quarta-feira, 12 de abril de 2023

Vicente Pinzon, antes de Pedro Álvares Cabral

 

As origens de Fortaleza remontam às primeiras tentativas de colonização do Ceará pelos portugueses. Um dos primeiros marcos assinalados nessa história, é a chegada do açoriano Pero Coelho de Souza, em 1603, que organizara uma expedição com a finalidade de expulsar os franceses da costa cearense e escravizar indígenas.




Mas, segundo consta, um século antes da chegada do açoriano, um outro europeu já pusera os pés em terras cearenses, mais precisamente na enseada do Mucuripe. Foi o navegador espanhol Vicente Pinzon, que por conta de um gigantesco erro de navegação, veio bater com os costados no Mucuripe no dia 26 de janeiro de 1500, “inaugurando” as terras fortalezenses, e descobrindo o Brasil antes de Cabral.


Vicente Yanez Pinzon, com a autorização de viagem em mãos, deixou o porto de Palos de la Fronteira, no dia 19 de novembro de 1499.  Providenciaram alimentos, bebidas e mantimentos, para uma frota composta por quatro caravelas, entre elas a Pinta e a Nina da frota de Colombo, e cerca de 100 tripulantes, arregimentados entre parentes e amigos, para uma viagem com duração estimada em um ano e meio.



Porto de Palos de La Fronteira, no sul da Espanha, ponto de partida de grandes navegadores, como Vicente Pinzon e Cristóvão Colombo 

Navegando sob influência dos ventos e das correntes, depois de perder a Polar (a estrela que ainda hoje serve de referência as navegações no Atlântico Norte), Pinzon e seus homens ficaram perdidos no meio do Atlântico, pois não acharam nenhuma estrela que lhes permitisse uma melhor orientação. Navegaram rumo ao desconhecido, em uma direção nunca percorrida por nenhum europeu. Para completar, um temporal os afastou da rota que vinham obedecendo, mas conseguiram retomá-la.  Depois, enfrentaram uma cerração, um extenso nevoeiro, navegaram mais 240 léguas, até chegarem ao Porto do Mucuripe. Depois de tomar posse do local em nome do reino de Castela, deu-lhe o nome de Santa Maria de La Consolacion.


Ao perceber as águas calmas da enseada do Mucuripe, ainda ao largo, Pinzon fez uma sondagem para verificar a profundidade da água e observou que era de 16 braças (1 braça equivale a 2,2 metros). Em seguida, em pequenos botes, ele e um grupo de oficiais navegaram até a praia, em busca de um rio ou uma fonte de água. Viram grandes pegadas humanas e se assustaram.  Pinzon teria permanecido dois dias em terra (e dormido nas caravelas), partindo depois no rumo nordeste, por não ter encontrado água para reabastecer seus navios.


Sempre navegando pelos ventos e correntes, encontrou uns três dias depois, a foz de um rio de que ele chamou de Fermoso. Era a foz do atual Rio Curu, a cerca de 120 km de Fortaleza. A passagem de Pinzon pelo Mucuripe está ricamente documentada no Arquivo Geral das Índias, em Sevilha e documentada em mapas como o do cartógrafo Juan de La Cosa, exposto no Museu Real de Madrid.



Mapa original de Juan de La Cosa, exposto no Real Museu Naval, em Madrid

Pinzon registrou a viagem e suas dificuldades ao retornar a Palos em setembro de 1500. Em seus relatos disse ter encontrado no Mucuripe uma enseada mansa, de praia com areias finas e brancas, cheia de árvores. Pouco tempo depois, os reis Fernando e Isabel nomearam Pinzon capitão-governador da região que se estendia de Santa Maria de La Consolacion, no Mucuripe, até Santa Maria de La Mar Dulce, no Amazonas. A nomeação, bem como a própria descoberta de Pinzon na costa cearense, não foi reconhecida pela coroa portuguesa por conta do Tratado de Tordesilhas.




O Tratado de Tordesilhas foi um acordo feito entre Portugal e Espanha, em 7 de junho de 1494, que definiu os limites das áreas de exploração entre os dois reinos na América do Sul. A divisão se daria a partir de um meridiano estabelecido a 370 léguas de Cabo Verde. Nessa partição, as terras descobertas a oeste da linha imaginária pertenceriam aos espanhóis e as terras descobertas a leste pertenceriam aos portugueses. O fim do tratado se deu com a formação da União Ibérica, quando os reinos de Portugal e Espanha foram unificados.



