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sábado, 25 de outubro de 2025

Liceu do Ceará – 180 anos

 

A palavra “liceu” tem suas origens na Grécia Antiga, e designava um local de ensino fundado por Aristóteles. O termo é a versão latina e depois francesa do nome grego e hoje designa instituições de ensino, especialmente o ensino médio.  

Liceu do Ceará 2011 - Praça Gustavo Barroso


O Liceu do Ceará foi criado pela Lei n° 304, de 15 de julho de 1845 e instalado oficialmente no dia 19 de julho daquele ano. Foi a primeira escola do Ceará a oferecer o curso secundário. Havia em Fortaleza muitas escolas primárias, públicas e privadas todas dedicadas ao ensino das primeiras letras; alguma ofereciam no máximo, o primário completo. Na época em que foi criado, estudar além do curso primário era um privilégio da elite, só continuava estudando quem tinha recursos, para sair da Província e ir para outra capital ou até outro País. 

Criado por iniciativa do Dr. Thomas Pompeu de Souza Brasil, teve sua aula inaugural no dia 19 de outubro de 1845, na sala do sobrado de Odorico Segismundo de Arnaut, localizado no Passeio Público, esquina das ruas Major Facundo e Dr. João Moreira, alugado pela quantia de 350 mil Réis anuais, conforme autorização da Presidência da Província ao diretor, Dr. Thomas Pompeu de Sousa Brasil.

Os candidatos a alunos do Liceu passavam por rigoroso teste de admissão, e uma vez aprovados, era imposto o currículo sugerido pelo então Instituição de Ensino Secundário do Império, mais tarde, Ginásio Nacional. A referência era o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. As disciplinas eram: Aritmética, Álgebra, Geometria, Trigonometria, Mecânica, Astronomia, Física, Química, Meteorologia, Mineralogia, Geologia, Zoologia, Botânica, Biologia, Geografia, História Universal, Sociologia e Moral, as letras e artes, línguas portuguesa, francesa, inglesa, alemã, latim, grega, literatura nacional, desenho, música, ginástica, evoluções militares e esgrima.

O curso tinha duração de 7 anos, e ao candidato que obtivesse pelo menos as aprovações plenas, era conferido o título de Bacharel em Letras e Ciências.

  

Sede do Liceu do Ceará na Praça dos Voluntários 
  

O colégio funcionou em diversos imóveis, até o dia 15 de março de 1894, quando passou para o edifício à Praça dos Voluntários, no Centro, construído especialmente para o funcionamento do Liceu. As aulas foram iniciadas em 15 de março, de conformidade com o regulamento do ensino público secundário.

Fachada original da sede da Praça Gustavo Barroso

Em 1934, na gestão do interventor Carneiro de Mendonça, começou a ser construída a sua nova sede, na então Praça Fernandes Vieira, no bairro Jacarecanga, com projeto elaborado pela Diretoria de Obras Públicas do Estado, sendo concluída no governo de Francisco de Menezes Pimentel. A inauguração ocorreu no dia 15 de novembro de 1935, tendo na sua diretoria o professor Otávio Terceiro de Farias. No governo de Paulo Sarasate o edifício foi reformado, ampliado e reinaugurado no dia 25 de março de 1957, quando era diretor o professor Odilon Braveza

colocação da estátua de Gustavo Barroso

O restante da praça recebeu ajardinamento, e no seu centro foi colocada a estátua do escritor Gustavo Barroso e tomou este nome.

No governo de Parsifal Barroso o Colégio Estadual do Ceará passou a ser chamado de Colégio Estadual Liceu do Ceará. Atualmente o Liceu é uma Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI). Funciona em horário estendido, das 7h às 17h50, com mais de 400 alunos. Fica na Praça Gustavo Barro, bairro Jacarecanga.

O Liceu do Ceará é o quarto mais antigo estabelecimento de ensino do País em atividade contínua. Os três que lhe antecederam foram: o Ginásio Pernambucano, em Recife, PE (1825); o Colégio Atheneu Norte-rio-grandense, em Natal, RN (1834); e o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, RJ (1837).   

 

Fontes:

Descrição da Cidade de Fortaleza, de Antônio Bezerra de Menezes. Introdução e notas de Raimundo Girão/Fortaleza, UFC-1992

O Liceu e o Bonde, de Blanchard Girão. Fortaleza, Editora ABC, 1997

Wikipédia

Secult

Fotos: Arquivo Nirez e Fortaleza em Fotos

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Colégios de Fortaleza no Século XIX

Na Fortaleza do século XIX estudar além do curso primário era privilégio quase que exclusivo das elites.  Os colégios existentes à época, eram quase todos particulares e mesmo as poucas escolas públicas existentes - como o Liceu e a Escola Normal - eram inacessíveis aos mais pobres, dado o custo do material e da manutenção de um aluno em sala de aula. 

 escola pública de Fortaleza em foto de 1912

Havia 20 escolas públicas, sendo 4 para meninos, 7 para meninas e 11 mistas, todas dedicadas ao ensino das primeiras letras. A exceção eram  duas escolas públicas, dois pequenos prédios, atraentes pela forma elegante de suas construções e asseio, construídos, um no bairro do Outeiro da Prainha, na administração do governador Coronel Luís Antônio Ferraz, em 1890, e o outro no Boulevard Visconde do Rio Branco, na administração do Presidente Dr. José Freire Bezerril Fontenele, em 1893. As duas ministravam o curso primário. 
 
