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quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

As Igrejas Católicas nos bairros

 

A igrejas católicas mais antigas da capital estão em sua maioria localizadas no Centro, não por acaso, a parte mais antiga da cidade. Mas, encontramos em diversos bairros, igrejas tão antigas quanto as do Centro, construídas com recursos dos fiéis, seguidores da fé católica, que não economizaram nem recursos nem trabalho para a concretização de seus objetivos, testemunhos de sua crença na igreja de Roma.

Igreja de Bom Jesus dos Aflitos – Parangaba  (1664)


A Igreja de Bom Jesus dos Aflitos foi sendo estabelecida a partir de 1664, durante o processo de instalação dos aldeamentos jesuítas e da ocupação indígena no Ceará, quando os padres deslocaram os índios Potiguaras, que se encontravam na região do rio Ceará, para Porangaba, formando o aldeamento homônimo.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição – Praia de Iracema (1841)


Em 26 de outubro de 1839, Antônio Joaquim Batista de Castro, morador no Outeiro da Prainha, requereu uma licença à Câmara Municipal, para que ele e outras pessoas pudessem construir uma capela de invocação a Nossa senhora da Conceição.  A licença foi concedida no dia 30 do mesmo mês. Os fiéis resolveram então, organizar uma irmandade e escolher o lugar onde seria edificado o templo. Concordaram que o local seria sobre a colina fronteira à praia, ficando a capela de frente para o oriente. A igreja foi inaugurada no dia 8 de dezembro de 1841.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição – Messejana (1873)

A Igreja de N. S. da Conceição, fundada em 1871, instituída canonicamente em 1873, conforme provisão episcopal de D. Luís Antônio dos Santos, primeiro bispo do Ceará. A igreja foi construída inicialmente pelos jesuítas, que estabeleceram um aldeamento e no local ergueram uma capela, que serviu de base para a igreja atual. Localizada na Rua Joaquim Bezerra, em Messejana.

Igreja dos Remédios – Benfica (1910)


A Igreja de N. S. dos Remédios, uma das mais antigas da cidade, foi inaugurada no dia 15 de agosto de 1910, nos arrabaldes do Benfica.  A iniciativa de sua construção partiu de João Antônio do Amaral, que desejava construir uma capela em terreno de sua propriedade, no Benfica, com a denominação de N.S. dos Remédios, de quem era devoto, e por ser a padroeira da Freguesia em que nascera, na ilha de S. Miguel, uma das Açores.

Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes – Jacarecanga (1913)


A capela foi mandada construir pelo abolicionista e empresário Alfredo Salgado, com benção e inauguração no dia 06 de abril de 1913, com missa rezada pelo Bispo Dom Xisto Albano. Com o tempo a antiga capela desapareceu dando lugar a igreja atual. 

Igreja Jesus Maria José – Antônio Bezerra (1915)


Fundada em 1915, a partir de uma capela privada construída em terras de Teófilo Rufino Bezerra de Menezes. O terreno onde seriam construídas a Igreja matriz, a pracinha, a casa paroquial e a quadra foi doado pelo Presidente, Sr. Antônio Bezerra de Menezes, mediante entrega do documento de doação à Cúria Metropolitana.

Igreja de São Gerardo Magela – São Gerardo (1925)

imagem: Facebook da Paróquia de São Gerardo 

A primeira capela dedicada a São Gerardo nasceu da iniciativa de um grupo de catequistas que conseguiram a doação de um terreno localizado na Avenida Bezerra de Menezes, por parte do casal Gaudioso e Donatila de Carvalho, no ano de 1924. Obtido o terreno, passaram a trabalhar para arrecadar recursos para a construção da capela, cuja pedra fundamental foi lançada no dia 25 de agosto do mesmo ano. Em 18 de outubro de 1925 o templo foi inaugurado e recebeu a primeira benção. No dia 19 de julho de 1934, a pequena capela, reformada e ampliada, foi elevada ao status de Paróquia de São Gerardo Magela pelo Arcebispo Dom Manoel da Silva Gomes.