Alguns historiadores relatam esses mesmos fatos, mas dão como certo que o local batizado por Pinzon como "Santa Maria de La Consolacion", seria o Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco; como também há historiadores que afirmam que essas narrativas de viagens são totalmente equivocadas, e que Pedro Álvares Cabral foi o primeiro europeu a chegar ao Brasil.    

 


Fontes: 

Caravelas, Jangadas e Navios, uma história portuária, de Rodolfo Espínola.

Veja mais sobre "Tratado de Tordesilhas" em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/tratado-de-tordesilhas.htm         

domingo, 9 de abril de 2023

Sérvulo Esmeraldo, o Artista das Formas



Sérvulo Esmeraldo nasceu na cidade do Crato (CE), no dia 27 de fevereiro de 1929. Na Chapada do Araripe, no Engenho bebida Nova, onde morava num grande casarão de janelas azuis cercada de natureza, alterava o curso dos riachos construindo comportas e canais com varas de cerca. Um dia foi embora do Crato e começou a expandir sua história. Passou por Fortaleza, São Paulo e Paris.


Ainda no início da carreira, inspirado pela arte expressionista, dedicou-se à xilogravura. Chegou a ilustrar livrinhos de novenas antes de viajar a Fortaleza, onde travou contato com outros artistas e participou do VI Salão de Abril, em 1950, e tornou-se assíduo frequentador da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP). 

 

No ano seguinte mudou-se para São Paulo, e participou da i Bienal Internacional de Arte. Em São Paulo fez grande amigos, estudou arquitetura e foi cronista de arte do Correio Paulistano, e realizou a sua primeira exposição individual no Museu de Arte Moderna de São Paulo até que surgiu a oportunidade de ir para a Europa como bolsista do governo francês.


Em Paris, onde ficou até 1979, frequentou o ateliê de litogravura da École Nationale des Beaux-Arts e estuda com Johnny Friedlaender. Na década de 1960, inicia suas criações no campo da Arte Cinética, movimento que surgiu na França, na década de 1950, e promove a ideia de movimento, e ilusão de ótica. Esmeraldo começou trabalhando com materiais como ímãs, eletroímãs e usando a gravidade em seus trabalhos.


Quando finalmente voltou ao Ceará, no fim dos anos 1970, já tinha trajetória estabelecida e obras espalhadas pelo Brasil - de São Paulo ao Acre - e em coleções particulares de todo o mundo. Em Fortaleza, virou símbolo de praças, avenidas, prédios públicos e universidades. Sérvulo Esmeraldo realizou trabalhos nas áreas de escultura, pintura, gravura e ilustração. Suas obras estão espalhadas por coleções públicas e privadas, no Brasil e em países como França, Portugal, Estados Unidos, Suíça, Chile, Cuba e Itália. 



Escultura no Calçadão C. Rolim, Centro (imagem Fortaleza em Fotos, 2014) 



Campus da Unifor, bairro Edson Queiroz  (imagem Márcia Travessoni)

 


escultura La Femme Bateau, Ponte dos Ingleses, Praia de Iracema (não se encontra no local atualmente) imagem Fortaleza em Fotos 2012



Fonte Cinética, Praça da Sé, no centro, inaugurada em 2002 (imagem Diário do Nordeste)



Interceptor Oceânico, na Avenida Beira Mar, Meireles  (imagem postal dos anos 80)




Monumento aos Jangadeiros, Avenida Beira Mar, Meireles (Imagem Diário do Nordeste)

  

Quadrados, no Campus do Pici (imagem Enciclopédia Itaú Cultural) 


O artista faleceu em Fortaleza, no dia 1° de fevereiro de 2017. Sua obra, umas com a precisão matemática e linhas retas, outras com formas em movimento, legítimas representantes da Arte Cinética, continuam presentes pelas ruas e praças de Fortaleza. 





quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

O Playboy do Ceará

(Londres) – O playboy e exportador cearense, José Alcy Siqueira, embarcou ontem, no transatlântico “Queen Mary”, com destino a Ney York. Por feliz coincidência, Mr. Siqueira tem vizinhos muito especiais: na cabine da direita, nada menos que Elizabeth Taylor e Richard Burton e na da esquerda, os Duques de Windsor. Da “Big Aplle”, Siqueira irá até Hollywood. 


