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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A Cidade Moderna



O Palacete Ceará é uma das obras mais representativas das primeiras décadas do século passado (1920), período em que ocorre grande transformação na aparência arquitetônica da cidade. Foi autor do projeto o arquiteto João Sabóia Barbosa. A edificação era de propriedade do Sr. José Gentil Alves de Carvalho, tendo sido construída por Rodolpho F. da Silva e Filho. (foto de Tarcísio Garcia)

As edificações remanescentes das décadas iniciais da história de Fortaleza – a maior parte delas localizadas no centro – se caracterizam por misturar elementos de vários estilos arquitetônicos como o neoclássico e o neogótico. Mas os traços retos da arquitetura moderna, começam a integrar a paisagem  da cidade a partir dos anos 1960. O fim dos anos 50, início dos anos 60 marcam a chegada dos primeiros arquitetos com formação moderna, que iriam projetar os primeiros edifícios modernos da cidade. 
Liberal de Castro foi o autor do projeto do Palácio do Progresso e do Colégio Cearense; Neudson Braga criou o prédio do antigo Centro dos Exportadores, caracterizado pelo painel em pastilhas do artista plástico Zenon Barreto;  Ivan Barreto assina o Clube de Regatas da Barra do Ceará e a Residência Universitária da UFC, no Benfica. 

 foto Jornal O Povo
   prédio construído pelo arquiteto Neudson Braga, para o antigo Centro dos Exportadores, mais tarde ocupado pelo Bancesa. Tem como caracteristica, o painel em pastilhas, trabalho do artista plástico Zenon Barreto.  

O espaço urbano de Fortaleza passa a ter um novo modelo de referência. Além de trazer o traço de influência corbusiana para a cidade, o grupo de pioneiros permite a consolidação de uma arquitetura fortalezense ao fundar o Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), que passa a funcionar a partir de 1965. 

  O edifício onde funcionou o Colégio Cearense foi um projeto de Liberal de Castro (foto do Arquivo Nirez)

Ivan Brito projetou o prédio do Clube de Regatas da Barra do Ceará (arquivo particular)

A “cultura do novo”, além de erguer novas edificações, representa uma ameaça ao patrimônio mais antigo. Ao mesmo tempo em que chega a arquitetura moderna, se intensifica a destruição do que já havia, porque o novo é o que é desejado. Um fato entrou para a memória da cidade, simbolizando esta destruição. No início da década de 1970, o Palácio do Plácido, mandado construir pelo comerciante Plácido de Carvalho como réplica de um castelo italiano, na Avenida Santos Dumont – onde hoje é a Praça Luiza Távora – foi demolido para a construção de um supermercado que nunca chegou a ser construído. Conhecido como “castelinho”, apesar de não ter relevância arquitetônica, por ser uma réplica, o edifício fazia parte da paisagem afetiva da cidade. Houve uma grita geral. Esse fato talvez tenha gerado o primeiro debate amplo acerca da importância da preservação do patrimônio.

A demolição do palácio do Plácido deu início ao debate acerca da destruição do patrimônio arquitetônico de Fortaleza (foto do Arquivo Nirez)

Os anos 70 além de trazerem a intensificação da destruição do patrimônio edificado, principalmente nas áreas de atuação da especulação imobiliária, marcam a verticalização da cidade, primordialmente na área leste.
O centro se esvazia cada vez mais, principalmente com a saída do poder financeiro e do poder político – o Palácio do Governo e depois a Assembleia Legislativa. Enquanto isso, na Aldeota, surge o Center Um, um marco simbólico deste processo. 


A saída do Centro de instâncias do poder, como o Governo do Estado e a Assembleia Legislativa, contribuiu para o esvaziamento da área. Hoje o Palácio da Luz, antiga sede do poder Estadual, é ocupado pela Academia Cearense de Letras, enquanto o Palacete Senador Alencar, que abrigava a Assembleia Legislativa, hoje é a sede do Museu do Ceará (fotos acervo do blog) 

Seguindo a tendência nacional das políticas de financiamento à habitação, surgem os conjuntos habitacionais – hoje transformados em bairros – como o Conjunto Ceará e José Walter, entre tantos outros surgidos entre os anos 70 e 80. Não havia preocupação com o meio ambiente nem com a individualidade das pessoas. Era uma nova tentativa de isolar os indesejáveis, nas áreas periféricas, em espécies de cidades-dormitórios. Afastados do centro e forçando a expansão da infraestrutura urbana, como os serviços de água e luz, os conjuntos habitacionais também criam possibilidades de ocupação dos vazios urbanos entre eles os núcleos já habitados, espalhando ainda mais a cidade no mapa, e favorecendo, em muitos casos, a interesses de donos de terrenos que eram valorizados. A cidade começa a tomar jeitos de metrópole. 


 fonte:
Revista Fortaleza -A Formação urbana - fascículo 10 de 11 de junho de 2006