Igreja do Cristo Rei – Aldeota (1930)

imagem: site da Paróquia do Cristo Rei

Construída entre 1928 e 1930, com plena participação da comunidade pastoral, que se engajou física e financeiramente na construção do templo. A princípio o a igreja teria como padroeiro São Luiz Gonzaga, mas a denominação foi mudada para Cristo Rei em face da da Encíclica de Cristo Rei, publicada em 1928, pelo Papa Pio XI. Com exceção da imagem do Cristo Rei que está no altar principal, as demais imagens dos santos são de origem portuguesa e especialmente a imagem de Nossa Senhora de Fátima, confeccionada pelo arquiteto português Thetin, na década de 1920, a partir da descrição dos pastores que viram a aparição da virgem.

Igreja da Piedade – Joaquim Távora (1930)

imagem: Arquidiocese de Fortaleza

Nos primórdios do século XX, havia no local uma capela sob sua invocação. No dia 08 de julho de 1928, a capelinha desabou, sendo construída em seu lugar a Igreja de Nossa Senhora da Piedade, com a ajuda de paroquianos e do arcebispo de Fortaleza Dom Manuel da Silva Gomes. Em 1934 a Igreja foi doada pelo arcebispo aos padres Salesianos. A imagem da padroeira que encima o altar-mor veio da Espanha em 1953, doada pela família Gentil Barreira.

Igreja Nossa Senhora das Dores – Farias Brito (Otávio Bonfim) (1932)


Inaugurada em 1932, por meio de doações.  A construção da Igreja das Dores e do convento de São Francisco muito deve aos esforços de Dom Manoel da Silva Gomes, que se empenhou na vinda dos franciscanos menores para Fortaleza, inclusive fazendo a doação de um terreno para a construção da igreja e do convento dos franciscanos, anexo. A Igreja N.Sra. das Dores sucedeu à antiga capela de São Sebastião levantada na praça a que deu o nome, na antiga Estrada do Gado, hoje rua Justiniano de Serpa.

Igreja Nossa Senhora da Saúde – Mucuripe (1934)


A Igreja Nossa Senhora da Saúde foi fundada pela própria comunidade de pescadores do Mucuripe, inaugurada em 1934. O padre José Nilson influenciou a vida religiosa do bairro por causa da interação com os moradores, e lutou com eles pelas melhorias do local. Contam que, antes da chegada do antigo pároco, a comunidade do Mucuripe era esquecida e nenhum religioso ficava mais de dois anos no comando da paróquia. Em maio de 1950, padre Zé Nilson foi enviado ao Mucuripe por Dom Antônio de Almeida Lustosa, com a previsão de ficar somente dois anos, como seus antecessores. No entanto, o religioso acabou ficando por 50 anos. A Imagem de N. Senhora da Saúde, na praça da matriz, é um trabalho do escultor Deoclécio Diniz, conhecido por "mestre Bibi" ou "Bibi Santeiro".

Igreja de Nossa Senhora de Nazaré – Montese (1948)


Inaugurada em 1948, em terreno doado pelo casal Sindulfo Serafim Ferreira Chaves e sua mulher, Dulcinéia Gondim Chaves, donos de uma extensa propriedade denominada Sitio Bom Futuro, de onde o terreno foi apartado.  A arquitetura do templo reproduz a planta de uma igreja da Holanda.

Santuário Nossa Senhora de Fátima – Fátima (1953)

imagem: site do Santuário de Fátima/Paulo Vasconcelos

O templo foi construído no ponto mais alto de uma elevação de terra, onde antes havia uma extensa vegetação. Foi inaugurada em 1953, com variadas contribuições de fiéis, inclusive das classes mais abastadas. A ideia de construção da igreja está ligada a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima que percorreu vários países da Europa e alguns Estados do Brasil, e iniciou uma visita a Fortaleza em 9 de outubro de 1952.

Igreja de São João Batista – Tauape (1957)

imagem: Arquidiocese de Fortaleza

Até o dia 23 de dezembro de 1936, a Igreja de São João Batista era a sede da Matriz Santa Terezinha. A construção da Igreja Matriz de São João Batista foi iniciada em 09 de outubro de 1957, e segundo depoimento de moradores antigos, demorou quase 10 anos para ser concluída. O templo foi construído com o esforço dos padres e ajuda do povo. A antiga igrejinha hoje abriga o salão paroquial.