Reproduzido do livro "Os Dourados Anos"



José Alcy Siqueira foi o playboy clássico de Fortaleza. Nascido em Viçosa do Ceará, ficaria rico em Fortaleza nos ramos de exportação de peles de animais silvestres e da construção civil. Construiu grandes edifícios de cimento armado, sendo propriamente um pioneiro nesse tipo de arranha-céus composto de pequenos apartamentos residenciais e salas comerciais. Os edifícios Jalcy passaram a fazer parte do cotidiano da cidade, incorporando-se ao vocabulário da população. Falava-se em alugar uma sala, uma quitinete nos Jalcy’s:  Avenida, Metrópole, Beira-Mar...


Mesmo sendo um homem que ficou rico trabalhando, Zé Alcy era um bom vivant, um mão aberta. Não tinha medo de gastar, gostava de ser rico e não fazia reservas disso. Seu carro era um Cadillac, polidíssimo e brilhante, que ostentava a placa número 1 do Departamento estadual de Trânsito.


Quando viajava para o Rio de janeiro, despachava o imenso automóvel por um cargueiro da Itaú ou pela via área na companhia Cruzeiro do Sul. Hospedava-se no Copacabana Palace, frequentava as melhores festas cariocas, namorava beldades nacionais e internacionais. Fez sucesso e causou espanto ao namorar e trazer à Fortaleza a Miss Brasil 1957, Terezinha Morango.


Quando visitava sua terra natal tinha que enfrentar a ladeira íngreme e escorregadia da Serra da Ibiapaba, pois nessas ocasiões não dispensava o Cadillac. A chegada do filho ilustre era sempre um alvoroço, um dia de festa em Viçosa. E no carrão, acenando vitorioso, Zé Alcy era caprichoso em sua vaidade.


Quando o cineasta Marcel Camus veio rodar no Ceará o filme “Bandeirantes”, requereu o Cadillac do Zé Alcy para algumas cenas. Ele não se negou a emprestar, mas impôs uma condição: queria participar do filme. E assim fez uma ponta em “Bandeirantes”, como motorista de seu próprio automóvel.


Quanto ao casamento, adiou o mais que pode. Em duas ocasiões esteve noivo com moças de grandes méritos, mas terminava desistindo. Num dos casos chegou a levar longe demais a decisão, causando constrangimentos e a maledicência, caindo na boca do povo. Diziam que ele não se casava por impossibilidades de ordem física. Todas as insinuações caíram por terra, quando contraiu matrimônio com uma médica de nome Vilani, com quem teve três filhos.


Uma das grandes qualidades do empreendedor, era a ousadia, enfrentava qualquer transtorno. Em muitas ocasiões a sorte não lhe sorriu e ele teve grandes prejuízos. As vezes não media as consequências de assumir um empreendimento, por isso, seus negócios sofriam bruscas oscilações: podia estar rico ou pobre de um dia para o outro.


José Alcy Siqueira viveu intensamente. Teve tudo que a aventura humana pode oferecer. Experimentou a apoteose e o abismo, teve a inveja e o aplauso de seus contemporâneos. E morreu pobre, como acontece aos líricos, afilhados da alegria.


PS: deve ter ficado mesmo muito pobre, porque nada encontrei na mídia sobre o homem, sequer a notícia, data ou local do seu falecimento. Alguns de seus empreendimentos;   


Edifício Jalcy Avenida

foto IBGE

Inaugurado em 1959 na Avenida Duque de Caxias, Centro, com 12 andares, o Jalcy Avenida foi por muito tempo, o prédio mais alto de Fortaleza. Projetado pelo arquiteto José Neudson Braga, foi também o primeiro edifício com o conceito residencial/comercial. Hoje, como quase todo o centro de Fortaleza, o prédio está subutilizado e com vários apartamentos fechados.


Jalcy Metrópole


imagem Google street view

Edifício comercial, localizado no centro, na Rua Guilherme Rocha.

  

Edifício Jalcy Beira Mar


construído em 1968, foi implodido no dia 13 de março de 1994, sendo essa a primeira vez que o procedimento (implosão de um edifício) foi usado em Fortaleza.



Balneário Pirapora Palace


Inaugurado em 1972, era um empreendimento de lazer localizado na serra de Maranguape. Cercado por uma paisagem natural, o balneário contava com hospedagem, piscinas, quedas d’águas, em meio a muito luxo e conforto. Vários cantores famosos se apresentaram no local. Dez anos depois da inauguração, em meio a uma grande seca que assolou o Ceará, o Pirapora Palace fechou as portas com grandes prejuízos. Anos mais tarde a estrutura e o que sobrou do hotel de lazer foram saqueados e o local invadido. 