 O Bonde do Jacarecanga, repleto de alunos com a farda do Liceu do Ceará

Os filhos das famílias ricas eram educados nos melhores externatos da cidade, nos internatos religiosos da capital do país e muitas vezes, em instituições no exterior, como França, Inglaterra, Suíça, Alemanha e Bélgica. Algumas famílias optavam por matricular os filhos aqui mesmo, onde os pais podiam fazer um acompanhamento de perto; e a oferta de estabelecimentos de ensino era bem razoável.
 

 prédio do Liceu na Praça dos Voluntários

Berço da instrução pública de Fortaleza, o Liceu do Ceará iniciou a sistematização do ensino neste Estado a partir de 1845. Foi instalado no casarão na Praça dos Voluntários, onde hoje se encontra a Secretaria de Polícia e Segurança Pública. O Liceu  instituiu um curso equivalente ao do Ginásio Nacional, com duração de 7 anos, compreendendo as seguintes disciplinas: álgebra, geometria, trigonometria, mecânica, astronomia, física, química, meteorologia, mineralogia, geologia, zoologia, botânica, biologia, geografia, história universal, sociologia e moral, letras e artes,  e línguas: portuguesa, francesa, alemã, latina e grega; literatura nacional, desenho, música, ginástica, evoluções militares e esgrima. Ao aluno que obtivesse pelo menos as aprovações plenas, era conferido o título de Bacharel em Letras e Ciências. 

Ainda no século XIX, destacava-se o Ateneu Cearense, fundado em 1863 por João de Araújo Costa Mendes. Auxiliado pro seu irmão Manuel Teófilo Costa Mendes, transformou esse educandário particular num dos melhores da capital. 


 Seminário da Prainha, em 1905, na antiga Rua do Seminário, atual Avenida Monsenhor Tabosa

O Seminário Episcopal instalou-se em 1864, no Outeiro da Prainha, abrigando por gerações o cenáculo da cultura cearense. Lá o ensino era dividido em dois cursos, o Teológico e o Preparatório. No Curso Teológico os alunos eram submetidos às seguintes disciplinas: teologia oral, teologia dogmática, direito canônico, história eclesiástica, liturgia, cantochão, eloquência sagrada e escritura sagrada. No Curso Prepatório, estudava-se filosofia, física, retórica, matemática, história geral e do Brasil, geografia, francês, latim, gramática portuguesa, catecismo, história sagrada, civilidade e música vocal.


  Colégio da Imaculada Conceição, com um pavimento em 1905. Ao lado, a Igreja do Pequeno Grande

Dirigido pelas freiras francesas da Ordem das Filhas de Caridade de São Vicente de Paula, chegadas em Fortaleza em 1865, o Colégio da Imaculada Conceição funcionou a partir de 1867, num prédio construído para abrigar um hospital. Ocupava a área equivalente a um quarteirão quadrado, na parte setentrional da Praça Filgueiras de Melo. 

Ao longo do tempo, o Colégio Imaculada Conceição conquistou posição de destaque na educação das moças pertencentes a elite da cidade, que aprendiam as seguintes matérias: instrução religiosa, primeiras letras, gramática portuguesa, gramática francesa, aritmética, geografia, história sagrada, história do Brasil, civilidade. Além disso, aprendiam sobre costura, bordados, tecidos, flores, desenho, piano e música vocal. O colégio era dirigido por 19 irmãs de caridade, todas francesas. 

No início do século XX, nas dependências do Colégio da imaculada Conceição foi criado o externato São Rafael para meninos, onde estudou o futuro presidente Humberto de Alencar Castelo Branco.

Em 1876, o cônego Ananias Correia Amaral fundou o Colégio São José. Suas irmãs Júlia e Judith Correia do Amaral, auxiliadas pela prima Elvira Correia Pinho, dirigiram a partir de 1881, o Colégio Santa Rosa de Lima.

Em 1870 o professor Pedro da Silva Sena fundou o Panteon Cearense; o padre Bruno Rodrigues da Silva Figueiredo iniciou em 1879, o Instituto Cearense de Humanidades. 

 Escola Normal Pedro II em 1902. O prédio situado na Praça José de Alencar, com algumas modificações, atualmente abriga  o IPHAN.

A Escola Normal Pedro II, inaugurada em 1884 na Praça Marquês de Herval destinava-se a formação de professores para as  escolas do Estado.  O surgimento da Escola Normal provocou uma grande polêmica na sociedade, por causa da proposta de formar professoras profissionais, numa época em que as mulheres eram destinadas ao casamento e a criação de filhos. 