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Zenon Barreto

Zenon da Cunha Mendes Barreto nasceu em Sobral – CE, em 31 de dezembro de 1918.
Iniciou-se na pintura de forma autodidata, em 1949. 
Participou com outros  40 artistas, da criação do mural da Fundação Álvares Penteado, em São Paulo. Depois dessa participação,  ingressou na Sociedade Cearense de Artes Plásticas. Participou e recebeu prêmios em diversos eventos; Salão de Abril, Salão de Arte Moderna, Bienal Internacional de São Paulo, Panorama de Arte Atual Brasileira e Salão de Artes Plásticas do Rio Grande do Sul. 
Painel Estivadores - Fachada do antigo Bancesa, localizado na Rua José Avelino esquina com a Avenida Alberto Nepomuceno, centro de Fortaleza
Entre 1950 e 1970, Zenon Barreto ministrou cursos de desenho para professores do ensino médio e para alunos do Conservatório de Música Alberto Nepomuceno, em Fortaleza;
 atuou como cenógrafo e figurinista nas peças O Demônio e a Rosa e O Auto da Compadecida, encenadas no Teatro José de Alencar na década de 1950;  
coordenou a restauração da Casa de José de Alencar; 
Painel de Pastilhas localizado no Museu de Arte da UFC, na Avenida da Universidade, 2854, Benfica
publicou os álbuns Dez Figuras do Nordeste, um documentário com xilogravuras de arquétipos humanos do Nordeste com poemas de cordel de autores cearenses e prefácio de Câmara Cascudo;  e
Ritos, Danças e Folguedos do Nordeste, também documentário com xilogravura, com prefácio de Patativa do Assaré. 
Painel de Pastilhas localizado nos pilotis do prédio da Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Ceará, na Rua Assunção, 1.100.
As obras de Zenon Barreto estão espalhadas em vários locais como o Museu Nacional de Belas Artes, Palácio da Abolição, Paço Municipal de Fortaleza, Museu de Arte da UFC, Universidade de Fortaleza, Centro Cultural Banco do Nordeste,  Embaixada do Brasil em Londres e algumas em vias públicas.
Iracema Guardiã - a obra de Zenon Barreto não traz qualquer referência ou identificação sobre a autoria. 
 Possui diversas esculturas em Fortaleza, sendo a mais conhecida a Iracema Guardiã, localizada na Praia de Iracema. Zenon Barreto é considerado uma das maiores expressões das artes plásticas do Ceará, tendo se dedicado a pintura, desenho, escultura, cenografia, ilustração e xilogravura. 
 O artista faleceu em Fortaleza, em 18 de janeiro de 2002.
Exposições Individuais
1963 - Brasília DF - na Fundação Cultural
1964 - Fortaleza CE - na Galeria Ser
1969 - Fortaleza CE - no Museu de Arte da UFC
1989 - Fortaleza CE - Zenon: 40 Anos de Arte: Esculturas e Objetos, na Galeria Tukano
1989 - Fortaleza CE - Zenon: Esculturas: Homenagem ao Artesão e ao Trabalhador Rural, no BNB Clube  



Exposições Coletivas
1950 - Fortaleza CE - 6º Salão de Abril
1951 - São Luis MA - Salão de Artes Plásticas
1952 - Fortaleza CE - Mostra do Grupo dos Independentes
1952 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Arte Moderna
1952 - São Luis MA - Salão de Artes Plásticas
1954 - Fortaleza CE - Mostra do Grupo dos Independentes
1956 - Fortaleza CE - Salão de Abril
1959 - Fortaleza CE - Salão de Abril
1959 - São Paulo SP - 5ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho 
1960 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Arte Moderna - prêmio aquisição
1961 - Fortaleza CE - Mostra inaugural do Museu de Arte da UFCE
1962 - Fortaleza CE - Semana de Lincoln, no Ibeu/UFC
1962 - Porto Alegre RS - 9º Salão de Artes Plásticas - premiado
1963 - Salvador BA - Oito Artistas do Ceará, no MAM/BA
1964 - Fortaleza CE - Salão de Abril
1969 - Fortaleza CE - Salão de Abril
1969 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Arte Moderna
1969 - São Paulo SP - 1º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1969 - São Paulo SP - 1º Panorama da Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1970 - São Paulo SP - Pré-Bienal de São Paulo, na Fundação Bienal
1971 - Fortaleza CE - 3º Salão Nacional de Artes Plásticas do Ceará
1971 - São Paulo SP - 3º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1972 - São Paulo SP - Mostra de Arte Sesquicentenário da Independência e Brasil Plástica - 72, na Fundação Bienal 
1972 - Fortaleza CE - Sociedade Cearense de Artes Plásticas, no MAUC
1973 - Fortaleza CE - 17 artistas no Natal, no MAUC
1974 - Fortaleza CE - 19º Salão de Abril (Sala Especial em homenagem aos 25 anos de arte de Zenon Barreto)
1974 - São Paulo SP - 6º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP - artista convidado
1975 - Fortaleza CE - Coletiva de Artistas Cearenses, na Pinacoteca do Estado
1975 - São Paulo SP - 7º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP - artista convidado
1976 - Fortaleza CE - 2ª Exposição de Cartões de Natal Cruz Vermelha, no MAUC
1977 - São Paulo SP - 9º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1978 - Fortaleza CE - Exposição Pró-Anistia, Centro Médico Cearense
1978 - São Paulo SP - 10º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1981 - Fortaleza CE - 4 Artistas Cearenses Mostram Desenhos, no MAUC
1984 - Salvador BA - Artistas do Ceará, na Unifor/Núcleo de Artes do Desenbanco
1991 - Fortaleza CE - Scap: 50 Anos, na Sociedade Cearense de Artes Plásticas
1991 - Fortaleza CE - Scap: 50 anos, no Imperial Othon Palace Hotel
1999 - Fortaleza CE - Arte Construtiva no Ceará, no Centro Dragão do Mar de Arte e
Cultura

Fontes:
http://www.mauc.ufc.br