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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Processo de Implantação do Parque Industrial do Ceará

Siqueira Gurgel/Usina Ceará, frente voltada para a Avenida Bezerra de Menezes

As indústrias instaladas no Ceará, no período que vai do final do século XIX até a década de 50 e que compreende a primeira fase de implantação industrial estiveram voltadas, principalmente para o aproveitamento da produção agrícola regional. A indústria têxtil foi a primeira a se instalar em Fortaleza, como nos demais centros urbanos nordestinos, para onde convergia a produção algodoeira. Aliás, esta é a primeira indústria a se desenvolver nos chamados países subdesenvolvidos, não só pela presença de mercado, mas também por ser tecnicamente mais simples. 
No caso específico de Fortaleza, a presença da matéria-prima favoreceu sua instalação, tendo em vista o desenvolvimento da cultura do algodão, principal produto agrícola do Estado. 



Ligada à têxtil, desenvolveu-se a indústria de óleos vegetais, aproveitando o caroço de algodão. Também visando a produção de óleo, foram industrializados a mamona, a oiticica, e o babaçu, destacando-se a capital cearense como um dos principais centros produtores de óleos vegetais no Nordeste. 

 Fábrica Progresso, na Avenida do Imperador

O marco inicial do processo de implantação industrial no Ceará foi a fundação em Fortaleza, em fins do século XIX, da Fábrica Progresso. Esta posição se justifica pelo fato de que antes da instalação da Fábrica Progresso, a única atividade equipada com máquinas foi a tipográfica. Ainda em fins da década de 1920, surgiu em Fortaleza um novo empreendimento industrial de significativa importância, visando o aproveitamento do óleo de oiticica. A iniciativa partiu de comerciantes locais que instalaram uma pequena usina de prensagem para obtenção  do óleo , acreditando nas possibilidades do emprego da oiticica como matéria-prima para a indústria de óleos secativos. Entretanto, devido a problemas técnicos e financeiros, a indústria só veio a funcionar regularmente em 1934, quando foi encampada por capitais estrangeiros.  

Fábrica de Tecidos São José, no Jacarecanga, na Avenida Philomeno Gomes esquina com a Rua Tenente Lisboa.

As indústrias de maior vulto que surgiram em Fortaleza no período que vai da instalação da Fábrica Progresso até 1930, estavam voltadas para um maior aproveitamento do algodão, como a Siqueira Gurgel, fundada em 1925, e a Philomeno Gomes, instalada em 1926.
Nos anos 40, o maior número de fábricas instaladas em Fortaleza foram nos ramos de beneficiamento da cera de carnaúba, produção de óleos vegetais e sabão, além de indústrias têxteis de beneficiamento do algodão e de fiação e tecelagem.  

embalagens de produtos fabricados pela Siqueira Gurgel e Usina Ceará, no bairro Farias Brito

Data do começo da década a fundação da Fábrica de Tecidos Santa Cecilia do Cotonifício Leite Barbosa. Já na segunda metade da década de cinquenta, proliferou a instalação de pequenas unidades fabris, sobretudo do gênero alimentar, como as panificadoras, entre outras, para atender a população crescente da capital cearense.
Entretanto, muitas destas pequenas unidades de bens de consumo de primeira necessidade, foram instaladas em condições precárias e a rigor nem poderia ser consideradas como indústrias. 

Padaria Ideal, inaugurado no dia 1° de abril de 1925, na Rua Barão do Rio Branco. 

A implantação industrial nessa fase, processou-se espontaneamente e foi realizada por grupos locais que conseguem mobilizar os recursos financeiros disponíveis na região, adquiridos, sobretudo, através das atividades agrícolas e comerciais. A propriedade industrial manteve-se até a década de 50 nas mãos de grupos familiares.
Não só surgiram indústrias de beneficiamento de produtos agrícolas para exportação, como também aquelas voltadas para o atendimento do mercado criado pela própria economia exportadora. 

Fábrica da Brasil Oiticica, na Avenida Francisco Sá (foto IBGE)

O comportamento da indústria e dos serviços numa economia voltada para a exportação de produtos primários, é uma função direta da situação desse setor, ou seja, o mercado criado pela produção dos bens exportados. Daí terem sido criadas, em centros como Fortaleza, indústrias tradicionais, mais precisamente têxteis, que produziam tecidos grosseiros para atender um mercado regional de baixo poder aquisitivo. Em outras palavras, a estrutura econômica vigente no Nordeste, contribuindo para a manutenção de baixos salários condicionou a implantação de indústrias tradicionais de baixa produtividade, produtoras de bens de consumo simples e de baixo preço.