Lá os alunos (a escola aceitava alunos de ambos os sexos) cumpriam o seguinte programa escolar: um curso preparatório de 1 ano; e um curso normal de 3 anos. No preparatório, ensinava-se português, francês, aritmética,  sistema métrico, caligrafia, desenho linear, música vocal e prendas domésticas. No Curso Normal ensinava-se pedagogia, português, francês, aritmética, álgebra elementar, geometria, geografia geral e corografia do Brasil, ciências físicas e naturais, caligrafia e desenho, música vocal e prendas domésticas. 

Aos alunos que concluíam o curso, era expedido o diploma de habilitação para o magistério.
Durante o mandato da Irmã Clemence Therese Gagné de Dion, falecida em 1917, o Colégio da Imaculada Conceição foi equiparado à Escola Normal do Ceará, passando também a formar professoras. 

 prédio da Escola Militar do Ceará, atual Colégio Militar, na Avenida Santos Dumont

A Escola Militar do Ceará fundada em maio de 1889, instalou-se, no início nas dependências do Quartel da Força de Linha, junto à Fortaleza de N. S. de Assunção. Seu ensino correspondia ao de seus congêneres do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Posteriormente a escola Militar se estabeleceria no atual prédio que, construído pelo Barão de Ibiapaba, sediou por algum tempo, o Asilo de Mendicidade.

Outros colégios antigos podem ser citados como o Colégio Parthenon Cearense, fundado em 1892 por Lino de Souza da Encarnação, na esquina das Ruas 24 de maio e Guilherme Rocha.

A Escola Cristã do Padre Liberato criada em 1882 educou muitas personalidades do cenário social da cidade; outro colégio, o Ginásio Cearense de Anacleto de Queiroz Lima, fundado em 1887, comumente chamado de Colégio Anacleto, possuía alto conceito na época, firmando-se como principal estabelecimento particular de ensino do Estado.

O Externato Santa Clotilde da professora Francisca Clotilde Barbosa Lima, poeta e romancista, foi inaugurado em 1891. O Instituto de Humanidades do Cônego Salazar da Cunha e Antônio Augusto de Vasconcelos, iniciou suas atividades em 1892, na Rua Sena Madureira, em frente a antiga Igreja Presbiteriana, local hoje ocupado pelo Edifício Clóvis Rolim. 

 Colégio N. S. de Lourdes, de propriedade de Ana Bilhar, na Avenida Santos Dumont

Ana  Bilhar estabeleceu em 1896 o Colégio Nossa Senhora de Lourdes. O Colégio N.S. das Vitórias foi propriedade de Maria Mendes  e Emma Adélia Ruedin Gonthier, a notável Madame Gonthier, que fundaria em 1916 o afamado Colégio La Ruche.

De grande conceito também o Colégio Castelo Branco, iniciado em 1900, por Odorico Castelo Branco. Com a primeira denominação de Instituto Miguel Borges, instalou-se na Praça Coração de Jesus e posteriormente, na Avenida Dom Manuel. Mais tarde passou a ser chamado Colégio Castelo Branco a partir de 1921, com o falecimento de seu fundador.

 Colégio Castelo Branco, na Avenida Dom Manuel

Muitos desses estabelecimentos de ensino tiveram vida longa e formaram diversas gerações de profissionais que se destacaram no cenário cearense em inúmeras atividades. Outros, perduram até hoje, como o Liceu, a Escola Normal, o Imaculada Conceição, o Seminário da Prainha e a Escola Militar, hoje Colégio Militar de Fortaleza.. 

pesquisa:
Descrição da Cidade de Fortaleza, de Antônio Bezerra de Menezes, introdução e notas de Raimundo Girão
Ideal Clube, história de uma sociedade, de Vanius Meton Gadelha Vieira 
fotos do arquivo Nirez

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O Liceu do Ceará

Liceu do Ceará (foto reprodução)

O Liceu foi criado pela Lei n° 304 de 15 de julho de 1844 e instalado no dia 19 de outubro de 1845, na sala do sobrado de Odorico Segismundo de Arnaut, alugado pela quantia de 350 mil Réis anuais, conforme autorização da Presidência ao diretor, Dr. Thomas Pompeu de Sousa Brasil.
Funcionou em diversos imóveis, até o dia 15 de março de 1894, quando passou para o edifício à Praça dos Voluntários, no Centro, construído especialmente para o funcionamento do Liceu. As aulas foram iniciadas em 15 de março, de conformidade com o regulamento do mesmo ano, que reorganizou o ensino público secundário. O curso era equivalente ao do ginasial e compreendia as seguintes disciplinas:
O curso tinha duração de sete anos e ao candidato que obtivesse pelo menos as aprovações plenas, era conferido o titulo de Bacharel em Letras e Ciências.
Na época em que o Liceu do Ceará foi criado, estudar era um privilégio da elite, só estudava quem tinha recursos, não apenas porque os colégios eram poucos, mas também pelos custos que representavam a manutenção de um estudante.
Retrato de uma época em que o ensino público era sinônimo de qualidade, o Liceu completa 165 anos em 2010.

Fonte: BEZERRA DE MENEZES, Antonio. Descrição da Cidade de Fortaleza. Introdução e Notas de Raimundo Girão. Fortaleza: Edições UFC/Prefeitura Municipal de Fortaleza, 1992.