   

 

Por Fátima Garcia
Fontes: Sábado, estação de viver, de Juarez Leitão
Os Dourados Anos, de Marciano Lopes   

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Lugares para visitar em Fortaleza

De uns anos para cá Fortaleza tem sido um dos destinos turísticos mais procurados, a cada ano aumenta o número de visitantes, atraídos pela beleza da cidade, pela culinária e pelas diversas opções oferecidas. Cada vez mais se investe em equipamentos turísticos, em meios de hospedagens e em centros de compras, alguns, a preços bem populares. Aqui estão algumas sugestões, que são quase uma unanimidade para quem visita a cidade. Segundo projeção da Secretaria Municipal de Turismo Municipal (Setfor), Fortaleza deverá receber 600 mil turistas entre 20 de dezembro a 5 de janeiro de 2023. 

   


1 – Avenida Beira Mar





O espaço ao longo da orla que já foi Avenida Presidente Kennedy e hoje é Beira Mar começou a ser urbanizado em 1961, quando foi iniciada a construção da via. Recentemente, foi encerrada mais uma requalificação da avenida na qual foram investidos em torno de R$120 milhões. A nova Beira-Mar conta com 125 mil m² de área urbanizada, 3 km de nova pavimentação com piso intertravado, calçadas, barracas, estacionamentos, quadras, academia ao ar livre, sistema de drenagem, e algumas “cositas” a mais. Reforçaram também a segurança, com o aumento do contingente de policiais na área, mas os ladrões ainda estão por lá. Lugar bom para passear, para descontrair, para admirar a paisagem, para comer e beber, para caminhar, para comprar na feirinha ou nos vendedores ambulantes, e para ter cuidado com os pertences. A feirinha funciona diariamente, das 16 às 22 horas. 

 

2 – Mercado Central



O Mercado Central é um clássico em se tratando de local de compras de artesanatos e produtos produzidos no Ceará. Conta com cerca de 600 boxes em 5 pavimentos, restaurantes, lanchonetes, rampas de acesso e estacionamento com manobristas. Funciona de segunda a sexta das 8 às 18 hs, aos sábados das 8 às 17 hs e aos domingos das 8 às 13 hs.  Fica na Avenida Alberto Nepomuceno, 199, ao lado da Catedral Metropolitana, centro. Nas imediações do Mercado Central, há uma infinidade de galpões que abrigam comércios populares, de confecções em geral, a preços bem convidativos. 

   

3 – Barracas da Praia do Futuro


foto Diário do Nordeste

As barracas surgiram junto com a urbanização da praia do Futuro. Eram simples, desmontáveis, um tanto improvisadas. Com o tempo foram aumentando de tamanho, de estrutura, e número de clientes. Hoje são superestruturas, algumas com parques aquáticos, cozinha típica e internacional, e uma infinidade de oferta de serviços, sem similares em praias do Nordeste. Atualmente existem entre 55 e 60 barracas, com estruturas de pequeno, médio e grande porte. Se for para o mar, tomar cuidado, porque as correntes marítimas aliadas ao vento forte, são intensas na região.

   

4 – Polo de Gastronomia da Varjota


foto O Povo

O Corredor Gastronômico da Varjota foi criado em 2009, mas a atividade já existia no local há muito tempo. O bairro reúne o maior número de bares e restaurantes de Fortaleza, com mais de 120 estabelecimentos e atende a todos os públicos e gostos com bares e restaurantes, servindo desde a comida a tradicional cozinha regional até a cozinha internacional. Possui grande variedade de restaurantes temáticos, clássicos, self services, pizzarias, choperias, entre outros espaços de atendimento. 


5 – Complexo Ambiental e Gastronômico da Sabiaguaba



Inaugurado em julho deste ano, localizado às margens do Rio Cocó o polo gastronômico conta com um píer, vários quiosques com programação cultural variada, apresentações artísticas, shows musicais, além da culinária tradicional da cidade. O polo da Sabiaguaba integra duas unidades de proteção integral, o Parque Ecológico do Cocó e o Parque das Dunas da Sabiaguaba. Está instalado numa área de 2,5 hectares, conta com estacionamento e segurança. Funciona de 15 às 22 horas, exceto às 3ª. Feira. Fica na Rua da Sabiaguaba, 430.