 

Igreja da Santíssima Trindade – bairro José Walter – 1970

Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – bairro Mondubim – 1982

Igreja de São Francisco Xavier – Conjunto Esperança – 2015

Igreja Jesus Maria |José – bairro Vila União – 1968

Igreja Nossa Senhora das Graças – bairro Pirambu – 1958

Igreja de São Vicente de Paulo – bairro Dionísio Torres – 1971

Igreja de São Raimundo Nonato – bairro Rodolfo Teófilo – 1948

Igreja de Nossa Senhora da Glória – Cidade dos Funcionários – 1968

Igreja de Santa Luzia – bairro Meireles – 1957

Igreja de Nossa Senhora de Lourdes – bairro Lourdes – 2000

Igreja São Francisco de Assis – bairro Dias Macedo – anos 60

Igreja de Santo Afonso Ligório (Igreja Redonda) – Parquelândia – 1978

Igreja de São José – Papicu – 2012

Igreja do Divino Espírito Santo – bairro Cidade 2000 – 1975

Igreja Nossa Senhora da Paz – bairro Aldeota – 1961

Igreja de Santo Antônio de Pádua – bairro Maraponga – 2006


Fontes: 

As pouco lembradas Igrejas de Fortaleza/Eduardo Fontes/Fortaleza, Secretaria de Cultura e Desporto/1983/

https://www.fwa.org.br/livros/datas-e-factos-para-a-historia-do-ceara-tomo-iii.pdf

https://bairrosjtauape.blogspot.com/

https://www.arquidiocesedefortaleza.org.br/

Jornais O Povo, Diário do Nordeste 

 

sábado, 2 de maio de 2020

A Chegada das Igrejas Evangélicas (até 1970)


A Igreja Católica Apostólica Romana chegou ao Brasil logo após o descobrimento, junto com os primeiros colonizadores portugueses que aqui aportaram trazendo os padres da Companhia de Jesus – os Jesuítas – que se encarregaram de promover a substituição dos símbolos religiosos indígenas pelos preceitos da Igreja Católica. E o país cresceu e se desenvolveu como o maior país católico do mundo, tendo o catolicismo como religião oficial até a Constituição Republicana de 1891, que instituiu o Estado Laico. Antes mesmo da instituição do Estado laico e da liberdade de crença, a primeira igreja evangélica já se instalava e conquistava fiéis no Ceará.



Ao casal de missionários De Lacy Wardiaw e sua mulher Mary Wardlaw, que aqui chegaram em 1881, é creditada a primeira incursão da igreja presbiteriana em terras cearenses. No mesmo dia da chegada, em um hotel da Praça dos Mártires (Passeio Público), o pastor apresentava o culto aos anfitriões: o capitão do porto e senhora, o chefe dos correios um jornalista recém convertido e alguns passantes. Em que pese o culto em língua estrangeira, o americano batizou 13 novos adeptos em julho de 1883, data que foi organizada a primeira igreja evangélica do Ceará – a segunda do Norte e Nordeste – e que por ocasião de sua instalação recebeu os primeiros missionários e a denominação de Igreja Presbiteriana de Fortaleza.  

Em 12 de outubro de 1898 foi assentada a pedra fundamental da primeira Igreja Presbiteriana de Fortaleza, à Rua Sena Madureira esquina com a Rua Pedro Borges. Hoje a igreja conta com mais de 50 templos em todo o Estado. Dentre as obras sociais mantidas pela igreja, estão um abrigo para senhoras idosas e carentes; um projeto no bairro Parque Santa Cecília, que oferece a 500 crianças cursos gratuitos que incluem escola de 1ª a 4ª Séries, esportes variados, balé, dança moderna, música teatro, informática, além de assistência médica, odontológica, e o Projeto Vila Mar, no bairro do Serviluz, que atende a 801 crianças, oferecendo creche e escola de 1ª a 4ª séries, e cursos gratuitos de balé, música, esportes variados, teatro e informática, além de assistência médica, dentária, psicológica. A sede da igreja fica na Avenida Visconde do Rio Branco.


O primeiro contato da Igreja Batista com os cearenses, aconteceu em 1908, através do pastor Eric Nelson. De 1923 a 1930 funcionou em estado embrionário, sendo criada a primeira igreja na Aldeota. Registra-se o ano de 1945 como o da chegada dos primeiros missionários residentes, o pastor Burton de Wolfe Davis e sua mulher Sarah Blanche Davis . Alguns anos mais tarde coube a outro casal – Robert Standley organizar a segunda igreja, a de Monte Castelo, época em que foi construído o Colégio Batista de Fortaleza. 


