de novembro do mesmo ano, fornecedora da energia de Paulo Afonso em todo o Estado do Ceará. 

fontes:
Descrição da Cidade de Fortaleza, de Antônio Bezerra de Menezesintrodução e notas de Raimundo Girão 

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O Percurso da Energia no Ceará


Passeio Público, com elegantes lampiões à gás, tendo ao fundo a Praia Formosa (Marciano Lopes)

No principio era o binômio luminoso sol e lua, a envolver a pequena povoação à beira mar, sob os coqueirais de suas areias brancas. Se era noite de luar, tudo bem. Nas noites sem lua, no entanto, a escuridão envolvia a vila. 

E começa aí a história da iluminação artificial, com as velas de cera de carnaúba, alumiando a Fortaleza recém-nascida.  Depois entram em cena os lampiões de rua, queimando azeite de peixe, que muitos anos depois foram substituídos pelos gás carbônico originário da hulha, trazido pela inglesa Ceará Gaz.   

O prédio pertenceu primeiro ao Hotel do Norte, depois a Sociedade União Cearense, Correios, Ceará Tramway, Coelce, e futura sede da IAB da Orquestra Filarmônica do Ceará. Fica na esquinas das Rua Dr. João Moreira e Floriano Peixoto (Marciano Lopes) 

Em 1912 chegou à cidade a Ceará Ligth Tramway and Power Ltd, o polvo inglês, que veio modernizar o transporte coletivo, substituindo o bonde puxado a burro pelo tramway.  Para tanto instalou a primeira rede de distribuição na cidade, como suporte para os bondes elétricos. As residências também se beneficiaram com este equipamento moderno, mas a iluminação pública permaneceu a gás até 1935, por força do contrato entre o estado e a Ceará Gaz,  assinado em 1867.

Nesse meio tempo,   A Light Tramway iniciou um duelo com a Ceará Gaz querendo assumir também o domínio do fornecimento de luz elétrica para as ruas e residências.  Estabeleceu-se pelos jornais uma batalha de anúncios sobre as vantagens de um e de outro, como este anuncio da Ceará Gaz:
Uma luz boa e barata é o gaz incandescente, porque é mais suave à vista, 50% mais econômico.
Em outra página, o troco da Light: 
A melhor e a mais econômica luz é a luz elétrica, e a única que lhe faz competência é a do sol. 

Em 1935, venceu o novo. O governo rescinde o contrato que mantinha com a Ceara Gaz, seguindo-se uma longa e difícil  batalha judicial.

Mais tarde, a Ceará Light  iniciou uma nova batalha, desta feita contra o emergente serviço de auto- ônibus, como era denominado na época. A companhia inglesa sentiu a ameaça e opôs forte resistência à chegada do novo modelo de transporte coletivo, mas teve que encarar a concorrência que se instalava. 

Adquiriu e lançou em diversas linhas alguns ônibus, veículos de pequenos,  mas confortáveis, para 17, os menores e 34 passageiros. A população apelidou os veículos da Light de ramonas, alusão ao título de um filme de sucesso naquele tempo.


Veículos da Light: bondes e ônibus concorriam entre si. Esses da foto eram utilizados para conserto das linhas elétricas dos bondes (arquivo Nirez) 

Os micro-ônibus com os quais a Light concorria com seus próprios bondes, ajudaram a empresa a se manter no ramo por mais alguns anos, até retirar-se definitivamente, por conta da precariedade dos serviços prestados. A 2ª Guerra Mundial impedira a importação de novos veículos e peças de reposição. Findo o conflito, dois anos após em 1947, os bondes sem energia suficiente para movimentá-los e sem a indispensável manutenção mecânica, saíram de circulação.

A Light entrara afinal em agonia, não podendo mais arcar com os custos de operação, deixando inclusive de cumprir sentença trabalhista que a obrigava a conceder aumentos salariais aos seus servidores.  Pelo descumprimento, a empresa sofre intervenção federal. 

A sua nova direção procura, em desespero, soluções paliativas para o agravamento do problema da energia elétrica em Fortaleza. Daí surgem a Conefor, o Serviluz,  usinas térmicas, troca de combustível a lenha por óleo diesel, e remendos sem fim nas velhas caldeiras. Tudo foi tentado, mais os apagões continuavam atormentando a vida dos moradores da cidade.

Assinatura do decreto de encampação da Ceará Light (O Povo)

Por essa época foi eleito o prefeito Acrísio Moreira da Rocha, que determinou a encampação definitiva da companhia britânica.  Apesar de tudo, a crise energética continuava,  Fortaleza continuava sofrendo com a falta de energia, o crescimento industrial paralisado,  a economia estagnada, as residências às escuras.  

Usina Serviluz era resultante da encampação pelo município da Ceará Light. (IBGE)

A situação começou a ser contornada a partir de 1964, com a chegada da energia gerada a partir da cachoeira de Paulo Afonso, distribuída pela CHESF.
A energia só chegou ao Ceará em 1964, bem depois dos depois de outras localidades do Nordeste, a exemplo  de Recife (1954) e Salvador (1955). 

Ocorreu que, quando foi criada em outubro de 1945, a área de concessão da CHESF abrangia um círculo de 450km de raio a partir da usina a ser construída em Paulo Afonso. Incluía, portanto, Salvador, Aracaju, Maceió, Recife e João Pessoa. Excluía Fortaleza e grande parte do Ceará.

Em 05 de julho de 1971, o Governo do Ceará criou, mediante lei estadual , a COELCE - Companhia de Eletricidade do Ceará, autorizada a funcionar pelo Decreto Federal 69.469 de 05 de novembro de 1971. A Coelce foi privatizada em 1998.

fonte:
Blanchard Girão e Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Patrimônio Edificado: O Prédio Sociedade União Cearense

Fachada do prédio da Coelce em diferentes datas


No Final do Século XIX o imponente sobrado já podia ser visto. As janelas se abriam para o Passeio Público (Praça dos Mártires), ajardinada e urbanizada por ordem do presidente da província. O edifício pertenceu primeiro ao Hotel do Norte; depois, à Sociedade União Cearense; mais tarde passou para os Correios; depois para a Ceará Tramway Light and Power, e finalmente, à COELCE – Companhia Energética do Ceará, que é até hoje a proprietária do imóvel.
Apesar de tombado pelo Estado, ruiu parcialmente em decorrência das chuvas de 2000.
Mas o século XXI trouxe boas noticias para o velho edifício: O antigo Hotel do Norte está sendo recuperado com verbas do mecenato. Será em breve a sede do IAB-CE da Orquestra Filarmônica e do Museu da Indústria.
Fica situado na Rua Dr. João Moreira na esquina com a Rua Floriano Peixoto.


Fotos: Rodrigo Alboim