6 – Encetur – Centro de Turismo do Ceará




Localizada na Rua Senador Pompeu, 350, esquina com a Rua General Sampaio, ao lado da Praça da Estação, o atual centro de turismo está instalado em importante prédio histórico: O que era ocupado pela antiga cadeia pública de Fortaleza, iniciado em 1850 e concluído 16 anos depois, em 1866, projeto do engenheiro Manuel Caetano de Gouveia. As antigas celas foram transformadas em lojas de artesanato, o pavilhão central abriga o Museu de Mineralogia e Arte Popular e a Administração – outrora alojamento do carcereiro e enfermarias. O Centro de Turismo oferece toda sorte de artesanato produzido na região, desde roupas e calçados a produtos em couro, cerâmica, rendas, madeira, roupas de cama, mesa e banho, castanhas, frutas, doces e bebidas. Ficar atento ao transitar a pé nas imediações. 

  

7 – Praia de Iracema


foto O Povo


Muitos estabelecimentos da Praia de Iracema encerraram atividades nos últimos anos, mas o lugar continua interessante para passeio e gastronomia. A configuração da praia mudou bastante, com um aterro extenso, que aumentou a distância entre o calçadão e o mar tornou o banho de mar numa preocupação a mais. Acredite nas placas que alertam sobre a profundidade da praia.


      

8 – Catedral Metropolitana




Se já estiver na área central, não deixe de visitar a nossa bela Catedral Metropolitana, inaugurada em 1978, depois de ter passado quase quarenta anos sendo construída. A nave é enorme, tem capacidade para um total de 5.000 pessoas. O estilo tem influências do românico e do gótico e isso dá o estilo eclético. O templo destaca-se pela imponência arquitetônica e pela beleza dos vitrais que representam passagens da Bíblia, os santos sacramentos e personagens eclesiásticas. 

  

9 – Assistir a um show de humor


foto Mapa Cultural do Ceará

Os shows de humor são facilmente encontrados nas regiões da Praia de Iracema, da Avenida Beira mar e Praia do Futuro, mas não se restringem a esses locais. São oferecidos em muitos outros espaços da cidade. Os shows são alegres, engraçados e descontraídos, mas, às vezes, a piada pode ser você. Faz parte.


10 – Centro das Tapioqueiras




Esse fica fora da área de turismo, distante cerca de 30 minutos do centro de Fortaleza, na estrada de acesso as praias do litoral leste (Aquiraz, Cascavel, Aracati...). O centro foi inaugurado no início dos anos 2000, com a finalidade de reunir as Tapioqueiras em um único espaço. A criatividade na culinária, por lá é ilimitada. Além das tapiocas, sempre acompanhadas de café, doces, licores e algum artesanato são encontrados no local, que tem amplo estacionamento. Fica na Avenida Washington Soares 10125, Messejana.



Por Fátima Garcia
fotos Fortaleza em Fotos   

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Lendas Urbanas

 

As assombrações mais famosas de Fortaleza, tinham lugar certo para fazer suas aparições. Jamais alguém fotografou ou entrevistou ou registrou qualquer evento que sirva de prova à existência dessas entidades exóticas, embora os testemunhos orais sejam abundantes. 

  

O Cão da Itaoca 

 

Uma das lendas mais conhecidas é a do Cão que apareceu na Itaoca, no início dos anos 40. Era no Beco da Itaoca que se localizava a fonte de água, a famosa água da Pirocaia, em terras do Dr. Manoel Sátiro. Ali também em 1938, Antônio Ferreira de Almeida instalou o Centro Espírita Joana D'arc, às margens de um riacho, a atual Rua Edith Braga. Mas não foram essas histórias que fizeram a fama do bairro. 

 

Rua do bairro Itaoca

fotos Fortaleza em Fotos 2012


O capeta veio cheio de atitude, se instalou numa casa do Beco da Itaoca, atual rua Romeu Martins, e por lá aprontou o que era e o que não era permitido. A casa pertencia a um servidor da Polícia Militar, considerado um homem respeitável e de boa reputação, muito estimado pelos moradores do Beco. Alguns dos eventos foram presenciados até por um repórter do jornal Gazeta de Notícias, que visitou a casa, e descreveu o que viu: “Observamos verdadeiros aspectos trágicos na casa do digno oficial da Força Pública. Um santuário, sem que ninguém identificasse o autor do fato, foi lançado à distância, espatifando-se. As imagens que estavam no móvel, também se partiram, no choque contra o solo”.