Colégio Batista Santos Dumont - inaugurado em 1950 
Hospital Batista - anos 60
Em 16 de junho de 1960 houve o lançamento da Pedra Fundamental. Com um projeto arrojado, o Hospital já foi concebido com a intenção de ser o mais moderno do Ceará, e o 1° Hospital Batista do Brasil. 

Ao fim dos anos 50 foram construídas cinco igrejas, sendo duas em Fortaleza e três em cidades do interior. A partir dos anos 60 os batistas concentrariam mais esforço em sua propagação, criando congregações e construindo o Hospital Batista Memorial. Ligados às atividades da Igreja Batista, além do Hospital e do Colégio, estão ações que visam a reabilitação de viciados em Drogas, a Livraria Batista Cearense, no Centro, além da Escola  Kerigma, que encerrou as atividades em 2016.

Igreja Pentecostal Assembleia de Deus

primeiro templo central em Fortaleza

No Ceará a Igreja Assembleia de Deus começou a operar a partir do interior, com a instalação de uma unidade num lugarejo conhecido como Alagoinha, em Itapajé, em 1914, sob a responsabilidade do pastor Adriano de Almeida Nobre. A abertura do primeiro núcleo em Fortaleza só seria possível em 1929, tendo como pastor Antônio Rego Barros, enviado pela igreja de Belém. A fundação da igreja em Fortaleza ocorreu   no dia 07 de setembro do mesmo ano, na Rua Santa Terezinha, nº 146, no bairro do Arraial Moura Brasil.

Por volta de 1933 a unidade de Fortaleza contava com apenas 42 membros, Em 1935 o novo pastor José Teixeira Rego transferiu o salão de cultos que funcionava no bairro Benfica para um prédio na Rua Tereza Cristina. Com o passar do tempo e o aumento no número de congregados, o templo passou por uma reforma, sendo reinaugurado em 1957 com uma solenidade que foi assinalada como “o maior acontecimento na história do povo pentecostal no Ceará”. Hoje são 110 mil igrejas no Brasil, frequentadas por 12 milhões de fiéis, e inúmeras obras sociais. A sede da Assembleia de Deus fica na Avenida dos Expedicionários.


Os Adventistas são uma igreja cristã protestante organizada nos Estados Unidos em 1863. A primeira missão adventista do Sétimo Dia a incursionar no Ceará data de 1936, quando aqui chegou o missionário Leo Halliwel, a quem coube implantar um núcleo religioso compartilhado por 29 adeptos. Esse trabalho inicial foi impulsionado a partir de 1938, época em que a igreja já contava com cerca de 300 membros. O templo central foi inaugurado em 1947.

Templo Melkita Nossa Senhora do Líbano - no bairro Meireles

A instalação da primeira e até agora única paróquia do rito Melkita Bizantino no Ceará ocorreu em 1953, ocupando então a Igreja de São Pedro, na Praia de Iracema. Sua criação deve-se ao esforço da colônia libanesa residente em Fortaleza, de onde saíram os 15 membros que comporiam o Conselho Leigo do núcleo religioso em seu início.

Em 1963 a igreja transferiu suas instalações para a Rua República do Líbano, que recebeu o nome de igreja Melkita Nossa Senhora do Líbano. Os melkitas são católicos, estão ligados à Roma, mas diferem do restante por utilizarem o rito Oriental – mais precisamente o Bizantino e não o ocidental em suas liturgias.

Testemunhas de Jeová

O movimento que resultaria no surgimento das Testemunhas de Jeová foi iniciado em 1870, nos Estados Unidos. Todas as testemunhas de Jeová gastam em média 15 horas mensais no serviço de pregação das “Boas novas do Reino de Deus”, dirigindo estudos bíblicos domiciliares. Em Fortaleza, o primeiro local de reuniões funcionou na Rua Justiniano de Serpa, sendo transferida posteriormente para a Rua 24 de Maio e depois para a Avenida Duque de Caxias. 