Extraído do artigo Aspectos Históricos da Industrialização no Ceará, 
de Zenilde Baima Amora
Publicado no livro História do Ceará, coordenadora Simone Souza
fotos NIREZ
 

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Bairros de Fortaleza: Otávio Bonfim (Farias Brito)


As torres da Igreja de Nossa Senhora das Dores dominam a cena e são vistas de todos os pontos. O templo é a principal referência do bairro.   

O nome oficial é Farias Brito, mas a população e os moradores  conhecem desde sempre, por Otávio Bonfim. Situado na região Oeste de Fortaleza, limita-se ao Norte com a Rua Antonio Drumond, Avenida Duque de Caxias e Rua Antonio Pompeu; a Leste, com as avenidas Padre Ibiapina e Imperador; Ao Sul, com a Rua Luis de Miranda e Avenida Jovita Feitosa e a Oeste, com a Rua Padre Frota e Rua Professor Castelo (limites definidos pelo IBGE-censo de 2010).


Em primeiro plano, o forno Crematório da Municipalidade, no local onde funcionava a SUMOV e hoje está a SER-I.  Ao fundo, o Matadouro Público, que ficava vizinho à estação da RVC - Foto de 1910 (arquivo Nirez)

O bairro surgiu de uma povoação que ladeava uma antiga estrada carroçável que rumava para Soure (Caucaia).  Em 1922, a Rede de Viação Cearense instalou no local a estação que foi chamada de Quilômetro 3, que logo em seguida foi alterado para Estação do Matadouro, por estar junto a uma abatedouro de gado. Mais tarde o nome da estação do Matadouro foi alterado para Otávio Bonfim, homenageando um engenheiro da RVC.


Estação do Matadouro, prédio original, demolido em 1979. 
imagem: http://gurgel-carlos.blogspot.com


O local da antiga estação ferroviária passa por grandes reformas. Do antigo local só o nome restou.  
 
Até o início do século XX, existia no bairro  a Capela de São Sebastião, erguida na Praça São Sebastião,  (onde hoje funciona o mercado com o mesmo nome),  depois  soerguida na Rua Justiniano de Serpa.  No local da capela, na antiga Estrada do Gado (atual Rua Dr. Justiniano de Serpa), os frades Franciscanos oriundos da Alemanha, construíram a Igreja de Nossa Senhora das Dores.


Paróquia das Dores no final da construção, década de 1930. (foto da Revista Verdes Mares)



A Paróquia de Nossa Senhora das Dores tem um longa tradição na realização de concorridas  procissões. Na foto, Procissão em homenagem a São Francisco na década de 1970 (acervo particular)

...e em louvor a Santo Antônio, em 2010.

Inaugurada em 1932, tanto a Igreja de Nossa Senhora das Dores,  quanto o Convento de São Francisco, anexo ao templo, foram construídos - além das doações de fiéis - com o auxilio do bispo Dom Manuel da Silva Gomes que fez a doação do terreno, correspondente a uma quadra entre as Ruas Justiniano de Serpa, Dom Jerônimo;   e do bispo Dom Antônio  Xisto Albano, que doou trinta contos de réis  para a igreja católica. Esses recursos foram repassados pelo Arcebispo de Fortaleza, para a obra dos franciscanos em Otávio Bonfim. 

Fachada do antigo Cine Familiar (arquivo Nirez)
 
O prédio que um dia abrigou o Cinema, acolhe hoje as atividades pastorais da Paróquia. 


O Cine Familiar foi fundado em 1935, por Frei Leopoldo Vonnegut , para fazer concorrência ao Cine Odeon, que exibia fitas que atentavam contra a moral e os bons costumes, indo de encontro a recomendação do Jornal O Nordeste, quanto ao conteúdo dos filmes. Funcionou até a década de 60 como opção de lazer para os moradores das adjacências. 



Por essa época, a praça fronteiriça era um imenso areal, cuja travessia incomodava muita gente. Chamava-se Praça dos Libertadores. Ganhou a denominação que hoje ostenta, de Praça de Otávio Bonfim, ao ser inaugurada no final do mês de maio do ano de 1941, na gestão do Prefeito Alencar Araripe, quando foi transformada a área, com a plantação de canteiros, construção de passeio e iluminada com lâmpadas elétricas.




