quinta-feira, 22 de julho de 2010

Patrimônio Edificado: O Prédio Sociedade União Cearense

Fachada do prédio da Coelce em diferentes datas


No Final do Século XIX o imponente sobrado já podia ser visto. As janelas se abriam para o Passeio Público (Praça dos Mártires), ajardinada e urbanizada por ordem do presidente da província. O edifício pertenceu primeiro ao Hotel do Norte; depois, à Sociedade União Cearense; mais tarde passou para os Correios; depois para a Ceará Tramway Light and Power, e finalmente, à COELCE – Companhia Energética do Ceará, que é até hoje a proprietária do imóvel.
Apesar de tombado pelo Estado, ruiu parcialmente em decorrência das chuvas de 2000.
Mas o século XXI trouxe boas noticias para o velho edifício: O antigo Hotel do Norte está sendo recuperado com verbas do mecenato. Será em breve a sede do IAB-CE da Orquestra Filarmônica e do Museu da Indústria.
Fica situado na Rua Dr. João Moreira na esquina com a Rua Floriano Peixoto.


Fotos: Rodrigo Alboim

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Lâmpadas Fluorescentes Usadas: para onde vai esse lixo?


Desde o apagão de 2001, quando a população foi obrigada a cumprir cotas de consumo de energia, que as lâmpadas fluorescentes se incorporaram à vida brasileira. A partir daí a venda desse tipo de produto tem se mantido em escala ascendente. Só nos últimos quatro anos, a média de crescimento foi da ordem de 20% ao ano.

O produto tem vantagens evidentes que os fabricantes não se cansam de ressaltar apesar do preço alto: gasto menor de energia, tempo de vida útil maior do que as lâmpadas incandescentes comuns.

O que muita gente não sabe, é que as lâmpadas fluorescentes contêm mercúrio, substância poluente, nociva ao ser humano e ao meio ambiente. E por ser um produto que gera resíduos perigosos, necessita de alguns cuidados tanto na hora do manuseio quanto no descarte.

No manuseio, recomenda-se nunca segurar a lâmpada pelo vidro; em caso de quebra acidental, o local deve ser limpo, os cacos coletados e colocados em caixas de papelão ou protegidos com jornal de modo a não ferir quem os manipula. Mas fica a questão do descarte: o que fazer com essas lâmpadas depois de queimadas?

Fortaleza, na contra mão da realidade dos problemas urbanos, da necessidade de se resolver os problemas criados a partir da geração do lixo, da necessidade premente da reciclagem e da preservação ambiental, não conta com uma coleta diferenciada que contemple esse tipo de produto nocivo ao meio ambiente; aliás, até hoje não existe em Fortaleza, sequer a coleta seletiva do lixo reciclável ou reaproveitável: pilhas, lâmpadas, baterias, papéis, óleo de cozinha, lixo eletrônico, embalagens, plásticos, vidros, vai tudo para o mesmo saco e acabam nos aterros sanitários, junto com o lixo comum.

O que ameniza um pouco o problema é a ação dos recicladores e de alguns segmentos da iniciativa privada que recebem lixo eletrônico. Os fabricantes também são omissos, não dispõem de programas para recolher produtos descartáveis e que muitas vezes, são reaproveitáveis. Apesar da omissão, muitos deles publicam páginas na web para falarem de responsabilidade socioambiental em suas empresas: é o vale tudo para parecerem ambientalmente corretos; na prática não existe nada, nem responsabilidade, nem gestão ambiental, nem preocupação com a poluição ou com o meio ambiente, nem tecnologias limpas. Só discursos vazios.

Utilizei os famosos “fale conosco” de inúmeros fabricantes de lâmpadas fluorescentes, no qual solicitei – via e-mail – informações a respeito do descarte de seus produtos. O único que respondeu, recomendava que eu procurasse a Secretaria de Meio ambiente do Município; os demais ficaram convenientemente calados. A luz no fim do túnel é que, depois de 19 longos anos de discussão, a Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada em março deste ano na Câmara dos Deputados. Pela primeira vez, uma lei distribui a responsabilidade sobre os resíduos entre fabricantes, governo e sociedade.

As empresas serão obrigadas a recolher e dar destino adequado a seus produtos. A lei proíbe  a  eliminação de resíduos onde possa haver contaminação da água ou do solo.  Lei ainda precisa ser sancionada pela Presidência da República. Enquanto a legislação não sai, é recomendável que a população não misture essas lâmpadas com o lixo doméstico, pois é grande o risco de contaminação do meio ambiente, que põe em risco a saúde dos funcionários que manuseiam o lixo e dos catadores e recicladores que sobrevivem nos aterros e lixões.
Mas fica ainda no ar a pergunta que é o Xis da questão: O que a população de Fortaleza está fazendo com esse lixo?


por Fátima Garcia

terça-feira, 20 de julho de 2010

Fortaleza à moda Francesa

Prédio da empresa Boris Fréres & Cie Ltd, em foto de 1910.
(foto - arquivo NIREZ)