Salão do Reino das Testemunhas de Jeová, reinaugurado no Eusébio em 2020, com capacidade para 2.000 pessoas.

As Testemunhas de Jeová são avessos à Teologia da Prosperidade (doutrina religiosa cristã que defende que a bênção financeira é o desejo de Deus para os cristãos e que a fé, o discurso positivo e as doações para os ministérios cristãos irão sempre aumentar a riqueza material do fiel. No Brasil, seu maior divulgador é o bispo Edir Macedo, da IURD), não fazem nenhum tipo de coleta nas reuniões, nem cobram entrada para qualquer que seja o evento. Os ministros não cobram para realizar batismos, funerais, casamentos ou outros serviços religiosos. Não arrecadam dinheiro em bazares, vendas de rifas, bingos, jantares beneficentes ou eventos semelhantes, nem pedem doações. Neutralidade política e recusa à transfusão de sangue também são características pelas quais os membros são conhecidos. A igreja tem atualmente 117 salões do Reino e 46.619 membros espalhados pelo Ceará.

Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

A Igreja dos Mórmons tem suas origens na cidade de Lago Salgado, no Estado norte-americano de Utah. A filosofia mórmon alcançou o Ceará na década de 60, quando o missionário Douglas J. Fenwick se instalou em Fortaleza como primeiro presidente em território cearense num imóvel na Aldeota. Os trabalhos da Igreja começaram em 1966, na Praça do Ferreira, onde os missionários encontraram os primeiros membros cearenses. Atualmente o número de membros no Brasil ultrapassa 1,4 milhão, segundo dados fornecidos pela entidade. Eles se reúnem em cerca de duas mil congregações espalhadas por todo o País.


A obra realizada pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tem 35 mil m², levou 30 meses para ficar pronta e envolveu mais de duas mil pessoas. O templo tem fachada revestida em mármore e estátuas de ouro. Inaugurado em 2019 na região da Praia do Futuro


A Igreja Messiânica surgiu no Japão em 1935, criada por Meishu Okada. Sua filosofia de ação se concentra em ensinar as pessoas a serem úteis à humanidade. No Ceará tem uma única igreja, estabelecida em Fortaleza na Avenida Desembargador Moreira


A primeira igreja Metodista foi implantada em Fortaleza no ano de 1968, pelo missionário Josias Terenzi Pinto, instalando-se em casa na Rua Barbosa de Freitas nº 1830, passando dois anos depois para sua sede própria na Avenida Visconde do Rio Branco nº 3543.

Em 1972 a igreja deu início a um trabalho de difusão, angariando novos membros. A igreja atua em dois segmentos, o religioso e o social, onde mantém cursos de alfabetização, realiza um projeto habitacional em Acaraú e opera um Centro Social na Avenida Leste-Oeste. No Brasil os metodistas contam com seis universidades e operam 42 cursos de nível superior. 


fontes:
Anuário do Ceará 79/80
Jornal o Povo
Sites das Igrejas

quarta-feira, 15 de junho de 2016

As Igrejas mais Antigas de Fortaleza

O catolicismo tem sido a principal religião do Brasil desde o descobrimento. Foi introduzido por missionários que acompanharam os exploradores e colonizadores portugueses desde os primórdios. Muitas cidades do interior surgiram a partir de aglomerados que cresceram em torno de uma capela.

A Igreja católica fez-se presente no Ceará desde as primeiras tentativas de conquistas da terra. A colonização portuguesa era legitimada pelo Papa e estava ligada a necessidade de expansão da fé católica. É sintomático que uma das tentativas de conquista do território cearense tenha sido encabeçada por dois jesuítas, Francisco Pinto e Luís Figueira, em 1607.

Em 1611, outro colonizador – Martim Soares Moreno – trouxe consigo o padre Baltasar João Correia, erguendo ao lado do forte de São Sebastião, na atual Barra do Ceará, uma pequena ermida de taipa, dedicada a Nossa Senhora do Amparo. Sem muito êxito na sua missão, o religioso retirou-se por volta de 1615.


Franciscanos e Jesuítas sempre marcaram presença em terras cearenses, catequizando índios e mantendo estreita convivência com fazendeiros e pessoas simples do campo. Não por coincidência, os templos mais antigos de Fortaleza são todos de fé cristã. Alguns desses templos foram construídos por irmandades.  No período colonial, as irmandades religiosas tinham uma grande influência na vida da população. Tendo origem nas confrarias da Europa medieval, consistiam em associações religiosas de leigos, cujo propósito era cultuar um santo através de procissões, festas, construção de templos, prática de caridade.