O Salão Paroquial, denominado Casa de Santo Antônio, no lado leste do convento,  foi inaugurado em 13 de junho de 1959, guardando  os mesmos padrões arquitetônicos do Cine Familiar. Os recursos  para a obra vieram de doações, de listas, dos cofres da igreja, e de uma grande rifa. A festa de inauguração contou com a presença de D. Expedito Eduardo de Oliveira, que presidiu a solenidade em nome do Arcebispo.  Hoje, funciona como centro de reuniões dos vários movimentos da paróquia e como coadjutor dos trabalhos de assistência social a cargo da freguesia. 

foto da Usina: arquivo Nirez

A Usina Ceará, que depois passou a ser Siqueira Gurgel, se instalou no bairro em 1919, em solenidade que contou com a presença do presidente do Estado João Thomé de Saboia e Silva. Era fabricante de produtos que marcaram história no Ceará: Sabonete Sigel, o óleo Pajeú, a gordura de coco Cariri e o famoso sabão Pavão.  Hoje funciona um supermercado no local. 

O nome da escola Municipal é uma homenagem a Frei Lauro, um frade alemão que prestou relevantes serviços à comunidade de Otávio Bonfim nas décadas de 1960/1970.

Neste trecho da Avenida Bezerra de Menezes, onde funcionam um restaurante e um supermercado, existia na década de 1960, dois jardins, o Jardim Japonês, de Jusako Fujita, e ao lado, o Jardim São José.  

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Fortaleza Antiga

Inauguração da Escola Jesus Maria José, na antiga Rua do Colégio,  ano 1905
A Escola Jesus Maria José, da Arquidiocese de Fortaleza,  foi inaugurada no dia 22 de janeiro de 1905, sob os auspícios de Dom Joaquim José Vieira, para acolher meninos órfãos, dirigida por Irmãs de Caridade. 
A construção foi iniciada em 14 de setembro de 1902. A escola ficava localizada na Rua Coronel Ferraz (antiga Rua do Colégio),  ao lado da Igreja do Pequeno Grande, compreendendo todo o quarteirão da Rua Visconde de Sabóia até a Rua do Pocinho. 
Depois funcionou no prédio o Serviço de Profilaxia, o Cine Paroquial, a Rádio Assunção Cearense, as Organizações o Gabriel, a Marcosa e hoje é a Escola Nossa Senhora Aparecida.

Igreja de Nossa Senhora do Carmo na então Praça do Livramento - 1906

A igreja do Carmo foi inaugurada no dia 25 de março de 1906, com missa oficiada pelo bispo diocesano Dom Joaquim (o mesmo da escola jesus Maria José), na Praça do Livramento, depois Gonçalves Ledo e hoje Praça do Carmo. Seu primeiro capelão foi o Monsenhor José Gurgel do Amaral Barbosa.

Fábrica de Cortumes, hoje Escola de Aprendizes Marinheiros - 1908
A Escola de Aprendizes marinheiros mudou-se no dia 1° de outubro de 1908, para o prédio no Jacarecanga, ocupado anteriormente pela Fábrica de Cortumes, na Avenida Coronel Philomeno Gomes, n° 30.
Usina do Passeio Público da Ceará Tramway Light & Co - 1911

No dia 08 de maio de 1911 é criada a Usina de Luz e Força do Passeio Público, da Firma The Ceará Tramway Light & Co, para abastecer os bondes, que eram de tração animal e passariam a ter tração elétrica.

Capela Nossa Senhora dos Navegantes, no Jacarecanga - 1913

A capela foi construída por Alfredo Salgado, com benção e inauguração no dia 06 de abril de 1913, com missa rezada pelo Bispo Dom Xisto Albano. 

Grupo Escolar Visconde do Rio Branco - 1919
no dia 07 de abril de 1919 foi instalado o Grupo Escolar Modelo, institu[ido por ato de 27 de março do mesmo ano. O prédio localizado na esquina da Visconde do Rio Branco com a Rua Padre valdevino, foi obra do arquiteto carioca Armando Oliveira.

Usina Gurgel na Avenida José Bastos - 1919
A Usina Gurgel foi fundada em 12 de outubro de 1919, de Teófilo Gurgel Valente. A solenidade de inauguração contou com a presença do presidente do estado, João Thomé de Saboia e Silva. 
Seria depois  Usina Ceará ou Siqueira Gurgel 

fonte:
Cronologia Ilustrada de Fortaleza, de Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez)
fotos: Arquivo Nirez