A atuação atraiu a curiosidade de centenas de pessoas que diariamente se postavam em frente à residência, esperando o início do espetáculo, com a devida cobertura da mídia existente à época. Para enfrentarem a presença demoníaca, os moradores tentaram tudo: chamaram a imprensa (alguns jornais e uma emissora de rádio), a polícia e alguns religiosos. Nada intimidou o capeta. 

 




Uma antiga moradora, contou com riqueza de detalhes, a história que gerou o mito do Cão da Itaoca. Dizia ter presenciado coisas estranhas naquela residência, onde tinha acesso por ser amiga da família do major João Lima, que era um homem bom e estimado pelos moradores do beco. Para a moradora, foi real a presença do capeta naquela casa. O cão encerrou sua atuação depois de alguns dias e desapareceu. Mas botou a Itaoca no mapa.


A Mula sem Cabeça do Cercado do Zé Padre



Eis que de uma hora para outra, sem mais nem porque, começou a aparecer uma mula sem cabeça no Cercado do Zé Padre, aquela região no bairro Farias Brito que é Otávio Bonfim, por trás da avenida Bezerra de Menezes, em frente à igreja das Dores. Alguns historiadores contam que foi naquele local que em tempos passados foi instalado um campo de concentração (ou abarracamento) para receber retirantes da seca, aproveitando a proximidade do abarracamento com a antiga Estação do Matadouro. Isso aconteceu por volta dos anos 30.



imagem Pinterest


A mula sem cabeça aparecia tarde da noite, percorria todo o cercado, tocando o terror nos moradores, que não ousavam pôr os pés fora das casas depois que a noite caía. Vinha envolta em um manto preto, sempre em desabalada carreira, soltando fogo pelo pescoço, com um lampião a iluminar seus desventurados caminhos.


Uma noite, um morador mais ousado, resolveu montar vigília noite adentro, disposto a desvendar o enigma da visagem. Não deu. Mal o bicho apareceu, vindo exatamente em sua direção, o homem em pânico total, correu para o abrigo de sua choupana, implorando aos céus por misericórdia, que o livrasse da ação maléfica da burra do padre que corria a solta no Cercado.


Contam que a mula sem cabeça foi uma vingança premeditada pelo Zé, um dos pioneiros do Cercado, que agora via seu pedaço de chão sendo cobiçado e invadido por novos moradores. Dizem ainda, que o Zé, que de padre não tinha nada, tinha uma amante, casada, que ele visitava em altas horas, e a oportuna aparição da mula mantinha os bisbilhoteiros trancados dentro de casa. Além do mais ficavam garantidos o sigilo e a discrição quanto ao seu amor proibido. Apesar de ser considerado um santo, Zé Padre era astucioso e gostava de correr durante a noite, fazendo visagem no cercado que levava seu nome.


 A bailarina do Teatro José de Alencar



Teatro José de Alencar - imagem Arquivo Nacional


É difícil encontrar por aí um teatro histórico que não seja frequentado por almas penadas, alguns costumam ter seus fantasmas fixos.  Eles estão no cinema, na literatura e, claro, no palco. Às vezes são brincalhões, outras, assustadores. Há quem diga que são só lendas e há quem jure que eles existem de fato.


Embora muitos não acreditem, os mistérios existem e são contados frequentemente pelos que trabalham nos espaços cênicos. No Teatro Municipal do Rio de Janeiro, o espírito de uma bailarina, que teria morrido em frente ao prédio, no dia de sua formatura, e do poeta Olavo Bilac, que fez um discurso na inauguração do teatro, em 1909, foram vistos vagando pelas dependências do teatro por muitos funcionários. 

  


Teatro José de Alencar - imagem Pinterest

      

E o Teatro José de Alencar, instituição com 112 anos de existência, não foge à regra: tem em seu elenco um fantasma, uma moça, uma bailarina, que por motivos desconhecidos, resolveu habitar as dependências da histórica casa de espetáculos.


A bailarina é atemporal, já foi vista por várias gerações de funcionários e frequentadores do teatro José de Alencar. Foi descrita pelos que a avistaram como uma mulher jovem, de cabelos longos, vestido azul, que flutua pelos corredores e ronda o palco e o imaginário dos frequentadores. A bailarina é uma figura etérea, quase transparente, que sussurra como se quisesse transmitir alguma mensagem. Já foi vista dançando na madrugada, rodopiando no palco, e desaparecendo instantaneamente, nas brumas que escondem mistérios e segredos guardados no local.