Estas são primeiras igreja de Fortaleza, que já foram fundadas nos mesmos locais onde se encontram até os dias atuais. Algumas foram reconstruídas com características totalmente diferentes dos modelos originais, como as Igrejas do Coração de Jesus e a de São José (Catedral Metropolitana); a maioria, no entanto, sofreram poucas modificações em relação a construção original. 

Igreja do Rosário  1730 


A Igreja do Rosário foi construída pelos negros da Irmandade de Nossa Senhora dos Pretos, em uma época em que havia separação de raças e classes sociais em templos religiosos. Era uma pequena capela de taipa e palha, erguida com donativos ofertados pelos fiéis, num arrabalde da vila, que muitos anos mais tarde se tornaria a atual Praça General Tibúrcio.

Em 1753, a capela foi reconstruída com pedra e cal, porque ameaçava desabar. A capela mor ficou pronta em 1755. No período de 1821 a 1854, Igreja do Rosário serviu de matriz enquanto a Catedral Metropolitana passava por reformas. Construído em estilo barroco, é o mais antigo templo de Fortaleza, tombada pelo Estado em 1983. Fica na Rua do Rosário, s/n, Praça General Tibúrcio, Centro. 

Igreja de São José (Catedral Metropolitana) - 1795 


A construção da primeira capela mor de Fortaleza foi decidida em fevereiro de 1699, mas a autorização só ocorreu por Ordem Régia de 12 de fevereiro de 1746. Concluída em 1795, a igreja foi demolida em 1820, quando foi vistoriada e encontradas diversas rachaduras no arco, ficando resolvida sua demolição para a construção de um novo templo.

As peças sacras foram transferidas para a Igreja do Rosário, e só retornariam no dia da bênção da nova matriz, no dia 2 de abril de 1854, que recebeu o nome de Igreja de São José. A Igreja foi elevada à Catedral quando houve o desmembramento da Diocese de Pernambuco e foi criada a do Ceará.

Em 1938 novamente sob a alegação de que estava prestes a ruir, esta também foi demolida e a pedra fundamental da atual catedral foi lançada em 15 de agosto de 1939, à época do arcebispado de Dom Manuel da Silva Gomes. 

A construção da nova catedral demorou mais do que o esperado, em razão do início da Segunda Guerra, e da ocorrência das grandes secas, cujo socorro aos flagelados era sempre prioridade e demandava grande volume de recursos. Finalmente foi inaugurada no dia 22 de dezembro de 1978, tendo o padre Tito Guedes à frente de suas obras e como Arcebispo Metropolitano, Dom Aloísio Lorscheider. Localizada na Praça da Sé, s/n. 



Consta que em 26 de outubro de 1839, Antônio Joaquim Batista de Castro, morador no Outeiro da Prainha, requereu uma licença à Câmara Municipal, para que ele e outras pessoas pudessem construir uma capela de invocação a Nossa senhora da Conceição.  A licença foi concedida no dia 30 do mesmo mês.

Os fiéis resolveram então, organizar uma irmandade e escolher o lugar onde seria edificado o templo. Concordaram que o local seria sobre a colina fronteira à praia, ficando a capela de frente para o oriente. A planta do novo templo foi de autoria do arquiteto José Antônio Seifert.

A primeira missa foi celebrada no dia 8 de dezembro de 1841. Atrás da igreja havia o Cemitério da Prainha, que funcionou entre 1811 e 1847. A igreja foi utilizada pelo seminário durante o tempo em que funcionou no local, passou por ampliação e serviu aos ofícios realizados pelos padres e seminaristas.

A igreja da Prainha fica na confluência das avenidas D. Manuel e Monsenhor Tabosa, junto à Praça do Cristo Redentor, no antigo bairro Outeiro da Prainha. O prédio é contíguo ao Seminário da Prainha e os dois edifícios compõem um conjunto arquitetônico de interesse histórico e artístico na cidade. Tombamento Estadual de 2006. 