A mania começou por volta de 1869, quando por aqui se instalou a casa de comércio de Theodore Boris & Irmão. Este estabelecimento, de propriedade de dois irmãos de nacionalidade francesa, transformou-se depois na firma Boris Frères, com sede em Paris.
Em 1878 um dos sócios – Isaie Boris – veio residir no Ceará, o que deu prestigio, respeito e credibilidade ao estabelecimento. O nome Boris era sinônimo de confiança, garantia de seriedade nos negócios. O espírito popular começou a chamar o oceano de Açude do Boris; qualquer impasse que surgia em determinada situação, o gracejo é que seria resolvido pelo Boris; à Justiça deram a alcunha de mãe do Boris, significando que até os tribunais eram influenciados pelo comerciante.
Isaie Boris tornou-se Vice Cônsul da França e elevou-se mais ainda na consideração e estima da sociedade fortalezense, do comércio e dos poderes públicos. Coordenou e foi presidente da comissão Organizadora quando da participação do Ceará na Exposição Internacional de Chicago em 1892-93, elaborando o catálogo de produtos cearenses que deveriam figurar na exposição. Com o afastamento de Isaie Boris, a firma Boris Frères passou a ser administrada em Fortaleza por Achille Boris, outro grande empreendedor.
A tal ponto chegou a influência e a atuação dos Boris em Fortaleza, que algumas vezes, teve a Fazenda do Estado de recorrer ao seu financiamento para atender as carências monetárias dos cofres públicos.
Por conta dessa crescente ingerência da Casa Boris nos negócios e na vida da cidade, essa influência foi se acentuando, e ficou ainda maior com as viagens à Europa, de preferência à França, de várias personalidades cearenses, algumas acompanhadas das famílias, onde às vezes se demoravam meses e anos, segundo dizem, as expensas da Casa Boris.
Muitos foram os cearenses que estudaram, se graduaram médicos, engenheiros na França, e casaram com damas francesas.

 
Fachada da Loja Torre Eiffel na Rua Major Facundo, n° 88.
(foto - Arquivo NIREZ)

A Casa Boris também abriu caminho para que vários franceses se estabelecessem por aqui, como o professor Louis Vergeot, correspondente-redator de “Le Journal” de Paris e delegado da “Alliance Française”, que se destinava a propagação da língua francesa nas colônias e Norberto Golignac, que mantinha um serviço de carruagens de luxo, para casamentos, passeios e batizados.
Ao lado de outros estabelecimentos que foram abertos na mesma época, tais como os de Gradvohl Frères, Levy Frères, Benoit Levy & Dreifuss, e outros, generalizou-se a moda de dar nomes franceses às empresas cearenses. Assim surgiram estabelecimentos com atuação em ramos diversos, com denominações como Au Phare de La Bastille, Louvre, Bom Marché, Notre Dame de Paris, Rendez-Vous dês Amis, Torre Eifel, Hotel de France, Hôtel de l’Univers, Art-Nouveau, Café Riche, Farmácia Pasteur, Farmácia Francesa – todas vendendo artigos de procedência francesa: modas, tecidos, sapatos, chapéus, perfumes, bijouterias, conservas, vinhos, bebidas, licores e produtos farmacêuticos.


Cartaz de propaganda da Farmácia Pasteur, fundada em 1894.
(foto  - Arquivo NIREZ)

Os colégios ensinavam o idioma francês e as famílias cultivavam hábitos, vestuários e maneiras à moda francesa, que nada tinham em comum com os hábitos e costumes em voga na provinciana Fortaleza. O modismo se estendeu a praticamente todos os setores e a mania do afrancesamento dominou Fortaleza durante longo período.


quinta-feira, 15 de julho de 2010

O Liceu do Ceará

Liceu do Ceará (foto reprodução)

O Liceu foi criado pela Lei n° 304 de 15 de julho de 1844 e instalado no dia 19 de outubro de 1845, na sala do sobrado de Odorico Segismundo de Arnaut, alugado pela quantia de 350 mil Réis anuais, conforme autorização da Presidência ao diretor, Dr. Thomas Pompeu de Sousa Brasil.
Funcionou em diversos imóveis, até o dia 15 de março de 1894, quando passou para o edifício à Praça dos Voluntários, no Centro, construído especialmente para o funcionamento do Liceu. As aulas foram iniciadas em 15 de março, de conformidade com o regulamento do mesmo ano, que reorganizou o ensino público secundário. O curso era equivalente ao do ginasial e compreendia as seguintes disciplinas:
O curso tinha duração de sete anos e ao candidato que obtivesse pelo menos as aprovações plenas, era conferido o titulo de Bacharel em Letras e Ciências.
Na época em que o Liceu do Ceará foi criado, estudar era um privilégio da elite, só estudava quem tinha recursos, não apenas porque os colégios eram poucos, mas também pelos custos que representavam a manutenção de um estudante.
Retrato de uma época em que o ensino público era sinônimo de qualidade, o Liceu completa 165 anos em 2010.

Fonte: BEZERRA DE MENEZES, Antonio. Descrição da Cidade de Fortaleza. Introdução e Notas de Raimundo Girão. Fortaleza: Edições UFC/Prefeitura Municipal de Fortaleza, 1992.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A Fortaleza que não existe mais: A Usina Elétrica SERVILUZ

A Usina Elétrica do SERVILUZ funcionava no bairro do Mucuripe
(foto: IBGE)


Em 1960, o serviço público de energia elétrica em Fortaleza era operacionalizado - de forma precária - pela SERVILUZ - Serviço de Luz e Força de Fortaleza, a partir de energia gerada por usinas termelétricas.

A SERVILUZ era uma autarquia pertencente ao município de Fortaleza, resultante da encampação da antiga Ceará Tramways, Light & Power.
Em 1962 o controle acionário da SERVILUZ passou da prefeitura de Fortaleza para a ELETROBRÁS, quando então a empresa transformou-se na CONEFOR - Companhia Nordeste de Eletrificação de Fortaleza