A pedra fundamental da Igreja do Patrocínio foi lançada em 02 de fevereiro de 1850, que ficaria pronta dois anos mais tarde. Em 1849 o cabo da esquadra Fortunato José da Rocha disparou um tiro contra o Capitão Jacarandá, mas acertou o joelho do Alferes Luís de França Carvalho, que estava ao lado do capitão. Vendo-se em risco de perder a vida, Luís de França fez voto a Nossa Senhora do Patrocínio, que se escapasse, faria uma igreja em sua devoção.

No ano seguinte, curado do ferimento, lançou a pedra fundamental da igreja, ao norte da atual Praça José de Alencar). O oficial teve que deixar Fortaleza e os trabalhos de construção passaram a ser muito lentos, apesar da ajuda de muitos fiéis que apoiaram a ideia do militar. A planta do templo foi feita pelo mestre Antônio de Rosa e Oliveira.

As obras iniciadas por França só foram concluídas devido aos esforços do cônego João Paulo Barbosa, que contou com o auxílio de particulares, das Assembleias Provinciais, da Sociedade Auxiliadora dos Templos, e dos materiais que de ordem do governo lhe foram doados no período da seca. Situada na Rua Guilherme Rocha, 536, Praça José de Alencar, Centro. 




Em 1854 o Tenente Bernardo José de Melo construiu uma pequena igreja de taipa em honra de Nossa Senhora do Bom Parto. No primeiro inverno, com a força das chuvas que caíram, a capela foi ao chão. Graças ao seu prestígio, o tenente Bernardo conseguiu um empréstimo do governo no valor de Oitocentos Mil Réis, para ser pago em parcelas de cinquenta mil Réis por ano. Com esse dinheiro construiu a atual Igreja de São Bernardo, a qual sofreu um único acréscimo em relação a construção original: a sacristia, feita por Monsenhor Quinderé, durante os 40 anos como Reitor da igreja.

Inicialmente o povo chamava a Igreja do Seu Bernardo, que com o tempo mudou de Seu para São. Ficou sendo a Igreja de São Bernardo, embora a devoção maior fosse em louvor a Nossa Senhora do Bom Parto. Para justificar o batismo da igreja o Tenente Bernardo mandou vir da Espanha uma bela imagem de São Bernardo, que passou a ser o titular da igreja.

A Igreja de São Bernardo conta com dois altares herdados da antiga Igreja da Sé, demolida em 1938: o Altar de São José e o de N. S. do Bom Parto.  Fica na esquina das ruas Senador Pompeu e Pedro Pereira, no centro. 

foto Panorâmio

A Igreja de N. S. da Conceição, fundada em 1871, instituída canonicamente em 1873, conforme provisão episcopal de D. Luís Antônio dos Santos, primeiro bispo do Ceará. A igreja foi construída inicialmente pelos jesuítas, que nesse mesmo local ergueram uma capela, em cuja base foi erigida a igreja atual. Localizada na Rua Joaquim Bezerra, em Messejana. 

Igreja de São Benedito – 1885 

 foto de Muhammad Said

A inauguração da Igreja de São Benedito ocorreu na manhã do dia 8 de abril de 1885.  Na tarde do mesmo dia acontece a transladação das imagens de São Benedito, Santa Tereza de Jesus, São Roque e São Caetano, da Igreja do Patrocínio para o novo templo. Era uma igrejinha pequena, original, com quatro frentes para os quatro pontos cardeais, com torre de madeira envidraçada, situada ao lado oriental do Boulevard  do Imperador.

No dia 27 de julho de 1938 foi instalado o Santuário da Adoração Perpétua, na Igreja de São Benedito. Depois foi construída uma nova igreja na Rua Clarindo de Queirós, que fica ao lado, e o antigo templo foi transformado em uma livraria, e mais tarde, demolido. 



Inaugurada em 25 de março de 1886, a construção da Igreja do Sagrado Coração de Jesus foi uma iniciativa do casal José Francisco da Silva Albano e Liberalina Angélica da Silva Albano (Barão e Baronesa de Aratanha), com o apoio do bispo Dom Luís Antônio dos Santos. Ficou conhecida como Igreja dos Albanos.

A grande seca de 1877-1879 deixou um grande número de flagelados em Fortaleza, para aproveitar essa mão-de-obra e dar emprego a essa gente é que foi construída a igreja, em frente a Lagoa do Garrote, no Parque da liberdade (atual Cidade da Criança), no Morro do Pecado, onde já existia uma capela em louvor a Nossa Senhora das Dores. O templo era simples, em linhas neoclássicas e neogóticas, se assemelhava à Igreja do Carmo.

Em 1952, os engenheiros Luciano Pamplona e Valdir Diogo aumentaram a altura da torre e colocaram um imenso relógio trazido de Roma na fachada. Cinco anos depois, em 1957, a torre cedeu e soterrou a entrada da igreja. Não houve vítimas. Ao invés de reconstruirem a igreja, pois apenas a torre fora afetada, os capuchinhos optaram por derrubar toda a igreja para construírem um templo maior, com rampas para subida dos carros, uma torre vazada e uma grande cúpula sobre a nave principal.  A nova igreja foi inaugurada em 1961. Localizada na Avenida Duque de Caxias,135, Centro. 



A história da Igreja do Pequeno Grande está intimamente ligada à história do Colégio da Imaculada Conceição.  A pedra fundamental foi lançada em 1898, pelo padre Chevalier, reitor do Seminário e capelão do Colégio da Imaculada.  As obras, mal iniciadas, sofreram paralisação no ano seguinte, sendo retomadas em 1898 até a sua conclusão em 1903, quando se verificou a benção do templo.

Para que o templo ficasse concluído, a Irmã Chambeaudrie doou à igreja uma herança de família. Por sua vez, os membros de diversas associações – Filhas de Maria, Senhoras de Caridade e as próprias freiras se dedicaram a missão de angariar recursos para a obra. Situada na Avenida Santos Dumont, 55, Centro. 

Igreja do Carmo – 1906 


A paróquia de Nossa Senhora do Carmo que domina a praça, foi a quarta paróquia a ser criada em Fortaleza. Originalmente ali era a capela de Nossa Senhora do Livramento, um pequeno templo erigido pela Irmandade dos Pardos, administrada pela Paróquia do Patrocínio.

A capela se erguia em área distante do centro, cercada de árvores, com uma lagoa nas proximidades. No início do século XX, foi decidida a construção de uma igreja em substituição à capela, que se encontrava em péssimas condições. Ainda na construção, a autoridade diocesana permitiu que fosse mudada a invocação para Nossa Senhora do Carmo.

O templo foi inaugurado em 25 de março de 1906, com muita solenidade, sendo o primeiro capelão monsenhor José Gurgel do Amaral. A imagem que ocupa o centro do altar-mor tem uma história de desencontro: o Padre Dantas tinha encomendado a imagem de Nossa Senhora do Carmo em Portugal. Quando a efígie da santa chegou a Fortaleza, ele foi avisado de que deveria pagar os direitos alfandegários para que pudesse recebê-la, o que ele não fez por esquecimento.

Então a imagem foi a leilão, tendo sido arrematada pelo Sr. José Rossas, que procurado pelo padre negou-se a cedê-la por qualquer preço. Dias depois José adoeceu gravemente, de paratifo, e fez uma promessa de entregar a imagem à Igreja caso ficasse curado. Alguns dias depois, mandou que sua esposa procurasse o Pe. Dantas para entregar-lhe a imagem da Virgem Maria, sem qualquer compensação.  A Igreja do Carmo fica na Avenida Duque de Caxias, s/n, Centro. 

obras consultadas:
FONTES, Eduardo. As Pouco Lembradas Igrejas Fortaleza: subsídio à história dos templos católicos de Fortaleza. Fortaleza: Secretaria de Cultura e Desporto, 1983.
BEZERRA DE MENEZES, Antonio. Descrição da Cidade de Fortaleza. Introdução e notas de Raimundo Girão. Fortaleza: Edições UFC/Prefeitura Municipal de fortaleza, 1992 
AZEVEDO, Miguel Ângelo (NIREZ). Cronologia Ilustrada de Fortaleza. Roteiro para um turismo histórico e cultural. Fortaleza: banco do Nordeste, 2001.
Catedral Metropolitana de Fortaleza – Oficina de projetos S/S Disponível em
http://www.ofipro.com.br/preservando/catedral.htm
fotos do Arquivo Nirez e Fortaleza em Fotos